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"Mostraram Suas Verdadeiras Faces… Sem Saber Que Eu Fingia Estar Paralisada" Capítulo 5

正文开头

Marina Lopes não administrou a nova medicação.

Naquela madrugada, retirou a ampola destinada a Beatriz, colocou outra de aparência idêntica no carrinho e guardou a original dentro de um saco lacrado.

Antes das seis da manhã, a amostra já estava a caminho de um laboratório particular em Pinheiros.

Henrique insistiu em não usar nenhum serviço ligado ao hospital.

"Se alguém conseguiu alterar uma prescrição sem minha autorização, eu não quero deixar rastro do exame no mesmo sistema."

Lívia concordou.

Beatriz ouviu tudo da cama.

Dessa vez, fingir parecia diferente.

Antes, sua imobilidade era uma escolha.

Agora, alguém estava tentando decidir por ela quando poderia abrir os olhos.

No começo da tarde, Henrique chegou à mansão.

Camila estava na empresa.

Augusto não aparecia desde a noite anterior.

Henrique entrou no quarto com Marina e Lívia, fechou a porta e girou a chave.

Beatriz sentou-se imediatamente.

"Resultado?"

Henrique colocou algumas folhas sobre a mesa.

"É pior do que eu esperava."

Lívia se aproximou.

"Quanto pior?"

"O medicamento isolado tem indicação médica legítima. O problema é a dose, a frequência proposta e a associação com o restante do protocolo."

Beatriz ficou séria.

"Fala sem linguagem de médico."

Henrique olhou diretamente para ela.

"Se você recebesse isso repetidamente, poderia apresentar sonolência profunda, confusão, fraqueza muscular e redução importante da capacidade de reagir."

Marina completou:

"Exatamente os sintomas que sua família já acredita que você tem."

Beatriz sentiu um arrepio.

"E se continuassem?"

Henrique demorou um segundo.

"Em determinadas condições, poderia haver depressão respiratória."

Lívia empalideceu.

"Ela poderia morrer?"

"Existe risco."

O quarto ficou em silêncio.

Beatriz olhou para as próprias pernas.

Mexeu os pés.

Levantou-se.

Caminhou até a janela.

Durante dias, aquilo havia sido seu segredo.

Agora, cada passo parecia um privilégio que alguém tentava roubar.

"Camila autorizou Álvaro."

Lívia falou com cuidado.

"Isso não prova que ela sabia exatamente o que ele prescreveu."

Beatriz virou.

"Você ainda está defendendo sua irmã?"

"Não."

"Então?"

"Estou defendendo a diferença entre suspeita e prova."

Beatriz reconheceu naquela frase algo que sempre admirara em Lívia.

Ela não precisava gostar de alguém para ser justa.

"Precisamos descobrir o que Camila pediu a ele", continuou Lívia.

Beatriz voltou para a cama.

"Então vamos deixar que ela acredite que está funcionando."

Henrique balançou a cabeça.

"Eu não gosto disso."

"Nem eu."

"Você pode simplesmente parar agora."

"E entregar a eles a chance de destruir provas?"

"Beatriz, estamos falando da sua vida."

"E eu estou falando de descobrir quem está disposto a tirá-la."

Lívia cruzou os braços.

"Você ainda está tratando isso como se fosse uma negociação."

Beatriz olhou para ela.

"É a única linguagem que eu conheço."

"Talvez esse seja o problema."

A frase doeu.

Beatriz não respondeu.

Marina guardou os exames.

"Então fazemos assim: nenhuma medicação entra sem passar por mim ou por Henrique."

"E se Álvaro aparecer?"

"Eu registro tudo."

Beatriz deitou novamente.

"Ele vai aparecer."

Ela estava certa.

正文1

Naquela tarde, Dr. Álvaro Meireles chegou à mansão.

Tinha cinquenta e oito anos, cabelos grisalhos perfeitamente penteados e a tranquilidade ensaiada de quem cobrava caro para parecer confiável.

Camila entrou com ele.

"Trouxe um especialista para uma segunda avaliação."

Lívia apareceu no corredor.

"Henrique já acompanha minha mãe."

Camila nem diminuiu o passo.

"Henrique é amigo dela."

"E médico."

"Quero uma segunda opinião."

Álvaro sorriu.

"Não pretendo substituir ninguém."

Lívia olhou para ele.

"Então por que já está prescrevendo medicamentos antes de examiná-la?"

O sorriso desapareceu por um instante.

Camila respondeu por ele.

"Eu autorizei."

"Você é neurologista agora?"

"Sou filha."

"Curioso. Essa função só apareceu quando ela parou de falar."

Camila se aproximou.

"Não vou discutir com você no corredor."

"Ótimo. Então cancela a prescrição."

"Não."

Lívia sustentou o olhar.

"Por quê?"

"Porque eu quero minha mãe recuperada."

Dentro do quarto, Beatriz ouviu a frase.

Quase riu.

Álvaro realizou um exame superficial.

Chamou o nome de Beatriz.

Testou reflexos.

Iluminou seus olhos.

Beatriz reagiu menos do que poderia.

Ele observou atentamente.

"Há alguma resposta voluntária?"

Marina respondeu:

"Algumas."

"Quais?"

"Movimentos discretos. Alteração de expressão."

Camila imediatamente olhou para a mãe.

"Ela está melhorando?"

Marina escolheu as palavras.

"Ela tem momentos de maior resposta."

Por um instante, Beatriz viu algo passar pelo rosto da filha.

Não era alívio.

Era preocupação.

Camila disfarçou rapidamente.

"Isso é bom, não é?"

Álvaro respondeu:

"Precisamos observar."

Beatriz entendeu.

Camila tinha medo da melhora.

Não da piora.

Naquela noite, a mansão ficou silenciosa mais cedo.

Lívia havia ido encontrar Otávio.

Marina estava no quarto de apoio.

Beatriz permanecia na cadeira de rodas perto da varanda quando Augusto entrou.

Sozinho.

Ele fechou a porta.

Não disse nada por algum tempo.

Sentou-se diante da mãe.

Beatriz percebeu que havia algo diferente nele.

Os olhos estavam vermelhos.

O rosto cansado.

Augusto olhou para ela.

"Mãe."

Beatriz permaneceu imóvel.

Ele soltou uma risada triste.

"Engraçado."

Baixou a cabeça.

"Passei a vida inteira querendo que você me escutasse."

A voz falhou.

"E agora que talvez você não consiga, eu finalmente consigo falar."

Beatriz sentiu o peito apertar.

Augusto esfregou o rosto.

"Eu sei o que você pensava de mim."

Silêncio.

"O irresponsável."

Ele riu.

"O filho que nunca termina nada."

Beatriz lembrou quantas vezes tinha usado exatamente aquelas palavras.

Augusto continuou.

"Quando eu tirava nove, você perguntava por que não tirei dez."

Beatriz fechou os olhos por um segundo.

"Quando eu entrei na empresa, você disse que Camila já sabia fazer o dobro na minha idade."

Ele se aproximou.

"Quando meu primeiro negócio deu errado, você não perguntou se eu estava bem."

A voz dele ficou baixa.

"Você perguntou quanto eu tinha perdido."

Uma lágrima escorreu pelo rosto de Augusto.

Beatriz sentiu os próprios olhos umedecerem.

Talvez ainda houvesse algo ali.

Talvez, por baixo da arrogância, das dívidas e da ganância, ainda existisse o menino que corria para mostrar um boletim à mãe.

正文2

Augusto segurou a mão dela.

"Eu queria que você tivesse me amado sem me comparar com a Camila."

Beatriz quase apertou os dedos dele.

Quase.

Augusto chorou em silêncio.

Ela também.

Então ele soltou a mão da mãe.

Passou os dedos pelo rosto.

E tirou uma pasta fina de dentro do paletó.

Beatriz sentiu o coração endurecer.

Augusto abriu o documento.

"Mas agora eu preciso que você me ajude uma última vez."

Toda a emoção dos minutos anteriores pareceu apodrecer dentro dela.

Era uma autorização patrimonial.

Permitiria a antecipação de recursos vinculados ao fundo familiar e ofereceria parte das ações de Augusto como garantia.

Ele colocou uma caneta entre os dedos da mãe.

"É só uma assinatura."

Beatriz deixou a mão mole.

A caneta caiu.

Augusto pegou.

Tentou novamente.

"Vamos."

Beatriz fez um pequeno movimento propositalmente descoordenado.

O traço atravessou o papel.

Augusto respirou fundo.

"De novo."

Ela repetiu.

Outro risco inútil.

Ele apertou a mandíbula.

"Mãe."

Beatriz olhava para o vazio.

Augusto tentou pela terceira vez.

Nada.

A tristeza desapareceu do rosto dele.

"Porra."

Jogou a caneta sobre a mesa.

Beatriz sentiu a mão do filho soltar a sua.

Então ouviu:

"Nem para isso você serve agora."

Foi pior do que tudo que ele dissera antes.

Augusto guardou os documentos.

Saiu.

A porta bateu.

Beatriz ficou imóvel por alguns segundos.

Depois levantou-se da cadeira.

Caminhou até o banheiro.

Fechou a porta.

E chorou.

Não como empresária.

Não como a mulher que enfrentara bancos, concorrentes e crises.

Chorou como mãe.

Porque durante alguns minutos acreditara que o filho tinha entrado naquele quarto apenas para falar com ela.

E descobrira que até as lágrimas dele vinham acompanhadas de um contrato.

Quando Lívia voltou, encontrou Beatriz sentada na beirada da cama.

"Ele esteve aqui?"

Beatriz assentiu.

"Augusto."

"O que queria?"

"Dinheiro."

Lívia percebeu o rosto molhado da mãe.

Não perguntou mais.

Apenas sentou ao lado dela.

Depois de alguns segundos, Beatriz falou:

"Talvez ele tenha razão em uma coisa."

"Qual?"

"Eu comparei demais."

Lívia não respondeu.

"Camila precisava vencer."

Beatriz olhou para as próprias mãos.

"Augusto precisava provar que não era pior."

"E eu?"

Beatriz levantou os olhos.

Lívia perguntou:

"O que eu precisava fazer?"

A resposta veio devagar.

"Ser grata."

Lívia ficou imóvel.

Beatriz engoliu em seco.

"Eu nunca disse isso."

"Não precisava."

"Eu sinto muito."

Lívia desviou o olhar.

"Sentir muito não muda o que eles estão fazendo."

"Eu sei."

"E não muda o que você fez."

"Eu sei."

Antes que Beatriz dissesse mais alguma coisa, Marina entrou rapidamente.

Estava com o celular na mão.

"Vocês precisam ouvir."

Lívia levantou.

"O quê?"

"Eu deixei o tablet do prontuário sincronizado com as notificações médicas."

Marina abriu uma conversa vinculada ao contato de Dr. Álvaro.

"Houve uma mensagem de voz."

"De quem?"

Marina olhou para Beatriz.

"Camila."

Beatriz ficou em silêncio.

Marina apertou o botão.

A voz da filha encheu o quarto.

"Minha mãe está reagindo demais."

Beatriz parou de respirar por um instante.

A gravação continuou.

"Hoje a enfermeira disse que ela teve momentos de resposta."

Houve uma pequena pausa.

Então Camila falou novamente.

Dessa vez, sem qualquer hesitação.

"Eu preciso que ela continue exatamente como está."

O áudio terminou.

Ninguém falou.

Lívia olhou para a mãe.

Marina continuava segurando o celular.

Beatriz tinha passado dias fingindo que suas pernas não funcionavam.

Fingindo que sua voz tinha desaparecido.

Fingindo que sua mente estava presa dentro de um corpo incapaz de responder.

Agora já não havia dúvida.

Camila não queria saber quando a mãe voltaria a andar.

Não queria saber quando voltaria a falar.

Não queria sequer que aquilo acontecesse.

Beatriz olhou para a porta fechada.

Pela primeira vez desde que iniciara aquela encenação, sentiu medo de adormecer.

Porque sua mentira só continuava sendo uma mentira enquanto ela conseguisse acordar.

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