"O Chefe da Máfia Mais Temido Viu Minhas Mãos Tremendo… E Fez Uma Única Pergunta" Capítulo 2
Marcelo Ferraz não precisou levantar a voz para transformar o restaurante inteiro.
Bastou entrar sorrindo.
Era isso que sempre assustava Isabela.
Marcelo nunca parecia perigoso quando havia outras pessoas olhando.
Ele parecia educado.
Bem vestido.
Controlado.
O tipo de homem que abria portas, cumprimentava funcionários pelo nome e perguntava se alguém precisava de ajuda.
Naquela noite, vestia um terno azul-marinho impecável e carregava no rosto a mesma expressão tranquila que usava em jantares, reuniões e fotografias de família.
Ninguém ali teria imaginado que aquele mesmo homem tinha passado o dia inteiro enviando ameaças.
Isabela sentiu as pernas enfraquecerem.
Marcelo deu dois passos para dentro.
Depois três.
Seus olhos permaneceram presos nela.
"Finalmente."
Dona Helena Braga percebeu a mudança no rosto de Isabela e se aproximou.
"Senhor, posso ajudar?"
Marcelo desviou os olhos para a proprietária do restaurante.
O sorriso ficou ainda mais gentil.
"Pode, sim. Desculpe entrar dessa forma."
Ele ajeitou discretamente o punho da camisa.
"Vim buscar a Isabela."
Helena olhou para a funcionária.
Isabela tentou falar.
Nenhuma palavra saiu.
Marcelo percebeu.
Sempre percebia.
E aproveitou o silêncio.
"Ela é minha namorada. Está passando por uma fase difícil."
A frase foi dita com tamanha calma que por um instante Isabela quase duvidou da própria memória.
Era assim que ele fazia.
Reorganizava a realidade até fazê-la parecer exagerada.
Instável.
Difícil.
Dona Helena franziu a testa.
"Isabela?"
Finalmente, ela conseguiu responder.
"Ele não é meu namorado."
O sorriso de Marcelo não desapareceu.
Mas os olhos mudaram.
Só Isabela conhecia aquela mudança.
Era mínima.
Uma tensão no maxilar.
Um brilho duro no olhar.
O aviso silencioso de que ela pagaria depois.
"Isa."
Ele soltou uma pequena risada.
"Não precisamos fazer isso aqui."
"Não existe mais nós."
Algumas pessoas nas mesas próximas começaram a olhar.
Marcelo percebeu.
Então fez exatamente o que Isabela sabia que ele faria.
Baixou a voz.
"Ela está nervosa."
Dona Helena ficou séria.
"Ela parece ter sido bastante clara."
Marcelo virou-se para Helena com educação quase ofensiva.
"Eu entendo sua preocupação."
Depois olhou novamente para Isabela.
"Mas isso é uma questão pessoal."
Isabela apertou as mãos.
"Não. Não é."
Marcelo caminhou em direção a ela.
Um passo.
Isabela recuou.
Outro.
Ela recuou de novo.
Na mesa 17, Dante não desviava os olhos.
Bruno Almeida, sentado à sua direita, percebeu a atenção do chefe e acompanhou a cena.
"Problema?"
Dante não respondeu.
Marcelo parou a poucos centímetros de Isabela.
"Vamos para casa."
"Não."
A resposta saiu baixa.
Marcelo inclinou a cabeça.
"Isabela."
"Eu disse não."
O sorriso dele ainda estava ali.
Mas agora parecia uma máscara esticada sobre alguma coisa muito mais feia.
"Você está cansada."
"Não estou."
"Então está confusa."
"Também não."
Ele respirou fundo.
"Vamos conversar no carro."
Isabela sentiu o coração acelerar.
"Eu não vou entrar no seu carro."
Dona Helena deu um passo à frente.
"Talvez seja melhor o senhor ir embora."
Marcelo finalmente perdeu uma parte daquela gentileza.
Muito pequena.
Mas perdeu.
"Com todo respeito, senhora, eu conheço a Isabela melhor do que qualquer pessoa aqui."
"Não conhece."
A voz de Isabela falhou.
Ela odiou isso.
Marcelo percebeu.
Aproximou-se ainda mais.
"Vamos para casa."
Desta vez, havia ordem na frase.
Isabela recuou instintivamente.
A parte de trás de sua perna bateu em uma cadeira.
O pequeno som chamou a atenção de mais pessoas.
Marcelo estendeu a mão.
"Chega."
Ele segurou o braço dela.
Não forte o suficiente para deixar uma cena evidente.
Mas forte o bastante para que Isabela sentisse os dedos pressionando exatamente os lugares que já conhecia.
Ela prendeu a respiração.
"Solta."
Marcelo manteve o sorriso.
"Não começa."
"Marcelo, solta meu braço."
"Você está me fazendo passar vergonha."
Foi a frase que fez alguma coisa dentro dela se quebrar.
Não medo.
Raiva.
Pela primeira vez, Isabela ergueu os olhos diretamente para ele.
"Eu estou fazendo você passar vergonha?"
Marcelo apertou o braço dela.
"Baixa a voz."
A cadeira da mesa 17 se moveu.
O som foi seco.
Dante se levantou.
Não houve pressa.
Era justamente isso que tornou o gesto mais ameaçador.
Bruno também se levantou, mas Dante fez um pequeno movimento com a mão.
Bruno parou.
Dante atravessou a curta distância até Marcelo e Isabela.
Marcelo olhou para ele.
"Isso não é da sua conta."
Dante parou a menos de um metro.
Os olhos baixaram para a mão de Marcelo no braço de Isabela.
Depois voltaram ao rosto dele.
"Ela disse que não vai."
O restaurante inteiro pareceu perder o som.
Marcelo ficou imóvel.
Pela primeira vez desde que entrou, o sorriso desapareceu completamente.
Ele encarou Dante por dois segundos.
Depois três.
E alguma coisa aconteceu.
Reconhecimento.
Isabela viu.
O rosto de Marcelo mudou.
Não muito.
Mas o bastante.
A cor sumiu levemente.
Os dedos afrouxaram ao redor do braço dela.
Dante percebeu também.
"Solta."
Marcelo soltou.
Isabela levou a mão imediatamente ao lugar onde ele a segurava.
Dante não olhou para ela.
Continuou encarando Marcelo.
"Você não sabe no que está se metendo."
Marcelo tentou recuperar a postura.
Dante inclinou levemente a cabeça.
"Tenho a impressão de que você sabe muito bem quem eu sou."
Marcelo ficou em silêncio.
Dona Helena olhava de um para o outro sem entender.
Alguns clientes fingiam continuar suas conversas.
Ninguém estava realmente conversando.
Marcelo respirou fundo.
"Isso é entre mim e ela."
Dante respondeu:
"Era."
Uma única palavra.
Marcelo apertou o maxilar.
Então olhou para Isabela.
"Você quer mesmo fazer isso?"
Ela sentiu o medo voltar.
Mas havia algo diferente agora.
Ele não a estava puxando.
Não controlava a porta.
Não tinha a chave do apartamento no bolso esperando por ela.
Havia pessoas ao redor.
Isabela respirou fundo.
"Quero que você vá embora."
Marcelo não respondeu imediatamente.
Ele olhou para Dante.
Depois para Bruno.
Depois para a porta.
Sua expressão voltou a ficar controlada.
"Está bem."
Arrumou o blazer.
"Eu vou."
Dona Helena pareceu aliviada.
Isabela não.
Conhecia Marcelo demais para acreditar em desistências fáceis.
Ele passou por ela.
Mas, antes de seguir em direção à saída, aproximou o rosto de seu ouvido.
Baixou a voz de modo que apenas ela pudesse ouvir.
"Você acabou de escolher o homem errado para te proteger."
Isabela congelou.
Marcelo se afastou.
Dante observou o rosto dela mudar.
"Está tudo bem?"
Ela olhou para ele.
Quase respondeu que sim.
A mentira chegou até a ponta da língua.
Mas não saiu.
Marcelo abriu a porta.
Antes de atravessá-la, virou-se.
Seus olhos encontraram os de Dante.
Não havia mais sorriso.
Depois saiu.
O restaurante começou lentamente a respirar de novo.
Dona Helena tocou o ombro de Isabela.
"Você quer ir para casa?"
Isabela soltou uma risada amarga.
"Qual delas?"
Helena ficou sem resposta.
Dante observava.
Ela percebeu.
"Obrigada."
"Não precisa."
"Precisa, sim."
Dante olhou para a porta pela qual Marcelo tinha acabado de sair.
"Ele já fez isso antes?"
Isabela endureceu.
"Não quero falar sobre isso."
Dante voltou os olhos para ela.
"Então não fale."
A resposta a surpreendeu.
Ela esperava perguntas.
Pressão.
Ordens.
Marcelo sempre transformava silêncio em crime.
Dante simplesmente recuou.
"Bruno."
O homem da mesa 17 se aproximou.
"Sim."
"Leve a senhorita Isabela para onde ela precisar ir."
Isabela imediatamente negou.
"Não."
Dante olhou para ela.
"Não?"
"Eu não conheço vocês."
"Correto."
"Então não vou entrar em um carro com um homem que não conheço porque outro homem que eu também não conheço mandou."
Por uma fração de segundo, Bruno pareceu ofendido.
Dante quase sorriu.
Quase.
"Justo."
Isabela pegou o celular.
Tinha quatro novas mensagens.
Não abriu nenhuma.
Dona Helena decidiu encerrar o turno dela.
"Você vai embora agora."
"Dona Helena..."
"Não é uma pergunta."
Isabela assentiu.
Foi até o vestiário.
Trocou o avental pela jaqueta.
Pegou a bolsa.
Quando retornou ao salão, Dante já estava novamente sentado.
Mas Bruno não.
Ele estava perto da entrada, falando ao telefone.
Isabela tentou não pensar nisso.
Chamou um carro por aplicativo.
Esperou dentro do restaurante.
Quando o veículo chegou, Dona Helena acompanhou-a até a porta.
Isabela olhou para a calçada.
Marcelo não estava ali.
Mesmo assim, seu coração continuava acelerado.
Entrou no carro.
"Vila Mariana, por favor."
O motorista confirmou.
Enquanto o veículo se afastava, Isabela olhou para trás.
Bruno estava parado na entrada do restaurante.
Observando.
Ela desviou o olhar.
No banco traseiro, abriu finalmente as mensagens.
"Você me humilhou."
"Isso ainda não acabou."
"Não confie nele."
A última tinha chegado dois minutos antes.
"Pergunta para Dante Montenegro o que aconteceu com o homem que tentou enfrentá-lo dez anos atrás."
Isabela releu.
Dante Montenegro.
Agora tinha um nome.
E, pelo modo como Marcelo havia reagido, aquele nome significava alguma coisa muito maior do que ela imaginava.
No restaurante, Dante esperou o carro de Isabela desaparecer no trânsito.
Só então chamou Bruno.
"Descubra tudo sobre Marcelo Ferraz."
Bruno guardou o celular.
"Quanto é tudo?"
Dante pegou o copo.
"Família. Empresas. Dívidas. Sócios. Processos. Quem protege. Quem teme."
Bruno assentiu.
"E sobre ela?"
Dante ficou em silêncio por alguns segundos.
"Não."
Bruno arqueou uma sobrancelha.
"Não?"
"Ela não é o problema."
"Tem certeza?"
Dante olhou para a porta.
"Tenho certeza de que está com medo."
Bruno não discutiu.
Horas depois, a cidade já estava escura.
Dante estava no escritório de sua casa no Jardim Europa quando Bruno entrou.
A residência permanecia silenciosa.
Vidros altos mostravam as luzes de São Paulo ao longe.
Dante não levantou os olhos imediatamente.
"Foi rápido."
"Porque ele não é exatamente desconhecido."
Isso chamou sua atenção.
Dante fechou o arquivo que estava lendo.
"O que encontrou?"
Bruno colocou uma pasta sobre a mesa.
"Marcelo Henrique Ferraz. Trinta e quatro anos. Advogado por formação. Nunca exerceu de verdade."
Dante abriu a pasta.
"Empresas?"
"Participação em três. Duas ligadas a consultoria patrimonial. Uma a transporte."
Dante ergueu os olhos.
"Transporte?"
"Sim."
Bruno puxou outra folha.
"E tem mais."
O silêncio mudou.
Dante percebeu antes mesmo de ouvir.
"Fala."
Bruno colocou uma fotografia sobre a mesa.
Marcelo aparecia ao lado de um homem mais velho durante um evento empresarial na Avenida Paulista.
Dante ficou imóvel.
Conhecia aquele rosto.
Conhecia muito bem.
"Marcelo Ferraz não é só o ex-namorado da garçonete."
Bruno apontou para o homem da fotografia.
"Ele é filho de Augusto Ferraz."
Dante não respirou por alguns segundos.
Dez anos desapareceram.
Vieram de volta de uma vez.
O sobrenome.
A voz.
A ameaça.
O sangue no chão de um galpão que oficialmente nunca existiu.
Dante fechou lentamente a mão sobre a fotografia.
"Augusto."
Bruno permaneceu em silêncio.
Dante ergueu os olhos.
"Por que o filho de Augusto Ferraz estava procurando Isabela Oliveira Martins?"
Bruno hesitou.
"Eu estava esperando você perguntar isso."
Dante franziu a testa.
Bruno retirou uma última folha da pasta.
"Porque encontrei uma coisa."
Ele colocou o documento diante de Dante.
"Marcelo pesquisou o nome dela pela primeira vez há dois anos."
Dante olhou para a data.
Depois para o nome abaixo.
Antônio Oliveira Martins.
Seu rosto mudou.
"Esse homem está morto."
Bruno assentiu.
"Há quinze anos."
Dante continuou olhando para o papel.
Porque aquele nome ele também conhecia.
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 9 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4