"Onde a Neve Nunca Derrete" Capítulo 10
"— Irmão, não é isso, deixe-me falar..." Bianca chorava ainda mais alto, tentando se justificar.
"— E o incêndio?" Diego a interrompeu bruscamente. "Ouse dizer que a gasolina na casa naquele dia não foi comprada por um empregado a seu mando? Ouse dizer que você não ateou fogo enquanto saíamos para procurar a Alice, que supostamente fora sequestrada, para depois jogar a culpa nela?!"
Bianca ficou sem palavras diante do questionamento, apenas chorando.
Seu silêncio era, sem dúvida, uma confissão.
Bernardo sentiu como se tivesse levado um soco em cheio; cambaleou um passo para trás, batendo as costas pesadamente contra a parede fria.
Era tudo... era tudo mentira.
Nesses três anos, todo o desprezo, acusações e punições que dirigiram à Alice; as lições que julgaram necessárias dar "pelo bem dela"; o fato de a terem enviado à prisão e destruído suas mãos... Tudo isso fora construído sobre uma mentira tão cruel e absurda!
E ele, o irmão que vivia dizendo que protegeria a irmã, fora quem causara o dano mais profundo!
"— Haha... hahaha..." Bernardo começou a rir baixo, uma risada rouca, cheia de ironia e amargura infinita. Enquanto ria, as lágrimas começaram a descer.
"— Irmão... irmão, eu errei, eu realmente sei que errei..." Bianca soltou-se dos braços da mãe e atirou-se aos pés de Bernardo, abraçando suas pernas e chorando desesperadamente. "Eu tinha acabado de voltar, estava com tanto medo, medo de que vocês não me amassem, de que não me quisessem... por isso fiz essa coisa errada em um momento de confusão... Depois, depois eu apenas tive muita inveja da irmã, não consegui me controlar... Irmão, me perdoe, me perdoe só desta vez, sim? Eu estou com câncer, não tenho muito tempo de vida, apenas me perdoe e me salve, por favor! Eu sou sua irmã de sangue!"
Ela chorava com sinceridade, as lágrimas e o catarro escorrendo, interpretando com perfeição a fragilidade de uma paciente e o súplica de uma irmã.
A mãe de Bernardo também chorava ao lado, segurando o outro braço dele: "Bernardo, a Bianca sabe que errou e já recebeu sua lição, veja como ela está doente... Perdoe-a, o mais importante agora é salvar a vida dela! Aquela menina, a Alice... bem, nossa família foi injusta com ela, mas a Bianca é sua irmã de sangue, você não pode vê-la morrer!"
Bernardo olhou para a irmã biológica ajoelhada no chão em prantos, e então lembrou-se das mãos destruídas de Alice e das costas decididas dela ao partir pela última vez.
Dois sentimentos conflitantes rasgavam seu coração; a dor quase o sufocava.
"— Irmã de sangue... irmã de sangue..." ele murmurou repetidamente, com o olhar vazio.
"— Você ainda vai protegê-la?!" Diego agarrou o colarinho de Bernardo subitamente, prensando-o contra a parede. O rugido ecoou por todo o quarto. "Bernardo Rocha! Olhe bem! As mãos da Alice foram destruídas! O sonho dela! A vida dela! Tudo foi arruinado por nós! Por você e por mim, esses dois cegos, esses dois bastardos que destruíram tudo com as próprias mãos! Você ainda está pensando na sua irmã de sangue?! E a Alice?! O que a Alice representa?! Ela te chamou de irmão por vinte anos! O que ela fez de errado para sofrer tudo isso?!"
Bernardo ficou paralisado pelo grito. Olhando para o colapso e o arrependimento nos olhos de Diego, que eram idênticos aos seus, ele também explodiu em fúria, desferindo um soco violento no rosto de Diego!
"— E você?! Diego!" Bernardo gritou de volta com os olhos injetados. "Você não teve participação?! Não foi você quem segurou a outra mão dela?! Não foi você quem disse 'essa é a lição que você merece'?! Nós somos todos assassinos! Somos todos animais que a destruíram!"
Os dois homens, como duas feras feridas, atacavam-se e gritavam no quarto do hospital, extravasando todo o arrependimento, raiva e dor acumulados nesse período um sobre o outro.
Capítulo 15
Bianca ficou paralisada com aquela cena, esquecendo-se até de chorar.
"— Parem com isso! Parem de brigar agora!" A mãe de Bernardo batia os pés, desesperada.
Nesse exato momento, o rosto de Bianca na cama mudou drasticamente. Ela levou a mão ao peito e começou a tossir de forma violenta. Entre as tosses, soltou um som agudo e vomitou uma lufada de sangue de cor vermelho-escuro, que manchou o lençol branco como a neve. Uma cena aterrorizante!
"— Bianca!" A mãe de Bernardo soltou um grito estridente.
"— Médico! Chamem um médico rápido!" Bernardo e Diego pararam a briga e correram em pânico para a beira da cama.
Seguiu-se mais uma rodada de caos nos procedimentos de emergência.
O médico-chefe saiu da sala de reanimação com uma expressão tão sombria que parecia prestes a desabar.
"— O estado emocional da paciente sofreu um estímulo gigantesco, causando uma deterioração aguda do quadro. O transplante de pulmão deve ser realizado imediatamente, caso contrário... temo que ela não resista por mais de uma semana."
Uma semana.
Restava apenas uma semana.
A mãe de Bernardo desmaiou no local.
Bernardo e Diego ficaram do lado de fora da sala de emergência, sem um pingo de cor no rosto.
Em poucos dias, o mundo deles virou de cabeça para baixo.
A verdade fora revelada, sangrenta, deixando-os sem ter onde esconder a própria vergonha.
Mas a vida de Bianca era como uma sentença de morte pendurada sobre suas cabeças.
"— Vamos atrás da Alice." Bernardo limpou o rosto, com a voz seca. "Não importa como, vamos implorar para que ela salve a Bianca. Todos os erros foram causados por nós; se a Alice tiver que odiar alguém, que odeie a nós. Os crimes da Bianca... depois que ela operar e estiver bem, a lei decidirá a punição. Mas agora, primeiro salvamos a vida."
Diego encostou-se na parede, sem dizer nada. Ele ainda carregava os hematomas arroxeados dos punhos de Bernardo no rosto, olhando para o teto com olhos vazios.
Odiá-los?
Será que a Alice ainda teria capacidade de odiá-los?
O último olhar que ela dirigiu a eles era de alguém que nem ódio sentia mais; era uma desolação de silêncio absoluto.
Mas, como Bernardo disse, a vida de Bianca não podia esperar.
Entretanto, antes que pudessem contatar Arthur Valente novamente ou encontrar o paradeiro de Alice, o contra-ataque de Arthur caiu sobre eles com a força de um trovão.
Em uma cúpula empresarial de alto nível, que reunia os principais empresários e gigantes das finanças do país, Arthur Valente, como palestrante de encerramento, não desceu do palco imediatamente após concluir sua análise macroeconômica.
Sob os refletores, ele varreu a multidão com um olhar calmo que finalmente pousou, de forma aparentemente casual, sobre Bernardo e Diego, cujos rostos mudaram de cor na primeira fila.
Então, ele pegou o microfone. Sua voz, transmitida com clareza por cada canto do salão através do equipamento de som de alta qualidade, era fria, estável e carregada de uma autoridade inquestionável:
"— Aproveitando esta oportunidade hoje, gostaria de anunciar um assunto pessoal."
O auditório silenciou instantaneamente. Todos olharam para o jovem imperador comercial, sem saber o que ele diria.
"— Minha irmã, desaparecida há muitos anos, Alice Valente, foi encontrada."
Alice Valente?
As pessoas na plateia entreolharam-se. Aqueles que conheciam os bastidores não puderam evitar que seus olhares flutuassem para Bernardo e Diego.
A "falsa herdeira" da família Rocha, Alice? Ela era, na verdade, a irmã de Arthur Valente? A verdadeira princesa da família Valente que estava perdida?
"— Estou muito feliz em reencontrá-la", continuou Arthur. O tom permanecia calmo, mas a frase seguinte fez a temperatura do local despencar. "Mas o que me causa dor é que, antes de retornar para mim, minha irmã suportou, nos últimos anos, humilhações e injustiças que nunca deveria ter sofrido."
Seu olhar, como agulhas de gelo sólidas, perfurou os olhos de Bernardo e Diego.
"— Algumas pessoas, colocando o sangue acima de tudo, sentiram-se no direito de ignorar vinte anos de convivência diária, pisoteando corações e infligindo danos à vontade." A voz de Arthur não era alta, mas cada palavra pesava uma tonelada. "Outros, que se dizem movidos por sentimentos profundos, foram incapazes de ter a confiança básica ou de distinguir o certo do errado, limitando-se a acreditar em um lado só e a ajudar o vilão em sua tirania."
Bernardo e Diego ficaram pálidos como papel no mesmo instante.
"— A irmã de Arthur Valente não é alguém que qualquer um pode intimidar", disse Arthur lentamente, cada palavra ressoando com firmeza. "As injustiças que ela sofreu nos últimos três anos serão cobradas pela família Valente, uma por uma, lentamente."
Ele não citou nomes, mas quem ali não era astuto o suficiente?
Somando os boatos recentes sobre a troca de irmãs na família Rocha, as notícias sobre a prisão e libertação de Alice, e a busca frenética dos Rocha por um doador de pulmão, era óbvio a quem Arthur se referia.
"— Sr. Valente", um jornalista corajoso levantou a mão. "Poderia dizer especificamente a quais injustiças o senhor se refere? Isso tem relação com o fato de a família Rocha estar buscando um doador de pulmão para salvar a filha deles? Sua irmã seria a doadora compatível? O senhor estar impedindo a doação seria por vingança pessoal?"
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