"De Mendigo a Rei: A Queda dos Intocáveis" Capítulo 5
O dedo indicador de Renato mal havia iniciado o movimento de descida sobre o botão tátil iluminado de azul quando o auditório inteiro prendeu a respiração.
No entanto, antes que a ponta de sua pele pudesse tocar a superfície de vidro, a imensa tela de LED de cem metros de largura deu um estalido seco.
A cor azul institucional e o selo oficial da República desapareceram em uma fração de segundo, engolidos por uma escuridão digital profunda e aterrorizante.
Em seguida, o vermelho mais vivo e sangrento que os olhos humanos podiam suportar invadiu o painel gigante, formando dígitos digitais gigantescos e implacáveis.
A contagem regressiva começou a piscar com um som metálico e cadenciado que ecoava diretamente pelas caixas de som de alta potência: 【00:03:00】.
O dedo de Renato congelou no ar, suspenso a poucos milímetros do painel, enquanto a cor corada de seu rosto evaporava em um tom de cinza cadavérico.
"Que brincadeira de mau gosto é essa?!", berrou Renato, levantando-se abruptamente da cadeira de mogno com os olhos esbugalhados de pura incredulidade.
"Engenheiros de plantão! Cortem a energia geral deste auditório agora mesmo! Alguém invadiu o sistema de transmissão nacional!"
Nenhum técnico respondeu aos gritos histéricos do promotor; os microfones da mesa principal começaram a emitir um chiado estridente de alta frequência.
Do alto das caixas de som acústicas, uma voz metálica, fria e distorcida por um algoritmo de mascaramento cortou o silêncio atônito de toda a plateia.
"Procurador Renato, não adianta mandar cortar os fios. O seu precioso firewall foi apagado no exato segundo em que você tentou me matar na lama."
O eco daquela frase gravou-se nos ouvidos de cada jornalista, político e magistrado presente no plenário, transformando o orgulho institucional em pânico absoluto.
Sentado logo ao lado, o vice-procurador Rodriguez sentiu o sangue sumir de suas veias, embora tentasse manter um sorriso amarelo e cínico para as câmeras laterais.
"Ora, vejam só, parece que temos uma falha cibernética passageira", murmurou Rodriguez com a voz trêmula, pegando o celular para tuitar uma nota de repúdio.
Contudo, ao olhar para a tela do próprio smartphone, o sorriso de Rodriguez congelou de tal maneira que seus maxilares quase travaram em um espasmo.
No painel gigante de LED, bem abaixo do cronômetro que marcava dois minutos para o fim, o sistema abriu uma aba lateral de dados criptografados.
O título daquela janela exibia em letras garrafais e insuportáveis: "Arquivos de Colaboração e Extorsão: Vice-Procurador Rodriguez".
Documentos oficiais assinados com o carimbo pessoal de Rodriguez, recibos de suborno da empreiteira de Brasília e gravações de áudio explícitas começaram a rolar.
A voz de Rodriguez negociando propina em troca de arquivamento de processos de corrupção preencheu a sala com uma clareza ensurdecedora.
O homem que arquitetava a queda de Renato para herdar o poder supremo viu sua própria máscara desabar em rede nacional diante de milhões de telespectadores.
"Isso é uma montagem! Uma farsa criminosa da oposição!", gritou Rodriguez, levantando-se de supetão e derrubando a cadeira de couro com um baque seco.
Ele apontou o dedo trêmulo para a tela, com o rosto banhado em suor frio, enquanto os fotógrafos da imprensa disparavam flashes frenéticos em sua direção.
Ninguém na plateia ousava pronunciar uma única palavra; o clima de festa institucional havia se transformado em uma câmara de execução implacável.
Na tela gigante, o cronômetro continuava sua marcha inexorável para a frente, marcando agora apenas um minuto e trinta segundos para o zero.
【00:01:30】.
Renato, com as pernas bambas e a respiração curta, tentou contornar a mesa para fugir pelas portas laterais, mas os seguranças particulares travaram os acessos.
"Senhor promotor, o senhor não pode se retirar. A transmissão está bloqueando todas as saídas de segurança do prédio", avisou o chefe da guarda, pálido.
"Abram essa porta imediatamente, seus incompetentes!", urrou Renato, desferindo um soco patético contra a madeira maciça da porta blindada.
No painel central, os submenus da investigação secreta de homicídio e lavagem de dinheiro começaram a se desdobrar em milhares de pastas coloridas.
Contas secretas em paraísos fiscais nas Ilhas Cayman, registros de transferências para laranjas e, o pior de tudo, o contrato de execução do geógrafo.
O documento digitalizado trazia a assinatura física de Renato, datada da exata noite em que os pais de Enzo foram sumariamente eliminados na serra.
Rodriguez, incapaz de suportar a humilhação pública e o cerco dos repórteres que o cercavam, tentou dar um passo para trás cambaleando.
Seu telefone celular, vibrando incessantemente com dezenas de ligações da Procuradoria-Geral e da imprensa, escorregou de seus dedos dormentes.
O aparelho bateu com força no piso de granito polido da mesa principal, estilhaçando a tela de vidro em dezenas de pedaços brilhantes.
"Não... isso não pode estar acontecendo... eu trabalhei trinta anos para chegar aqui...", balbuciava Rodriguez, olhando para os cacos do telefone com o olhar perdido.
Renato, completamente fora de si, agarrou um copo de cristal e o arremessou com toda a força contra o centro da tela de LED.
O copo estilhaçou-se em mil pedaços sem causar o menor arranhão no painel digital que continuava a exibir as provas irrefutáveis de sua ruína.
O cronômetro digital atingiu os trinta segundos finais, emitindo um bipe intermitente e agudo que parecia perfurar os tímpanos de todos os presentes.
【00:00:30】.
【00:00:20】.
【00:00:10】.
O silêncio mortal que antecedia o desastre total tomou conta do auditório, quebrado apenas pelo som da respiração ofegante dos dois homens mais poderosos do país.
Quando o relógio marcou exatamente 【00:00:00】, um estrondo sônico digital sacudiu as paredes da Procuradoria-Geral da República.
A tela gigante de LED rompeu-se visualmente em milhares de fragmentos, multiplicando-se em setecentos e quarenta e dois vídeos simultâneos.
Eram imagens de câmeras ocultas, grampos telefônicos e extratos bancários em tempo real que começaram a drenar todo o dinheiro acumulado pelo esquema.
Em uma fração de segundo, a luz principal do teto estourou com uma faísca elétrica, mergulhando o auditório em uma penumbra rubra e sufocante.
O sistema automatizado do garoto invisível completou o ciclo de transferência, esvaziando os cofres particulares dos corruptos até o último centavo.
Rodriguez caiu de joelhos sobre os cacos de vidro do próprio celular, com os olhos fixos na escuridão, murmurando ininteligivelmente enquanto o pânico o consumia.
Renato, com o terno manchado de suor e a gravata torta, agarrou a ponta da mesa com as unhas, sentindo o mundo desabar sob seus sapatos de grife.
No entanto, o que nenhum deles sabia naquele momento de caos absoluto era que o pior ainda não havia começado a descer pelas escadas do prédio.
Enquanto a fumaça invisível da derrocada política subia pelos corredores, uma sombra pequena e silenciosa já cruzava a porta de segurança do subsolo.
O jogo de xadrez montado na sarjeta da Estação da Luz havia dado o seu xeque-mate mais esmagador, mas o tabuleiro ainda guardava um segredo mortal.
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