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"Quando O Bilionário Voltou A Andar, Sua Família Entrou Em Pânico" Parte 5

正文开头

Isabela reagiu por instinto.

Cravou o cotovelo para trás com toda a força que conseguiu.

A pessoa que a segurava soltou um gemido abafado.

A mão saiu de sua boca por um segundo.

Foi o suficiente.

"Augusto!"

O grito cortou a escuridão.

O invasor empurrou Isabela contra uma estante.

Ela bateu o ombro com força.

Ouviu passos correndo.

Depois uma porta.

Quando as luzes de emergência finalmente acenderam, a sala estava vazia.

Isabela respirava com dificuldade.

O braço doía.

A pasta com os documentos do acidente estava espalhada pelo chão.

Augusto apareceu no corredor acompanhado de Bruno Siqueira e dois seguranças.

Quando viu Isabela encostada na parede, seu rosto mudou.

"Quem fez isso?"

Ela tentou se recompor.

"Eu não vi."

Augusto empurrou a cadeira com força até ela.

"Você está machucada?"

"Estou bem."

"Não perguntei se você consegue ficar em pé. Perguntei se está machucada."

"Meu ombro."

Augusto olhou para Bruno.

"Feche os portões."

Bruno assentiu.

"Ninguém entra. Ninguém sai."

"Augusto..."

"Ninguém."

Sua voz ficou mais baixa.

"Revistem a casa inteira."

Bruno fez sinal para os seguranças.

Augusto continuou:

"Quero imagens de todas as câmeras. Corredores, garagem, jardim, área de serviço."

"A queda de energia desligou parte do sistema."

Augusto virou o rosto lentamente.

"Então descubra por quê."

Bruno saiu.

Isabela nunca tinha visto Augusto daquele jeito.

Não era a fúria que ele demonstrava durante as sessões.

Era outra coisa.

Fria.

Perigosa.

"Você precisa se acalmar."

Ele a encarou.

"Alguém entrou na minha casa e colocou a mão em você."

"Eu sei."

"Isso não acontece."

Isabela aproximou-se.

"Mas aconteceu."

Augusto fechou os olhos por um instante.

Quando voltou a olhar para ela, a raiva parecia misturada a medo.

"Ele disse alguma coisa?"

"Disse para eu parar de fazer perguntas."

Augusto ficou imóvel.

Isabela apontou para os papéis espalhados.

"Eu estava levando isso para você."

Ele olhou para os documentos.

"O quê?"

"Seu carro tinha feito manutenção preventiva sete dias antes do acidente."

Augusto estreitou os olhos.

"E?"

"O relatório diz que os freios estavam em perfeitas condições."

Ela pegou outra folha.

"Mas o laudo do acidente aponta falha grave no sistema."

O silêncio pesou.

Augusto lentamente olhou para a porta por onde o invasor havia fugido.

"Você acha que mexeram no carro."

"Eu acho que agora temos motivos para considerar essa possibilidade."

Dona Helena chegou apressada.

"Isabela!"

Ela segurou o rosto da jovem.

"Meu Deus, você está pálida."

"Estou bem."

"Não está."

Augusto interrompeu:

"Chame Rafael."

Isabela respondeu imediatamente.

"Não."

Ele olhou para ela.

"Você pode estar machucada."

"Não quero Rafael."

Augusto entendeu.

A desconfiança já não era apenas dela.

Mais tarde, Bruno voltou com más notícias.

A queda de energia havia sido provocada manualmente em um quadro secundário da propriedade.

Não havia sinais de invasão externa.

Quem fez aquilo conhecia a casa.

E provavelmente já estava dentro dela.

Augusto dispensou todos.

Menos Isabela.

Quando ficaram sozinhos, ela colocou a pasta sobre a mesa.

正文1

"Agora precisamos parar de fingir que tudo isso é coincidência."

"Eu parei de fingir no momento em que alguém encostou em você."

Isabela percebeu a forma como ele falou.

Mas não comentou.

No dia seguinte, Augusto chamou Sofia Braga.

Ela chegou à mansão pouco depois das dez.

Era uma mulher de trinta e poucos anos, postura firme, terninho claro e uma expressão de quem parecia desconfiar de todo mundo.

"Você queria documentos antigos."

Augusto indicou Isabela.

"Ela encontrou inconsistências."

Sofia olhou para a fisioterapeuta.

"Que tipo?"

Isabela explicou a manutenção.

Sofia não demonstrou surpresa.

Isso chamou atenção.

"Você já sabia?"

Sofia respirou fundo.

"Eu sabia que havia alguma coisa errada com a logística daquele dia."

Augusto ficou sério.

"Explique."

Sofia abriu o notebook.

"Seu carro habitual não seria usado naquela noite."

Augusto franziu a testa.

"Eu sempre usava o mesmo carro."

"Não naquele dia."

Ela abriu um arquivo.

"O veículo que você deveria usar estava separado para uma revisão de rotina."

"Então por que eu estava nele?"

Sofia virou a tela.

"Porque houve uma alteração na garagem às seis e vinte e três da tarde."

Isabela se aproximou.

"Quem autorizou?"

Sofia hesitou.

Augusto percebeu.

"Fale."

Ela apontou para o registro.

"A autorização foi feita com o acesso de Ricardo."

O silêncio tomou a sala.

Augusto ficou completamente imóvel.

"Meu irmão."

"Sim."

"Tem certeza?"

"É o login dele."

"Isso prova que foi ele?"

"Não."

Sofia fechou a tela parcialmente.

"Mas prova que alguém usando as credenciais dele mudou seu carro poucas horas antes do acidente."

Augusto pediu que Ricardo fosse chamado.

Ele chegou menos de uma hora depois.

Quando viu Sofia e Isabela juntas, perdeu parte da tranquilidade habitual.

"O que aconteceu?"

Augusto empurrou o notebook na direção dele.

"Você me colocou naquele carro."

Ricardo leu o registro.

Seu rosto endureceu.

"Não."

"Seu acesso autorizou a troca."

"Isso não significa que fui eu."

"Então quem foi?"

Ricardo levantou os olhos.

"Meu login era usado pela equipe executiva em situações emergenciais."

Sofia respondeu:

"Não deveria."

"Mas era."

Augusto bateu a mão no apoio.

"Você espera que eu acredite nisso?"

Ricardo se aproximou.

"Eu sou seu irmão."

"Isso não responde."

"Eu não tentei matar você."

A frase caiu como uma pedra.

Ninguém havia usado aquelas palavras até então.

Matar.

Isabela viu Augusto perder o ar por um instante.

Ricardo percebeu.

"Você está mesmo pensando isso?"

Augusto respondeu frio:

"Estou pensando em tudo."

Ricardo olhou para Isabela.

"Desde que ela chegou, esta casa virou uma investigação."

"Não coloque isso nela."

Ricardo sorriu sem humor.

"Você nem a conhece."

Augusto encarou o irmão.

"Conheço o suficiente."

Ricardo ficou em silêncio.

Depois apontou para o computador.

"Meu acesso foi comprometido."

"Por quem?"

"Eu vou descobrir."

"Você teve três meses."

Ricardo aproximou o rosto do irmão.

"Três meses em que eu estava tentando manter sua empresa de pé enquanto você estava num hospital."

Augusto não desviou.

"Talvez tenha gostado demais do cargo."

正文2

Ricardo endureceu.

"Tenha cuidado."

"Com meu próprio irmão?"

"Com o que você está disposto a acreditar."

Ele saiu.

Sofia permaneceu em silêncio.

Isabela também.

Augusto olhava para a porta.

Não parecia furioso.

Parecia traído.

Naquela tarde, Isabela recebeu o resultado da análise do comprimido que havia separado.

Leu uma vez.

Depois outra.

Seu estômago afundou.

Ela foi imediatamente até Augusto.

"Preciso mostrar uma coisa."

Ele estava sozinho no escritório.

"O comprimido?"

Isabela assentiu.

Colocou o laudo diante dele.

"É um sedativo de uso controlado."

"Isso eu já sabia."

"Não nessa dosagem."

Augusto ficou sério.

"Explique."

"Você estava recebendo doses suficientes para causar sonolência persistente, redução de coordenação, fadiga e piora importante da resposta muscular."

Augusto leu o papel.

"Por quanto tempo?"

"Os registros sugerem semanas."

"Semanas?"

"Talvez meses."

Augusto ficou pálido.

Isabela continuou:

"Isso não causou sua lesão."

"Mas poderia atrasar minha recuperação."

"Sim."

"Quanto?"

"Não dá para medir."

Ela respirou fundo.

"Mas certamente não ajudou."

Augusto largou o laudo.

"Então alguém não estava esperando para ver se eu melhorava."

Isabela não respondeu.

Ele ergueu os olhos.

"Alguém estava garantindo que eu não melhorasse."

A frase parecia absurda.

Mesmo assim, fazia sentido demais.

Augusto riu.

Mas não havia humor.

"Meu carro."

"Os medicamentos."

"Os relatórios."

"Alguém dentro da minha própria casa."

Isabela aproximou-se.

"Precisamos continuar investigando."

Augusto olhou para ela.

E naquele momento algo mudou.

A preocupação tomou o lugar da raiva.

"Não."

Isabela franziu a testa.

"Como assim?"

"Você vai embora."

"Augusto."

"Hoje."

"Não."

"Isso não é uma negociação."

"Você não decide isso sozinho."

"Eu acabei de decidir."

Isabela deu um passo à frente.

"Alguém tentou me assustar. Funcionou por cinco minutos."

"Não estou falando de medo."

"Então está falando do quê?"

Augusto apertou o maxilar.

"Da próxima vez talvez essa pessoa não tente assustar."

Isabela entendeu.

"Você está tentando me proteger."

Ele desviou o olhar.

"Não transforme isso em algo que não é."

"Então diga olhando para mim."

Augusto respirou fundo.

A parede voltou ao rosto.

Fria.

Cruel.

"Você recebeu para trabalhar."

Isabela sentiu o peito apertar.

Ele continuou:

"Não para fingir que se importa."

Ela ficou imóvel.

Augusto viu a dor no rosto dela.

Mesmo assim, não voltou atrás.

"Você é uma profissional contratada."

"Entendi."

"Ótimo."

Isabela engoliu seco.

"Entendi perfeitamente."

Ela saiu antes que a voz falhasse.

No quarto reservado para ela, colocou suas coisas na mala.

Dona Helena tentou impedir.

"Ele não quis dizer aquilo."

"Quis o suficiente."

"Isabela..."

"Não vou ficar onde minha preocupação é tratada como interesse financeiro."

Ela fechou a mala.

"Eu fiz meu trabalho."

Pouco depois, atravessou o hall da mansão.

Augusto não apareceu.

Aquilo doeu mais do que deveria.

Isabela abriu a porta.

O carro já esperava.

Quando desceu os primeiros degraus, ouviu passos atrás.

"Isabela!"

Dona Helena vinha quase correndo.

"Espere."

Ela segurava um telefone antigo.

Isabela franziu a testa.

"O que é isso?"

Dona Helena olhou para a casa.

Depois colocou o aparelho na mão dela.

"Isso estava com Augusto na noite do acidente."

Isabela ficou surpresa.

"Por que você está me dando?"

"Porque encontrei escondido entre as coisas que voltaram do hospital."

"Augusto sabe?"

"Não."

Dona Helena apertou o braço dela.

"Eu nunca consegui ligar."

Isabela pressionou o botão lateral.

A tela acendeu.

Havia apenas um arquivo de áudio recente.

Sem destinatário.

Sem envio concluído.

Ela tocou.

Chiado.

Respiração pesada.

Depois surgiu a voz de Augusto.

Mais jovem.

Mais firme.

Mas claramente nervosa.

"Ricardo, se alguma coisa acontecer comigo..."

A gravação parou.

Isabela olhou para Dona Helena.

A tela mostrou apenas duas palavras.

Arquivo corrompido.

Ela sentiu o sangue gelar.

Porque aquilo havia sido gravado poucas horas antes do acidente.

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