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"Seguros de Oito Milhões" Capítulo 4

正文开头

A luz vermelha apagou quando Ricardo pressionou o topo pela segunda vez.

— É um gravador — disse.

Helena pegou uma caixa de joias na gaveta e escolheu brincos sem olhar para ele.

— Uso para registrar atas quando a secretária falta.

— E por que estava na sua bolsa ontem à noite?

— Porque saí de uma reunião.

Ricardo aproximou a caneta do ouvido, apertou outro botão e ouviu. Joana tinha carregado apenas uma ata real do conselho. A voz de Beatriz preenchia os primeiros minutos, discutindo projeções da divisão hospitalar.

— Você podia ter perguntado — disse Helena.

Ele colocou a caneta na penteadeira.

— Casamento não devia ter segredo.

— Concordo.

Ricardo tocou o nó de uma gravata que ainda não vestia. Saiu sem responder.

No sábado, a marina de Santos estava coberta por faixas azul-celeste e balões brancos. O Atlântica brilhava sob o sol, com três tripulantes de uniforme, o comandante Nunes no convés superior e Lavínia recebendo convidados como dona da festa.

Clara desembarcou do carro segurando a câmera. Bento correu para ver os barcos. Helena manteve uma mão em cada criança até Joana, disfarçada de chefe de segurança da marina, aproximar-se para conferir os nomes na lista.

— Rota limpa — murmurou, sem mexer os lábios.

Ricardo apareceu no topo da passarela.

— Minha família chegou!

Ele desceu, tomou Bento nos braços e beijou Clara diante do fotógrafo contratado por Lavínia. Helena encontrou o olhar da amante junto à mesa do bolo. Nenhuma das duas sorriu.

Os convidados eram poucos: dois colegas de escola com os pais, Beatriz, três executivos do grupo e a equipe infiltrada. O plano previa a retirada das crianças depois do parabéns, antes de o iate deixar a área interna da marina. Ricardo havia jurado que a embarcação ficaria atracada até o fim da festa.

Às onze e vinte, Nunes ligou os motores.

Helena encarou o marido.

— Por que estamos saindo?

— Uma volta curta. Presente para Clara.

— Você disse que ficaríamos atracados.

— O mar está perfeito.

Joana tocou o auricular. Dois agentes se moveram para a cabine das crianças. Nunes fechou a passarela antes que recebessem o sinal final. O iate afastou-se do píer.

Beatriz avançou até Ricardo.

— Volte agora.

— A senhora vai adorar a vista.

— Isto é uma ordem do conselho.

— Hoje eu sou o pai da aniversariante.

O telefone de Joana perdeu a rede por três segundos. Depois, a tela mostrou um bloqueador ativo a bordo. Ela desviou para a escada de serviço e encontrou a porta travada.

Helena reuniu Clara e Bento perto da mesa central.

— A brincadeira começou. Fiquem com a dona Joana.

Ricardo surgiu com os coletes vermelhos.

— Primeiro, segurança.

Ele vestiu Bento, puxou a tira do peito e o girou para mostrar aos convidados. Helena viu uma linha fina na correia traseira. O corte fora coberto com cola transparente. Bastaria pressão para separar.

正文1

— Eu coloco o da Clara — disse.

Lavínia segurou o colete antes dela.

— Deixa comigo.

Clara recuou.

— Quero minha mãe.

Helena tomou a peça. Lavínia resistiu por meio segundo, soltou e limpou os dedos no vestido. Dentro do forro, havia peso metálico. Um colete feito para puxar a criança para baixo.

Helena apertou duas vezes o broche.

Joana recebeu o alerta e levou os dois menores para o corredor lateral. Um agente abriu a porta de serviço com uma ferramenta. A lancha policial já acompanhava o iate fora do campo de visão da popa.

— Vamos ver os golfinhos — disse Joana.

Bento foi primeiro. Clara segurou a moldura da porta.

— Minha mãe vem?

— Em seguida.

Helena assentiu. A menina entrou na passagem. A porta se fechou atrás dela.

Ricardo apareceu no convés principal com duas taças.

— Cadê as crianças?

— No banheiro.

— Os dois?

— Bento derramou suco.

Ele entregou uma taça à esposa. Helena apenas segurou. O líquido tinha cheiro cítrico e um fundo amargo.

— Bebe — disse Ricardo.

— Depois do parabéns.

Lavínia surgiu junto à escada e fez um sinal quase invisível. Ricardo olhou para a cabine infantil. Helena percebeu que os bonecos ainda não tinham sido colocados. A operação estava adiantada e incompleta.

Beatriz bateu a bengala decorativa de um convidado contra o convés para criar barulho. Joana retornou sozinha e anunciou um vazamento no banheiro inferior.

— Preciso que todos permaneçam na área frontal.

Nunes aumentou a velocidade. O horizonte da marina encolheu atrás deles.

— Comandante, retorne — ordenou Joana, mostrando o distintivo sob o blazer.

Nunes olhou para Ricardo.

— Não ouviu? — disse Helena. — Polícia.

Ricardo pegou o rádio da mão do comandante e o lançou ao mar.

Os convidados gritaram. Os agentes se identificaram. Um deles avançou, mas uma trava automática separou o convés em dois com uma divisória de vidro naval. Nunes correu para a cabine de comando. Lavínia desapareceu pela escada.

Helena viu a costa ficando distante. O motor rugiu. No vidro, Ricardo sorriu para ela.

Então pressionou um controle, e a porta sob os pés de Helena começou a abrir para o mar.

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