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"Seguros de Oito Milhões" Capítulo 5

正文开头

Helena saltou para a faixa fixa do convés quando as duas placas se separaram.

A taça caiu primeiro. O vidro desapareceu na espuma deixada pelo iate. Ricardo avançou para arrancar o broche de sua lapela, mas ela se esquivou e bateu o ombro contra a divisória.

— Onde estão as crianças?

— Longe de você.

Ele segurou o braço dela.

— O que você fez?

— Protegi nossos filhos.

Do outro lado do vidro, Joana golpeava o painel de emergência. Beatriz mantinha os convidados abaixados. Um agente tentava cortar a energia da trava. Ricardo puxou Helena para perto da abertura no piso.

— Você sempre precisou controlar tudo.

— Inclusive o dinheiro que você tentou roubar.

O rosto dele mudou. A máscara usada em reuniões, fotografias e jantares ficou para trás. Sua mão subiu até o pescoço da esposa.

— Você assinou.

— Uma apólice anulada.

Ricardo olhou para a cabine de comando. Nunes manteve a rota. O iate já estava fora da faixa protegida da baía, ganhando mar aberto. A lancha policial apareceu por estibordo, menor, golpeada pelas ondas.

Lavínia retornou com um controle secundário.

— Acaba logo — gritou.

Helena ouviu a frase no broche. Joana também. O agente conseguiu abrir uma fresta na divisória, mas Ricardo arrastou a esposa para a popa.

— Quando isso acabar, ninguém vai acreditar em você — disse ele.

— A polícia vai.

Uma onda levantou a lateral do iate. O convés inclinou. Helena perdeu apoio, bateu o quadril na borda e ficou suspensa sobre o mar, presa apenas pela mão de Ricardo.

Por um instante, os dois se encararam. Ele podia puxá-la.

Ricardo abriu os dedos.

Helena caiu.

A água fechou sobre sua cabeça com um impacto que arrancou o ar dos pulmões. O peso da roupa a puxou para baixo. Ela soltou o cinto, chutou os sapatos e seguiu a luz trêmula acima. Quando rompeu a superfície, o Atlântica já avançava vários metros.

Alguém lançou uma boia da lancha policial. Helena tentou alcançá-la. Outra onda cobriu seu rosto. O broche de rastreamento continuava preso à lapela, piscando sob a água.

— Mãe!

A voz de Clara veio da lancha. Helena levantou o braço. Joana segurava a menina pela cintura enquanto um agente mergulhava.

O resgate durou menos de um minuto. Para Helena, cada braçada do agente ocupou uma vida inteira. Ele a alcançou, passou uma cinta por seu peito e a puxou até a lancha. Bento estava enrolado numa manta, chorando em silêncio. Clara caiu de joelhos ao lado da mãe.

— Eu achei que ele tinha...

Helena tossiu água e segurou o rosto da filha.

— Estou aqui.

O agente colocou uma máscara de oxigênio nela. Joana transmitiu a ordem de interceptação. A divisória do iate enfim cedeu. Policiais assumiram o convés, mas Nunes acionou um bote de emergência na lateral oposta. Lavínia saltou primeiro. Ricardo hesitou ao ver a lancha de Helena aproximando-se e seguiu a amante.

正文1

O bote tomou a direção da marina auxiliar. Nunes desligou o transponder do Atlântica antes de pular. Um policial alcançou a cabine e reduziu os motores.

— Temos gravação? — perguntou Helena, retirando a máscara.

Joana verificou o receptor.

— Até a queda. Depois entrou água.

— Tem a voz dela?

— "Acaba logo." E a mão dele soltando você foi vista por dois agentes.

Helena olhou para os filhos. Clara apertava a fotografia da tesoura dentro de um saco plástico. Bento encostou a cabeça no ombro da irmã.

— Eles viram?

— Viram você cair — respondeu Joana. — O resto, vamos cuidar longe deles.

Beatriz foi transferida do iate para a lancha com os convidados. Chegou molhada, sem o broche habitual e com os olhos acesos de fúria.

— Quero todos os acessos de Ricardo bloqueados agora.

— Primeiro a senhora respira — disse o paramédico.

— Eu respiro depois da auditoria.

Helena segurou a mão da mãe. Beatriz cedeu apenas o suficiente para permitir que medissem sua pressão.

No bote em fuga, Ricardo ligou para a emergência. Sua voz foi gravada pela central.

— Houve um acidente com minha família. Minha mulher e meus dois filhos caíram no mar.

Lavínia virou-se para ele.

— Os filhos também?

Ele cobriu o microfone.

— Precisam acreditar nisso.

— Eles saíram da cabine antes.

— Ninguém viu.

Nunes conduziu o bote até um píer privado. A imprensa chamada para o aniversário já estava na marina principal, atraída pela movimentação policial. Ricardo mandou o comandante desaparecer e caminhou de volta pela faixa costeira com Lavínia. Molhou a camisa numa torneira de serviço, esfregou o rosto e pediu que ela esperasse antes de aparecer.

— Você quer que eu me esconda?

— Quero que pareça que tentei salvá-los.

— E eu pareço o quê?

— Minha diretora de comunicação.

Lavínia riu sem humor.

— Depois de tudo, ainda é esse o meu cargo?

Ele a segurou pelo queixo.

— Se a apólice pagar, você terá o que quiser.

Quando os dois chegaram ao cais principal, câmeras já transmitiam ao vivo. Ricardo atravessou a barreira, gritando pelos filhos. Caiu de joelhos perto de uma ambulância vazia. Lavínia o abraçou, chorando contra seu ombro.

— Minha mulher e meus filhos caíram no mar — repetiu para um repórter.

Quinze minutos depois, uma lancha da polícia contornou o quebra-mar.

Helena estava em pé na proa, enrolada numa manta térmica. Clara e Bento permaneciam sentados atrás dela, vivos.

Ricardo ergueu o rosto e parou de chorar.

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