"Renascendo para Mim Mesma: Adeus, CEO" Capítulo 11
Capítulo 25: Não merece ser perdoada
Ela fez uma pausa, e seu olhar escureceu.
Aquelas eram as memórias que ela menos queria reviver.
Pensava ter esquecido, mas a dor ainda era aguda ao ser mencionada.
"Você realmente precisa saber?"
Lucas assentiu com firmeza.
"...Naquele dia, eu, a Estela e a Pequena Sophia fugimos do depósito e nos perdemos das outras crianças. A Pequena Sophia disse que tinha perdido o grampo de cabelo que a mãe dela deu, a única lembrança que ela tinha. Eu e a Estela voltamos com ela para procurar. No caminho, houve o acidente. A Estela morreu para me salvar."
"Como foi exatamente?"
Melissa fechou os olhos. A cena parecia ressurgir: sangue por todos os lados.
Quando o carro veio, a Pequena Sophia paralisou de medo. Ela e a Estela tentaram puxá-la, mas a Pequena Sophia empurrou as duas para frente...
A Estela tinha quase a mesma idade que ela. No momento do impacto, ela protegeu a cabeça de Melissa com os próprios braços e morreu na hora.
"Embora a Estela tenha me protegido, a força do impacto me jogou em um desfiladeiro. Fiquei toda retalhada por galhos. Quando cheguei ao hospital, estava naquele estado que você viu."
Ela falava com aparente indiferença, mas Lucas via a desolação em seus olhos.
Ele guardou silêncio por um momento e perguntou: "Essa 'Pequena Sophia', você sabe o nome completo dela?"
"Não sei. Sempre a chamamos de Pequena Sophia, assim como eu não tinha nome e me chamavam de garota feia. Depois do acidente, fui enviada para outro orfanato e logo fui adotada em outra cidade, onde ganhei meu nome. Meus pais adotivos eram maravilhosos, mas faleceram há dois anos. Então o Vovô Antônio me encontrou, ele..."
Melissa parou de falar e baixou a cabeça, perdida em pensamentos.
Lucas entendeu tudo. Se ele não estivesse enganado, a Pequena Sophia de quem Melissa falava era Sophia Ramos. Se fosse verdade, Sophia enganara a todos!
Isso estava ficando interessante.
"Melissa, você não odeia a Pequena Sophia? Se não fosse por ela, a Estela não teria morrido e você não teria se ferido tanto."
Ela respondeu calmamente: "De que adianta odiar? Perdi o contato com todas aquelas crianças. Meu pai adotivo dizia que não podemos perder nossa bondade. Naquela época, ela também era apenas uma criança."
Lucas soltou uma risada súbita: "Você pensa assim, mas os outros não. Melissa, não se deve perder a bondade, mas algumas pessoas não merecem ser perdoadas."
"O que você quer dizer?"
Lucas não disse nada, apenas entregou um número de telefone: "Este é o novo endereço e contato do orfanato onde vocês viviam. Eles têm os registros de para onde cada criança foi após a adoção. Vá lá. Acredito que você descobrirá coisas interessantes."
Ele só podia ajudá-la até ali. O resto ela teria que fazer sozinha.
Melissa pegou o papel, intrigada.
Não entendia por que Lucas perguntara sobre o acidente, nem por que a enviara ao orfanato. Ela nunca contara essa história a ninguém, nem para a Ana Clara.
Lucas...
Bem, tanto faz.
Ao voltar para aquela casa que não era sua, Melissa podou as plantas e ia levar o lixo para fora quando viu o boneco feio no sofá.
Ela caminhou até lá, pegou-o e o jogou no saco de lixo.
Capítulo 26: Abandonado definitivamente
Algo que antes era seu maior tesouro agora não tinha mais significado.
Ela recolheu tudo e jogou na lixeira do lado de fora.
Voltou para dentro sem olhar para trás.
Quando Gustavo retornou, o céu estava escuro e uma chuva fina começava a cair.
Talvez pelo vento forte, o saco de lixo se abrira. O boneco feio estava ali, caído, com gotas de água no rosto que pareciam lágrimas silenciosas.
Ele se inclinou e o pegou.
Em sua mente, surgiu a imagem de uma menina magra e frágil. Ela sempre ficava à margem do grupo, com olhos cheios de esperança e desejo, mas sem coragem de dar o primeiro passo.
Aquele boneco ele comprara especialmente para ela, embora tivesse sido rude ao entregá-lo.
Mas, na última vez que vira aquele boneco, sua dona estava caída em uma poça de sangue, desfigurada.
E ele estava lá, em silêncio, acompanhando-a.
Lucas perguntara como ele tinha tanta certeza de que Melissa empurrara as amigas. Na verdade, fora por causa desse boneco. A garota feia morrera, Sophia se ferira, mas Melissa desaparecera.
Quem mais poderia ter sido?
Mas este boneco que ele tinha em mãos não era o daquela época.
Gustavo jogou-o de volta na lixeira e entrou em casa.
O boneco feio, desta vez, fora abandonado definitivamente.
...
Melissa pensou a noite inteira e decidiu ir ao orfanato. Tinha ainda cinco ou seis dias; o que queria fazer seria rápido.
Isso resolveria um nó em seu coração.
O novo endereço do orfanato não era longe; chegou em uma hora de táxi.
O lugar era totalmente diferente, sem nenhuma familiaridade.
Melissa aproximou-se de uma voluntária: "Olá, onde posso encontrar o diretor?"
A voluntária indicou o caminho.
A cada passo, Melissa sentia o coração acelerar. Revelar o passado era mais difícil do que imaginava. Ao chegar à porta, suspirou aliviada.
Felizmente, o diretor ainda era o mesmo.
O diretor tinha mais de setenta anos, mas parecia bem. Ele usava óculos de leitura e lia um documento palavra por palavra.
Demorou um pouco para perceber que havia alguém na porta. Ergueu os olhos e sorriu: "Você deve ser a nova voluntária. Bem-vinda. As crianças aqui são travessas, desculpe o transtorno."
As lágrimas de Melissa caíram instantaneamente. Naqueles anos de orfanato, o diretor fora como um pai para todos eles.
Ela se aproximou e fungou: "Diretor, o senhor se lembra de mim?"
O diretor tirou os óculos, observou-a por um tempo e balançou a cabeça: "Não me lembro, minha jovem. A memória falha com a idade. Você viveu aqui?"
Melissa assentiu: "Quando eu era pequena, me chamavam de... garota feia." Ela apontou para o rosto: "Eu tinha uma cicatriz enorme aqui."
Para sua surpresa, o diretor arregalou os olhos e levantou-se bruscamente, tremendo de emoção: "Você... você é a garota feia?"
"Sou eu."
"Mas no acidente de dezesseis anos atrás... a garota feia não morreu? Eu mesmo fui reconhecer o corpo. O boneco que ela sempre carregava estava ao lado dela... como..."
"Diretor, quem morreu não fui eu. Foi a Estela."
Estela tinha a mesma idade e porte físico que ela. Como Melissa caíra no desfiladeiro e desaparecera, por um erro do destino, eles reconheceram a pessoa errada.
Capítulo 27: Por que tinha que ser ela?
Sentado no sofá, o velho diretor ainda não conseguia acalmar suas emoções: "Que bom que está viva, que bom... Já sou um velho decrépito, nunca imaginei que veria você de novo nesta vida, garota feia... Não, agora você está linda, nada feia. Como tirou essa cicatriz do rosto?"
Melissa sorriu e respondeu de forma simplificada: "Depois do acidente, fiz uma cirurgia e ela sumiu."
O diretor suspirou: "Na época, pensamos que quem tinha falecido era você e que a Estela estava desaparecida. Não imaginei que houvesse tal reviravolta. A propósito, minha filha, como encontrou este lugar?"
"Um amigo me deu o endereço." Melissa comprimiu os lábios antes de perguntar: "Diretor, o senhor ainda tem notícias das outras crianças que estavam comigo no acidente?"
"Sim. Aquele acidente causou perdas terríveis para o orfanato. Não foram só você e a Estela; outras crianças também sumiram. Mas, felizmente, a maioria voltou e depois foi adotada por boas famílias."
Enquanto falava, o diretor levantou-se para vasculhar documentos em um armário próximo: "Espere um pouco, vou procurar para você."
A mão de Melissa apertou o copo que segurava. Após um instante, ela ergueu a cabeça e perguntou: "Diretor, o senhor se lembra da Pequena Sophia?"
"Ah, aquela criança era muito agitada quando pequena, eu me lembro sim. A Pequena Sophia teve a melhor sorte, foi adotada pela família Cavalcante. Você conhece os Cavalcante, certo? É a família que patrocinava vocês antes do acidente..."
Melissa paralisou. A família Cavalcante?
Ele encontrou os documentos da época e os entregou a ela: "Veja, está tudo aqui."
Sentindo como se algo estivesse prestes a romper um casulo dentro de si, Melissa pegou os papéis e os folheou apressadamente. Uma resposta já surgia em sua mente, mas ela não queria acreditar!
Impossível, impossível...
Ao chegar a uma página, as pontas dos dedos de Melissa pararam, incapazes de se mover.
"Olha, esta aqui é a Pequena Sophia. Pensando bem, vocês três estavam juntas no acidente. Aquela criança também ficou muito assustada e ferida. Se ela não estivesse lá na hora e dito que quem morreu foi você, não teríamos chegado a essa conclusão tão rápido."
Por quê?
Melissa sentia o corpo todo tremer. A Pequena Sophia poderia ser qualquer pessoa, mas por que tinha que ser ela!
Sem conseguir dizer mais nada, ela se despediu às pressas e fugiu daquele lugar.
O destino realmente adorava brincar com ela.
Mas, desta vez, ela não conseguia sorrir nem um pouco.
No caminho de volta, ela marcou um encontro com Sophia Ramos.
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