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"O Cavalo Branco Que Interrompeu Meu Casamento" Capítulo 1

正文开头

O primeiro estrondo veio antes que Helena Duarte Almeida pudesse dizer qualquer palavra diante do altar.

A música parou no meio de uma nota.

Todos os convidados olharam para o fundo dos jardins da Fazenda Santa Helena, em Atibaia.

Helena ainda segurava o buquê de flores brancas quando ouviu madeira se partindo.

Logo depois vieram os cascos.

Fortes.

Rápidos.

Cada vez mais próximos.

Uma mulher na última fileira se levantou assustada.

"Meu Deus! É um cavalo!"

O enorme animal branco surgiu atravessando o portão lateral da fazenda como se estivesse fugindo de alguma coisa.

As patas estavam cobertas de barro.

Havia pequenos cortes nas pernas.

A crina longa estava suja e embaraçada.

Mesmo assim, ele continuava correndo.

Diretamente para o casamento.

Os primeiros convidados começaram a se afastar.

Uma cadeira caiu.

Depois outra.

Taças se quebraram sobre as mesas.

O quarteto de cordas abandonou os instrumentos e correu para perto da varanda.

"Segurança!" gritou alguém.

Helena permaneceu imóvel.

Seu vestido de noiva se espalhava pelo gramado.

Durante meses, ela havia imaginado aquele momento.

As flores.

A música.

Rafael esperando por ela diante do altar.

A mãe sentada na primeira fileira.

Tudo deveria ter sido perfeito.

Mas agora havia um cavalo branco avançando entre mais de cem convidados.

"Helena!"

Rafael Montenegro correu até ela.

Segurou sua cintura e tentou puxá-la para trás.

"Vem comigo!"

Helena não respondeu.

O cavalo se aproximava rápido demais.

"Helena!"

Rafael tentou arrastá-la.

Ela finalmente deu um passo.

Então o animal freou.

As patas dianteiras afundaram na grama úmida.

Um relincho alto atravessou a fazenda.

O cavalo parou a menos de dois metros de Helena.

O silêncio foi imediato.

Rafael colocou o próprio corpo entre ela e o animal.

"Fique atrás de mim."

Um dos funcionários da fazenda surgiu segurando uma corda.

"Senhor Rafael, não se aproxime. Ele pode estar assustado."

O cavalo ergueu a cabeça.

Os músculos do pescoço se contraíram.

Quando o funcionário tentou chegar mais perto, o animal bateu uma pata no chão.

"Calma."

Helena reconheceu a própria voz antes mesmo de perceber que estava falando.

Rafael virou-se para ela.

"Não chega perto dele."

Helena não conseguiu explicar.

Havia alguma coisa naquele animal.

Uma sensação antiga.

Quase esquecida.

Ela olhou diretamente para os olhos escuros do cavalo.

"Calma."

O animal parou de se agitar.

Helena soltou o buquê.

As flores caíram sobre a grama.

"Helena, não faça isso."

Ela deu um passo.

Rafael segurou seu braço.

"Ele pode machucar você."

"Ele não vai."

"Como você sabe?"

Helena não sabia.

Mesmo assim, soltou o braço.

Caminhou lentamente.

Um passo.

Depois outro.

O cavalo observava cada movimento.

Quando Helena chegou perto, estendeu a mão.

O focinho do animal tocou sua palma.

Helena sentiu o calor da respiração.

Uma lembrança surgiu sem aviso.

Ela tinha sete anos.

Estava sentada sobre uma cerca de madeira enquanto um homem ria ao seu lado.

Seu pai.

Augusto Almeida.

"Nunca fique nervosa perto de um cavalo, Leninha."

正文1

Ela se lembrava perfeitamente daquela voz.

"Por quê?"

"Porque eles sentem o que a gente tenta esconder."

Helena piscou.

A lembrança desapareceu.

Fazia dezesseis anos que Augusto estava morto.

Ela evitava pensar nele naquele dia.

Não porque tivesse esquecido.

Mas porque havia momentos em que a saudade ainda conseguia machucar como se tudo tivesse acontecido na semana anterior.

O cavalo abaixou a cabeça.

Encostou o focinho contra o peito de Helena.

Alguns convidados começaram a filmar.

Rafael permaneceu ao lado dela, ainda tenso.

"De onde esse animal saiu?"

O funcionário analisou a sela.

"Não tem identificação."

"Então tira ele daqui."

"Rafael, espera."

Helena viu alguma coisa presa à velha cabeçada de couro.

Um pequeno brilho.

Prateado.

Ela franziu a testa.

O coração começou a bater mais forte.

"Tem alguma coisa aqui."

Helena aproximou os dedos.

Era uma corrente fina.

Na ponta havia um medalhão oval.

Ela parou de respirar.

O mundo ao redor pareceu desaparecer.

"Não..."

Rafael se aproximou.

"O que foi?"

Helena puxou delicadamente o objeto.

O metal estava arranhado.

Escurecido em alguns pontos.

Mas havia uma pequena marca na lateral.

Uma imperfeição quase invisível.

Helena conhecia aquela marca.

Tinha passado a infância brincando com ela enquanto se sentava no colo do pai.

"Não pode ser."

Seus dedos começaram a tremer.

Rafael olhou para o medalhão.

"Você conhece isso?"

Helena não respondeu.

Abriu o pequeno fecho.

O clique metálico pareceu alto demais no silêncio.

Dentro havia uma fotografia antiga.

Uma menina sorrindo.

Cabelos presos em duas tranças.

Ao lado dela, um homem jovem segurava as rédeas de um cavalo.

Helena levou a mão à boca.

Era ela.

E o homem era Augusto.

"Helena?"

As lágrimas apareceram imediatamente.

Ela tocou a fotografia.

"Pai..."

Na primeira fileira, Teresa Duarte Almeida se levantou.

A mãe da noiva havia observado tudo em silêncio.

Quando viu o objeto nas mãos da filha, seu rosto perdeu completamente a cor.

A taça de espumante escorregou entre seus dedos.

Quebrou no chão.

Helena ouviu.

Virou-se.

"Mãe?"

Teresa não respondeu.

Seus olhos estavam presos ao medalhão.

"De onde você tirou isso?"

Helena mostrou a corrente.

"Estava no cavalo."

Teresa levou a mão ao peito.

"Não."

A palavra saiu quase sem voz.

Rafael percebeu a reação.

"Vocês conhecem esse medalhão?"

Helena olhou novamente para a fotografia.

Uma lágrima caiu sobre o metal.

"Era do meu pai."

Rafael permaneceu em silêncio por alguns segundos.

"Talvez alguém tenha encontrado."

Helena balançou a cabeça.

"Não."

"Helena..."

"Não pode ter encontrado."

Sua voz falhou.

Teresa começou a caminhar na direção da filha.

"Me dá isso."

Helena recuou.

"Por quê?"

"Helena, me dá."

"Mãe, por que você está assim?"

Teresa parou.

Ela parecia querer falar.

Mas não conseguiu.

Rafael segurou suavemente a mão de Helena.

"De quem é isso?"

Helena fechou o medalhão.

Olhou para ele.

"Do meu pai."

Rafael respirou fundo.

"Então alguém deve ter guardado depois que ele morreu."

Helena encarou o noivo.

正文2

"Ele foi enterrado com isso."

Rafael ficou imóvel.

Teresa fechou os olhos.

Ao redor deles, os convidados já não fingiam que não estavam ouvindo.

Helena continuou:

"Eu tinha dezesseis anos quando meu pai morreu."

Sua voz tremia.

"O corpo estava muito machucado. O caixão ficou fechado."

Ela olhou para Teresa.

"Foi você quem me disse que o medalhão estava com ele."

Teresa abriu os olhos.

"Helena..."

"Você disse que papai seria enterrado com as coisas que mais amava."

"Eu sei o que disse."

"Então como isso veio parar aqui?"

Teresa não respondeu.

Helena apertou o medalhão.

"Como?"

O cavalo relinchou.

Todos se assustaram.

O animal ergueu a cabeça e olhou para a mata atrás da fazenda.

Depois bateu uma pata no chão.

"Calma."

Helena voltou-se para ele.

O cavalo relinchou novamente.

Desta vez, mais forte.

Quase desesperado.

Então se virou.

"Segurem ele!" gritou Rafael.

O funcionário tentou alcançar a rédea.

O animal escapou.

Começou a correr.

Atravessou o gramado em direção à trilha que levava para a mata.

Helena observou.

O medalhão continuava em sua mão.

O cavalo parou perto da entrada da trilha.

Virou a cabeça.

Olhou diretamente para ela.

Helena sentiu um arrepio percorrer o corpo.

"Ele está esperando."

Rafael franziu a testa.

"O quê?"

"Ele quer que eu vá atrás dele."

"Helena, não."

O cavalo começou a correr novamente.

Helena levantou a saia do vestido.

"Helena!"

Ela saiu correndo.

Rafael foi atrás.

"Você está de salto!"

Helena parou apenas o suficiente para arrancar os sapatos.

Jogou os dois no gramado.

Então continuou descalça.

"Helena, espera!"

Ela não esperou.

Entrou na trilha.

Os galhos começaram a arranhar o tecido branco.

A terra molhada sujava seus pés.

O vestido de noiva, impecável poucos minutos antes, agora arrastava na lama.

Ela só conseguia olhar para o animal mais à frente.

"Espera!"

O cavalo diminuiu a velocidade.

A mata ficou mais fechada.

A música da cerimônia já não podia ser ouvida.

Helena respirava com dificuldade.

Rafael conseguiu alcançá-la.

Segurou seu braço.

"Chega."

"Solta."

"Você não sabe para onde ele está levando você."

"Eu preciso descobrir."

"Pode ser perigoso."

Helena mostrou o medalhão.

"Isso estava dentro do caixão do meu pai."

A voz dela quebrou.

"Eu passei dezesseis anos acreditando que ele estava enterrado com isso."

Rafael olhou para o objeto.

Depois para Helena.

Ela soltou o braço.

"Se esse cavalo trouxe isso até mim no dia do meu casamento, eu vou descobrir por quê."

O animal havia parado alguns metros adiante.

Estava ao lado de um grupo de arbustos.

Helena se aproximou.

"Ei..."

O cavalo abaixou a cabeça.

Helena percebeu manchas de lama no chão.

Galhos quebrados.

Então ouviu alguma coisa.

Um som fraco.

Ela parou.

"Você ouviu?"

Rafael se aproximou.

"Ouvi o quê?"

O som veio novamente.

Um gemido.

Helena ficou completamente imóvel.

"Tem alguém aí."

Rafael passou à frente.

"Fica atrás de mim."

Ele afastou alguns galhos.

Nada.

Helena ouviu o gemido pela terceira vez.

Mais perto.

"Ali."

Ela apontou.

Correu para o outro lado dos arbustos.

"Helena!"

As folhas prenderam no vestido.

Ela puxou o tecido com força.

Então viu uma mão.

Coberta de terra.

Helena gritou.

Rafael chegou imediatamente.

"Meu Deus."

Um homem estava caído entre as raízes de uma árvore.

Era idoso.

Muito magro.

As roupas estavam rasgadas.

O cabelo completamente branco estava colado ao rosto por sangue seco e barro.

Helena se ajoelhou.

"Senhor?"

Nenhuma resposta.

Ela tocou seu ombro.

"Senhor, consegue me ouvir?"

O homem respirou com dificuldade.

Helena olhou para Rafael.

"Liga para o resgate."

Rafael já estava pegando o celular.

Helena voltou-se para o desconhecido.

"Não se mexa. A ajuda está vindo."

As pálpebras do homem tremeram.

Ele abriu os olhos.

Helena congelou.

Havia alguma coisa naquele olhar.

Algo que conhecia.

Algo impossível.

O homem fitou o rosto dela por vários segundos.

Seus olhos se encheram de lágrimas.

Helena sentiu o medalhão escapar entre seus dedos.

"Não..."

Os lábios do homem se moveram.

Sua voz saiu fraca, quase destruída.

"Minha filha..."

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