"Onde a Neve Nunca Derrete" Capítulo 8
Ele estava entre um grupo de elite de terno, mas destacava-se como um falcão entre pombos; o olhar afiado e uma aura imponente.
Arthur Valente.
O mais jovem detentor do poder do Grupo Valente internacional.
Seus negócios abrangiam o globo, envolvendo finanças, tecnologia e energia; com um histórico de profundidade insondável, ele era um verdadeiro gigante do mundo corporativo.
E as últimas linhas do relatório fizeram as pupilas de Bernardo e Diego dilatarem.
Arthur Valente perdeu a irmã gêmea na infância e passou anos procurando por ela.
Sua irmã possuía uma marca de nascença em formato de borboleta, de cor rosa claro, na escápula das costas.
Alice possuía exatamente a mesma marca, no mesmo local.
Esse era um "segredo" que todos na casa sabiam; quando eram crianças, Bernardo costumava brincar com ela, chamando-a de "pequena borboleta que veio com marca".
Então, aquele homem era realmente o... irmão biológico da Alice?
Bernardo fixou o olhar na foto de Arthur Valente; a frieza no olhar daquele homem e sua aura de controle total eram perceptíveis mesmo através do papel.
Mas, naquele momento, não havia tempo para considerar mais nada.
Ele respirou fundo e, seguindo as informações de contato do relatório, ligou para Arthur Valente.
O telefone chamou por muito tempo até ser atendido.
"— Alô." Uma voz masculina, fria e grave, soou sem qualquer emoção.
"— Sr. Valente, aqui é Bernardo Rocha." Bernardo forçou-se a manter o tom calmo. "Minha irmã, Alice, está com o senhor? Houve um mal-entendido profundo entre nós, mas agora há uma urgência e precisamos encontrá-la imediatamente. Por favor, deixe-me falar com ela ou diga-me onde ela está; eu irei pessoalmente buscá-la de volta."
"— Sua irmã?" Arthur Valente soltou um riso curto pelo telefone, carregado de um deboche indisfarçável. "O Sr. Rocha deve estar enganado. Alice é minha irmã, irmã de sangue. Quanto à sua família... ora, minha irmã não tem 'irmãos' ou 'noivos' capazes de mandá-la para a prisão com as próprias mãos e destruir seus sonhos."
Bernardo empalideceu e apertou o celular: "Sr. Valente! O que aconteceu antes foi de fato um mal-entendido. Eu admito que estou em dívida com a Alice e vou compensá-la! Mas agora a situação é urgente; minha outra irmã, Bianca, está gravemente doente e precisa da Alice para salvar sua vida! Por favor, deixe-me falar com ela, eu explicarei tudo pessoalmente!"
Capítulo 12
"— Mal-entendido? Compensação?" A voz de Arthur Valente tornou-se subitamente gélida, e era possível sentir o frio através da linha. "A vida ou a morte de Bianca não têm nada a ver com a Alice. Onde o senhor estava quando ela estava sufocando por alergia? Onde estava quando os ossos das mãos dela foram quebrados um a um por vocês? Agora que precisam do pulmão dela, lembram que ela é sua irmã? Bernardo Rocha, o mundo não funciona de forma tão conveniente."
"— Arthur Valente!" Bernardo finalmente não se conteve e rugiu. "É uma vida humana! Alice tem um coração bom; se ela souber que a Bianca precisa do pulmão para viver, ela não vai negar ajuda! O senhor não tem o direito de decidir por ela!"
"— Não tenho direito?" Arthur falou como se tivesse ouvido uma piada, com um tom tão frio que quase congelava o ar. "Eu sou o único irmão de sangue que ela tem neste mundo. Tenho mais direito que qualquer um de protegê-la e impedir que lixos como vocês a machuquem novamente. Além disso, Sr. Rocha, um conselho amigável: não tente mais assediar a Alice, e nem pense em usar qualquer meio para forçá-la. Do contrário, não me importo em fazer com que os negócios das famílias Rocha e Diego no exterior não consigam dar um passo sequer. Eu cumpro o que digo."
Tu... Tu... Tu...
O sinal de ocupado soou; a ligação foi encerrada de forma direta e cortante.
Bernardo segurava o celular, paralisado, com o rosto alternando entre o pálido e o vermelho.
A última frase de Arthur Valente não foi uma ameaça, foi uma constatação. Com o poder do Grupo Valente, ele certamente poderia fazer aquilo.
"— O que ele disse?" Diego perguntou ansioso.
Bernardo repetiu as palavras de Arthur e, ao terminar, desferiu um soco violento na parede, produzindo um som surdo: "Maldito!"
Diego, ao ouvir tudo, permaneceu em silêncio por um longo tempo.
Ele não explodiu em fúria como Bernardo; apenas recuou um passo, empalidecido, encostando-se na parede fria.
Cada palavra de Arthur Valente era como um chicote, golpeando sua consciência já em carne viva.
Sufocamento por alergia... ossos das mãos quebrados...
Essas duas expressões tornaram-se imagens nítidas, surgindo repetidamente em sua mente.
Naquele dia na loja de vestidos, quando Bianca "foi maltratada", eles a trancaram naquele quarto; mais tarde, ela fugiu desalinhada, com o rosto coberto de lágrimas, correndo em direção à estrada... Naquela hora, por que ele não parou para pensar se ela realmente estava sofrendo? Se ela estava realmente com medo?
E no hospital, o suplemento de proteína que Bianca deu "com boa intenção", que Alice foi forçada a ingerir até ter um choque anafilático, coberta de manchas vermelhas, caminhando entre a vida e a morte... e eles acreditaram apenas na versão de Bianca, achando que Alice estava armando aquilo ou sendo irracional.
Por fim, aquelas mãos.
As mãos que ele mesmo segurou.
O som dos ossos partindo quando o martelo desceu, o grito de Alice que mal parecia humano, e que depois se transformou em uma risada de um vazio desesperado...
Uma náusea violenta subiu pela garganta. Diego curvou-se bruscamente, tendo ânsias incontroláveis, com as lágrimas brotando por reação fisiológica.
"— Diego? O que você tem?" Bernardo perguntou, franzindo a testa.
Diego acenou com a mão, indicando que estava bem.
Ele correu para o banheiro anexo ao escritório, abriu a torneira e lavou o rosto repetidamente com água gelada.
Ao erguer a cabeça, o homem no espelho tinha os olhos injetados, o rosto pálido e os cabelos molhados, em um estado deplorável.
Quem era aquele?
Aquele não deveria ser ele.
Ele deveria ser o Diego calmo, elegante, sempre com um sorriso acolhedor, capaz de consolar a pequena Alice até que ela parasse de chorar e sorrisse.
Mas o que ele fez?
Ele abriu bruscamente a última gaveta da escrivaninha; lá havia um celular antigo.
Colocou para carregar e o ligou.
A tela brilhou. O papel de parede da tela de bloqueio era a Alice aos dezessete anos.
Ela usava um figurino de balé branco; embora não praticasse balé, participara de uma peça na escola e sorria com os olhos semicerrados, como se estivessem cheios de sol.
Com os dedos tremendo, ele desbloqueou a tela e entrou na galeria.
Havia milhares de fotos salvas ali.
A grande maioria era da Alice.
Havia fotos dela concentrada tocando violino, fotos dela rindo com astúcia após uma travessura bem-sucedida, fotos dela dormindo tranquilamente apoiada em seu ombro, fotos dele colocando um curativo no dedo dela, condoído por ela ter criado calos de tanto praticar...
Cada foto era tão cheia de vida, tão radiante.
Mas a imagem que ficou gravada por último em sua memória foi aquela sob a luz pálida do hospital: as mãos dela, deformadas e envoltas em bandagens manchadas de sangue, e o olhar que ela dirigiu a ele — um olhar que não tinha mais nenhum brilho, apenas um deserto de morte.
"Estou rindo de mim mesma... rindo por ainda ter tido ilusões..."
"Agora está bom... não sobrou nada... de verdade... não sobrou mais nada..."
A voz rouca e desesperada dela ressoou novamente em seus ouvidos.
Diego tapou os ouvidos com força, mas a voz parecia vir de dentro de seu coração, impossível de afastar.
Ele saiu do escritório como um animal encurralado, andando de um lado para o outro na sala vasta. Por fim, avançou sobre Bernardo, agarrando-o pelo colarinho, com os olhos assustadoramente vermelhos.
"— Bernardo Rocha!" A voz dele tremia pela agitação. "Naquela época! Naquela época em que a Bianca caiu da escada! Você tem realmente cem por cento de certeza de que foi a Alice quem empurrou?!"
Bernardo ficou atônito com a pergunta e tentou afastar as mãos dele com irritação: "Ficou louco? Naquela época não houve empregados que viram..."
"— Os empregados viram o quê? Hein?" Diego não soltou, apertando ainda mais, quase gritando. "Nós vimos com nossos próprios olhos? Nós realmente... ouvimos a explicação da Alice com seriedade? Ela chorava dizendo que não foi ela, e nós acreditamos?!"
Bernardo ficou atordoado com o grito. Alguns detalhes daquela época, devido à parcialidade deliberada por Bianca e à fúria subsequente, já haviam se tornado nublados.
Sendo questionado de forma tão afiada por Diego, algumas imagens ignoradas cruzaram sua mente subitamente.
Alice chorava de forma tão triste, tão desesperada, dizendo repetidamente que não fora ela.
Bianca, por outro lado, parecia frágil e dizia que acabara de voltar para casa, que estava com medo, e apontou Alice como culpada.
Eles, naturalmente, acreditaram na irmã de sangue que parecia mais frágil e injustiçada.
"— Eu..." Bernardo abriu a boca, incapaz de formular uma contestação no momento.
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