标题上

"A Namorada do Milionário Tentou Ferir Seu Filho — Mas o Gravador no Avental da Governanta" Capítulo 1

正文开头

Sara atravessou a galeria carregando uma bandeja de taças vazias quando ouviu o choro de Leo acima da música da recepção.

O som vinha da sala clara, reservada naquela noite para familiares. Ela deixou a bandeja sobre um aparador e abriu as portas duplas.

Vitória estava curvada sobre o sofá. O vestido verde se espalhava pelo tapete. Numa mão, segurava o ferro da copa; a outra pressionava a almofada ao lado do bebê. Vapor subia diante do rosto de Leo.

— Tira esse ferro de perto dele agora!

Vitória virou. O aparelho continuou no ar.

— Saia.

Sara cruzou o mármore correndo. Segurou o pulso de Vitória antes que a base quente descesse mais um centímetro. Leo chutava dentro do macacão rosa, o rosto vermelho.

— Solta minha mão, sua louca.

— Desliga.

Vitória tentou afastá-la com o ombro. Sara empurrou o cabo para baixo e arrancou o plugue da tomada. O ferro caiu de pé, chiando sobre uma gota d'água.

— Você é empregada nesta casa — disse Vitória. — Abaixe a voz se quiser continuar recebendo salário.

Sara se colocou entre ela e o sofá.

— A senhora não vai encostar nele.

— Ele chora há vinte minutos.

— Bebê chora.

— Este estraga tudo.

Sara apanhou Leo. O bebê agarrou a gola branca e enterrou o rosto em seu pescoço. Ela verificou as bochechas, as mãos e o couro cabeludo. Não havia queimadura, apenas calor e suor.

Vitória puxou o ferro pelo cabo.

— Me dá esse menino.

— Não.

— Henrique me pediu para cuidar dele.

— Henrique pediu que eu ficasse com Leo durante a festa.

Vitória avançou. Sara recuou até a lateral do sofá, protegendo o bebê com o antebraço. O pequeno gravador no bolso do avental bateu contra o quadril. Ela o usava para registrar a contagem da despensa; havia esquecido de desligá-lo depois do inventário.

— Você acha que ele vai acreditar em você? — Vitória perguntou. — Olha pra sua roupa. Olha pra minha.

— Estou olhando para o ferro.

Vitória ergueu a mão para empurrá-la.

Passos pesados atravessaram a galeria. Henrique surgiu de smoking, a gravata-borboleta torta e o rosto sem cor.

— O que está acontecendo?

Seu olhar percorreu Leo, o ferro ligado no chão e a mão de Vitória ainda suspensa.

Sara virou de lado para que ele visse o filho.

— Ela colocou o ferro quente perto do rosto dele. Eu cheguei antes que encostasse.

A boca de Vitória tremeu. A raiva desapareceu de seu rosto com a rapidez de uma porta fechando.

— Henrique, ela me atacou. Eu estava passando meu lenço, Leo começou a chorar e essa mulher entrou gritando.

— O lenço está onde? — perguntou Sara.

Vitória apontou para uma poltrona vazia.

— Caiu.

Henrique se aproximou. Leo estendeu as mãos para ele, mas não soltou a gola de Sara. Henrique tocou o rosto do filho, depois a base do ferro. O metal irradiava calor.

正文1

— Sara está conosco há oito meses — disse. — Ela conhece cada remédio e cada horário dele.

— Ela é obcecada pelo seu filho. E por você.

Sara abriu a mão livre.

— Pode olhar as câmeras.

O administrador da casa apareceu na porta.

— Senhor, o circuito dessa ala saiu do ar há meia hora.

Vitória deixou escapar um soluço muito alto.

— Está vendo? Ela preparou tudo.

Henrique recebeu Leo. Sara demorou um segundo para soltar o tecido do macacão. Quando o fez, deixou as duas mãos visíveis.

— Se o senhor achar que eu coloquei seu filho em risco, entrego minha chave agora.

Henrique levantou o bebê até o ombro. O choro diminuiu.

— Ninguém sai até eu entender.

Vitória caiu de joelhos diante dele e segurou a barra do smoking.

— Ela quer destruir nossa família.

Sara olhou para o ferro. Uma pequena marca úmida no sofá mostrava onde o vapor tinha atingido o tecido.

— Encoste a mão ali — disse.

Henrique tocou a área e retirou os dedos.

Vitória se levantou de uma vez.

— Você vai aceitar ordem de uma criada?

Henrique olhou para o filho e depois para ela.

— Vou aceitar o que está diante de mim.

Vitória pegou o ferro, desta vez pela alça, e o colocou numa bandeja de metal. O gesto cuidadoso chegou tarde.

— Escolha, Henrique.

— Já escolhi.

Ele apontou para a porta.

— Meu filho.

O rosto de Vitória endureceu.

— Você vai se arrepender.

— Saia antes que eu chame a polícia.

Ela pegou a bolsa sobre o piano e atravessou a sala. Ao passar por Sara, aproximou os lábios de seu ouvido.

— Esta casa vai cobrar de você.

Os saltos desapareceram na galeria. Henrique entregou Leo de volta a Sara apenas para telefonar ao pediatra.

Quando ela ajustou o bebê contra o peito, sentiu o gravador ainda vibrando no bolso.

Henrique voltou da ligação com o pediatra e pediu que ninguém tocasse no ferro. O administrador isolou a sala, fechou as portas e anotou os nomes dos funcionários que haviam passado pela ala.

— A tomada estava ligada quando a senhorita entrou? — perguntou ele.

— Sim. O cabo atravessava o tapete. Vitória segurava o aparelho sobre Leo.

— Ela podia estar passando alguma peça?

Sara apontou para o sofá. Não havia lenço, camisa ou tábua. Apenas a almofada úmida, a manta do bebê e uma marca estreita deixada pela base do ferro na bandeja.

Uma camareira chamada Célia apareceu na galeria com as mãos unidas diante do avental.

— Eu levei esse ferro para o quarto verde às oito — disse. — Dona Vitória pediu.

— Pediu por quê? — Henrique perguntou.

— Disse que a barra do vestido tinha amassado. Mas o vestido estava perfeito quando ela desceu.

Sara olhou para a tomada da sala.

— Então ela trouxe o aparelho até aqui.

正文2

Célia assentiu e mostrou uma mensagem recebida às oito e doze. Vitória havia ordenado que todos os funcionários saíssem da sala clara por quinze minutos.

Henrique fotografou a tela.

— Por que você não me contou antes?

— Ela disse que eu seria mandada embora se interrompesse a família.

Sara segurou o braço da mulher.

— Você está contando agora.

Henrique chamou o advogado novamente e incluiu Célia na lista de testemunhas. Também ordenou que nenhum empregado fosse demitido, transferido ou interrogado sozinho durante a investigação.

Leo voltou a chorar. Sara levou-o ao trocador da sala anexa. Ao retirar o macacão, encontrou uma mancha rosada no ombro. Henrique se aproximou depressa.

— Queimou?

— A pele está fria. Deve ser da costura.

Ela pressionou o tecido do macacão contra a própria mão e localizou uma etiqueta áspera. Cortou-a com uma tesoura. O gesto simples devolveu o ar ao peito de Henrique.

— Eu não sei distinguir mais nada — ele disse.

— Então observe antes de reagir. Ele vai precisar que o senhor consiga fazer isso.

Henrique recebeu o filho e acompanhou cada movimento de Sara: algodão, água morna, roupa limpa, termômetro. Quando Leo finalmente diminuiu o choro, segurou o dedo do pai.

— Vitória reclamava quando ele chorava? — Henrique perguntou.

Sara fechou a bolsa de fraldas.

— Na sua frente, dizia que era fofo. Quando o senhor saía, mandava levá-lo para outra ala.

— Por que você não me contou?

— Contei que ela não gostava de ficar sozinha com Leo. O senhor disse que eu precisava dar tempo para ela criar vínculo.

Henrique baixou os olhos.

— Eu disse isso.

— Disse.

Ele não pediu que Sara amenizasse a resposta.

Na varanda externa, o motor de Vitória ainda ecoava pela estrada. Sara aproximou-se da janela e viu as lanternas vermelhas pararem por alguns segundos antes de desaparecerem no vale.

— Ela parou lá embaixo — disse.

Henrique chamou a guarita. O segurança informou que o carro continuava fora da propriedade, estacionado num mirante sem câmeras.

— Mande alguém acompanhar à distância.

— Senhor, a equipe está conduzindo os convidados.

Sara fechou a cortina.

— Então estamos com menos gente exatamente quando ela saiu ameaçando.

Henrique entregou Leo a ela e pegou o próprio rádio.

— A festa acabou. Todo mundo volta para os postos agora.

Do mirante, Vitória observou os primeiros veículos de segurança mudarem de direção. Abriu a bolsa, retirou o telefone que nunca conectava à rede da mansão e discou um contato sem nome.

下一张上
下一章下

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos:

页面底部