"Renascendo para Mim Mesma: Adeus, CEO" Capítulo 8
...
Melissa achou que a febre alta a fizera ter um pesadelo absurdo.
E, até agora, parecia que não tinha acordado.
Senão, por que Gustavo estaria dormindo ao seu lado, e por que ambos estavam sem roupas?
Melissa não era boba. Mesmo que houvesse uma diferença entre sonho e realidade, eles não teriam ficado apenas conversando sob o cobertor. Aquilo era bizarro demais.
Ela decidiu dormir de novo, esperando que o pesadelo terminasse.
Quando acordou novamente, já era quase meio-dia. Gustavo realmente não estava mais ao seu lado, mas por que ela continuava nua e suas roupas ainda estavam espalhadas pelo chão?
Melissa sentou-se abraçando o cobertor, perdida em pensamentos.
Ela se perguntava se o que aconteceu na noite anterior fora um sonho ou realidade.
Enquanto tentava encontrar uma resposta que negasse a realidade, Gustavo entrou. Ele colocou um copo de água morna e dois comprimidos na mesinha diante dela. Antes que ele falasse, Melissa sorriu amargamente: "Eu sei, é a pílula do dia seguinte, né? Não tem problema. Ontem foi apenas um acidente. Não vou usar isso para te forçar a assumir responsabilidade."
Dito isso, ela pegou os comprimidos e os engoliu a seco. A garganta doeu e ela quase chorou de tanto engasgar.
Gustavo olhou para ela, entregou-lhe o copo de água e disse com uma voz tão plana que era impossível ler qualquer emoção: "É remédio para resfriado."
"O quê?" Melissa tossiu algumas vezes e, deixando de lado seu último resto de orgulho, pegou a água e deu alguns goles. Quando finalmente recuperou o fôlego, percebeu que o cobertor escorregara um pouco.
Revelou seus ombros, grande parte do colo e marcas arroxeadas espalhadas pela pele.
Dava para ver o quão intenso fora o "pesadelo" da noite anterior.
Ela apressou-se em se cobrir, tentando dizer algo para quebrar o gelo, mas o que dizer?
Foi muito bom ontem, obrigada pelo esforço?
Mas ela quase não tinha memória, apenas sentia o corpo doer.
E ela parecia se lembrar de que fora ela quem tomara a iniciativa.
Após ponderar, Melissa disse seriamente: "Gustavo, sobre ontem à noite... vamos fingir que nada aconteceu. Daqui para frente, voltamos ao que era antes."
"Hum." Gustavo respondeu brevemente. Ele pegou o copo da mão dela, colocou-o na mesa e disse lentamente: "Então, já pensou em como quer viver sua vida hoje?"
Capítulo 18: Mais do que normal
"..." Melissa forçou um sorriso amargo. Ao encontrar o olhar dele por acaso, percebeu que naqueles olhos negros habitualmente frios havia agora uma corrente perigosa e oculta.
Instintivamente, ela recuou dois passos: "O que eu disse ontem era brincadeira, não leve a sério..."
Gustavo inclinou-se sobre ela, pressionando-a com facilidade: "Tarde demais."
...
Por causa do casamento, ela se ausentara por dois dias. Quando Melissa voltou à empresa, tornou-se o alvo das atenções de todos.
Ela foi ao escritório do supervisor com a cabeça baixa, levou uma bronca e voltou para seu lugar, perdida em pensamentos.
Felizmente, já era final de outono, e as marcas em seu pescoço podiam ser escondidas por blusas de gola alta. Mas as marcas em seu coração eram impossíveis de apagar.
Ela não entendia por que a relação entre ela e Gustavo tinha chegado a esse ponto.
Passo a passo, sob o título de marido e mulher, haviam se tornado amantes ocasionais?
Na vida anterior, ele não sentia repulsa só de olhar para ela? Por que houve uma mudança tão drástica agora?
Melissa esgotou suas energias tentando entender onde estava o problema.
Depois do trabalho, quando mencionou seus pensamentos a Ana Clara, a amiga cuspiu água no rosto dela: "Você ficou louca? Amantes ocasionais? Vocês são casados! Fazer esse tipo de coisa é mais do que normal."
Melissa franziu o cenho, limpou o rosto e disse: "Mas se há relações sem sentimentos por trás, qual a diferença para amantes ocasionais?"
"...Você está se gabando para mim? Não quero ouvir seu exibicionismo. Cai fora."
"Ana, eu acho que... vou me perder de novo."
Após renascer, ela finalmente tomara a decisão de se afastar de Gustavo. Mas, ultimamente, as coisas fugiram do planejado. Gustavo parecia ter se tornado outra pessoa.
Ela parecia estar... se apaixonando por ele de novo, e esse sentimento era muito mais intenso do que antes.
Melissa baixou a cabeça, desanimada.
Que inútil.
Ana Clara mordeu o canudo, olhando-a sem entender: "Mel, eu lembro que você gostava muito do Gustavo antes. Por que agora você parece tão resistente à aproximação dele?"
Melissa abriu a boca, mas não sabia o que dizer.
Contar sobre o renascimento? Se ela mesma não tivesse vivido isso, jamais acreditaria.
Após um silêncio, ela disse: "Sabe quando eu estive internada? Naquela época, tive um sonho. Sonhei que era casada com o Gustavo por três anos e que ele me odiou do início ao fim. Naquela casa, eu não tinha família nem amigos, falava apenas com o ar todos os dias. Por fim, eu..."
"Por fim, o que aconteceu?" perguntou Ana Clara.
Melissa sorriu e balançou a cabeça: "Nada, é coisa do passado."
Ela tomou uma decisão: ia abrir o jogo com Gustavo. Não importava o resultado, não podia continuar nesse impasse.
Ao voltar para a mansão, Melissa estava nervosa. Não sabia como falar para que Gustavo acreditasse, nem como terminar tudo amigavelmente.
Mas ela pensou demais; esperou a noite inteira e Gustavo não voltou.
Caminhando com passos pesados até o escritório para dormir, percebeu que o divã fora removido. Melissa sorriu com amargura. Se ele não queria que ela ficasse nem no escritório, por que a mantinha ali?
Em um momento de raiva, ela dormiu no sofá da sala.
Contudo, no segundo e no terceiro dia, Gustavo continuou sem voltar.
O cenário da vida anterior estava se repetindo.
Capítulo 19: Nada tinha a ver com ela
Os homens que Henrique deixara para vigiá-la já haviam sido retirados. Sem hesitar, Melissa deixou um acordo de divórcio propondo três anos de não interferência mútua, pegou sua mala e saiu sem olhar para trás.
Nesta vida, não havia anel.
Pensando bem, era patético; na vida anterior, fora ela mesma quem comprara as alianças.
Não sabia o que tinha na cabeça naquela época.
Seu antigo apartamento já estava com anúncio de aluguel. Por sorte, a chave de Melissa ainda funcionava. Quando Henrique mandara recolher as coisas dela, provavelmente pegou apenas o que era importante e jogou o resto fora.
Seu boneco feio estava caído no meio de uma pilha de lixo, como se tivesse sido abandonado.
Melissa fungou, agachou-se, pegou o boneco e o abraçou, saindo do apartamento.
Nesta cidade imensa, ela de repente não sabia para onde ir.
Ela era órfã desde pequena. Seus pais adotivos faleceram há dois anos. Se o Vovô Antônio não a tivesse encontrado, ela teria mantido o passado enterrado no fundo do coração.
Dezesseis anos atrás, ela tinha apenas sete anos.
Ela e outras crianças do orfanato eram apadrinhadas pela família Cavalcante. O Vovô Antônio os convidava ocasionalmente para brincar no jardim maravilhoso da mansão.
Na primeira vez que viu Gustavo, ela fora rejeitada pelos companheiros por causa da cicatriz no rosto. Ninguém queria brincar com ela. Enquanto sentava sozinha em um banco de pedra num canto, ele apareceu.
Gustavo sempre fora muito bonito, com olhos extraordinários. Ele era apenas três anos mais velho que ela, mas possuía uma maturidade que ia além da idade.
Todas as crianças do orfanato o adoravam. Gostavam de cercá-lo, chamando-o de "Irmão Gustavo".
Embora falasse pouco, ele era extremamente paciente com as crianças.
No entanto, nada disso tinha a ver com ela.
Ela não ousava se aproximar. Sempre abraçava o boneco feio que ele lhe dera e os observava de longe, sentindo-se pequena e insignificante.
Mais tarde, o orfanato sofreu um grave incidente: várias crianças foram sequestradas por traficantes.
Felizmente, a maioria conseguiu fugir. Embora tenham se perdido no final, pelo menos não ficaram naquele inferno.
"Ei." Um carro branco parou ao lado dela. Lucas abaixou o vidro, olhando-a com resignação: "Você está andando há mais de uma hora. Para onde você vai? Quer carona?"
"Não precisa."
"Aquele dia eu errei, mas não foi por mal. De qualquer forma, te peço desculpas. Está escurecendo, aceita jantar comigo?"
Melissa parou, olhou para ele e franziu a testa: "Dá para parar de me seguir?"
Lucas deu um sorriso largo: "Claro, desde que você aceite minhas desculpas."
...
Existe um tipo de coincidência no mundo chamada "encontro inesperado".
Melissa jamais imaginaria que, ao escolher um restaurante qualquer para comer, encontraria seu "marido" — que não voltava para casa há dias — acompanhado de sua amante.
No instante em que Gustavo a viu, ele franziu o cenho. Ao notar a pessoa atrás dela, sua expressão escureceu instantaneamente.
"Vamos comer em outro lugar." Melissa virou-se sem expressão, lançou um olhar para o estupefato Lucas e saiu a passos largos.
Lucas olhou para Gustavo, olhou para trás e sentiu-se em um dilema. Mas, pensando que Melissa não estava bem, ele cerrou os dentes e correu atrás dela.
Sophia sorriu, parecendo lamentar a situação, e disse como se nada tivesse acontecido: "Gu, você mal desceu do avião e já queria voltar para vê-la. Mas, para ela, você não é nada importante. Você viajou por quantos dias? Ela já não aguentou e saiu para pular a cerca."
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