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"Ela Empurrou Minha Mãe Da Escada… Sem Saber Quem Ela Realmente Era" Parte 3

正文开头

Alexandre Montenegro não voltou para casa naquela noite.

Depois de sair do Hospital Santa Cecília, foi direto para um escritório reservado do Grupo Montenegro, na Faria Lima.

A cidade já estava escura quando ele entrou no prédio.

Mesmo assim, as luzes do quadragésimo andar permaneceram acesas.

Mariana Vasconcelos chegou pouco depois.

Ela era advogada da família havia mais de dez anos e conhecia detalhes que nem alguns diretores do grupo conheciam.

Assim que entrou, percebeu que Alexandre não estava ali como presidente de uma empresa.

Estava como filho.

Ele tinha colocado sobre a mesa a cópia encontrada no cofre de Vitória.

O documento estava incompleto.

Algumas páginas tinham sido retiradas.

Mas o nome de Dona Helena aparecia em um dos registros anexados.

Mariana colocou os óculos e leu em silêncio.

"De onde saiu isso?"

"Do cofre que ficava no quarto da Vitória."

Mariana ergueu os olhos.

"Ela sabia que esse cofre existia?"

"Sabia mais do que deveria."

"Quem mais tinha a combinação?"

"Eu."

Alexandre ficou alguns segundos em silêncio.

"Talvez ela."

Mariana não gostou da resposta.

Ela puxou uma cadeira e se sentou.

"Você está dizendo que Vitória teve acesso a documentos antigos da família sem autorização?"

"Estou dizendo que ela pode ter tido acesso a tudo."

Mariana voltou a olhar o papel.

"Isso muda bastante coisa."

Alexandre caminhou até a janela.

Lá embaixo, os carros pareciam pequenos pontos de luz atravessando São Paulo.

Ele costumava olhar aquela vista e sentir orgulho.

Naquela noite, sentia vergonha.

Durante meses, talvez mais de um ano, uma mulher tinha dormido ao lado dele e investigado sua família sem que ele percebesse.

"Quero saber tudo."

Mariana fechou a pasta.

"Tudo o quê?"

"Sobre Vitória."

"Alexandre..."

"Não quero a versão que ela me contou."

Ele virou-se.

"Quero a verdade."

Mariana sustentou seu olhar.

"E até onde você quer que eu vá?"

"Até o fim."

Ela assentiu.

"Então eu vou precisar acessar contratos, consultas jurídicas, procurações e movimentações que tenham relação com ela."

"Faça."

"E também vou precisar verificar se ela procurou escritórios externos."

"Faça."

"Isso pode trazer coisas que você não vai gostar de descobrir."

Alexandre soltou uma risada curta.

"Depois do que aconteceu hoje, acho difícil alguma coisa me surpreender."

Mariana não respondeu.

Ela conhecia famílias ricas o bastante para saber que sempre existia algo capaz de surpreender.

Na manhã seguinte, Alexandre voltou ao hospital.

Helena ainda estava em observação.

Quando ele entrou no quarto, encontrou a mãe tentando abrir um sachê de açúcar com uma só mão.

Ele imediatamente se aproximou.

"Me dá isso."

Helena olhou para ele.

"Eu consigo."

"Eu sei."

Mesmo assim, Alexandre abriu o sachê.

Despejou no café.

Mexeu devagar.

Helena observou o filho.

"Você não dormiu."

"Um pouco."

"Mentira."

Alexandre colocou a colher sobre o pires.

"Estou resolvendo algumas coisas."

Helena ficou séria.

"Que coisas?"

"Vitória."

A mão de Helena parou sobre a xícara.

"Alexandre."

"Não."

"Eu nem falei nada."

正文1

"Mas eu sei o que você vai dizer."

"Então sabe que não adianta destruir sua vida por causa dela."

"Eu não estou destruindo minha vida."

Ele puxou a cadeira.

"Estou tentando descobrir quanto da minha vida já foi construído em cima de mentira."

Helena ficou quieta.

Alexandre observou.

De novo aquele silêncio.

"Você sabe alguma coisa sobre os documentos que estavam no cofre?"

Helena desviou os olhos.

"Que documentos?"

"Papéis antigos do Grupo Montenegro."

"Não sei."

"Seu nome estava em um deles."

Helena apertou a xícara.

"Meu nome?"

"Sim."

"Provavelmente alguma coisa antiga."

"Antiga de quando?"

"Alexandre, eu estou cansada."

Ele percebeu a mudança.

Não era apenas cansaço.

Era medo.

Mas antes que pudesse insistir, uma enfermeira entrou para medir a pressão de Helena.

Alexandre se levantou.

A conversa terminou ali.

Por enquanto.

Na Faria Lima, Mariana começou a montar uma linha do tempo.

E quanto mais procurava, mais estranho ficava.

Vitória não tinha feito apenas perguntas sociais.

Não era curiosidade.

Era investigação.

Um ano antes, ela tinha solicitado uma consulta a um escritório especializado em planejamento patrimonial.

O assunto registrado era sucessão familiar.

Seis meses depois, outro advogado recebeu perguntas sobre proteção de patrimônio antes do casamento.

Depois vieram consultas sobre ações de empresas fechadas.

Direitos de companheiros.

Herança.

Testamentos.

Participação societária.

Cláusulas de incomunicabilidade.

Mariana imprimiu tudo.

Quando Alexandre chegou ao escritório no fim da tarde, encontrou uma pilha de documentos sobre a mesa.

"Isso tudo é dela?"

"Isso tudo é sobre você."

Alexandre puxou a primeira folha.

"Planejamento sucessório?"

"Sim."

Ele pegou outra.

"Direito de companheira sobre participação societária?"

"Também."

Outra.

"Herança em caso de morte sem casamento?"

Mariana cruzou os braços.

"Exatamente."

Alexandre soltou o papel.

"Que inferno é isso?"

"É o que eu queria perguntar para você."

Ele começou a andar pelo escritório.

"Ela falava em casamento."

"Quando?"

"Várias vezes."

"E você?"

"Eu evitava."

"Por quê?"

Alexandre pensou.

"Porque alguma coisa me incomodava."

"Mas não o bastante."

Ele olhou para Mariana.

"Não."

A resposta saiu baixa.

Mariana apontou para os documentos.

"Vitória passou meses tentando entender o que aconteceria com seu patrimônio se vocês se casassem."

Alexandre ficou calado.

"Isso, sozinho, ainda poderia ser explicado."

"Como?"

"Alguém planejando o futuro."

"Você acredita nisso?"

Mariana não respondeu de imediato.

"Não depois do que aconteceu."

Alexandre pegou outra folha.

"E isso?"

"Consulta sobre transmissão de ações em caso de morte."

Ele ergueu os olhos.

"Morte de quem?"

"Não está escrito."

"Mas o patrimônio é meu."

"Sim."

Alexandre deixou o papel cair sobre a mesa.

Pela primeira vez, uma ideia que até então parecia absurda atravessou sua cabeça.

Não falou.

Mariana percebeu.

"Não tire conclusões antes da hora."

"Ela pesquisou o que receberia se eu morresse."

"Ela pesquisou regras sucessórias."

"É a mesma coisa."

"Juridicamente, não."

"Para mim é."

Mariana respirou fundo.

"Tem mais."

Alexandre ficou imóvel.

"Claro que tem."

Ela abriu outra pasta.

"Vitória consultou dois escritórios sobre acordos pré-nupciais."

正文2

"Eu nunca pedi isso."

"Eu sei."

"Ela estava preparando casamento sem me contar?"

"Talvez."

"Ou preparando uma forma de entrar no meu patrimônio."

Mariana permaneceu séria.

"Talvez."

Alexandre apoiou as mãos na mesa.

Durante meses, ele havia acreditado que Vitória queria segurança emocional.

Ela dizia que tinha medo de ser abandonada.

Dizia que ele nunca a colocava em primeiro lugar.

Dizia que se sentia invisível perto da família.

Agora aquelas conversas pareciam diferentes.

"Ela perguntava muito sobre casamento."

Mariana não disse nada.

"Eu achava que era pressão."

"Pode ter sido."

"Mas ela já sabia exatamente o que queria."

Alexandre se afastou da mesa.

"Ela nunca quis só casar comigo."

A frase saiu mais como uma constatação do que como uma pergunta.

Mariana fechou a pasta.

"Os documentos mostram que ela queria entender o que um casamento mudaria financeiramente."

Alexandre soltou o ar.

"Eu fui um idiota."

"Você foi envolvido por alguém que sabia exatamente como se apresentar."

"Não tente melhorar."

"Não estou tentando."

Ele caminhou até um aparador.

Havia uma fotografia dele e de Vitória em Trancoso.

Ela sorria abraçada ao braço dele.

Na época, Alexandre achou que aquela imagem representava felicidade.

Agora olhava para o sorriso dela e se perguntava o que existia por trás.

Virou a fotografia de costas.

"Quero saber quando isso começou."

Mariana abriu o notebook.

"Já estou levantando."

"E quero saber por que."

"Também."

"Se ela queria dinheiro, bastava tentar casar comigo."

"Talvez não fosse suficiente."

Alexandre olhou para ela.

"O que isso quer dizer?"

Mariana hesitou.

"Quer dizer que os seus bens pessoais são apenas uma parte do que existe."

"O Grupo Montenegro é muito maior."

"Exatamente."

"Mas ela nunca teria controle sobre o grupo só por casar comigo."

"Ela sabia disso."

"Como?"

Mariana girou o notebook na direção dele.

Na tela havia um histórico de pesquisas jurídicas solicitadas por Vitória.

Alexandre começou a ler.

Estrutura acionária.

Ações antigas.

Direitos hereditários.

Origem de participação societária.

Ele franziu a testa.

"Ela estava estudando a fundação da empresa."

"Sim."

"Por quê?"

"Foi isso que me chamou atenção."

Alexandre continuou lendo.

Então parou.

Havia um nome repetido.

Não o dele.

"Helena Ferreira."

Mariana assentiu.

Alexandre olhou novamente.

Outro pedido.

Helena Ferreira.

Outro.

Helena Ferreira.

Outro.

Histórico civil de Helena Ferreira.

Registros patrimoniais vinculados a Helena Ferreira.

Alexandre sentiu um frio no corpo.

"Ela pesquisou minha mãe?"

"Mais do que pesquisou você."

"Isso não faz sentido."

"Eu também achei."

Ele se aproximou da tela.

"Minha mãe não tem patrimônio relevante."

Mariana ficou em silêncio.

"Ela mora no mesmo apartamento há anos."

"Eu sei."

"Tem uma aposentadoria."

"Eu sei."

"Não participa do grupo."

"Até onde sabemos."

Alexandre virou o rosto.

"Até onde sabemos?"

Mariana não respondeu.

Ele ficou irritado.

"Fala."

"Estou dizendo que talvez existam documentos antigos que você nunca viu."

"Minha mãe nunca se envolveu com a empresa."

"Talvez não com a empresa que existe hoje."

Alexandre se afastou.

"Vitória não gastaria dinheiro pesquisando a vida de uma aposentada sem motivo."

"Concordo."

"Então qual era o motivo?"

"É isso que estou tentando descobrir."

Nas horas seguintes, Mariana buscou registros públicos antigos.

Certidões.

Procurações.

Arquivos societários.

Registros de casamento.

Documentos arquivados havia décadas.

Alguns estavam digitalizados.

Outros não.

Ela fez ligações.

Pediu cópias.

Consultou arquivos antigos ligados à família Montenegro.

Alexandre permaneceu no escritório.

Recusou três reuniões.

Ignorou sete ligações.

Ao anoitecer, Mariana ainda estava trabalhando.

Foi então que recebeu um arquivo.

Ela abriu.

Leu.

Depois leu de novo.

Seu rosto mudou.

Alexandre percebeu imediatamente.

"O que foi?"

Mariana não respondeu.

"Mariana."

Ela ampliou o documento na tela.

"Eu preciso confirmar."

"Confirmar o quê?"

"Isso."

Ela pegou o telefone.

Fez uma ligação curta.

Falou com alguém de um cartório.

Esperou.

Fez outra.

Mais dez minutos.

Quando desligou, parecia mais séria do que antes.

Alexandre se levantou.

"Você está me assustando."

Mariana fechou o notebook.

"Alexandre... tem uma coisa sobre a sua mãe que você precisa saber."

Ela colocou uma cópia impressa sobre a mesa.

Alexandre pegou.

No alto, havia um registro antigo.

A data era de mais de três décadas atrás.

Ele começou a ler.

Então parou.

O sobrenome parecia impossível.

Leu de novo.

Devagar.

Como se as letras fossem mudar.

Mas não mudaram.

No documento estava escrito:

Helena Ferreira Montenegro.

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