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"O Cavalo Branco Que Interrompeu Meu Casamento" Capítulo 4

正文开头

Helena apertou o celular com tanta força que os dedos começaram a doer.

A fotografia de Augusto continuava aberta na tela.

O ângulo não deixava dúvida.

Quem havia tirado aquela imagem estava dentro do Hospital São Gabriel Paulista.

E perto demais da cama dele.

Helena saiu do quarto quase correndo.

"Segurança!"

Um técnico de enfermagem virou assustado.

"Senhora?"

"Alguém entrou aqui."

Ela mostrou o celular.

"Essa foto foi tirada agora."

O homem empalideceu.

"Eu vou chamar a supervisão."

"Não chama ninguém pelo telefone."

Helena respirava rápido.

"Fecha esse andar."

Poucos segundos depois, dois seguranças apareceram.

Rafael também surgiu no corredor.

Tinha acabado de retornar com café.

"Helena, o que aconteceu?"

Ela mostrou a mensagem.

Rafael leu.

O rosto mudou imediatamente.

"Quem mandou isso?"

"Número desconhecido."

"Quando?"

"Agora."

Rafael olhou para a porta do quarto.

"Augusto está sozinho?"

"Estava."

Os dois entraram ao mesmo tempo.

Augusto permanecia deitado.

Os monitores funcionavam normalmente.

Por alguns segundos, Helena sentiu alívio.

Então uma enfermeira entrou atrás deles.

"Quem mexeu nesse carrinho?"

Helena se virou.

"Que carrinho?"

A profissional apontou para uma bandeja ao lado da parede.

Havia gaze.

Soro.

Luvas.

E uma seringa.

A enfermeira pegou o objeto com cuidado.

"Isso não estava aqui."

Rafael se aproximou.

"O que tem dentro?"

"Eu não sei."

A enfermeira examinou a etiqueta.

Depois franziu a testa.

"Isso não pertence à prescrição dele."

Helena sentiu o corpo gelar.

"Então tira daqui."

A supervisora chegou logo depois.

Com ela, veio outro segurança.

Em menos de quinze minutos, as imagens das câmeras começaram a ser verificadas.

Uma mulher de uniforme branco havia entrado no andar.

Usava máscara.

Touca.

Crachá.

Parecia funcionária.

Mas não era.

A supervisora mostrou o vídeo.

"Ela entrou pelo elevador de serviço."

Helena observou a tela.

A mulher caminhava rápido.

Sem hesitar.

Conhecia o corredor.

"Ela entrou no quarto?"

"Não."

A supervisora avançou a gravação.

"Chegou até a porta."

Um funcionário passou.

A mulher recuou.

Depois entrou em uma sala vazia.

Minutos depois, saiu sem a seringa.

Helena olhou para o objeto que agora estava dentro de um saco plástico.

"Ela ia usar isso nele."

Ninguém respondeu.

Rafael passou a mão pelos cabelos.

"Chama a polícia."

Dessa vez, ninguém discutiu.

Uma hora depois, Delegada Mariana Ribeiro entrou no hospital.

Cabelos presos.

Postura firme.

Olhar atento.

Ela ouviu Helena sem interromper.

Leu as mensagens.

Viu a fotografia.

Assistiu às imagens de segurança.

Depois analisou a seringa.

"O laboratório vai examinar."

Helena cruzou os braços.

"Eu quero proteção na porta."

"Vai ter."

"Dois agentes."

Mariana assentiu.

"Vou providenciar."

Rafael perguntou:

"A senhora acha que isso tem relação com o que aconteceu dezesseis anos atrás?"

A delegada olhou para ele.

"Ainda não sei."

Helena soltou um riso nervoso.

"Meu pai desaparece."

"Outro corpo é enterrado no lugar dele."

"Ele reaparece segurando o sobrenome Montenegro."

"E agora alguém tenta entrar no quarto com uma seringa."

Ela olhou diretamente para Mariana.

"Isso ainda parece coincidência?"

正文1

A delegada não desviou.

"Não."

A palavra caiu pesada.

Helena respirou fundo.

Mariana continuou:

"Eu já solicitei o processo antigo."

"O caso do meu pai?"

"Sim."

"Vai reabrir?"

"Se houver elementos suficientes."

Helena apontou para a seringa.

"Isso é suficiente?"

Mariana aproximou-se.

"É suficiente para eu tratar o que está acontecendo agora como ameaça real."

Ela fez uma pausa.

"E pode mudar completamente a leitura do passado."

Helena sentiu um arrepio.

Durante dezesseis anos, todos haviam falado em acidente.

Desaparecimento.

Identificação equivocada.

Agora havia outra palavra.

Crime.

Doutor Felipe apareceu pouco depois.

"Ele acordou."

Helena foi a primeira a entrar.

Augusto abriu os olhos devagar.

Parecia cansado.

Mas consciente.

Helena sentou ao lado.

"Pai?"

Ele olhou para ela.

Dessa vez, não houve estranhamento completo.

"Helena."

Ela quase chorou.

"Você lembrou."

Augusto franziu a testa.

"Um pouco."

Felipe permaneceu perto da porta.

"Não force."

Helena segurou a mão do pai.

"Você lembra de onde estava antes de me encontrar?"

Augusto fechou os olhos.

"Um lugar escuro."

"Que lugar?"

"Não sei."

"Uma casa?"

Ele respirou fundo.

"Madeira."

"Cavalos?"

Os dedos dele se contraíram.

"Cavalos."

Felipe ergueu a mão.

"Devagar."

Augusto começou a respirar mais rápido.

"Um galpão."

Helena se inclinou.

"Qual galpão?"

"Barulho."

Ele fechou os olhos com força.

"Homens."

"Quem?"

Augusto levou a mão à cabeça.

"Não..."

"Pai, olha para mim."

Ele abriu os olhos.

"Eu ouvi alguém."

"O quê?"

"Uma discussão."

A voz dele ficou mais baixa.

"Uma voz."

Helena sentiu o coração acelerar.

"O que ele dizia?"

Augusto começou a tremer.

"Você vai acabar..."

Parou.

Felipe se aproximou.

"Chega."

Augusto segurou o braço de Helena.

"Não."

Ela ficou imóvel.

Ele tentou novamente.

"Você vai acabar com todos nós."

Helena sentiu o sangue gelar.

"Quem falou isso?"

Augusto olhou para um ponto distante.

Como se enxergasse outra sala.

Outro tempo.

"Havia uma mão."

"Uma mão?"

"Um anel."

Rafael, que observava da porta, se aproximou.

"Que anel?"

Augusto fechou os olhos.

"Grande."

"Com desenho."

Helena lembrou da marca no cavalo.

O antigo símbolo do Haras Montenegro.

"Era um M?"

Augusto apertou a mão dela.

Os monitores começaram a acelerar.

Felipe interveio.

"Chega por hoje."

Mas Augusto puxou Helena para mais perto.

Os olhos dele estavam cheios de medo.

"Não confie..."

Helena prendeu a respiração.

"Em quem?"

Augusto tentou falar.

"Não confie..."

"Pai, em quem?"

Os olhos dele perderam o foco.

Felipe chamou a equipe.

Augusto soltou a mão de Helena.

O corpo relaxou.

Helena se levantou assustada.

"O que aconteceu?"

"Ele desmaiou."

Felipe ajustou o monitor.

"Estímulo demais."

Helena recuou.

Rafael colocou a mão no ombro dela.

Ela se afastou.

O gesto foi pequeno.

Mas ele percebeu.

Horas depois, os dois estavam no estacionamento.

Rafael finalmente perguntou:

"Você está desconfiando de mim?"

Helena ficou em silêncio.

"Responde."

Ela olhou para ele.

"Meu pai escreveu Montenegro."

"Isso não é meu nome."

"É sua família."

"Meu tio está morto."

"Minha mãe reconheceu o sobrenome."

正文2

"Minha mãe conhece mais do que conta."

"Exatamente."

Rafael respirou fundo.

"Eu não sou Otávio."

"Eu sei."

"Então para de olhar para mim como se eu tivesse feito alguma coisa."

Helena baixou os olhos.

"Eu estou tentando entender."

Rafael ficou em silêncio por alguns segundos.

Depois pegou a chave do carro.

"Vem comigo."

"Para onde?"

"Você quer respostas."

Ele abriu a porta.

"Então eu vou te mostrar onde minha família guarda as perguntas."

Pouco depois da meia-noite, chegaram à mansão Montenegro.

Rafael não entrou pela porta principal.

Levou Helena até uma ala lateral.

Desceu uma escada.

Usou uma chave antiga.

"Que lugar é esse?"

"Arquivo da família."

Helena olhou para ele.

"Vitória sabe que você está me trazendo aqui?"

"Não."

A porta se abriu.

O cheiro de papel antigo tomou o corredor.

Havia estantes de metal.

Caixas numeradas.

Pastas.

Livros contábeis.

Rafael acendeu uma luminária.

"Otávio guardava tudo."

Helena começou a procurar.

Encontrou contratos.

Documentos de transporte.

Certificados.

Registros de compra e venda de cavalos.

Rafael abriu uma caixa marcada com o nome do tio.

"Olha isso."

Helena se aproximou.

Havia uma lista.

Nomes de cavalos.

Datas.

Situação.

Em vários registros aparecia a mesma palavra.

"Morto."

Helena virou a página.

Outro cavalo.

"Morto."

Outro.

"Morto."

Rafael abriu outra pasta.

"Espera."

Havia cópias de registros de outros estados.

Paraná.

Minas Gerais.

Goiás.

Helena comparou os dados.

"Esse nome..."

Ela apontou.

"É o mesmo cavalo."

Rafael franziu a testa.

"Não pode ser."

"Olha a data de nascimento."

"Mesma."

"Pelagem."

"Mesma."

"Microchip."

Rafael parou.

O número era diferente.

Helena sentiu um arrepio.

"Declaravam o cavalo como morto."

"E depois registravam de novo."

"Com outro chip."

Rafael fechou a pasta.

"Isso é lavagem de identidade."

Helena olhou para ele.

"E roubo."

Os dois continuaram.

Quanto mais abriam caixas, pior ficava.

Animais desaparecidos de propriedades privadas.

Notas fiscais incompatíveis.

Transportes sem origem clara.

Assinaturas de Otávio.

Em uma pasta fina, Helena encontrou um envelope.

Havia uma anotação.

"Augusto Almeida."

Ela abriu.

Dentro havia uma cópia de uma agenda.

Uma data estava circulada.

Um dia depois do desaparecimento de Augusto.

Ao lado, uma observação:

"Delegacia. 9h. Entrega de documentos."

Helena ficou imóvel.

"Rafael."

Ele se aproximou.

"Meu pai ia à polícia."

Rafael leu.

"Ele tinha marcado."

"Para o dia seguinte."

Helena sentiu lágrimas surgirem.

"Ele ia denunciar alguém."

Rafael fechou os olhos.

"Otávio."

Helena segurou o documento.

"Então meu pai não desapareceu por acaso."

Uma luz acendeu atrás deles.

Os dois se viraram.

Vitória estava parada na entrada do arquivo.

Ainda vestia um robe escuro.

O rosto parecia calmo.

Mas os olhos não.

Ela olhou para as pastas abertas.

Depois para o documento nas mãos de Helena.

"Você não deveria ter encontrado isso."

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