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"O Marido Golpista Tentou Dar o "Golpe do Baú" em Mim? Eu o Mandei Direto para a Prisão!" Capítulo 4

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A luz implacável da manhã seguinte cortava as pesadas cortinas da sala de estar, dissipando os últimos resquícios do glamour falso da festa da noite anterior.

O silêncio matinal foi subitamente rasgado por um grito estridente e histérico que ecoou do segundo andar da mansão, fazendo as paredes tremerem.

"Valéria! Sua desgraçada! Venha aqui agora mesmo ver o que você fez!", urrava Priscila, descendo os degraus da escada em caracol com uma velocidade impressionante.

Priscila vestia um dos vestidos de alta-costura mais caros que havia roubado do antigo closet de Valéria, mas a barra da peça estival estava completamente encharcada e rasgada ao meio.

No corredor do andar superior, o piso de mármore exibia apenas uma leve umidade decorrente da limpeza matinal padrão que Valéria acabara de realizar com o rodo.

Acontece que, ao ver a cunhada se aproximar, Priscila decidira executar sua maldade diária de forma teatral, jogando-se propositalmente de sola no chão molhado para simular um tombo espetacular.

"Olha para isso! Olha o estado do meu vestido importado da Itália!", praguejava Priscila, gesticulando descontroladamente enquanto entrava na sala de estar pisando duro. "Essa louca imprestável fez de propósito! Ela molhou o corredor inteiro só para arruinar a minha roupa de grife na frente de todo mundo!"

Marta, que tomava o seu café da manhã na mesa principal saboreando um pão de queijo quentinho, arregalou os olhos fingindo uma indignação profunda e ensaiada.

"Meu Deus do céu, Priscila, minha filha! Que absurdo é esse?", exclamou a matriarca, batendo com a xícara de porcelana de forma dramática sobre a mesa. "Essa garota só pode ter perdido o juízo de vez! Ela está completamente desequilibrada da cabeça!"

Nesse exato momento, Valéria surgiu pelo canto da cozinha segurando o balde de plástico e o pano de chão, curvando levemente os ombros com uma postura de submissão total.

Ela manteve os olhos fixos no chão, exibindo uma expressão de pavor fingido que mascarava perfeitamente o desprezo absoluto que sentia por aquela família de sanguessugas.

"Me desculpe, Priscila... eu avisei que o chão ainda estava secando, passei o pano bem cedo para não atrapalhar...", murmurou Valéria com a voz trêmula e esganiçada, fingindo um choro contido.

"Cala a boca, sua inútil!", avançou Priscila, parando a centímetros de Valéria com os punhos fechados de raiva. "Você faz isso porque tem inveja! Tem inveja de ver que esta casa agora é nossa e que você não passa de uma faxinazinha barata!"

Marta levantou-se do sofá com uma agilidade suspeita, aproximando-se das duas com um brilho de pura maldade e ganância brilhando em suas pupilas estreitadas.

"Chega, Priscila. Já passou dos limites da tolerância", decretou Marta em um tom solene e fingido, como se estivesse tomando uma decisão muito dolorosa. "Nós fomos boazinhas demais ao acolher essa desajustada debaixo do nosso teto por caridade."

A matriarca virou-se na direção de Mário, que descia as escadas calmamente, ajustando o relógio de pulso de ouro e ostentando um ar de enfado diante da gritaria matinal.

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"Mário, meu filho, você viu o que aconteceu?", disse Marta, puxando o braço do herdeiro farsante em direção ao centro da sala. "A Valéria não tem mais condições psicológicas de viver em sociedade. Ela está perigosa, surtada e destruindo o nosso patrimônio."

Mário olhou para a esposa, que tremia visivelmente de joelhos encostada à parede, e revirou os olhos com um fastio evidente.

"O que foi agora? Mais escândalo de manhã cedo?", resmungou Mário, ajeitando a gola da camisa social com total indiferença. "Eu não tenho paciência para lidar com os surtos dessa incompetente."

"Não são surtos comuns, Mário, é loucura clínica descarada", insistiu Marta, abrindo uma maleta de couro sintético que estava sobre o aparador da sala de estar. "Ela está colocando em risco a segurança da nossa família e, pior ainda, a administração dos bens que você conquistou com tanto suor."

Marta retirou de dentro da maleta um calhamaço de papéis timbrados com o logotipo de uma clínica psiquiátrica particular de fachada localizada na periferia da cidade.

"Eu já entrei em contato com os especialistas e preparei toda a papelada legal", afirmou Marta, colocando o contrato de internação forçada diretamente sobre a mesa de centro. "Como marido e tutor legal perante a lei, cabe a você assinar a ordem de internação psiquiátrica imediata."

Priscila cruzou os braços, abrindo um sorriso sádico e vitorioso enquanto observava a papelada ser empurrada para mais perto de seu irmão.

"Isso mesmo, meu irmão! Manda essa maluca para o hospício de uma vez por todas", aplaudiu Priscila, celebrando a ideia de se livrar da última testemunha incômoda. "Assim a gente vende aquela última fazenda e o apartamento da praia sem ninguém para ficar choramingando pelos cantos."

Mário hesitou por uma fração de segundo, encarando o documento com uma expressão fria, ponderando apenas nos trâmites burocráticos que aquilo exigia.

Para ele, mandar Valéria para um sanatório significava eliminar o último estorvo vivo da antiga família Montclaire, limpando de vez o caminho para o controle total das contas bancárias.

"Você tem razão, mãe. Já passou da hora de colocar essa infeliz em um lugar onde ela não possa nos dar mais nenhum tipo de prejuízo financeiro ou moral", concordou Mário com um tom gélido.

Valéria, que permanecia ajoelhada no chão frio ao lado do balde de água suja, sentiu o estômago revirar não de medo, mas de ânsia diante de tanta baixeza humana.

No entanto, por fora, ela precisava dar o gran finale àquela cena patética para garantir que a armadilha se fechasse exatamente como planejado pela central de comando de Gabriel.

De repente, Valéria deixou escapar um grito abafado de puro desespero, cobrindo o rosto com as mãos trêmulas e deixando o corpo despencar para a frente.

"Não! Por favor, não me mandem para o hospício! Eu imploro!", choramingou Valéria, com a voz esganiçada e rasgada pelo pânico encenado. "Eu juro que vou trabalhar mais duro ainda, vou limpar o chão com os dentes se for preciso! Não façam isso comigo, Mário!"

Ela rastejou pelo chão em direção aos sapatos de Mário, agarrando a barra da calça dele com uma força desesperada, simulando o comportamento típico de alguém que perdeu totalmente a razão.

"Me solta, sua louca nojenta!", berrou Mário, dando um puxão brusco na perna para se desvencilhar das mãos de Valéria e afastando-a com um empurrão grosseiro.

Marta e Priscila riram de forma escandalosa diante daquela patética demonstração de fraqueza, achando que finalmente haviam quebrado o espírito da herdeira.

"Chega de drama barato", rosnou Mário, pegando uma caneta tinteiro dourada do bolso interno do paletó com um sorriso de escárnio nos lábios.

Ele abaixou-se levemente sobre a mesa de centro e, sem o menor pingo de hesitação ou remorso, começou a assinar o seu nome por extenso na linha pontilhada do contrato de internação forçada.

"Pronto", disse Mário, erguendo o papel assinado com orgulho e exibindo-o para a mãe e para a irmã como um troféu de conquista. "A papelada está oficializada. A louca vai ser trancada ainda hoje."

Valéria continuou encolhida no chão, escondendo o rosto entre os braços para abafar os soluços falsos.

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