localização atual: Novela Mágica Seguros de Oito Milhões Capítulo 2
标题上

"Seguros de Oito Milhões" Capítulo 2

正文开头

A palavra "data" permaneceu na tela até Helena ouvir a porta do escritório de Ricardo fechar no andar inferior.

Ela apagou a prévia das mensagens, guardou o aparelho no bolso do robe e voltou ao quarto de Clara. A menina alinhava fotografias sobre o tapete. Em uma delas, Ricardo aparecia no jardim, de costas, falando com Lavínia durante o último almoço beneficente.

— Quem tirou esta?

— Eu. A tia Lavi ficou brava.

— Ela disse alguma coisa?

— Que adulto também merece privacidade.

Helena deixou a foto no mesmo lugar. Beijou os filhos e esperou a respiração dos dois ficar regular. Depois desceu.

Ricardo estava diante do notebook, com uma planilha aberta. Fechou a tela quando ela entrou.

— Você ainda está acordada.

— Clara queria mostrar as fotos.

— Aquela câmera foi um erro. Ela registra tudo.

— Esse é o objetivo.

O telefone dele estava virado para baixo. Helena abriu uma garrafa de água e viu, pelo vidro da cristaleira, Ricardo observar cada movimento dela.

— Amanhã tem a prova do vestido da Clara — disse ele. — Lavínia vai coordenar.

— Você acompanha?

— Reunião no porto.

— Que pena.

Ele se levantou e beijou a testa da esposa. O perfume de Lavínia estava no punho de sua camisa.

Na manhã seguinte, o ateliê ocupava o segundo andar de uma casa restaurada nos Jardins. Clara correu para o provador com duas amigas. Bento ficou em casa com Beatriz. Lavínia distribuía ordens entre costureiras e fotógrafos que Helena não autorizara.

— Pedi para cancelar a imprensa.

— E eu cancelei. São profissionais do grupo, para o arquivo da família.

— Também não pedi arquivo.

Lavínia dispensou a equipe com um gesto. Esperou que a porta fechasse.

— Você anda cansada, Helena. Eu posso assumir os detalhes.

— Já assumiu muitos.

O sorriso da outra mulher demorou um segundo a desaparecer.

— Ricardo confia em mim.

— Eu sei.

Uma costureira chamou Lavínia ao fundo. Ela colocou o celular sobre uma bancada e entrou no provador. A tela permaneceu desbloqueada, exibindo uma conversa com o comandante Nunes. A miniatura mostrava a planta do Atlântica.

Helena atravessou o salão. Um biombo escondia metade de seu corpo. Tocou na imagem.

Dois círculos vermelhos marcavam os bancos infantis na popa. Uma seta apontava para um armário onde os coletes seriam guardados. Abaixo, havia um áudio de vinte e três segundos.

Helena aumentou o volume apenas o suficiente para ouvir.

A voz de Lavínia saiu macia pelo alto-falante:

— Corte as tiras antes de sairmos da marina. Se fizer no mar, alguém pode ver.

Passos voltaram do provador. Helena bloqueou a tela e se moveu para trás do biombo. Lavínia surgiu, pegou o telefone e parou. A conversa ainda estava aberta.

— Alguém mexeu aqui?

Uma auxiliar negou. Lavínia olhou para o salão. No espelho de corpo inteiro, encontrou o reflexo de Helena ajustando um brinco.

正文1

— Algum problema? — perguntou Helena.

Lavínia caminhou até ela.

— Você ainda confia no seu marido?

— Por que essa preocupação?

— Casamentos longos criam pontos cegos.

— Você conhece os dele?

Clara saiu do provador com um vestido azul-celeste e interrompeu a resposta. Girou, riu e pediu à mãe que fotografasse. Helena pegou o próprio celular. O aparelho de Lavínia vibrou outra vez.

"R: Ela vai assinar. Mantenha o roteiro."

Lavínia cobriu a tela com a mão.

— Está linda, Clarinha.

A menina a encarou.

— Meu nome é Clara.

Helena quase sorriu. Ajoelhou-se para acertar a barra do vestido e viu a fotografia quadrada saindo da câmera instantânea pendurada no pescoço da filha.

— O que fotografou?

— O espelho. A luz ficou bonita.

Na imagem ainda cinza, a bancada aparecia refletida. O celular de Lavínia ocupava o centro, com a planta do iate aberta.

Helena deslizou a fotografia para dentro da bolsa antes que as cores surgissem.

No estacionamento, ligou para Mauro.

— Preciso saber quem solicitou a cláusula de incapacidade da mãe.

— O senhor Ricardo.

— E quem indicou o comandante do iate para a vistoria da seguradora?

O consultor digitou por alguns segundos.

— A diretoria de comunicação. Lavínia Moura.

— Guarde isso fora do sistema.

— A senhora vai à polícia?

— Primeiro vou buscar meus filhos.

Beatriz os recebeu na biblioteca de sua casa. Bento montava uma pista de madeira no tapete. Helena pediu à governanta que levasse as crianças ao jardim e colocou a foto instantânea diante da mãe.

As cores estavam completas. A planta, os círculos e o nome do arquivo podiam ser lidos.

— De onde veio? — perguntou Beatriz.

— Da câmera da Clara.

— Ela viu?

— Viu um telefone.

Helena reproduziu o áudio que conseguira gravar no próprio aparelho durante a escuta. A qualidade era ruim, mas a frase sobre cortar as tiras estava inteira.

Beatriz apertou o broche de safira entre os dedos.

— Tire as crianças daquela casa.

— Se eu fizer isso agora, ele apaga tudo.

— Está propondo usar meus netos como isca?

— Estou propondo que eles nunca entrem naquele iate. Ricardo precisa acreditar que entrarão.

Beatriz se levantou. Caminhou até a janela, telefonou para o chefe da segurança e cancelou dois compromissos. Quando voltou, tinha o rosto imóvel.

— Conheço uma delegada. Ela tratou da tentativa de extorsão no porto.

— Ligue.

— Antes, quero ouvir você dizer uma coisa. Se as provas mostrarem que seu marido planejou isso, você não vai protegê-lo para evitar escândalo.

Helena retirou a aliança e a colocou sobre a fotografia. A marca clara ficou no dedo.

— Eu vou proteger Clara e Bento.

À noite, retornou à casa com as crianças. Ricardo os esperava na sala, uma caixa de presente sobre a mesa. Dentro havia dois coletes salva-vidas vermelhos, novos, com os nomes bordados.

— Segurança em primeiro lugar — disse ele.

Bento vestiu o seu e correu como um avião. Ricardo ajustou a fivela no peito do menino. Helena observou as mãos do marido passarem pela tira traseira.

— Gostou? — ele perguntou.

— Quero experimentar o da Clara.

Ricardo fechou a tampa antes que ela alcançasse o segundo colete.

— Está regulado. Não mexe.

O telefone de Helena vibrou. Era Beatriz: "Joana nos recebe às sete."

Ricardo se aproximou por trás.

— Quem manda mensagem?

— Minha mãe.

— Mostra.

Helena abriu a conversa. Antes que ele lesse, Clara surgiu com a câmera.

O flash explodiu na sala. Ricardo virou o rosto. A fotografia caiu no tapete, revelando sua mão sobre o colete e, ao fundo, Lavínia entrando pela porta que ninguém ouvira abrir.

下一张上
下一章下

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos:

页面底部