"Onde a Neve Nunca Derrete" Capítulo 9
"— Se você não vai investigar, eu vou!" Diego soltou-o bruscamente, com uma loucura quase obsessiva no olhar. "Eu quero saber a verdade! Eu preciso saber!"
Capítulo 13
Ele se virou e saiu, com passos um pouco instáveis, mas extraordinariamente decididos.
Bernardo observou suas costas se afastando e, pela primeira vez, a parede em seu coração chamada "Bianca é a vítima, Alice é a culpada" apresentou uma rachadura. O frio começou a infiltrar-se, fio a fio, por aquela fenda.
Diego mobilizou todos os seus contatos e canais, contornando a família Rocha. Sem poupar despesas, contratou o investigador particular mais competente e discreto que encontrou, com apenas uma exigência: investigar minuciosamente o acidente na escada da antiga mansão da família, ocorrido três anos atrás.
A eficiência do investigador foi altíssima. Poucos dias depois, um arquivo criptografado foi entregue no local designado por Diego.
Não era um relatório em papel, mas um vídeo de vigilância restaurado e nitidamente melhorado.
Originalmente, havia câmeras no topo da escada da antiga mansão.
No entanto, após o incidente, Bianca chorou dizendo que aquilo era o seu trauma psicológico e pediu que fossem removidas; Bernardo, então, ordenou a retirada.
O disco rígido original da vigilância foi descartado como dados inúteis em um canto do depósito da mansão, esquecido por todos.
O investigador o recuperou e conseguiu restaurar parte dos dados com sucesso.
Diego estava sozinho em um quarto mal iluminado quando clicou naquele vídeo.
A imagem não era perfeitamente nítida, contendo os ruídos típicos de câmeras antigas, mas era o suficiente para enxergar com clareza.
Bianca e Alice subiam as escadas, uma atrás da outra, parecendo conversar sobre algo.
Bianca ia à frente, com Alice seguindo-a a meio passo de distância.
Ao chegarem no patamar da curva da escada, Bianca parou subitamente, virou-se de frente para Alice com um sorriso estranho, quase provocador, e disse algo.
Então, enquanto Alice franzia levemente a testa e parecia tentar desviar para continuar subindo —
O corpo de Bianca, de repente e sem qualquer aviso, inclinou-se para trás!
Ela não escorregou, nem foi empurrada.
Seus pés sequer haviam pisado na borda do degrau.
Ela se jogou para trás, ativa e voluntariamente!
No instante em que ela caiu, Alice, que vinha logo atrás, mostrou uma expressão de choque e, quase por reflexo, estendeu a mão rapidamente, tentando segurá-la!
Porém, a mão de Bianca foi mais rápida e empurrou com força a mão de Alice que tentava ajudá-la!
Em seguida, Bianca seguiu o impulso da própria queda e rolou escada abaixo gritando!
O vídeo terminava ali devido ao ângulo da câmera, mas aqueles poucos segundos iniciais já eram suficientes para explicar tudo.
Bianca caiu propositalmente.
Alice estendeu a mão para salvá-la.
Mas foi repelida por Bianca, que aproveitou o momento para encenar a farsa de "ser empurrada".
Um estrondo parecia ter explodido na mente de Diego!
Ele fixou o olhar na imagem congelada, no sorriso sinistro de Bianca antes de cair, no choque puro de Alice e em sua mão estendida com urgência, no movimento decidido e cruel de Bianca ao repelir Alice...
Então... essa era a verdade.
Três anos.
Três anos inteiros!
Eles enviaram uma garota inocente, a garota que um dia mimaram na palma das mãos, para a prisão! Fizeram com que ela suportasse três anos inteiros de humilhação, dor e desespero em um lugar sem luz!
E quando ela, chorando e agarrada à manga dele, repetia sem parar "Diego, acredite em mim, eu realmente não a empurrei", o que ele estava pensando?
Ele pensava: Alice, você me decepcionou demais. Cometeu um erro e ainda não se arrepende, insistindo em mentiras?
Ele chegou ao ponto de, friamente, soltar um a um os dedos dela que agarravam sua roupa.
Uma náusea muito mais forte que a anterior veio como uma avalanche. Diego curvou-se bruscamente; desta vez não foi apenas uma ânsia. Seu estômago revirou e ele vomitou no lixo até restar apenas suco gástrico, com a garganta ardendo em dor.
Lágrimas misturavam-se ao vômito fisiológico, sujando todo o seu rosto.
Não era injustiça, não era tristeza.
Era arrependimento, era auto-aversão, era um impulso desesperado de voltar no tempo e matar o seu eu estúpido e cruel daquela época!
Ele vomitou até quase desfalecer, conseguindo apenas com esforço apoiar-se na pia para levantar. O homem no espelho tinha os olhos injetados e a face pálida como a de um fantasma.
Lavou o rosto com água fria de qualquer jeito, pegou o celular e o pen drive com o vídeo, e saiu cambaleando pela porta.
Ele precisava ir ao hospital.
Iria confrontar Bianca e exigir a verdade!
E contaria a Bernardo toda a verdade!
Na suíte VIP do hospital, Bianca estava encostada na cabeceira da cama, tomando pequenos goles de uma sopa nutritiva servida pela mãe de Bernardo. Embora ainda estivesse pálida, parecia bem disposta. Ao ver Diego entrar apressado, seus olhos brilharam, ela deixou a tigela de lado e esboçou um sorriso fraco: "Diego, você veio..."
Ela não conseguiu terminar a frase.
O estado de Diego era assustador. Cabelo desgrenhado, olhos injetados de sangue, rosto pálido e roupas com algumas manchas; ele exalava uma aura de loucura à beira de um colapso.
"— Diego, o que você..." A mãe de Bernardo também se assustou.
Diego não deu atenção a ela. Deu passos largos até a cama e colocou a tela do celular diretamente na frente de Bianca, congelada no frame onde ela empurrava a mão de Alice.
"— Três anos atrás," a voz de Diego estava terrivelmente rouca, cada palavra saindo como se fosse espremida entre os dentes, "naquela escada, você se jogou sozinha. Por quê?"
O sorriso no rosto de Bianca congelou instantaneamente. A cor desapareceu de sua face visivelmente.
Ela olhou para a tela do celular, as pupilas contraíram bruscamente e seu corpo tremeu de forma quase imperceptível.
Mas sua reação foi veloz. Lágrimas brotaram no mesmo instante, escorrendo pelas bochechas pálidas, fazendo-a parecer desolada e digna de pena.
"— Diego... de... de onde você tirou isso?" ela soluçou, com a voz trêmula. "Isso não é verdade... eu estava apavorada naquela hora, não me lembro bem... só lembro que a irmã parecia muito brava e então eu caí... eu não tive a intenção de culpá-la, eu só estava com muito medo, medo de que vocês só amassem a ela e não me quisessem, a irmã que acabou de voltar... eu... eu não fiz por mal, Diego, acredite em mim..."
Capítulo 14
"— Não fez por mal?" Diego soltou uma risada fria, carregada de sarcasmo e melancolia. Ele recolheu o celular e deu play em outro áudio.
Era a gravação de um antigo jardineiro da família Rocha que já havia se demitido, fornecida pelo investigador.
O idoso dizia, com voz trêmula, que na tarde do incêndio viu a Srta. Bianca carregando furtivamente um balde plástico branco para o quintal dos fundos, e logo depois o fogo começou ali.
Na época, ele teve medo de se envolver em problemas e não disse nada.
"— E as vezes consecutivas em que você a incriminou? As pessoas que contratou para humilhá-la na loja de vestidos? No hospital, sabendo que ela era alérgica, forçá-la a ingerir proteína? E aquele incêndio na casa..." Diego fixou o olhar nos olhos de Bianca, palavra por palavra, como facas geladas. "Tudo isso também 'não foi por mal'? Bianca, você realmente encenou uma bela peça! Fez todos nós de palhaços!"
"— O quê? Que incêndio? Diego, do que você está falando?" A mãe de Bernardo ouvia tudo confusa, entre o choque e a dúvida.
O rosto de Bianca ficou completamente branco, até os lábios perderam a cor.
Ela não esperava que Diego tivesse investigado até o incêndio! Ela tinha certeza de que havia limpado tudo!
"— Eu... eu não... Diego, deixe-me explicar..." Ela entrou em pânico, estendendo a mão para tentar agarrar a manga dele.
"— Explicar?" Diego arrancou a mão dela com violência. A força foi tamanha que Bianca caiu para trás, batendo contra a cabeceira da cama. "O que mais você quer explicar? Bianca, olhar para o seu rosto me causa nojo!"
"— Diego! O que você está fazendo?!" Nesse momento, Bernardo, que chegara às pressas após a ligação da mãe, invadiu o quarto. Ele presenciou Diego repelindo Bianca e imediatamente correu para amparar a irmã, encarando Diego com fúria: "Ficou maluco?! A Bianca ainda está doente!"
"— Doente?" Com os olhos vermelhos, Diego enfiou o celular na mão de Bernardo, apontando para o vídeo. "Bernardo Rocha, veja você mesmo! Olhe bem! Veja como sua 'irmãzinha frágil e inocente' realmente caiu da escada naquele ano! E veja o que todos nós fizemos com a Alice! O que fizemos com ela!"
Bernardo, desconfiado, pegou o celular e deu play no vídeo.
Foram apenas dez segundos, mas ele assistiu três vezes seguidas.
A cada repetição, seu rosto empalidecia um tom, e a mão que segurava o aparelho tremia cada vez mais.
O vídeo não mentia.
O movimento de inclinação proposital, a mão que repelira a ajuda, tudo estava claro.
"— Bianca..." Bernardo ergueu a cabeça lentamente, olhando para a irmã que se encolhia nos braços da mãe, tremendo e chorando. Seu olhar estava cheio de um choque e uma dor inacreditáveis. "Isso... é verdade? Você... se jogou de propósito para incriminar a Alice?"
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