"Renascendo para Mim Mesma: Adeus, CEO" Capítulo 6
Melissa contraiu os lábios, sem vontade de falar.
Tudo bem. Aos olhos deles, ela era culpada de todos os crimes imperdoáveis.
Diante do silêncio dela, Sophia achou que era culpa e tentou fazê-la recuar: "Mesmo que você se case com o Gu, ele nunca vai te amar. Você sabe qual é o fim para pessoas como você? Você vai apenas..."
Melissa completou a frase por ela, falando com extrema calma: "Acordar todos os dias sozinha em um quarto gelado. Mesmo que eu tenha uma febre tão alta a ponto de perder os sentidos, ficarei caída no chão até que a faxineira me encontre. Ter um marido, mas viver como se fosse viúva, sem que ele me dirija um olhar, até que a tristeza se transforme em doença e eu acabe pulando de um prédio para me libertar, é isso?"
Sophia ficou atônita e debochou: "Mesmo que seja assim, foi você quem buscou isso."
Melissa sorriu, com um amargor na garganta: "É verdade. Eu plantei e estou colhendo."
"Melissa, ainda dá tempo de se arrepender. O Gu te odeia tanto, você..."
"Me odeia?" Melissa franziu o cenho e olhou para ela. "Por que o Gustavo Cavalcante me odiaria?"
Se na vida anterior fosse porque ela destruíra o relacionamento deles, impedindo que o casal ficasse junto, ela entenderia o ódio.
Mas agora era Gustavo quem insistia em casar com ela. Mesmo que ela o tivesse chantageado com as ações no passado, ele deveria sentir repulsa, não chegar ao nível do ódio.
O rosto de Sophia mostrou pânico. Parecendo perceber que dissera o que não devia, ela recuou dois passos, mas acabou esbarrando em dois copos de vidro, que caíram e se espatifaram no chão.
A água espirrou e os cacos se espalharam por toda parte.
"Claro que ele te odeia! Se não fosse por você, ele não teria que deixar de casar com quem ele gosta..." A justificativa dela era fraca e sem convicção.
Melissa não pôde evitar franzir a testa. Parecia haver algo que ela realmente não sabia.
Ela se levantou, segurou a cauda do vestido e caminhou até ela, perguntando: "Você andou falando mal de mim para o Gustavo?"
Sophia mordeu o lábio e, subitamente, empurrou Melissa: "E se eu falei? Você é uma pessoa que faz qualquer coisa para atingir seus objetivos. Se não fosse por você, o Vovô Antônio teria morrido?"
"O Gustavo também pensa assim?"
"E o que mais ele pensaria? A saúde do Vovô estava boa, os médicos diziam que havia chance de cura. Mas, desde que você apareceu, ele não só te deu aquela fortuna em ações, como partiu tão rápido. Você acha que ele não sabe dos boatos que correm lá fora? Ele quer que você morra! Se ele está casando com você, é por vingança!"
Melissa apoiou a mão no canto da mesa atrás de si e riu de si mesma. Então, na mente de Gustavo Cavalcante, ela era uma mulher perversa capaz de atentar contra a vida de alguém.
Não era de admirar que ele a odiasse tanto.
Um brilho de astúcia passou pelos olhos de Sophia, e ela se jogou com força sobre os cacos de vidro no chão.
Nesse exato momento, a porta foi aberta.
Melissa assistiu a tudo boquiaberta. Pensou que ela tivesse se desequilibrado com o salto alto e estava prestes a ajudá-la quando alguém entrou a passos largos.
Ah, então era por isso.
Capítulo 14: Não vou mais ficar esperando a morte
Havia sangue sob o corpo de Sophia. Sua voz tremia, como se estivesse morrendo de medo: "Não me mate... eu já entendi que errei, eu nunca vou disputar o Gu com você, por favor, me poupe..."
Melissa observava com um olhar frio, avaliando internamente: uma atuação realmente medíocre.
"A quantas pessoas mais você precisa prejudicar para estar satisfeita?" No momento em que a voz masculina e gélida soou, uma mão apertou seu pescoço com força. "Hein?"
Mesmo achando que seu coração já não sentia mais nada, Melissa sentiu uma pontada de dor naquele momento: "Gustavo, você nem sequer vai me perguntar o que aconteceu?"
"Você merece minha confiança?"
"Gu... dói tanto..."
Gustavo a soltou, virou-se, pegou Sophia nos braços e saiu imediatamente.
Deixou para trás apenas o vácuo de suas costas rígidas.
Melissa apenas sorriu. Assim também era bom; pelo menos o casamento não continuaria.
"Você..." Lucas apareceu na porta. Após olhar rapidamente ao redor, perguntou com cautela: "Seu nome verdadeiro é Melissa?"
Ela não respondeu. Virou-se para a cadeira e olhou seu reflexo no espelho, sentindo-se atordoada, sem entender como as coisas tinham chegado àquele ponto.
Ela tentara fugir o máximo possível, mas por que esses desastres continuavam a persegui-la?
Será que ela nunca conseguiria se livrar de tudo isso, mesmo em uma vida inteira?
Lucas coçou a cabeça, agachou-se para olhar o sangue no chão e pigarreou: "Pelo que vejo aqui, os cortes devem ter sido apenas superficiais. O sangue se misturou com a água e parece muito, mas é coisa boba, não se preocupe."
"Por que eu me preocuparia?" Melissa olhou para ele sem expressão. "Você também acha que eu a empurrei?"
"Eu não quis dizer isso. Ei, garota feia... aquela pessoa que você disse que amava muito mas agora não ama mais, não seria o Gustavo Cavalcante, seria?"
Melissa virou-se subitamente para ele, com um tom de voz extremamente sério: "O que eu disse antes ainda está de pé. Já que falta apenas um passo para o casamento, nós..."
"Não, não, não!" Lucas saltou do chão e recuou vários passos. Tocar em alguém que pertencia a Gustavo Cavalcante? Ele não estava cansado de viver.
Para Melissa, aquele gesto foi visto, sem dúvida, como uma rejeição e repulsa extremas.
Sua expressão tornou-se ainda mais desolada: "Eu sou tão detestável assim?"
Lucas agora não conseguiria se explicar nem com dez bocas.
Melissa pensou que o casamento seria cancelado e que a história entre ela e Gustavo finalmente chegaria a um ponto final, ainda que imperfeito.
Mas, para sua surpresa, embora o casamento tenha sido temporariamente interrompido, o título de Senhora Cavalcante tornou-se realidade.
Henrique simplesmente a pegou, junto com suas malas, e a despachou para a casa de Gustavo.
Com o som da porta se fechando, o ambiente mergulhou na escuridão.
Melissa ficou ali parada, isolada e sem ajuda, sentindo como se o frio e o desespero familiares a envolvessem novamente, como a língua de uma cobra venenosa, apertando-a até que perdesse o fôlego.
Naqueles três anos da vida passada, a solidão e o medo diários criaram raízes e se espalharam infinitamente em seu coração, crescendo de forma incontrolável e frenética.
Melissa sabia que, nos dias que viriam, passaria a vida inteira sozinha naquela casa enorme, fria e vazia.
Sem família, sem amigos e... sem marido.
Será que o fim dela seria novamente a depressão, falando com o ar todos os dias, até que o suicídio fosse a única libertação?
Melissa desabou no chão. Lágrimas corriam silenciosas por seu rosto desolado, enquanto seu olhar perdia o foco.
Era esse o final que ela queria?
Os punhos de Melissa se fecharam ao lado do corpo. Não! Desta vez ela não ficaria esperando a morte!
Já que o destino lhe dera a chance de renascer, ela não poderia desperdiçá-la!
Ranger—
A porta foi aberta. Embora a luz do jardim fosse fraca, Melissa sentiu a claridade ferir seus olhos e os protegeu instintivamente com a mão.
"O que você está fazendo?" A voz masculina, fria e sem emoção, soou de cima.
Melissa baixou a mão e olhou para ele, atônita.
Após um instante de choque, ela se levantou bruscamente, limpou as lágrimas do rosto e disse entre dentes: "Gustavo Cavalcante, eu quero o divórcio!"
Gustavo lançou-lhe um olhar indiferente, acendeu a luz do hall e caminhou direto para o sofá, sentando-se sem dar a menor reação a ela.
Melissa franziu a testa e, sem desanimar, foi até ele e sentou-se à sua frente. Após se esforçar para acalmar as emoções, decidiu discutir o assunto seriamente.
"Olha, você me odeia e eu também não gosto de você. Por que temos que nos torturar até a morte? Se você está preocupado que o divórcio cause divisão de bens ou que os acionistas venham cobrar as ações, podemos assinar um acordo de divórcio agora e manter o segredo até que a empresa se estabilize. Durante esse tempo, vivemos um casamento de fachada, mas eu me mudo daqui e cada um vive sua vida, tudo bem?"
Ela fizera a maior concessão possível, falando com lógica e sinceridade. Gustavo não teria motivos para recusar.
Contudo, após ela terminar a frase, o homem que estava recostado no sofá de olhos fechados abriu-os lentamente. Seus olhos negros pareciam cobertos por uma fina camada de gelo: "Cada um vive sua vida?"
"Sim, sem interferir um no outro. Pode ficar tranquilo, serei discreta para não dar motivos a fofocas."
"E como você planeja viver sua vida? Senhora Cavalcante."
Capítulo 15: Estarei à altura
As palavras que Melissa pretendia dizer ficaram presas na garganta. O que ele acabara de dizer... Senhora Cavalcante?
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