"Quando O Bilionário Voltou A Andar, Sua Família Entrou Em Pânico" Parte 4
Nos dias seguintes, Isabela mudou completamente a forma como conduzia a reabilitação de Augusto.
Não porque tivesse perdido confiança nos médicos.
Mas porque já não confiava em quem tinha acesso às informações.
Os relatórios enviados para o sistema passaram a registrar apenas o básico.
Dor controlada.
Treino de tronco.
Mobilidade assistida.
Tolerância ao esforço.
Nada sobre o tempo que Augusto conseguia sustentar peso.
Nada sobre a resposta crescente da perna direita.
Nada sobre os segundos em que o joelho permanecia firme.
Augusto percebeu no segundo dia.
"Você não colocou tudo no relatório."
Isabela continuou ajustando o andador.
"Coloquei o suficiente."
"Isso não parece muito profissional."
"Também não parece muito profissional dar um comprimido que não está na prescrição."
Augusto ficou em silêncio.
Ela olhou para ele.
"Até entendermos o que está acontecendo, algumas informações ficam entre nós."
"Está escondendo minha recuperação do meu próprio médico?"
"Estou protegendo dados que não deveriam chegar a qualquer pessoa."
Augusto inclinou a cabeça.
"Você desconfia do Rafael."
"Desconfio de qualquer pessoa que saiba mais do que está dizendo."
"Parece cansativo viver assim."
Isabela sorriu sem humor.
"Estou aprendendo com os Montenegro."
Ele soltou uma risada curta.
Foi a primeira vez que Augusto aceitou aquela estratégia sem discutir.
E também a primeira vez que Isabela percebeu que ele começava a confiar nela de verdade.
As sessões ficaram mais intensas.
Isabela reduziu pausas.
Aumentou exercícios de transferência de peso.
Introduziu movimentos que exigiam maior controle do quadril.
Augusto reclamava de tudo.
Mas fazia tudo.
"Mais uma."
"Já fiz vinte."
"Então vinte e uma não vai matar você."
"Essa sua teoria médica é impressionante."
"Funciona."
"Você é insuportável."
"Continue."
Augusto resmungava.
E continuava.
Às vezes, Dona Helena observava da porta.
Havia algo quase irreconhecível na sala de reabilitação.
Esperança.
Não era um milagre.
Era suor.
Dor.
Raiva.
E uma pequena melhora conquistada por vez.
Certa tarde, depois de uma sessão particularmente pesada, Augusto ficou em silêncio por tempo demais.
Isabela percebeu.
"Está com dor?"
"Não."
"Mentira."
"Não é dor."
Ela sentou-se em uma cadeira próxima.
"Então o que é?"
Augusto olhou para o jardim.
Durante alguns segundos, Isabela achou que ele não responderia.
"Meu pai odiava fraqueza."
Ela esperou.
Augusto continuou.
"Otávio Montenegro acreditava que qualquer pessoa podia ser destruída no momento em que mostrasse medo."
"Isso parece saudável."
Augusto riu sem vontade.
"Ele não estava tentando ser saudável."
"Estava tentando criar filhos?"
"Estava tentando criar sucessores."
A resposta saiu seca.
Isabela abaixou o tom.
"E sua mãe?"
Algo mudou no rosto dele.
"Ela morreu quando eu tinha doze anos."
"Eu sinto muito."
"Ricardo tinha dezesseis."
Augusto passou o polegar pelo apoio da cadeira.
"Depois disso, meu pai ficou pior."
Isabela observou a tensão nas mãos dele.
"Como?"
Augusto respirou fundo.
"Se eu chorasse, ele mandava parar."
"Se eu tivesse medo, ele dizia que medo era vergonha."
"Se Ricardo reclamasse, ele dizia que um Montenegro não pedia ajuda."
Isabela permaneceu em silêncio.
Augusto olhou para ela.
"Ele repetia sempre a mesma coisa."
"Qual?"
Augusto imitou a voz grave do pai.
"Na família Montenegro, ninguém mostra fraqueza."
A frase ficou no ar.
De repente, muitas coisas fizeram sentido.
A raiva.
O orgulho.
A obsessão em fazer tudo sozinho.
A humilhação de cair.
A recusa em admitir dor.
Isabela se aproximou.
"Então você passou a vida inteira confundindo medo com fracasso."
Augusto franziu a testa.
"Não preciso de análise psicológica."
"Não. Mas talvez precise parar de lutar contra coisas que não são inimigas."
Ele desviou o olhar.
"Fácil dizer."
"Eu nunca disse que era fácil."
Augusto passou a mão pelo rosto.
"Quando acordei no hospital e tentei mexer as pernas..."
Ele parou.
Isabela não interrompeu.
"Foi a primeira vez na minha vida em que eu não consegui obrigar alguma coisa a obedecer."
A voz dele saiu mais baixa.
"Meu próprio corpo."
Isabela sentiu um aperto no peito.
Augusto olhou para as pernas.
"Eu não sabia o que fazer com isso."
"Pedir ajuda."
Ele soltou uma risada amarga.
"Você não conheceu meu pai."
"Não."
Isabela se aproximou mais.
"Mas ele não está aqui."
Augusto ergueu os olhos.
Ela sustentou o olhar.
"Você está."
O silêncio entre os dois ficou diferente.
Menos pesado.
Mais próximo.
Augusto desviou primeiro.
"Vamos treinar."
Isabela sorriu.
"Isso eu gosto de ouvir."
Naquela tarde, ela apresentou um novo equipamento.
Um andador alto, com apoio reforçado.
Augusto olhou para ele com desconfiança.
"Isso parece coisa de velho."
"Você prefere continuar na cadeira?"
"Não."
"Então pare de reclamar."
Dona Helena apareceu com água.
"Posso assistir?"
Augusto fez uma expressão de reprovação.
Isabela respondeu antes dele.
"Pode."
"Eu não autorizei."
"Hoje você não manda."
Augusto olhou para as duas.
"Estou começando a perder completamente o controle desta casa."
Dona Helena sorriu.
"Talvez seja bom."
Ele fingiu irritação.
Mas não mandou ninguém sair.
Isabela posicionou seus pés.
"Primeiro, incline o tronco."
Augusto segurou o andador.
"Depois, empurre com os braços."
Ele respirou fundo.
O corpo começou a subir.
As pernas tremeram.
Isabela manteve a mão próxima ao quadril, sem sustentar totalmente o peso.
"Isso."
Augusto apertou o andador.
"Continue."
Ele chegou à posição quase ereta.
O joelho esquerdo oscilou.
A perna direita permaneceu firme.
"Não olhe para baixo."
Augusto respirava pesado.
"Eu estou de pé?"
Isabela sorriu.
"Quase."
"Quase não conta."
"Então termine."
Augusto puxou o tronco.
Corrigiu o quadril.
Endireitou as costas.
E ficou de pé.
Completamente.
Dona Helena levou a mão à boca.
Augusto arregalou os olhos.
Por alguns segundos, ninguém falou.
Um.
Dois.
Três.
Isabela contou mentalmente.
Quatro.
Cinco.
Seis.
Augusto tremia.
Mas permanecia.
Sete.
Oito.
Nove.
Dona Helena começou a chorar.
Dez.
Onze.
Doze.
Augusto soltou o ar.
Isabela o ajudou a sentar antes que as pernas cedessem.
Dona Helena enxugava o rosto.
"Meu Deus..."
Augusto respirava como se tivesse corrido quilômetros.
Ele olhou para as próprias pernas.
Depois para Isabela.
Os olhos estavam brilhando.
Ela percebeu.
"Você está chorando?"
Augusto imediatamente endureceu o rosto.
"Não abuse da sorte."
Dona Helena riu entre lágrimas.
Isabela também.
Augusto tentou disfarçar.
"Foi suor."
"Nos olhos?"
"Está calor."
"O ar-condicionado está ligado."
Augusto apontou para a porta.
"Você pode ir embora agora."
Isabela sorriu.
"Você está emocionado."
"Isabela."
"Está."
"Não abuse da sorte."
Ela deu um passo para trás.
"Está bem."
Quando se virou para guardar o equipamento, sentiu o olhar dele.
Voltou-se.
Augusto ainda a observava.
Por um instante, nenhum dos dois disse nada.
A distância parecia menor do que era.
Isabela percebeu algo que vinha tentando ignorar.
Augusto Montenegro não era apenas o homem perigoso que todos descreviam.
Também era um homem tentando reaprender a existir.
E isso mexia com ela mais do que deveria.
Ele quebrou o silêncio.
"Obrigado."
Isabela ficou surpresa.
"Pode repetir?"
"Não."
"Quero registrar."
"Esqueça."
Ela riu.
Augusto sorriu discretamente.
Dona Helena observou os dois.
E decidiu sair sem dizer nada.
Mais tarde, já sozinha, Isabela voltou à sala de arquivos.
Agora tinha certeza.
O corpo de Augusto estava respondendo.
E isso tornava os antigos relatórios ainda mais suspeitos.
Ela abriu novamente os documentos do acidente.
Desta vez, decidiu procurar não apenas os dados médicos.
Queria entender o que havia acontecido antes da internação.
Boletim de ocorrência.
Fotos.
Laudo do veículo.
Declaração do motorista que havia seguido Augusto em outro carro.
Isabela percorreu as páginas.
Chovia na noite do acidente.
Augusto descia pela Avenida Europa quando perdeu o controle do veículo.
O carro atravessou a pista.
Bateu contra a proteção lateral.
O laudo indicava uma possível falha no sistema de freios.
Ela continuou lendo.
Então encontrou uma nota anexada.
Manutenção preventiva realizada sete dias antes do acidente.
Isabela parou.
Leu de novo.
Freios verificados.
Sistema hidráulico revisado.
Nenhuma falha registrada.
Ela pegou outra folha.
O laudo posterior dizia exatamente o contrário.
Falha grave no sistema de frenagem.
Isabela sentiu o estômago apertar.
Um carro revisado havia perdido os freios uma semana depois.
Poderia acontecer.
Mas, naquele momento, qualquer coincidência parecia perigosa.
Ela fotografou os documentos.
Guardou o celular.
Precisava falar com Augusto.
Naquela noite, a mansão estava estranhamente silenciosa.
Dona Helena tinha ido até a cozinha.
Os seguranças faziam troca de turno.
Augusto estava no escritório.
Isabela atravessou o corredor carregando uma pasta.
Quando chegou à sala de reabilitação, decidiu pegar primeiro o prontuário.
Entrou.
Acendeu a luz.
Deu dois passos.
E tudo apagou.
A mansão inteira mergulhou no escuro.
Isabela parou.
"Helena?"
Nenhuma resposta.
Pegou o celular.
Antes de acender a lanterna, ouviu um ruído no corredor.
Passos.
Lentos.
Próximos.
Isabela ficou imóvel.
"Augusto?"
Nada.
Os passos chegaram à porta.
Ela recuou.
"Quem está aí?"
Silêncio.
Seu coração começou a bater mais rápido.
Então alguém entrou na sala.
Isabela ouviu a respiração.
Virou-se para correr.
Mas não teve tempo.
Uma mão surgiu no escuro.
Agarrou seu braço.
Outra cobriu sua boca com força.
Isabela tentou gritar.
O corpo foi puxado para trás.
E uma voz baixa surgiu junto ao ouvido dela.
"Você deveria ter parado de fazer perguntas."
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 9 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4