"Onde a Neve Nunca Derrete" Capítulo 18
Gustavo não perguntou nada, apenas envolveu o ombro dela com naturalidade e disse baixo: "Vamos para casa."
Alice assentiu, apoiando silenciosamente parte de seu peso no braço dele.
O rastro dos dois se afastando juntos refletiu-se na pequena janela da porta do quarto, ferindo os olhos de Diego. O enorme vazio em seu peito soprava um vento frio e gélido até os ossos.
O funeral de Bianca foi realizado de forma discreta e apressada.
O Grupo Rocha, sob a pressão contínua da família Valente e o impacto dos escândalos, já estava em ruínas; a falência era apenas questão de tempo.
Bernardo, após cuidar do funeral da irmã e organizar a situação da mãe, olhou para a mansão dos Rocha, agora vazia e silenciosa, sem qualquer resquício da glória de outrora. Sentiu um frio e um vazio que o consumiam até a medula.
Como um morto-vivo sem alma, ele comprou a passagem para o voo mais próximo para a Suíça.
Capítulo 27
Desta vez, ele não tentou contatar ninguém, nem foi ao centro de repouso da família Valente.
Ele foi direto para a mansão particular dos Valente na Suíça. Era uma propriedade de Arthur, em um ambiente sereno e sob vigilância rigorosa.
Bernardo ajoelhou-se diretamente diante daquele grande portão de ferro trabalhado.
Do crepúsculo à noite profunda, e da noite à aurora.
No outono suíço, o ar noturno é gelado até os ossos.
O orvalho molhou seu cabelo e seu terno; a dor nos joelhos passou de aguda para dormente, até perderem a sensibilidade.
Ele apenas mantinha a cabeça baixa, olhando para a grama seca que crescia entre as frestas das pedras do chão, imóvel como uma estátua silenciosa.
A segurança da mansão já o havia notado e relatado a situação.
Arthur apenas respondeu: "Não deem atenção."
Quando o céu começou a clarear, Alice, acompanhada por Gustavo, preparava-se para sair para sua caminhada matinal de reabilitação.
O pesado portão esculpido abriu-se lentamente.
Bernardo ouviu o som e ergueu a cabeça de forma rígida e extremamente lenta.
Em uma única noite, parecia ter envelhecido mais dez anos.
Com barba por fazer, olhos encovados e avermelhados, sua pele tinha um tom cinza doentio.
Aquele jovem mestre da família Rocha, antes orgulhoso e sofisticado, estava irreconhecível.
Ao ver Alice sendo cuidadosamente amparada por Gustavo e vestindo um xale de cashmere branco, seus olhos se contraíram. Seus lábios tremiam, parecendo querer chamar o nome dela, mas não conseguia emitir som algum.
Alice também o viu.
Seu olhar permaneceu sobre ele por um instante. Estava calmo, como se olhasse para uma pedra no caminho ou uma árvore sem importância. Então, ela desviou o olhar, como se ele nem existisse.
Gustavo nem sequer lhe dirigiu um olhar, focado apenas no caminho sob os pés de Alice.
"— Alice..."
Justo quando ela estava prestes a passar por ele, Bernardo finalmente recuperou a voz, rouca como um fole velho. Ele tremia ao erguer a mão direita, envolta em bandagens grossas — ali, faltava o dedo mindinho.
"— Alice..." Ele olhou para ela com um olhar humilde, com a súplica desesperada de alguém prestes a morrer agarrando-se à última esperança. "Irmão... eu errei... eu realmente sei que errei..."
"— Bianca morreu... mamãe enlouqueceu... papai não me reconhece mais..."
"— Eu não tenho mais nada... eu só tenho você..."
"— Alice... olhe para mim... olhe para o seu irmão, por favor..."
Ele falava de forma desconexa, com lágrimas e coriza escorrendo, sem qualquer preocupação com imagem ou dignidade; era apenas um verme miserável lutando em um abismo de desespero.
Alice finalmente parou.
Ela virou-se lentamente e baixou os olhos, observando Bernardo ajoelhado no chão, em estado deplorável.
A luz da manhã caía sobre seu rosto pálido, dando-lhe uma leve aura dourada, mas isso apenas destacava a frieza e o distanciamento em seu olhar.
"— Sr. Rocha," ela começou, com a voz baixa mas que penetrava a névoa matinal com clareza, fria e sem qualquer traço de calor. "Sua irmã morreu, e então você se lembrou de mim?"
Bernardo estremeceu todo, como se aquelas palavras fossem uma facada profunda.
Alice pareceu lembrar-se de algo e inclinou levemente a cabeça, como se recordasse um evento muito antigo que nada tinha a ver com ela.
"— Mas eu me lembro," continuou ela, com o tom ainda plano. "Naquele ano, na prisão, eu estava com 40 graus de febre, delirando. O guarda ligou para você, dizendo que eu estava quase morrendo e pedindo que um familiar viesse, ou... ao menos enviasse medicamentos."
Ela fez uma pausa, fixando o olhar no rosto de Bernardo que empalideceu subitamente, e curvou levemente os lábios em um sorriso gélido e quase imperceptível.
"— Você disse ao telefone: 'Deixe que ela morra lá dentro'."
"— Sr. Rocha, essas palavras foram ditas por você, não foram?"
Cada palavra era como uma lâmina de gelo perfurando o coração de Bernardo e depois girando, arrancando cruelmente toda a crueldade e a feiura que ele tentara enterrar e esquecer, expondo-as à luz do dia.
O sangue sumiu do rosto de Bernardo, até seus lábios tremiam.
Ele quis negar, quis se justificar, dizer que fora a raiva do momento, um mal-entendido... mas não conseguiu falar.
Porque fora ele quem dissera aquilo, em um momento de fúria e parcialidade após mais uma vez Bianca ter "piorado por causa da Alice".
"— Sim..." Ele deu uma risada amarga, que parecia mais um choro horrível, carregada de autoaversão e desespero. "Eu mereço morrer... Alice... eu mereço morrer..."
Alice assentiu, como se concordasse com a autoavaliação dele.
"— Você realmente merece."
A voz dela ainda não tinha oscilação, como se estivesse declarando um fato objetivo.
"— Mas se você vive ou morre," ela olhou para ele como se olhasse para a poeira da estrada, "não tem nada a ver comigo."
Dito isso, ela não olhou mais para ele. Virou-se e disse baixo para Gustavo: "Vamos, Gustavo, estou com um pouco de frio."
Gustavo imediatamente ajustou o xale dela e respondeu baixo: "Tudo bem."
Os dois continuaram a caminhar, sem qualquer hesitação.
"— Alice!" Ao ver as costas dela se afastando, um pânico imenso tomou conta de Bernardo.
Ele sabia que, se a deixasse ir desta vez, nunca mais a veria; ele a perderia definitivamente.
Não se sabe de onde tirou forças, mas ele começou a se arrastar de joelhos para frente, tentando alcançar a barra da roupa dela.
"— Alice! Você costumava... costumava me chamar de irmão por vinte anos! Fomos irmãos por vinte anos!"
Seu grito veio com choro, ecoando na estrada vazia da floresta, agoniante e desesperado.
Alice não parou desta vez.
Apenas sua voz calma flutuou com o vento, entrando nos ouvidos de Bernardo e destruindo sua última ilusão.
"— Aqueles vinte anos foram roubados."
"— Agora, eu os devolvi para a família Rocha."
"— Estamos quites."
Capítulo 28
A silhueta dela, acompanhada por Gustavo, desapareceu lentamente no fim do caminho da mansão.
A névoa matinal se dissipou e o sol brilhou, mas não conseguiu iluminar a escuridão gelada que cercava Bernardo.
Ele permaneceu com o braço estendido, paralisado, olhando para aquele portão de ferro frio e luxuoso que se fechara novamente, olhando para a direção onde Alice desaparecera, por muito, muito tempo.
Então, ele curvou-se bruscamente, batendo a testa com força contra o chão frio e úmido, soltando um uivo sufocado e dilacerado, como o de uma fera moribunda.
Roubados...
Devolvidos...
Quites...
No coração dela, aqueles vinte anos de convivência diária, de afeto fraternal, foram desde o início um erro, um roubo que ela não deveria ter cometido.
E ele, junto com toda a família Rocha, foi o carrasco que a torturou por causa desse erro.
Ele nem tinha mais o direito de ser odiado.
Desde aquela manhã em que ficaram "quites" do lado de fora da mansão, a vida de Alice parecia ter entrado em um trilho lento e estável.
Aquele passado barulhento, sangrento e insuportável fora isolado pelo ar puro e pela neve branca dos Alpes, tornando-se um ruído borrado em um cenário distante.
Seu treinamento de reabilitação das mãos entrou em uma nova fase.
Com o tratamento cuidadoso da equipe médica de ponta e o incentivo diário de Gustavo, suas articulações rígidas começaram a ter movimentos de maior amplitude. Embora as juntas deformadas não pudessem voltar ao normal, ao menos não eram mais uma "invalidez" fora de controle.
Gustavo conseguiu de alguma forma um piano de cauda Steinway e o colocou no jardim de inverno, onde a luz era melhor.
O corpo do instrumento brilhava e as teclas pretas e brancas aguardavam silenciosamente o toque.
"— Não há pressa, vamos devagar." Gustavo sempre dizia isso; sua voz tinha um poder tranquilizador peculiar. "Comece pelo mais simples, nem que seja apenas tocar uma tecla, sentir."
Alice inicialmente apenas olhava de longe, com o olhar complexo.
Aquele piano era como um símbolo: símbolo de um sonho que antes estava ao alcance e agora parecia inalcançável, e símbolo de um futuro que ela não tinha certeza se tinha coragem de abrir.
Até que, em uma tarde, o sol passou pela cúpula de vidro, iluminando a tampa polida do piano e refletindo um brilho quente.
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