"O Marido Golpista Tentou Dar o "Golpe do Baú" em Mim? Eu o Mandei Direto para a Prisão!" Capítulo 1
O som seco e metálico do balde de zinco raspando contra o piso de mármore de Carrara ecoava pelas paredes da vasta sala de estar, como uma zombaria constante na mansão que outrora pertencera exclusivamente à família Montclaire.
Valéria estava ajoelhada sobre os ladrilhos frios, com as articulações doloridas e a pele dos dedos enrugada pela água sanitária, esfregando a mesma mancha invisível pela terceira vez consecutiva sob o olhar vigilante de sua sogra.
"Mais rápido, sua imprestável! Se essa cera manchar o piso novo da entrada, você não vai ver nem o cheiro do almoço hoje", sibilou Marta, esparramada no sofá de couro importado da Itália, cruzando as pernas com um desdém venenoso que transbordava em cada ruga de seu rosto.
Valéria não respondeu de imediato, limitando-se a curvar ainda mais as costas, fingindo o cansaço extremo de quem já não possuía forças para lutar contra a própria sorte.
Antes que pudesse erguer o rosto para murmurar uma desculpa submissa, a pesada porta principal da mansão se abriu com um estrondo violento que fez os cristais do lustre tremerem.
Mário entrou pisando duro, desabotoando os punhos da camisa de grife e desfazendo o nó da gravata com um movimento brusco, visivelmente irritado com algum problema nos negócios que havia herdado fraudulentamente.
Sem sequer desviar o olhar para a esposa que estava praticamente colada ao chão aos seus pés, Mário puxou a gravata de seda pura do pescoço e a atirou com força diretamente contra o rosto de Valéria.
O tecido caro bateu com estalido seco em sua bochecha antes de cair desajeitadamente dentro da água suja do balde de limpeza.
"Chega dessa lerdeza toda, Valéria", cuspiu Mário, com a voz carregada de uma crueldade cortante que apagava qualquer vestígio do rapaz doce e apaixonado que ele fingira ser durante os anos de faculdade. "Você não passa de uma inquilina de favor morando debaixo do meu teto. Trabalhe duro para pagar o seu sustento, porque aqui nós não alimentamos parasitas preguiçosos."
Do alto da escada em caracol, Priscila irrompeu gargalhando alto, ostentando um roupão de seda caríssimo e uma xícara de porcelana dourada fumegante nas mãos.
"Deixa ela, meu irmão! A coitadinha ainda acha que é a dona do mundo", Priscila desceu os degraus correndo e parou bem na frente de Valéria, olhando para a cunhada de cima para baixo como se ela fosse um inseto nojento. "Quer ver uma cena hilária, mãe? Olha só o capricho da nossa empregadinha de luxo."
Sem aviso prévio, Priscila virou o pulso com um movimento dissimulado e derramou todo o chá quente e escuro diretamente sobre os sapatos velhos de Valéria e o trecho de piso que acabara de ser limpo.
O líquido castanho manchou o chão e respingou nas meias gastas da jovem.
"Ai, que descuido terrível da minha mão!", Priscila debochou, fingindo uma inocência zombeteira enquanto levava a mão livre à boca. "Mas não tem problema nenhum, a nossa faxineira favorita limpa tudo com o maior amor do mundo, não é mesmo, Valéria?"
O peito de Valéria se contraiu em um espasmo doloroso, e o ar pareceu sumir de sua garganta enquanto o peso esmagador daquela humilhação pública despencava sobre os seus ombros.
Lágrimas quentes, pesadas e genuínas de raiva contida brotaram em seus olhos, escorregando descontroladamente por suas bochechas pálidas e manchadas de poeira.
Ela abaixou a cabeça de imediato, deixando que os longas mechas de cabelo castanho caíssem para a frente e ocultassem parcialmente a expressão de seu rosto, enquanto seus ombros finos começavam a tremer com um soluço abafado, profundo e miserável.
"Desculpa... eu limpo tudo agora mesmo, por favor, não fiquem bravos...", a voz de Valéria saiu completamente trêmula, gaguejante e esganiçada, carregada de uma vulnerabilidade tão frágil e dilacerante que parecia prestes a despedaçá-la em mil pedaços a qualquer segundo.
Aos olhos ávidos de Mário, de Marta e de Priscila, aquela cena patética era a prova irrefutável e definitiva de que a herdeira antes orgulhosa havia sido finalmente quebrada em espírito, corpo e mente.
Eles riram. Uma gargalhada uníssona, alta, gutural e repleta de um sadismo puro, saboreando com gula o néctar da vitória de ver a mulher que outrora os tratava com altivez agora reduzida a lixo em sua própria casa.
O que nenhum daqueles três parasitas conseguia enxergar, contudo, é que por trás daquele choro convulsivo e dos tremores exagerados que sacudiam seu corpo, a mente de Valéria operava com a precisão cirúrgica, fria e mecânica de um supercomputador.
Enquanto enxugava o chá derramado com um trapo imundo e puído, seus dedos finos e ágeis deslizaram discretamente pela aba interna e costurada de seu avental rasgado.
Ali, perfeitamente escondido em um compartimento secreto camuflado com linha preta, repousava o pequeno U.S.B. de titânio escuro.
Aquele pequeno pedaço de metal gelado guardava em sua memória digital todas as provas irrefutáveis dos desvios bilionários, das assinaturas falsificadas em cartório e do golpe monumental que Mário havia arquitetado por anos para destruir o seu falecido pai.
Valéria engoliu o restante do choro fingido, forçando um último soluço estrangulado na garganta para garantir que a atuação continuasse impecável perante seus carrascos.
Ela apoiou as mãos trêmulas no chão e levantou-se com extrema dificuldade, fingindo mancar de forma dolorosa da perna esquerda, simulando que a exaustão física havia destruído suas forças.
"Já terminei esta parte... posso ir para o meu quarto nos fundos?", perguntou ela em um sussurro quase inaudível, mantendo o olhar vidrado no chão e os olhos avermelhados pelo choro encenado.
Mário fez um gesto impaciente com a mão, como se estivesse enxotando um animal incômodo, e voltou a atenção para a tela do celular onde negociava a venda de mais um ativo da holding da família.
"Suma da minha frente. E preste bem atenção no que vou dizer para amanhã", ordenou Mário com rispidez, sem sequer erguer os olhos na direção dela. "Amanhã à noite vamos nos reunir na sala de jantar principal para assinar a papelada definitiva da venda daquela fazenda histórica no interior de São Paulo. Quero a casa impecável e o jantar pronto cedo, porque os novos investidores vão vir aqui em casa para celebrar a queima final de estoque do que restou daquele império falido dos Montclaire."
Valéria virou de costas lentamente, assentindo com a cabeça de forma submissa e curvada.
Enquanto caminhava a passos arrastados e sofridos em direção ao corredor escuro que conduzia ao quartinho dos fundos, o reflexo reluzente em um dos grandes espelhos decorativos da sala capturou brevemente o seu rosto.
As lágrimas haviam desaparecido por completo de suas pálidas bochechas.
Em seu lugar, brilhava um par de olhos cinzentos com um olhar de gelo puro, cortante, calculista e absolutamente mortal, prometendo transformar a vida daquela família em um verdadeiro campo de execução nas próximas horas.
Ela abriu a porta rangente do quartinho, entrou e trancou a fechadura por dentro com um clique abafado, sentando-se na beira da cama estreita.
Na mais completa escuridão daquele cômodo minúsculo, ela puxou o U.S.B. de titânio de dentro do forro do avental e o segurou firmemente entre os dedos, pronta para desferir o golpe que mudaria tudo.
O que Mário fará quando descobrir que o laço da forca já está perfeitamente ajustado ao redor do seu pescoço?
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