"Onde a Neve Nunca Derrete" Capítulo 14
No local da coletiva, a imprensa estava reunida, com câmeras apontadas para o palco.
Diego apareceu.
Vestia um terno preto simples, sem gravata; o cabelo estava desalinhado, havia olheiras profundas sob os olhos e a barba por fazer aparecia no queixo.
Estava exausto, mas seus olhos brilhavam de forma assustadora, queimando com uma chama quase autodestrutiva.
Ele não fez cumprimentos ou introduções; caminhou direto para o microfone, abriu o notebook que trouxera e conectou-o ao telão atrás de si.
"— Hoje, não estou aqui como o herdeiro do Grupo Diego", sua voz era rouca, mas extremamente clara, alcançando cada canto do local através do microfone. "Estou aqui como um criminoso, um cego e um canalha."
A plateia silenciou-se por um segundo antes de explodir em murmúrios.
Diego ignorou e abriu o primeiro arquivo de vídeo.
Era a gravação restaurada da vigilância da escada, guardada por três anos.
A imagem rodou com clareza: Bianca jogando-se para trás, repelindo a mão estendida de Alice e rolando escada abaixo.
"— A verdade sobre a queda da Srta. Bianca há três anos", disse Diego sem qualquer oscilação no tom, como se narrasse o assunto de outra pessoa. "Alice não a empurrou. Foi ela quem se jogou e incriminou Alice."
O salão entrou em alvoroço!
Em seguida, veio a segunda prova: capturas de tela de transferências bancárias mostrando que a conta de Bianca enviara grandes quantias para indivíduos marginais no período exato anterior ao incidente na loja de vestidos.
"— Estas são as provas de que Bianca subornou delinquentes para tentar humilhar Alice."
A terceira: capturas de vigilância de uma loja de conveniência onde o empregado pessoal de Bianca comprava uma grande quantidade de gasolina.
"— Esta é a prova de que Bianca mandou comprar gasolina antes do incêndio. O incêndio foi encenado por ela, com o objetivo de, novamente, culpar Alice."
A quarta prova: uma gravação de áudio com o testemunho de uma enfermeira dos Rocha, já demitida, descrevendo detalhadamente como Bianca a fizera adulterar a proteína em pó e como a instruíra a dar falso testemunho dizendo que vira Alice ingerir o alérgeno por conta própria.
"— Estas são as provas do incidente de alergia no hospital, onde Bianca incriminou Alice e quase a matou."
Uma a uma, as provas irrefutáveis foram expostas ao público.
Os jornalistas passaram do choque inicial para a indignação total; o som dos obturadores e as discussões quase derrubavam o teto.
Diego permanecia ali como uma estátua em erosão, suportando todos os olhares. Ele ergueu a cabeça lentamente para a câmera, com os olhos vermelhos e a voz embargada, forçando-se a continuar:
"— Eu, Diego, sou cúmplice destes crimes."
"— Meus olhos estavam cegos, meu coração estava obscurecido; acreditei em mentiras, confundi lixo com pérola e pisoteei um coração sincero na lama."
"— A garota que me seguia desde pequena chamando-me de 'Diego', que me deu toda a sua confiança e dependência... eu a enviei pessoalmente para a prisão e, pessoalmente... destruí o sonho que ela considerava sua vida."
Ele respirou fundo; a dor imensa o fazia quase perder o equilíbrio. Ele segurou a borda do púlpito, com os dedos ficando brancos pela força.
"— O maior arrependimento da minha vida é não ter acreditado nela há três anos."
"— Ela esperou pela minha confiança na prisão, e eu não a dei."
"— Ela esperou por justiça no hospital, e eu não a dei."
"— A última vez que ela olhou para mim, seus olhos estavam vazios. Não havia nem ódio."
"— Porque eu não mereço."
Ele disse as últimas palavras baixinho, mas elas soaram como marteladas no coração de todos.
"— Portanto", Diego endireitou as costas, embora elas já estivessem curvadas pelo arrependimento, e ergueu alguns documentos. "A partir de hoje, renuncio formalmente a todos os cargos no Grupo Diego e em suas subsidiárias."
"— Todos os meus bens pessoais, incluindo ações, imóveis e fundos, serão doados integralmente para a Fundação 'Luz das Estrelas', destinada a apoiar mulheres vítimas de violência doméstica, injustiças judiciais e outros tratamentos iníquos."
Capítulo 21
Dito isso, ele não olhou mais para ninguém, ignorando o alvoroço e o caos que explodiam às suas costas. Ele se virou, endireitou a coluna já castigada por mil feridas e, passo a passo, desceu do palanque, saindo do local da coletiva e entrando em um mar de flashes ofuscantes e olhares de choque, desprezo ou complexidade.
Parecia um prisioneiro caminhando em direção ao local da execução.
A coletiva de imprensa de Diego foi como jogar uma caneca de água gelada em uma panela de óleo fervente.
Instantaneamente, o mundo explodiu.
Todas as evidências — vídeos, registros de transferência, monitoramento e áudios de depoimentos — foram freneticamente compartilhadas, analisadas e interpretadas por inúmeros veículos de mídia e redes sociais.
Bianca, que até pouco tempo era a "filha legítima sofrida, intimidada pela falsa herdeira, frágil, pobre e com uma doença terminal", viu sua imagem desmoronar completamente da noite para o dia. Ela se tornou o alvo da condenação de toda a rede, sendo rotulada como "vilã absoluta" e "manipuladora mestre".
"— Meu Deus, essa mulher é um demônio? Se jogar para incriminar os outros?"
"— Subornar bandidos para cometer abuso? Isso é coisa que um ser humano faça?!"
"— Atear fogo para culpar outra pessoa? E ainda armar para o próprio irmão? Isso é pensamento de um ser vivo?"
"— Quase matar alguém com uma alergia? Que tipo de cobra é essa?"
"— A Alice é uma coitada, que sofrimento real. Ter sido alvo de uma cobra dessas e ainda estar viva é um milagre."
"— Aqueles dois homens das famílias Rocha e Diego estavam cegos? Acreditaram nessas mentiras deslavadas?"
"— Eu costumava ter pena da Bianca, agora só quero viajar no tempo e me dar dois tapas na cara!"
A reação da opinião pública veio de forma célere e violenta.
O círculo das socialites, que antes cercava Bianca com mimos e compaixão, silenciou-se coletivamente no primeiro momento. Em seguida, veio o distanciamento em massa: todas as fotos e interações com Bianca em contas sociais foram deletadas, como se nunca tivessem conhecido tal pessoa.
Famílias que antes eram próximas aos Rocha também se afastaram silenciosamente.
Mais do que isso, o portão da mansão dos Rocha, em uma noite profunda, foi pichado com tinta vermelha berrante, exibindo palavras horríveis como "Assassina" e "Morra, mulher maldita".
A mãe de Bernardo, que já estava com o psicológico à beira do colapso, desmaiou ao ver aquilo. Foi levada ao hospital e diagnosticada com transtorno de estresse agudo, necessitando de repouso absoluto.
O pai de Bernardo retornou às pressas do exterior. Diante de uma casa em ruínas, uma filha moribunda, uma esposa em choque e o nome da família na lama, ele tremia de raiva.
Ao ver Bernardo desleixado, com barba por fazer e aparência exausta, o pai não disse uma palavra: avançou e desferiu um tapa sonoro no rosto do filho!
"— Seu canalha!" O pai apontava para o nariz de Bernardo, com a mão trêmula. "Foi assim que eu te ensinei?! Foi assim que você cuidou da sua irmã?! Expulsou uma criança tão boa como a Alice e mimou a Bianca até ela ficar desse jeito! Vocês jogaram o nome dos Rocha no lixo! Toda a reputação que gerações construíram foi destruída por vocês!"
Bernardo virou o rosto com o impacto, a bochecha ardendo, mas permaneceu em silêncio. Não houve contestação.
O pai estava certo.
Ele foi estúpido, foi cego, foi conivente. Ele criou essa situação com as próprias mãos.
Não tinha o direito de se defender.
O quarto de Bianca tornou-se um canto esquecido pelo mundo.
Exceto pela equipe médica necessária, ninguém mais a visitava. Ela jazia na cama, mantida por aparelhos caros e medicamentos que sustentavam sua vida frágil. Nas raras vezes em que recobrava a consciência, via as maldições esmagadoras na internet, via seus antigos círculos de amigos ridicularizando-a e via as fotos da tinta vermelha no portão de casa.
Ela parou de chorar e de implorar. Apenas mantinha os olhos vazios e cheios de veneno fixos no teto, murmurando maldições que ninguém conseguia entender.
A última janela para o transplante estava se fechando, dia após dia, implacavelmente.
Bernardo, sob o peso da loucura da mãe que o chantageava com a morte, do desespero da irmã moribunda, das acusações furiosas do pai, da ruína da reputação familiar e da instabilidade da empresa, foi completamente esmagado.
Ele não tentou mais contatar Arthur Valente, nem fantasiou que Alice voltaria.
Trancou-se no quarto por três dias e três noites, sem dormir, apenas olhando fixamente para as fotos de Alice quando criança, para o bilhete que dizia "nunca mais nos veremos" e para o vazio, relembrando repetidamente como ele, passo a passo, empurrou aquela irmã alegre e sorridente para o abismo.
No último dia, Bianca teve uma melhora súbita, o chamado "brilho da morte", e recuperou um pouco de energia.
Ela segurou a mão de Bernardo; seus dedos esqueléticos estavam frios como gelo, mas a força era surpreendente.
"— Irmão..." sua voz era rouca. "Eu não quero morrer... eu realmente não quero... peça para a Alice me salvar... peça para ela vir... eu me ajoelho para ela... serei sua serva... irmão, você me prometeu que me protegeria para sempre... me salve..."
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