localização atual: Novela Mágica A Madrasta Contratada pelo Don Capítulo 3
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"A Madrasta Contratada pelo Don" Capítulo 3

正文开头

Nora deixou o contrato sobre os joelhos.

— Você entrevista mulheres na rua para casar com elas?

— Augusto verifica antecedentes antes de buscar alguém.

— Isso não melhora a frase.

Luca serviu mais uísque, sem oferecer a ela.

— Léo precisa de estabilidade. Uma cuidadora pode pedir demissão. Uma esposa tem obrigações legais e sociais.

— Esposas também pedem divórcio.

— O documento prevê isso.

Nora virou as páginas. Separação total de bens, confidencialidade, residência no segundo andar, proibição de entrar no escritório e no terceiro piso, acompanhamento de Léo em período integral. O valor mensal aparecia numa cláusula adicional: cem mil reais.

Ela releu.

— Isso é por mês?

— Sim.

— Para cuidar de uma criança?

— Para assumir publicamente o lugar de minha mulher e da mãe dele.

— E o que você assume?

Luca apoiou o copo.

— Segurança, moradia, despesas, remuneração e proteção jurídica.

— Afeto não aparece.

— Afeto não se obriga por contrato.

— Finalmente uma cláusula honesta.

Nora apontou o item sobre intimidade. O texto dizia que nenhum contato físico seria exigido e que ambos manteriam quartos separados.

— Isso significa que você não espera sexo.

— Não espero nada de você no meu quarto.

A resposta saiu rápida. Nora levantou os olhos. Luca segurou o olhar por um instante e depois ajustou a manga.

— Ótimo — disse ela.

— Ótimo.

O silêncio ficou constrangedor até Nora virar outra página.

— Quero direito de trabalhar quando a rotina de Léo permitir.

— Este trabalho exige disponibilidade.

— Minha primeira família já usou essa frase para apagar minha profissão. Não assino de novo.

Luca puxou o contrato, riscou uma linha e escreveu que Nora poderia exercer atividade profissional com apoio de equipe doméstica, desde que os horários de Léo fossem preservados por acordo entre ambos.

— Mais alguma coisa?

— Uma tarde livre por semana. Terapia mantida. Nenhuma decisão médica sem consulta ao profissional responsável. Meu pagamento em conta exclusiva. E, se você encerrar o casamento, o que já pagou continua meu.

— Naturalmente.

— Sebastião chamava tudo de natural até cancelar meus cartões.

Luca escreveu outra cláusula. Nora viu a caligrafia firme atravessar o papel.

— O dinheiro será seu no momento do depósito. Ninguém nesta casa terá acesso à sua conta.

— Nem você?

— Principalmente eu.

Uma batida leve interrompeu a conversa. Helena Sampaio entrou com uma pasta de couro debaixo do braço. Augusto vinha atrás.

— Desculpem o horário — disse ela. — Augusto informou que Léo comeu uma refeição completa.

Nora se levantou.

— A senhora é a psicóloga?

— Sou a pessoa que vai dizer quando vocês estiverem usando uma criança para justificar decisões de adultos.

Helena apertou a mão de Nora e não ofereceu a Luca mais que um aceno.

— O casamento foi ideia minha — disse Luca.

— Eu sei. Por isso vim.

正文1

Helena abriu o relatório. Explicou que Léo associava mulheres desconhecidas ao desaparecimento e homens armados à morte. O menino havia sido retirado de casa durante uma invasão quando tinha dois anos. A mãe morreu naquela noite. Ele passou horas escondido até ser encontrado.

— A imprensa disse acidente de carro — falou Nora.

— A imprensa recebeu uma versão que mantinha os sobreviventes vivos — respondeu Luca.

— Casar com uma desconhecida ajuda?

Helena cruzou as pernas.

— A previsibilidade ajuda. O título de esposa não cria previsibilidade. Rotinas cumpridas criam. Promessas pequenas cumpridas criam. Se a senhora entrar e sair em uma semana, piora.

Nora fechou o contrato.

— Preciso pensar.

Luca fez um gesto para Augusto. O mordomo conduziu Helena para fora, mas a psicóloga parou diante de Nora.

— Pergunte a si mesma se quer cuidar dele quando o dinheiro deixar de parecer grande.

Sozinha com Luca, Nora foi até a janela. A chuva continuava. Seu saco de viagem estava no quarto e sua conta tinha cento e oitenta e sete reais. Cem mil podiam devolver sua clínica, pagar especialização e comprar distância dos Ferraz.

— Você escolheria outra amanhã se eu disser não?

— Escolheria.

— E se ela fizer Léo comer?

— Ofereço o mesmo.

— Se não fizer?

— Vai embora.

Nora virou-se.

— Então o contrato é para ele. Não para você.

— Tudo nesta casa é para ele.

Havia algo cansado na resposta. Luca podia ordenar a queda de um homem e ainda assim passara uma hora tentando dar uma colher ao filho.

— Três meses de experiência — disse Nora. — Depois decidimos se isso funciona. Nenhuma cerimônia pública nesse período.

— O registro será imediato.

— Por quê?

— Casamento é o contrato mais forte que existe.

— Seu advogado ensinou isso?

— Minha família.

Nora pegou a caneta.

— Sua família parece péssima referência.

Luca soltou uma única risada baixa.

Ela assinou.

Três dias depois de deixar o nome Ferraz no papel do divórcio, Nora entrou num cartório reservado e se tornou Nora Batista Castellano. Não houve flores, convidados ou beijo. Augusto e Helena assinaram como testemunhas. Léo ficou em casa, recusando-se a vestir sapatos.

No jantar, Luca empurrou uma pequena caixa preta pela mesa. Dentro havia um anel de ouro escurecido com o brasão dos Castellano.

— Não precisa.

— Minha mulher usa esse anel.

— Sebastião nunca me deu o da família dele.

— Isso explica Sebastião. Não explica você.

Nora colocou o anel. Serviu com folga no dedo.

— Vou guardar.

— Vai usar.

— Você é sempre assim?

— Assim como?

— Um contrato com barba.

Léo riu atrás do copo. Luca olhou para o filho e deixou a discussão morrer.

Naquela noite, Nora fechou a porta do quarto sem trancar. Perto da meia-noite, as dobradiças rangeram.

Léo estava descalço, usando um pijama verde de dinossauro. Apertava um livro contra o peito.

— Nora, você conta uma história?

Ele olhou para o corredor antes de completar:

— Posso pedir para o papai pagar mais.

No cartório, horas antes, Léo se recusara a entrar. Nora o encontrou no carro, escondido sob uma manta. Sentou no banco ao lado e mostrou a caneta usada para assinar.

— Isso faz você ficar? — perguntou ele.

— Isso diz que eu e seu pai temos responsabilidades. Ficar também depende do que fazemos amanhã.

Léo pegou a caneta e desenhou uma linha na mão. Disse que era um contrato dele. Nora prometeu café da manhã, passeio no jardim e história antes de dormir. O menino exigiu que Luca assinasse. O Don apoiou o papel no capô e escreveu o nome sob três desenhos tortos.

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