"Obsessão de Sangue" Capítulo 10
Capítulo 10:
A frota de veículos blindados de Lorenzo avançou cortando a neblina da madrugada até o complexo de armazéns abandonados na zona portuária do Rio de Janeiro.
O cheiro de maresia misturava-se ao odor metálico de pólvora e óleo queimado que pairava pesadamente no ar salgado.
Assim que os utilitários pararam com os pneus rangendo, Valentina foi a primeira a saltar da cabine com o fuzil de assalto firme contra o peito. Seus olhos cor de âmbar varriam cada canto das estruturas metálicas enferrujadas onde Isabela e Vladimir mantinham o cativeiro.
"Eles estão entrincheirados no galpão principal do píer três, senhorita Silva", informou Mateo, checando o visor do drone de reconhecimento tático.
"Abram fogo de supressão nas entradas laterais e não deixem nenhum deles escapar com vida", ordenou Valentina com uma voz fria e cortante que não admitia contestação.
O inferno irrompeu em uma fração de segundo quando o primeiro tiro estilhaçou o silêncio do cais deserto. O som ensurdecedor das rajadas de metralhadora transformou o armazém em um campo de batalha implacável, com faíscas voando de pilares de aço e caixotes de carga.
Avançando com uma agilidade felina entre as sombras, Valentina ignorou o perigo mortal ao seu redor e invadiu o galpão principal. No centro da plataforma elevada, amarrado a uma cadeira de ferro e com o curativo do ombro manchado de sangue fresco, estava Lorenzo.
O magnata abriu lentamente os olhos azuis glaciais, erguendo a cabeça ao ouvir o barulho dos disparos e o eco dos passos firmes dela.
Um misto de fúria protetora e choque absoluto cruzou o seu rosto ao ver a mulher que ele tentara proteger arriscando a vida bem no meio da linha de fogo.
"Você é uma insensata completa por ter vindo até aqui, Valentina", rugiu Lorenzo, contorcendo os músculos para romper as amarras de aço que o prendiam.
"Guarde as suas broncas para depois, Lorenzo, pois hoje eu vim aqui para cobrar a fatura de quem tentou te matar", retrucou ela, disparando com precisão cirúrgica contra dois capangas que tentavam flanqueá-la.
Antes que ela pudesse alcançar a base da plataforma, uma figura alta e corpulenta bloqueou o seu caminho com uma gargalhada sádica.
Vladimir Petrov emergiu das sombras empunhando uma pistola de grosso calibre e apontando-a diretamente para o peito da jovem.
"Ora, veja só quem decidiu entregar a cabeça de bandeja para a nossa coleção", zombou o chefão mafioso com um sorriso nojento nos lábios. "A gatinha rebelde veio salvar o seu dono e acabou caindo na cova dos leões."
"O único que vai para a cova hoje é você, Vladimir", sibilou Valentina, mantendo o cano de seu fuzil firme e destemido contra o peito do russo.
Antes que Petrov pudesse puxar o gatilho, um estalo metálico e o som seco de um tiro certeiro ecoaram pelas vigas superiores do galpão.
O russo soltou um grito de dor ao ter o pulso estilhaçado por uma bala, deixando cair a arma no chão de cimento.
Afinando as amarras com um esforço sobre-humanos, Lorenzo havia conseguido soltar os braços e estilhaçar a cadeira de ferro contra o chão.
Movendo-se com a fúria cega de um predador ferido, o magnata cruzou o espaço e desferiu um soco brutal que nocauteou Vladimir de vez.
"Ninguém encosta um dedo nela, seu desgraçado", rosnou Lorenzo, desferindo mais um golpe que apagou o criminoso em definitivo.
Os dois se encontraram bem no centro do galpão em chamas, encostando as costas um no outro para formar uma barreira impenetrável.
Naquele instante de silêncio mortal entre os tiros, a alma de ambos fundiu-se em uma sincronia perfeita de sobrevivência e poder.
"Você tem um péssimo hábito de me desobedecer, Valentina", murmurou Lorenzo, arqueando as sobrancelhas com um sorriso irônico e cheio de adrenalina.
"E você tem um péssimo hábito de precisar ser salvo pelas minhas mãos, Lorenzo", retrucou ela, piscando com um brilho desafiador nos olhos âmbar.
De repente, uma risada histérica e estridente rompeu o eco das sirenes que começavam a soar ao longe.
No mezanino superior, Isabela Santos apareceu com o cabelo desalinhado, segurando um detonador eletrônico com uma expressão de pura loucura nos olhos.
"Se eu não posso ter você, Lorenzo, ninguém mais neste mundo terá", gritou Isabela, apertando o botão do gatilho do explosivo com um sorriso maníaco.
O som de um bipe agudo e contínuo ecoou por toda a estrutura do armazém portuário. Cargas de dinamite escondidas nas vigas centrais começaram a detonar em uma cascata de fogo, ameaçando soterrar todo o píer em segundos.
"Abaixo-se agora mesmo!", berrou Lorenzo, abandonando qualquer raciocínio lógico.
Com um impulso desesperado, o magnata atirou-se para a frente, cobrindo o corpo de Valentina com o seu próprio peso protetor.
A onda de choque da explosão principal engoliu a plataforma, projetando os dois para fora da estrutura e diretamente nas águas gélidas da baía do Rio de Janeiro.
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