"Onde a Neve Nunca Derrete" Capítulo 2
Ela não disse nada, apenas ficou ali parada, como uma estátua sem vida.
Durante todo o processo de escolha dos vestidos, a atenção de Bernardo e Diego estava quase totalmente voltada para Bianca.
Para cada vestido que ela provava, eles davam opiniões com tons gentis e olhares de adoração.
Quando Bianca dizia estar cansada, Diego imediatamente pedia uma cadeira confortável; quando dizia ter sede, Bernardo ia pessoalmente buscar água.
Alice foi completamente ignorada em um canto.
Ela não se importava, achava até melhor assim.
Caminhou silenciosamente até a área dos sofás para descansar um pouco.
Talvez por estar distraída, não percebeu um suporte metálico decorativo ao lado do sofá e, ao se virar, seu braço bateu nele acidentalmente!
O suporte estava repleto de ornamentos de cristal e, com o impacto, começou a tombar em direção a Alice!
"Cuidado!"
Quase simultaneamente, dois vultos correram em sua direção!
Bernardo a puxou com força para longe, enquanto Diego estendeu a mão para segurar o suporte que estava prestes a cair!
Os ornamentos de cristal se espatifaram no chão com um barulho agudo.
"Você se machucou?" Diego foi o primeiro a olhar para Alice, com uma tensão óbvia na voz.
Bernardo também a analisava com o cenho franzido: "Você já é bem grandinha, por que ainda é tão estabanada?! Não olha por onde anda?!"
Ao confirmarem que ela apenas levara um susto e não tinha ferimentos graves, ambos pareceram aliviados.
Bernardo ordenou que os funcionários limpassem os cacos, e Diego deu um tapinha reconfortante no ombro dela, mas logo a atenção deles voltou para Bianca, que provava um novo vestido.
Alice observou as costas deles enquanto caminhavam de volta para Bianca, e naquele deserto gélido em seu coração, uma fresta minúscula pareceu se abrir, deixando penetrar uma amargura fraca, quase imperceptível.
Ela se virou e foi ao banheiro.
Lavou o rosto com água fria e repetiu para si mesma várias vezes: Já passou, não tenha mais nenhuma expectativa.
No entanto, logo ao sair do banheiro, seu caminho foi bloqueado por um grupo.
À frente deles estava Bianca.
O sorriso doce de antes havia desaparecido, substituído por uma malícia indisfarçável.
"Minha querida irmã, depois de três anos na prisão, ainda não aprendeu?" Bianca cruzou os braços, analisando-a de cima a baixo. "As pessoas que o meu irmão e o Diego mais valorizam sou eu. Mesmo que você tenha voltado, é apenas um estorvo. Se for esperta, suma daqui por conta própria e não fique no caminho. Caso contrário..."
Ela deu um passo à frente e sussurrou com voz venenosa: "Eu não me importaria de te mandar de volta. Quer provar o gosto da prisão novamente?"
Alice olhou para ela com olhos frios, sem dizer uma palavra.
Bianca parecia saborear aquela falta de reação e bateu palmas.
Imediatamente, alguns homens de aparência vulgar que estavam atrás dela avançaram, encarando Alice com olhares hostis.
Alice sentiu o coração apertar, achando que iriam atacá-la, e recuou um passo, procurando uma chance de fugir.
Mas, no segundo seguinte, aconteceu o inesperado!
Aqueles homens não avançaram contra Alice, mas sim cercaram Bianca bruscamente!
Eles agarraram Bianca com violência e, em meio aos gritos de terror dela, rasgaram o casaco Chanel caro e o vestido que ela usava! Em seguida, um dos homens ergueu a mão e desferiu vários tapas fortes no rosto de Bianca!
"Clap! Clap!"
O som seco dos tapas ecoou de forma estridente pelo corredor silencioso!
"Aaaah! Socorro! Irmão! Diego! Me salvem!!"
O rosto de Bianca inchou instantaneamente; ela se debatia e gritava desesperadamente.
Capítulo 3
O tumulto imediatamente atraiu as pessoas lá fora.
"Bianca!"
"Parem com isso!"
Bernardo e Diego mudaram de expressão e correram como o vento!
Em poucos movimentos, afastaram os homens e envolveram Bianca, que estava com as roupas rasgadas e chorava copiosamente, em seus braços.
"Bianca! Como você está? Está ferida?!" Bernardo olhou para as marcas de tapas no rosto da irmã, e seus olhos ficaram vermelhos de dor.
Diego também estava com o rosto lívido; tirou o próprio paletó para cobrir Bianca e lançou um olhar gélido para os homens que tentavam fugir: "O que aconteceu aqui?!"
Bianca se jogou nos braços de Diego, soluçando sem parar: "Foi a irmã! Ela trouxe essas pessoas... disse que eu roubei vocês dela... que queria me dar uma lição... e mandou que eles me humilhassem... Irmão, Diego, estou com tanto medo..."
"Alice!!" O rugido de Bernardo quase derrubou o teto!
Ele encarou Alice com um olhar carregado de fúria e decepção inacreditáveis: "Você teve coragem de fazer isso?! Você é... uma psicopata!!"
Diego, segurando a chorosa Bianca, olhou para Alice com um olhar que também se tornou frio, demonstrando profunda desilusão: "Alice, como você se tornou assim? Três anos na prisão e, em vez de refletir, você piorou? Bianca é sua irmã! Como pôde fazer isso com ela?"
Alice, observando a fúria cega e a crença absoluta deles na mentira, sentiu apenas um cansaço profundo e um desespero gélido emanando de seu coração.
Lá vinham eles de novo.
Ela estava cansada, realmente exausta.
Aquele silêncio resignado e sem vida enfureceu Bernardo completamente.
"Ótimo! Muito bem!" O peito de Bernardo subia e descia violentamente de raiva. Ele apontou para os homens controlados pelos seguranças, com a voz tremendo de ódio: "Digam! Quanto ela pagou a vocês?! Eu pago o triplo! Não! Dez vezes mais! O que ela mandou fazerem com a Bianca, vocês farão agora com ela, do mesmo jeito! Não! Em dobro!"
Ele lançou um olhar implacável para Alice: "Já que você não aprendeu na prisão, eu mesmo vou te ensinar! Olho por olho!"
"Bernardo!" Diego pareceu achar que aquilo era demais e tentou intervir.
"Diego! Não me impeça!" Bernardo o interrompeu em tom gélido. "Ela procurou por isso! Foram essas pessoas que ela mesma trouxe! Que mal pode haver?! Deixe que ela mesma sinta o gosto disso!"
Dito isso, parou de olhar para Diego e gritou para os seguranças: "O que estão esperando?! Arrastem Alice para aquele quarto vazio ali! Deixem que esses homens cuidem bem dela!"
Os seguranças avançaram e, ignorando a resistência e os gritos de Alice, arrastaram-na violentamente em direção a um quarto de despejo no fim do corredor. Os homens que receberam o dinheiro também foram empurrados para lá.
Alice lutava desesperadamente, e as lágrimas finalmente rolaram sem controle — não por medo, mas pela humilhação extrema e pela decepção avassaladora!
Diego viu Alice sendo arrastada, viu seu olhar desesperado e suas lágrimas; seu coração deu um solavanco, sentindo uma pontada estranha de hesitação.
Mas o choro ainda mais lamentável de Bianca em seus braços o fez, no fim, apenas franzir o cenho e desviar o olhar.
"Vamos levar Bianca para o hospital primeiro." Bernardo abraçou a irmã, com a voz ainda carregada de raiva, mas muito mais suave ao falar com ela.
Diego assentiu, sem olhar mais para o quarto fechado. Pegou Bianca com cuidado nos braços e partiu apressadamente com Bernardo.
No quarto vazio, restaram apenas Alice e os homens de olhares lascivos.
A porta foi trancada por fora.
"Belezinha, não tenha medo, nós vamos cuidar bem de você..." Os homens se aproximaram com risos nefastos.
Alice agia como um animal encurralado, lutando com todas as suas forças!
Ela arranhava, mordia, chutava! Agarrava qualquer coisa ao seu alcance para arremessar neles!
Na confusão, alguém desferiu um soco pesado em seu ventre, fazendo-a se encolher de dor; alguém a puxou pelos cabelos, batendo sua cabeça contra a parede!
Pior ainda, começaram a rasgar suas roupas já finas!
"Sumam! Não me toquem!!!"
O terror e a humilhação extremos deram-lhe um último sopro de força. Ela se desvencilhou do aperto, rastejou até a porta, girou a maçaneta desesperadamente e saiu tropeçando!
Atrás dela, ouviam-se os gritos furiosos e os passos dos homens em perseguição!
Ela não ousou olhar para trás. Descalça, correu com todas as forças pelo chão frio e liso do corredor!
O sangue na testa embaçava sua visão, e a dor no corpo quase a fazia desmaiar, mas ela tinha apenas um pensamento: Fugir! Sair dali!
Ao sair da loja, deparou-se com o trânsito intenso da avenida.
Sem rumo e em pânico, ela correu direto para o outro lado da rua!
O som estridente de freios! O grito dos pneus raspando no asfalto!
"BUM!"
Um impacto violento a atingiu, e ela foi arremessada como uma pipa de linha cortada.
O mundo ficou em silêncio instantaneamente.
Restou apenas um zumbido agudo e uma dor avassaladora que cobria cada parte de seu corpo.
Antes de perder a consciência, ela pareceu ouvir os gritos das pessoas ao redor e alguém chamando uma ambulância.
Capítulo 4
Quando recuperou um pouco da consciência, estava no hospital.
Vagamente, ouviu o diálogo entre o médico e a enfermeira.
"— ...múltiplas contusões em tecidos moles, cirurgia imediata... preciso da assinatura de um familiar."
"— Certo, vou entrar em contato com a família dela agora mesmo."
A enfermeira ligou primeiro para Bernardo.
"— Alô, Sr. Rocha? Aqui é do Hospital Central. Sua irmã, Alice, sofreu um acidente de carro. O estado dela é grave e precisamos que o senhor venha assinar os papéis da internação..."
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