"Onde a Neve Nunca Derrete" Capítulo 6
Alice cerrou os punhos, mas seus dedos não tinham força alguma, apenas tremiam inutilmente.
"— O quê? Não aceita?" Bianca sorriu, um sorriso doce e venenoso. "Eu te digo, isso é apenas o começo. Coisas mais dolorosas te esperam no futuro. Eu vou te mostrar qual é o destino de quem rouba as coisas dos outros."
Dito isso, ela não olhou mais para Alice e saiu elegantemente do banheiro.
Alice ficou parada no mesmo lugar por muito tempo.
Coisas mais dolorosas?
O que poderia ser mais doloroso do que o agora?
Ela olhou no espelho para aquela garota pálida e exaurida, com olheiras profundas, lábios rachados, cabelos bagunçados sobre os ombros e vestindo aquela roupa de hospital larga; estava tão magra que parecia que o vento a derrubaria.
Quem era aquela?
Aquela não deveria ser ela.
Ela deveria ser a Alice vibrante e radiante, usando vestidos bonitos e tocando seu amado violino, brilhando no palco.
Mas agora, não restava nada.
Nesse momento, o celular no bolso de sua roupa de hospital vibrou.
[Alice, eu cheguei. Onde você está? Seu irmão veio te buscar para irmos para casa.]
Capítulo 9
Ir para casa.
Aquelas três palavras foram como um feixe de luz na escuridão, fazendo os olhos de Alice arderem instantaneamente.
Tremendo, ela usou os dedos da mão direita, que não estavam totalmente imobilizados, para digitar com dificuldade, letra por letra, o endereço do hospital e o número do quarto, e enviou.
Então, apoiou-se na pia e endireitou o corpo lentamente.
Partir.
Agora mesmo.
Ela saiu do banheiro e arrastou-se lentamente em direção ao seu quarto.
Ao passar pelo luxuoso quarto VIP de Bianca, a porta estava entreaberta e ouvia-se vozes lá dentro.
Era a voz de Bianca, doce e com um tom de manha: "Irmão, Diego, vocês não precisam ficar aqui o tempo todo comigo. A irmã... ela também se feriu, vocês não querem... ir vê-la também?"
Em seguida, veio a voz fria e impaciente de Bernardo, saindo clara pela fresta da porta: "Vê-la para quê? Ela procurou por isso, bem feito! Deixe que ela fique lá deitada refletindo! Ignorá-la um pouco e deixá-la sofrer é o único jeito de ela aprender a lição!"
Depois veio a voz gentil e consoladora de Diego: "Bianca, você é sempre tão bondosa. Não pense nela; o que ela precisa agora não é de visitas, mas de reflexão. Foque em se recuperar e não se desgaste por causa dela."
Procurou por isso, bem feito, ignorar, reflexão.
Alice, parada do lado de fora, ouvindo aquelas palavras gélidas e cruéis, não sentiu no peito nem mesmo a menor pontada de dor.
Restou apenas um frio e um vazio infinitos.
Ela forçou o canto da boca, querendo sorrir, mas percebeu que nem mesmo esse gesto simples conseguia mais fazer.
Ela não se demorou mais, moveu os pés e voltou para o seu quarto.
Logo depois, o celular vibrou novamente.
[Alice, cheguei. Estou no portão da internação, em um carro preto.]
Alice respirou fundo e, com a mão direita que ainda conseguia mover, agarrou a sacola de lona quase vazia com algumas roupas velhas, virou-se e saiu sem hesitar.
Ela não olhou para trás.
Nem uma única vez.
Enquanto isso, no quarto VIP do hospital, Bernardo e Diego não tinham a menor ideia da partida de Alice.
Eles continuavam acompanhando Bianca.
A recuperação das queimaduras dela estava sendo melhor do que o esperado.
Os melhores remédios, os melhores médicos, os melhores cuidados; a família Rocha não tinha falta de dinheiro e, contanto que Bianca não ficasse com marcas, estavam dispostos a gastar o que fosse preciso.
Uma semana depois, Bianca recebeu alta.
"— Vamos fazer um check-up completo," sugeriu Diego. "Para garantir que tudo esteja cem por cento."
Bernardo concordou: "Sim, um exame detalhado. Queimaduras podem causar outros problemas, não podemos ser descuidados."
Bianca inicialmente não queria, achava um incômodo e os médicos já diziam que ela estava ótima, mas não resistiu à insistência dos dois e acabou aceitando.
O check-up levou o dia inteiro.
Quando o último relatório chegou às mãos do médico responsável, a expressão dele mudou.
"— Sr. Rocha, Sr. Diego," ele entregou o relatório com tom solene, "o resultado dos exames da Srta. Bianca... apresenta um problema."
O coração de Bernardo apertou: "Que tipo de problema?"
"— A Srta. Bianca está com câncer, em estágio avançado."
Um silêncio de morte dominou o quarto.
Bianca olhava fixamente para o médico, o sangue fugindo de seu rosto em uma velocidade visível a olho nu, os lábios entreabertos como se não tivesse entendido ou como se não pudesse acreditar.
Após alguns segundos, aquelas palavras terríveis penetraram seus nervos dormentes e atingiram o fundo de sua consciência.
"— Não... impossível! Você está mentindo!!" Ela gritou subitamente, a voz distorcida e desafinada pelo terror extremo. "Você deve estar enganado! Eu ainda sou tão jovem! Como eu poderia ter câncer?! E ainda em estágio avançado?!"
Ela começou a chorar tanto que não conseguia mais falar, jogando-se nos braços de Bernardo, tremendo inteira.
Bernardo a abraçava, com a voz rouca pela tensão: "Tragam o plano de tratamento imediatamente! Não importa o que seja necessário, quanto custe, quão caro seja o remédio ou quem precisemos contratar, nós faremos! Contanto que haja uma esperança!"
"— No caso da Srta. Bianca, o efeito da quimioterapia e de medicamentos direcionados pode ser limitado; atualmente, o plano com maior esperança de cura é um transplante de pulmão."
O choro de Bianca parou por um instante. Ela ergueu o rosto banhado em lágrimas: "O transplante... vai me salvar?"
"— Se o transplante for bem-sucedido e a reação de rejeição pós-operatória for controlada, há uma grande possibilidade de sobrevivência a longo prazo."
"— Então procurem!" Bernardo disse categoricamente. "Procurem imediatamente! Usem todos os contatos, procurem em todo o país! No exterior também!"
Diego também assentiu, com os olhos brilhando novamente de esperança: "Sim, vamos procurar! Custe o que custar, encontraremos um doador compatível!"
Nos dias seguintes, as famílias Rocha e Diego usaram todos os recursos disponíveis, vasculhando freneticamente os bancos de dados de doadores de todos os grandes hospitais.
Finalmente, após Bianca ter outro colapso emocional e quebrar tudo o que podia no quarto, encontraram a única pessoa compatível —
Alice!
Ela era a única cujos indicadores combinavam perfeitamente com os de Bianca.
"— Encontramos! É a Alice! Se a Alice aceitar salvar a Bianca, a Bianca certamente sobreviverá!"
Bernardo e Diego soltaram um suspiro de alívio quase ao mesmo tempo. A tensão que os dominava por tanto tempo relaxou subitamente, e uma mistura de alegria e pavor tardio tomou conta de seus corações.
Que bom, finalmente havia uma salvação! Bianca seria salva!
"— É verdade?" Bianca olhou para eles com os olhos marejados.
"— É verdade! Bianca, não tenha mais medo, há uma salvação!" Bernardo segurou a mão dela, com a voz rouca pela emoção.
"— Sim, Bianca, veja, sempre há uma saída. Alice... ela vai te salvar." Diego também mostrou seu primeiro sorriso em muitos dias, com um tom de certeza absoluta, como se todos os problemas estivessem resolvidos ao encontrar Alice.
O choro de Bianca parou gradualmente, substituído por uma alegria intensa de quem acabara de escapar da morte.
"— Então... então liguem rápido para a minha irmã! Digam a ela que eu preciso dela, peçam que ela me salve... ela vai aceitar, não vai?"
"— Sim, ela vai aceitar." Bernardo assentiu sem hesitar.
Ele pegou o celular, com movimentos que mostravam pressa e alívio, e discou o número.
Diego estava ao lado, com os olhos fixos na tela do celular, com uma expressão de alívio por tudo ter se resolvido.
Após um breve sinal de chamada —
Uma voz eletrônica feminina, clara, fria e sem emoção, saiu pelo alto-falante, ecoando no quarto de hospital que subitamente ficou em silêncio absoluto:
"Sinto muito, o número discado não existe. Por favor, verifique o número e tente novamente."
Capítulo 10
"— Número inexistente?" Ele estancou, como se não tivesse processado a informação. Baixou a cabeça e conferiu novamente a sequência de dígitos que conhecia tão bem na tela, pressionando o botão de discagem mais uma vez.
"Sinto muito, o número discado não existe. Por favor, verifique o número e tente novamente."
A voz mecânica feminina, sem errar uma única sílaba, ressoou novamente.
"— Impossível!" Bernardo alterou a voz subitamente, os nós dos dedos ficando brancos pela força com que segurava o aparelho. Ele fixou o olhar na tela como se fosse abrir um buraco nela. "Ela trocou de número?! Como ela ousa?! Quem deu a ela a coragem de trocar o número sem nos avisar?!"
Ele parecia incapaz de aceitar o fato. Discou repetidas vezes e, em todas elas, a resposta era o mesmo "número inexistente" frio e padrão.
Da confusão à descrença, e finalmente à fúria incontrolável, as emoções se alternavam em seu rosto.
Ao lado, Diego também perdeu toda a cor. Ele arrancou o celular da mão de Bernardo e discou do seu próprio aparelho.
O resultado foi exatamente o mesmo.
"— Inexistente... realmente inexistente..." Diego murmurou para si mesmo, com os dedos tremendo de forma quase imperceptível.
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