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"A Menina Deu Seu Último Remédio ao Temido Homem" Capítulo 4

正文开头

A procuradora federal Naomi Brooks chegou à mansão antes do sol nascer.

Matteo lhe entregou cópias dos arquivos de David, o depoimento inicial de Vincent e os dados do galpão. Adrian forneceu acesso aos servidores da própria empresa, embora os documentos também revelassem contrabando, extorsões e pagamentos ilegais autorizados por sua organização.

— Não estou oferecendo imunidade — avisou Brooks.

— Não pedi.

— Sua cooperação não apaga seus crimes.

— Encontre minha filha viva. Depois faça seu trabalho.

Brooks aceitou coordenar agentes federais sem informar a polícia local. Otávio Prado ainda mantinha contatos na região. A operação teria prioridade de resgate, não de vingança.

Ellie acordou quando Adrian se preparava para sair com uma equipe médica. A menina soubera que procuravam outra criança.

— É a menina do quarto rosa?

Adrian se agachou com dificuldade.

— Você entrou lá?

— A porta estava um pouquinho aberta quando fui buscar seu remédio. Tinha vestido e urso. Rosie disse que alguém esperava.

— Ela se chama Lily. É minha filha.

Ellie pensou por alguns segundos.

— Então vai buscar. Eu fico com a mamãe e guardo sua casa.

Hannah decidiu acompanhar a segunda equipe. Adrian tentou recusar, mas ela o lembrou de que David morrera por aquela verdade. Brooks autorizou sua presença apenas no posto médico externo.

O internato ficava entre pinheiros, longe da estrada. Parecia abandonado. Imagens térmicas indicavam quatro adultos e uma figura pequena na ala norte. Os agentes cortaram comunicações, bloquearam rotas e posicionaram atiradores.

Um texto chegou ao celular privado de Adrian:

"Se entrarem, nunca mais a verá. Venha sozinho ao ginásio."

Somente Luca e três pessoas conheciam aquele número.

Matteo se opôs. Brooks explicou que poderiam cobrir Adrian com microfone e equipes laterais. Ele aceitou uma condição: se perdessem o sinal, os agentes entrariam sem aguardar sua ordem.

O ginásio cheirava a madeira úmida. Luca estava no centro, elegante num casaco escuro, com a mão esquerda perto da arma. Atrás de uma porta de vidro, uma menina magra permanecia sentada ao lado de Mara. Tinha cabelos castanhos mais longos, uma cicatriz sobre a sobrancelha e o corpo tenso.

— Mande seus homens embora — disse Luca.

— Solte-a.

— Primeiro conversamos como irmãos.

— Você nunca foi meu irmão.

Luca sorriu. Disse que construíra metade do poder que Adrian chamava de seu. Elena ameaçava destruir tudo por livros contábeis, e Adrian escolheria a esposa. Luca apenas protegera o que julgava lhe pertencer.

— Lily tinha quatro anos.

— Agora tem sete. Viveu melhor que milhares de crianças. Mara cuidou dela.

A menina levantou a cabeça ao ouvir a voz de Adrian. Mara apertou seus ombros.

— Você disse que eu estava morto — percebeu Adrian.

— Dissemos que você era perigoso. Isso não era mentira.

Luca exigiu acesso a contas, passaportes e um avião. Adrian fingiu considerar. Devagar, tirou a pulseira do bolso.

— Lily, lembra como escrevia seu nome quando dizia que as letras queriam voltar para casa?

正文1

A menina viu as contas.

— YLIL — sussurrou.

Mara tentou afastá-la. Lily mordeu a mão da mulher e correu para a porta. Luca puxou a arma. Adrian se lançou sobre ele. O primeiro disparo atingiu o teto. Agentes entraram por três acessos.

Luca acertou a garganta ainda inflamada de Adrian e tentou usá-lo como escudo. Matteo hesitou por causa do ângulo. Adrian percebeu o dedo no gatilho e empurrou a arma para baixo. O segundo disparo atravessou a coxa de Luca.

Mara puxou Lily por uma saída lateral. Hannah viu a porta abrir do corredor. Não tinha arma. Colocou-se no caminho e gritou o nome da menina. Mara hesitou. Lily se jogou no chão, e Hannah cobriu seu corpo enquanto agentes dominavam a sequestradora.

Quando terminou, Adrian ficou de joelhos, respirando mal. Lily se levantou atrás de Hannah. Não correu para ele. Três anos de mentiras não desapareciam diante de uma pulseira.

Adrian deixou a arma de Luca no piso e abriu as mãos vazias.

— Você não precisa chegar perto. Ninguém vai obrigá-la a nada.

Lily olhou para as contas.

— Mara dizia que você causou o fogo.

— Minha vida criou perigos que eu não impedi. Eu não coloquei a bomba. Luca fez isso porque sua mãe descobriu que ele roubava e machucava pessoas.

— Mamãe não saiu?

— Não.

A voz dele quebrou. Lily deu um passo.

— Você me procurou?

Era a pergunta que Adrian mais temia.

— Eu acreditei numa identificação falsa. Não continuei perguntando porque não aguentava olhar. Devia ter encontrado David. Eu falhei, Lily. Sinto muito.

— Eu também achava que você estava morto.

Adrian não tentou abraçá-la. Esperou. Lily tocou a pulseira com um dedo, aproximou-se e encostou a testa no peito dele.

Só então seus braços a envolveram. Com cuidado, como se a filha fosse feita de luz.

Adrian chorou sem esconder. Lily chorou primeiro em silêncio, depois com soluços que pareciam carregar três anos de portas trancadas.

Hannah se afastou e pensou em David, o primeiro adulto a tirar aquela menina do fogo.

Na ambulância, Lily recusou a máscara de oxigênio porque Mara dizia que aparelhos serviam para fazê-la dormir. Hannah não tentou convencê-la com promessas. Pediu a Greene que mostrasse o equipamento em si mesmo e deixou a menina decidir quem aproximaria a máscara.

Lily apontou para Adrian. Ele ainda respirava com dor, mas colocou a máscara no próprio rosto, esperou e a retirou.

— Não tem remédio escondido.

— Você pode estar mentindo.

— Posso. Por isso não precisa acreditar só em mim. A médica abre a embalagem na sua frente e Hannah fica ao seu lado.

Lily segurou a máscara com a própria mão. Parecia pouco diante das armas recolhidas no ginásio. Para Adrian, era a primeira decisão livre da filha em três anos.

No hospital, Brooks separou os dois para preservar o depoimento. Adrian aceitou, embora quisesse manter Lily à vista. Do corredor, ouviu quando ela perguntou se alguém poderia obrigá-la a voltar com Mara.

— Não — respondeu a procuradora. — Agora cada porta será explicada antes de fechar.

Quando Lily saiu, trouxe um cobertor nos ombros e a pulseira YLIL na mão.

— Quero Hannah comigo.

Adrian abriu caminho. A primeira pessoa escolhida pela filha não era ele. Sentiu a dor sem transformá-la em ordem.

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