"Madrasta humilha menina após seu pai falecer" PARTE 7
A chuva em São Paulo não tinha passado durante a noite. As ruas ainda estavam molhadas quando Isabela Vasconcelos saiu do prédio abandonado onde quase havia sido capturada.
Ela respirava com dificuldade, o corpo ainda em alerta, como se não tivesse certeza de que estava viva.
“Quem era você no telefone…” ela sussurrou, olhando ao redor.
Nenhuma resposta.
Mas agora havia algo diferente.
Ela não estava mais sozinha.
Algumas quadras dali, um carro preto estava estacionado de forma discreta.
Dentro dele, um homem observava a movimentação da rua.
Ele tinha postura calma, olhar atento, expressão de alguém que já viu demais para se impressionar facilmente.
Caio Menezes.
Ex-investigador do Ministério Público, hoje atuando como advogado independente em casos de corrupção corporativa e sucessões suspeitas.
Ele observava Isabela através de um sistema portátil de rastreamento.
“Ela escapou por pouco…” ele murmurou.
No banco do passageiro, um laptop exibia dados criptografados da família Vasconcelos.
E um alerta piscando:
“INTERFERÊNCIA DESCONHECIDA ATIVA NO SISTEMA”
Caio fechou o laptop.
“Eles já começaram a caçar ela de verdade…”
Isabela andava sem direção clara.
Seu corpo estava cansado, mas sua mente não conseguia parar.
A voz do telefone ainda ecoava:
“Eu disse que você não estava sozinha.”
Ela parou em frente a uma banca de rua fechada.
“Isso não pode ser real…” ela disse para si mesma.
Mas tudo já tinha deixado de parecer real há muito tempo.
No mesmo instante, Patrícia Vasconcelos estava na mansão em Alto de Pinheiros, encarando um relatório recém-chegado.
“Ela escapou”, disse o operador ao lado.
Patrícia não reagiu imediatamente.
Depois, levantou o olhar.
“Não escapou”, ela corrigiu. “Alguém tirou ela de lá.”
O operador hesitou.
“Como assim?”
Patrícia se levantou lentamente.
“Isso muda tudo.”
Caio saiu do carro.
A chuva ainda caía leve.
Ele caminhou até uma esquina e viu Isabela parada, imóvel, como se estivesse tentando decidir se continuava existindo naquele mundo.
Ele não se aproximou de imediato.
Observou.
Depois falou.
“Isabela Vasconcelos.”
Ela virou rapidamente.
Assustada.
“Quem é você?” ela perguntou, dando um passo para trás.
Caio levantou as mãos em gesto de calma.
“Eu não vim te machucar.”
“Todos dizem isso…” ela respondeu, desconfiada.
Ele respirou fundo.
“Eu sei o que está acontecendo com você.”
Isabela riu sem humor.
“Você não sabe nada.”
Caio tirou um pequeno cartão do bolso.
“Se eu não soubesse, você já estaria presa ou desaparecida agora.”
Ela hesitou.
Na mansão, Patrícia recebeu outra atualização.
“IDENTIDADE DO INTERFERENTE PARCIALMENTE IDENTIFICADA”
Ela franziu a testa.
“Quem é?”
O sistema respondeu:
“EX-INVESTIGADOR CAIO MENEZES”
Patrícia parou.
O nome não era desconhecido.
Ela já tinha visto esse homem antes.
Em arquivos internos.
Em investigações antigas contra grupos corporativos.
Ela apertou os dedos.
“Então é ele…”
Na rua, Caio finalmente se aproximou de Isabela.
“Seu pai sabia que isso ia acontecer”, ele disse.
Isabela o encarou.
“Você conhecia meu pai?”
Caio hesitou.
“Eu acompanhei parte das operações dele antes da morte.”
Ela ficou tensa.
“Operações?”
Ele assentiu.
“Eduardo Vasconcelos não era apenas um empresário.”
Isabela franziu a testa.
“Do que você está falando?”
Caio olhou ao redor, verificando se estavam sendo observados.
“Ele estava envolvido em um sistema de controle patrimonial e jurídico chamado VERITAS.”
Isabela ficou imóvel.
“Isso já apareceu para mim…”
Caio assentiu.
“Então você já entrou no sistema.”
No escritório de Álvaro Ribeiro, os monitores mostravam Caio e Isabela juntos.
“Ele entrou em contato com ela”, disse o técnico.
Álvaro observava em silêncio.
“Era inevitável.”
O técnico perguntou:
“Ele está ajudando ou interferindo?”
Álvaro respondeu:
“Os dois.”
Isabela respirou fundo.
“Se você sabe tanto… me diz então: meu pai está morto ou não?”
Caio ficou em silêncio por um segundo longo.
Depois respondeu:
“Essa é a pergunta errada.”
Ela ficou irritada.
“Não me responde com enigma!”
Ele olhou diretamente para ela.
“Ele está morto legalmente.”
Isabela sentiu um vazio no peito.
“Mas…”
Caio continuou:
“Mas o sistema dele não trata morte como fim.”
Na mansão, Patrícia caminhava de um lado para o outro.
“Eles estão falando com ela agora”, disse o operador.
Patrícia parou.
“Quero áudio.”
O operador hesitou.
“Não conseguimos interceptar.”
Ela virou o rosto lentamente.
“Por quê?”
“Porque a comunicação está fora da rede controlada.”
Patrícia respirou fundo.
“Então alguém externo está protegendo ela.”
Na rua, Caio levou Isabela até o carro.
“Você não pode ficar exposta assim.”
“Eu não vou com você”, ela disse imediatamente.
“Se ficar aqui, eles vão te encontrar de novo.”
Ela hesitou.
“E se você estiver me levando direto para eles?”
Caio abriu a porta do carro.
“Se eu quisesse isso, você já estaria morta.”
Silêncio.
Isabela olhou ao redor.
A cidade parecia cada vez mais hostil.
Ela entrou no carro.
Enquanto o carro saía, Caio falou:
“Agora você precisa entender uma coisa.”
Isabela olhou para ele.
“O quê?”
“Seu pai deixou o sistema incompleto de propósito.”
Ela franziu a testa.
“Por quê?”
Caio respondeu:
“Porque ele não confiava em ninguém… nem mesmo na própria família.”
No escritório de Álvaro, um novo alerta surgiu.
“CAIO MENEZES: ACESSO A DADOS RESTRITOS”
Álvaro observou a tela.
“Ele está indo além do permitido…”
O técnico perguntou:
“O senhor vai intervir?”
Álvaro respondeu:
“Não ainda.”
No carro, Isabela olhou pela janela.
“Então o que eu sou nisso tudo?”
Caio respondeu sem tirar os olhos da estrada:
“Você é a variável que ele deixou para o final do teste.”
Isabela engoliu seco.
“E qual é o objetivo desse teste?”
Caio hesitou por um instante.
Depois disse:
“Descobrir quem merece herdar a verdade.”
O carro entrou em um túnel.
As luzes passaram rápidas.
Isabela sentiu o coração acelerar novamente.
“E se eu não quiser participar disso?”
Caio respondeu:
“Já é tarde demais.”
No mesmo instante, no sistema central VERITAS, uma nova linha apareceu sozinha na tela:
“INTERAÇÃO CRÍTICA DETECTADA”
E abaixo:
“CAIO MENEZES: STATUS QUESTIONADO”
Patrícia recebeu o alerta final da noite.
“ELE ESTÁ COM ELA.”
Ela fechou os olhos por um segundo.
Quando abriu, sua voz era baixa.
“Agora sim… ele entrou no jogo.”
No carro, Caio olhou rapidamente para o retrovisor.
E disse uma última frase antes da próxima curva:
“Isabela… agora até eu posso estar sendo observado.”
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