"Ele Roubava Todo o Meu Dinheiro, Mas Eu Guardava Todas as Provas" Capítulo 8
"Então por que chamou de menina?"
Vinícius sorriu.
"Porque, pelo que ouvi, ela ainda precisa de alguém dizendo o que fazer."
Osvaldo gostou da frase.
"Isso é verdade."
Vinícius empurrou o cardápio para o lado.
"Quero falar de negócios."
"Que negócios?"
"Mesa da Lena."
Osvaldo ficou quieto.
Vinícius percebeu.
"Ela está fornecendo para três unidades do Grupo Valença."
"Por enquanto."
"Exatamente."
Osvaldo apoiou os cotovelos na mesa.
"Você quer tomar o contrato dela."
"Eu quero entender de quem é o produto."
"Meu."
Vinícius não reagiu.
"Seu?"
"Era da minha mulher."
"Teresa."
Osvaldo estreitou os olhos.
"Você pesquisou."
"Eu não entro em reunião sem saber o mínimo."
Vinícius tomou outro gole de café.
"As receitas eram dela?"
"Eram da família."
"Isso não é a mesma coisa."
Osvaldo se inclinou.
"Minha mulher criou aquelas receitas enquanto era casada comigo."
"E?"
"Eu pagava as contas."
"Tem documento?"
Osvaldo hesitou.
Foi quase imperceptível.
Vinícius viu.
"Sem documento, isso é conversa de bar."
Osvaldo recostou-se.
"Tenho coisa melhor."
"Estou ouvindo."
"Helena sempre trabalhou para mim."
Vinícius arqueou uma sobrancelha.
"Para você?"
"Eu comprava ingrediente. Eu mantinha a estrutura. Eu controlava produção."
Era mentira.
Mas Osvaldo dizia com a segurança de quem repetira versões falsas por tempo suficiente para acreditar nelas.
"Ela só fazia o que eu mandava."
Vinícius apoiou os dedos sobre a mesa.
"Então por que a empresa está no nome dela?"
Osvaldo ficou em silêncio.
Vinícius sorriu de leve.
"Essa é a parte que me interessa."
"Ela abriu escondida."
"Isso eu já percebi."
"Usou receita da família."
"Você consegue provar?"
Osvaldo não respondeu.
Vinícius se inclinou.
"Escuta."
A voz dele baixou.
"Eu não preciso saber quem tem razão moral."
Osvaldo franziu a testa.
"Preciso saber quem consegue apresentar um documento melhor."
Os dois se encararam.
Pela primeira vez, Osvaldo entendeu exatamente por que aquele homem tinha marcado a reunião.
"Que documento?"
Vinícius não respondeu diretamente.
"Se Helena recebeu os direitos de alguém, existe papel."
"E se ela transferiu depois?"
"Também existe papel."
Osvaldo ficou imóvel.
Vinícius mexeu o café.
"Uma cessão."
Silêncio.
"Marca, receita, produção."
Osvaldo olhou ao redor.
"Você está sugerindo o quê?"
Vinícius sorriu.
"Eu não sugeri nada."
"Mas sabe fazer."
"Eu sei contratar gente que organiza documentação."
Osvaldo começou a sorrir.
Naquela mesma tarde, Helena estava na cozinha do Bom Retiro discutindo embalagem com Rosana.
As vendas continuavam crescendo.
Não de forma explosiva.
De forma consistente.
Para Helena, era melhor.
Ela havia aumentado produção em vinte por cento e recusado mais dois pedidos grandes.
"Se entrar mais um hotel agora, quebra a rotina."
Rosana concordou.
"E quando dá para aumentar?"
"Quando a gente tiver mais uma bancada e forno."
"Você já viu preço?"
"Três modelos."
Helena abriu uma planilha.
"Se o volume atual continuar por seis semanas, dá para comprar sem empréstimo."
Rosana sorriu.
"Você odeia empréstimo."
"Eu odeio dívida que não controlo."
A frase ficou no ar.
Helena percebeu.
Rosana também.
Nenhuma comentou.
O celular de Helena tocou.
Camila.
Ela atendeu imediatamente.
"Oi."
"Você está na cozinha?"
"Estou."
"Preciso que venha ao escritório."
Helena sentiu o estômago apertar.
"Aconteceu alguma coisa?"
"Recebemos uma notificação."
"Do Osvaldo?"
"Sim."
Helena fechou os olhos.
"Eu chego em quarenta minutos."
Quando entrou no escritório de Camila, havia uma pasta grossa sobre a mesa.
A advogada não perdeu tempo.
"Ele entrou com uma ação."
Helena se sentou.
"Por causa do carrinho?"
"Não."
"Do inventário?"
"Também não."
Camila empurrou a primeira página.
"Ele diz que você está usando propriedade intelectual que pertence a ele."
Helena demorou dois segundos para entender.
"Receitas?"
"Receitas, marca e método de produção."
Helena soltou uma risada sem humor.
"Ele enlouqueceu."
"Talvez."
Camila virou outra página.
"Mas alguém colocou essa loucura no papel."
Helena começou a ler.
A linguagem era agressiva.
A ação dizia que Osvaldo Duarte havia desenvolvido, financiado e administrado o negócio familiar durante anos.
Dizia que Helena atuara apenas como operadora.
Dizia que a marca Mesa da Lena havia sido criada a partir de patrimônio comercial dele.
"Isso é mentira."
"Eu sei."
"Tem o inventário."
"Tem."
"Então acabou."
Camila não respondeu.
Helena ergueu os olhos.
"Não acabou."
"Não."
A advogada puxou outro documento.
"Existe isso."
Helena pegou.
O título fez suas mãos esfriarem.
INSTRUMENTO PARTICULAR DE CESSÃO E TRANSFERÊNCIA DE DIREITOS.
Ela leu a primeira linha.
Depois outra.
Depois outra.
O documento dizia que Helena Duarte transferia de forma definitiva a Osvaldo Duarte todos os direitos relacionados às receitas artesanais, à marca Mesa da Lena e à exploração comercial dos produtos.
Havia uma assinatura no fim.
Helena sentiu o sangue desaparecer do rosto.
Parecia a dela.
Parecia muito.
"Eu nunca assinei isso."
"Eu sei."
"Camila, eu nunca vi esse papel."
"Eu acredito em você."
"É falso."
"Provavelmente."
Helena levantou o documento.
"Provavelmente?"
"Eu preciso provar."
Ela se levantou.
"Esse homem falsificou minha assinatura."
"É o que vamos sustentar."
"Isso não basta?"
"Para você e para mim, basta."
Camila apontou para a ação.
"Para o processo, precisamos demonstrar."
Helena voltou a sentar.
"Quem fez isso?"
"Tem mais um nome."
Camila puxou uma folha.
"Vinícius Braga."
Helena franziu a testa.
"Quem?"
"Dono da Braga Distribuidora Gourmet."
"Eu conheço o nome."
"Ele aparece como interessado comercial e futuro licenciado."
Helena leu.
"Licenciado de quê?"
"Dos direitos que Osvaldo diz possuir."
Agora tudo fazia sentido.
Alguém queria o produto.
Alguém queria o contrato.
Alguém havia percebido que destruir o carrinho não destruíra a empresa.
Então decidiram atacar o papel.
"Quanto ele quer?"
Camila respirou fundo.
"Osvaldo pede indenização."
"Quanto?"
"Um milhão e trezentos mil reais."
Helena ficou parada.
"Repete."
"R$ 1.300.000."
Ela começou a rir.
Não porque fosse engraçado.
Porque o número era tão absurdo que o corpo precisou escolher alguma reação.
"Eu não tenho um milhão e trezentos mil."
"Eu sei."
"Minha empresa nem vale isso."
"Não é só dinheiro."
Camila virou outra página.
Helena parou de rir.
"O que é isso?"
"Pedido de tutela de urgência."
"Para quê?"
"Suspender a comercialização."
Silêncio.
Helena leu novamente.
A ação pedia que a Mesa da Lena fosse impedida, temporariamente, de fornecer produtos sob aquele nome até que a titularidade das receitas e da marca fosse decidida.
As letras começaram a embaralhar.
"Se o juiz aceitar..."
"Você pode ter de interromper as entregas."
"Para os hotéis?"
"Para qualquer cliente dentro do alcance da decisão."
Helena levantou os olhos.
"Por quanto tempo?"
"Não sabemos."
"Dias?"
"Talvez."
"Meses?"
"Talvez."
A palavra caiu como pedra.
A Mesa da Lena tinha caixa.
Mas não para ficar meses parada.
Havia cozinha.
Funcionárias.
Ingredientes.
Contratos.
Impostos.
Fornecedores.
Uma empresa nova não morria apenas por falta de cliente.
Morria por falta de tempo.
"Ele não conseguiu pegar meu dinheiro."
Helena falou devagar.
"Então está tentando impedir que eu ganhe."
Camila assentiu.
"É uma forma de pressão."
"Ele quer que eu negocie."
"Provavelmente."
Como se tivesse sido chamado pela frase, o celular de Helena vibrou.
Número desconhecido.
Ela atendeu.
"Alô?"
A voz de Osvaldo veio do outro lado.
"Já recebeu?"
Helena olhou para Camila.
"Recebi."
"Bonito, né?"
"Você falsificou minha assinatura."
"Prova."
A palavra veio acompanhada de uma risada.
Helena sentiu raiva.
Não medo.
Raiva pura.
"Você quer um milhão e trezentos mil?"
"Quero o que é meu."
"Não existe nada seu."
"Então explica isso para o juiz."
Helena apertou o celular.
"Foi o Vinícius?"
Houve uma pausa.
"Você aprende rápido."
"Ele sabe que o documento é falso?"
"Você anda fazendo muita pergunta."
"Porque eu gosto de saber quem vai cair junto."
Osvaldo parou de rir.
"Escuta aqui."
A voz dele ficou mais baixa.
"Você ainda pode resolver."
"Como?"
"Assina a empresa."
Helena fechou os olhos.
Claro.
Era sempre a mesma coisa.
Dinheiro.
Empresa.
Controle.
"Se eu passar a empresa para você, a ação some."
"Talvez."
"Você é previsível."
Osvaldo ficou em silêncio.
Helena continuou.
"Primeiro queimou o carrinho."
"Você não prova."
"Agora inventou um contrato."
"Você não prova."
"Vai continuar repetindo isso até alguém provar."
"Até lá, sua empresa fecha."
A linha ficou muda por alguns segundos.
Então Osvaldo disse:
"Você devia ter ficado quieta."
Helena desligou.
Camila estendeu a mão.
"Me dá o celular."
"Por quê?"
"Vamos registrar a ligação."
Helena entregou.
"Ele admitiu alguma coisa?"
"Não diretamente."
"Mas pressionou pela empresa."
"Isso ajuda no contexto."
Pouco depois, Ricardo apareceu.
Helena não tinha avisado.
Camila também não.
Ele havia recebido cópia da notificação porque o Grupo Valença era citado como contratante.
Ricardo entrou com expressão dura.
"Meu jurídico já está vendo."
Helena levantou os olhos.
"Não."
"Não o quê?"
"Não quero seu jurídico assumindo isso."
Ricardo parou.
"Helena, isso afeta o meu contrato também."
"Seu contrato pode ser tratado dentro da sua parte."
"Essa ação pode parar sua empresa."
"Eu sei."
"Então deixa a equipe agir."
"Não."
Ricardo respirou fundo.
"Por quê?"
Helena se levantou.
"Porque ele passou oito anos dizendo que eu não conseguia fazer nada sem alguém."
"Isso não tem nada a ver."
"Tem tudo a ver."
"Você não precisa provar nada para ele."
"Preciso provar para mim."
Ricardo ficou em silêncio.
Helena continuou.
"Se eu vencer usando o seu nome, ele vai dizer que eu nunca consegui sozinha."
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 9 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4