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"Pecado Absoluto: Herdeiros do Sangue" Capítulo 7

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Capítulo 7: 

O eco da respiração pesada misturada ao som abafado das cortinas de veludo do teatro em São Paulo ficou totalmente para trás, substituído pelo bafo quente, úmido e sufocante da imensidão da floresta amazônica.

A rota implacável do casal os havia conduzido diretamente para o coração de uma clareira esquecida pelo tempo, onde um altar de pedra ancestral erguia-se cercado por cipós grossos e runas cravadas na rocha.

O ar naquela noite estava impregnado por uma neblina densa e por uma chuva fina que caía misturada a esporos alucinógenos exalados pelas plantas raras da região.

Victoria caminhou sobre o musgo verde e escorregadio, sentindo o cheiro pesado de terra molhada, fumaça de madeira sagrada e veneno adentrar seus pulmões com força.

"Eles acham que nos exilaram nesta selva para morrer, mas mal sabem que estamos aqui para reivindicar o sangue que nos foi negado", sussurrou Victoria, encarando o altar de pedra.

"Nenhum fantasma do passado ou maldição de sangue vai nos impedir de reinar sobre as cinzas de tudo o que destruímos", retrucou Enzo, aproximando-se com passos firmes e decididos.

Em volta da base do altar de pedra, dezenas de serpentes venenosas sibilavam na penumbra, atraídas pelo calor da fumaça e pela energia pesada daquele ritual proibido.

Enzo sacou a lâmina afiada de seu punhal tático, fazendo um corte preciso e fundo na própria palma da mão sem hesitar um segundo sequer.

"Faça o mesmo, Victoria, para que o nosso pacto seja selado com a mesma dor que nos uniu desde o primeiro dia", ordenou Enzo, estendendo a mão ensanguentada para ela.

Victoria segurou o punhal com firmeza implacável e cortou a própria pele, misturando o seu sangue de herdeira corrompida ao do magnata implacável.

"Se este amor doentio for o nosso abismo final, eu salto de mãos dadas com você para o inferno", jurou ela, pressionando sua mão contra a dele sobre a pedra fria.

O contato físico imediato do sangue misturado à névoa alucinógena que desabava dos céus começou a distorcer a realidade ao redor de forma avassaladora e intensa.

A chuva fina transformou-se em uma torrente de sensações primitivas, arrancando qualquer resquício de autocontrole, racionalidade ou sanidade mental dos dois corpos febris.

"Você sente o medo primitivo rastejando pelas nossas veias, Enzo, o pavor de descobrirmos que somos completamente viciados um no outro?", sibilou Victoria com os olhos brilhando em transe.

"Eu não sinto medo de nada neste mundo, passarinho, muito menos da força monstruosa que nos consome por dentro", rugiu Enzo, puxando-a para o topo do altar.

Em meio ao fogo estalante das fogueiras e às cobras que contornavam a base da pedra, eles se entregaram a uma união totalmente primitiva e desprovida de qualquer razão.

Cada toque desferido sob a chuva alucinógena era uma dor deliciosa, uma rendição mútua e desesperada face à iminência da própria morte.

O delírio da substância natural misturada ao suor e ao sangue fez com que as barreiras entre a consciência e a loucura desaparecessem por completo na clareira.

"Ninguém jamais vai conseguir arrancar você de mim, nem mesmo os deuses ou os demônios que governam esta selva", gemia Enzo, aprofundando o abraço possessivo.

Victoria cravou as unhas nas costas dele, aceitando a dor física como a única prova real de que eles estavam vivos e vitoriosos sobre os inimigos.

"Nós somos a única lei que importa neste mundo corrompido, Enzo, os únicos donos do nosso próprio destino", respondeu ela entre beijos febris e cortantes.

A fúria daquele ritual de sangue ecoou pelas copas das árvores ancestrais, transformando a clareira em um santuário intocável de prazer e destruição mútua.

No meio daquela orgia de instintos e sombras, o visor escuro do celular de Enzo, jogado sobre a rocha úmida, piscou brevemente com uma luz azulada.

Uma única linha de texto apareceu na tela estilhaçada, rompendo o transe com a urgência de uma ameaça mortal que vinha diretamente do sul.

"Atenção: Os protocolos de segurança da nossa rede principal foram invadidos por uma facção desconhecida no Rio de Janeiro", dizia a mensagem de alerta piscando no celular.

Enzo parou o movimento por uma fração de segundo, fixando as íris âmbar na luz fria do aparelho que teimava em brilhar na escuridão da mata.

"Parece que a nossa trégua com o mundo exterior acabou mais cedo do que o planejado, Victoria", avisou ele, com um sorriso perigoso nos lábios.

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