"Onde a Neve Nunca Derrete" Capítulo 1
Capítulo 1
No primeiro dia após o retorno da verdadeira herdeira, ela acusou Alice de tê-la empurrado da escada.
Bernardo, o irmão que sempre a mimara, explodiu em fúria e chamou a polícia pessoalmente, mandando-a para a prisão.
Enquanto isso, seu noivo de infância, Diego, contratou os melhores advogados para garantir uma sentença severa.
Um ancião amigo da família, incapaz de suportar a situação, interveio: "Bernardo, Diego, por que chegar a esse ponto? Um pedido de desculpas resolveria. A prisão destruirá a vida dela para sempre!"
Bernardo sorriu com desprezo: "Ela usurpou a vida de Bianca por todos esses anos e, em vez de ser grata, tentou machucá-la! Se ela não provar o gosto da comida da prisão, nunca aprenderá a lição!"
O tom de Diego era calmo, porém gélido: "Quem comete um erro deve ser punido. Quanto ao registro criminal... não importa. Eu gosto dela desde pequeno e ainda pretendo me casar com ela. A fortuna da família terá o suficiente para que ela passe o resto da vida em casa. Ficar lúcida por alguns anos na cela talvez seja bom para ela."
Assim, Alice foi levada.
Três anos de prisão foram como um pesadelo do qual não se podia acordar.
Humilhações, doenças, desespero... transformaram a herdeira arrogante em uma casca vazia de olhar vago.
No dia da sua libertação, o sol brilhava intensamente. Bernardo e Diego foram juntos buscá-la.
Ela usava o mesmo vestido velho de três anos atrás, que já não lhe servia bem, e parou diante do portão da prisão. Observando aqueles dois homens que permaneciam radiantes e impecáveis, seu coração era apenas um deserto de silêncio e desolação.
"Entre no carro."
Bernardo franziu o cenho. A Alice em sua memória era sempre vibrante e alegre, com uma pitada de arrogância de quem fora muito mimada, mas jamais estaria assim... tão sem vida.
Diego abriu a porta do carro para ela. Seu olhar deteve-se no rosto dela por um instante, como se quisesse dizer algo, mas acabou apenas pressionando os lábios.
Ao retornar àquela luxuosa e familiar mansão, tudo parecia pertencer a outra vida.
"Por que demorou tanto para nos cumprimentar?" Bernardo sentou-se na sala e finalmente não conteve as palavras. "Ainda está zangada conosco? Fizemos isso para o seu bem! Você estava agindo de forma inaceitável naquela época; como aprenderia sem uma lição?"
Diego também falou em tom suave, tentando amenizar o clima: "Alice, um de nós foi seu irmão por tantos anos e o outro te amou por tanto tempo, como não nos importaríamos com você? É que Bianca acabou de voltar, estava emocionalmente instável e sofreu por muitos anos; precisávamos dar uma satisfação a ela. Mandar você para... aquele lugar, também foi uma necessidade. Você deve ter sofrido bastante lá dentro, não?"
Eles a olhavam, parecendo esperar que ela, como antes, se jogasse nos braços deles chorando suas mágoas ou fizesse uma cena de temperamento para que eles, com resignação, a consolassem e tudo fosse esquecido.
Alice ergueu a cabeça lentamente e olhou para eles.
Ela balançou a cabeça, com a voz rouca e uma calma aterradora: "Eu não estou zangada."
Bernardo e Diego ficaram atônitos por um momento.
Alice forçou um canto de lábio, um movimento tão pequeno que era quase imperceptível, parecendo mais um espasmo de sarcasmo: "Porque vocês, para mim, não são mais nada."
Aquelas palavras foram leves, mas atingiram o peito de Bernardo e Diego como uma faca banhada em gelo!
Não eram mais nada?
Um era o irmão que ela chamou por vinte anos, o outro era o noivo de quem ela dependia desde a infância! Como ela podia dizer... que não eram nada?!
"Alice! Você..." A fúria de Bernardo acendeu-se instantaneamente.
Alice, porém, não olhou mais para eles. Virou-se e subiu direto para o seu antigo quarto.
Apenas três dias antes de sair da prisão, ela recebera um telefonema inesperado.
Um homem que se dizia seu irmão biológico a encontrou, contando que seus pais biológicos haviam falecido há muito tempo, mas deixaram para ela uma herança considerável e um... noivo.
Eles viriam buscá-la em uma semana.
Naquele momento, ao ouvir aquilo, ela sentiu apenas o absurdo e a melancolia.
Irmão biológico? Herança? Noivo? Essas palavras soavam distantes demais.
Mas, de qualquer forma, era uma oportunidade de fugir dali.
Uma chance de deixar a família Rocha para sempre, de deixar Bernardo e Diego.
Por isso, agora ela só precisava esperar em silêncio.
Ao entrar no quarto e fechar a porta, isolou-se dos olhares de fúria e das palavras não ditas daqueles dois homens.
À noite, Bernardo e Diego subiram juntos para chamá-la para jantar.
"Alice, pare de birra e saia para comer." Diego bateu à porta, com a voz ainda razoavelmente gentil.
Não houve resposta.
A paciência de Bernardo se esgotou. Ele fechou o semblante e disse friamente para a porta: "Alice, até quando você vai continuar com isso? Está de cara amarrada desde que voltou! O que nós te devemos?! Quando você empurrou Bianca da escada e te mandamos para a prisão para aprender, nós agimos errado?! Você sempre fez o que quis abusando do nosso carinho! Agora que sabe que errou, nem sequer come, quer fazer cena para quem?!"
Diego franziu o cenho, parecendo querer impedir Bernardo de usar palavras tão pesadas, mas acabou apenas silenciando por um momento. Murmurou um "deixa para lá" e se retirou.
Dentro do quarto, ouvindo os gritos de Bernardo e os passos de Diego se afastando, o coração de Alice pareceu ser esmagado por uma mão invisível, trazendo uma dor aguda e familiar.
Sim, antigamente, ela era de fato uma princesinha protegida por todos.
Bernardo a mimava imensamente, dando-lhe tudo o que desejava; Diego era atencioso e gentil, com os olhos voltados apenas para ela, noivos desde cedo em um compromisso que todos invejavam.
Ao descobrir que era apenas uma herdeira trocada e que a verdadeira estava voltando, embora estivesse triste e temerosa, ela se preparou para partir silenciosamente.
Ela não queria roubar o que pertencia a outra pessoa.
Foram Bernardo e Diego que a impediram.
Eles seguraram suas mãos com olhares sinceros e vozes firmes: "Alice, não pense bobagens. Tantos anos de convivência são falsos? Você é nossa irmã e noiva, nada mudará. Esta casa sempre terá o seu lugar."
E então, ela acreditou.
Inguenuamente pensou que, embora o sangue fosse importante, vinte anos de convivência e laços emocionais eram igualmente preciosos.
O que recebeu em troca foi uma calúnia leve de Bianca e três anos inteiros de sofrimento na prisão.
Eles agiram errado? Talvez não.
Eles realmente deveriam amar a verdadeira irmã e noiva que recuperaram.
E ela, a farsante que ocupou o lugar, merecia qualquer punição.
Apenas... o coração doía demais.
Doía até ficar dormente, até restar apenas o frio de um deserto.
Que assim fosse.
Em breve, tudo voltaria ao ponto de partida.
Capítulo 2
No dia seguinte, assim que Alice abriu a porta do quarto, viu Bernardo e Diego parados ali.
O rosto de Bernardo já não mostrava a raiva de ontem, mas seu tom carregava uma ordem: "Bianca voltou hoje de uma viagem ao exterior e está de bom humor, quer comprar alguns vestidos de gala. Você vai junto e, de passagem... escolheremos alguns para você. Olhe o que está vestindo, o que é isso?"
Diego também a olhava com uma expressão complexa: "Alice, vamos juntos. Considere isso como... um passeio. Como você se tornou tão distante em apenas três anos?"
Distante?
Alice esboçou um sorriso amargo.
Aqueles três anos na prisão, sem luz, sofrendo abusos, insultos e doenças, vivendo diariamente no limite do colapso e da morte.
Cada vez que sentia que não aguentaria mais, ela fantasiava que seu irmão e Diego apareceriam de repente, dizendo que tudo fora um mal-entendido e que a levariam para casa.
Mas o que veio foi apenas um desespero e um silêncio que se aprofundavam a cada dia.
Depois de três anos assim, como não ser distante?
Ela não queria ir, mas Bernardo e Diego claramente não lhe deram a chance de recusar.
Ao chegarem à luxuosa loja de alta costura que a família Rocha frequentava, Bianca já os esperava.
Vestindo um conjunto Chanel da nova coleção, ela correu alegremente ao encontro deles assim que os viu.
"Irmão! Diego! Vocês chegaram!" Seus olhos pousaram em Alice e ela hesitou por um momento. "Irmã... você também veio? Que bom. Todos esses anos... você sofreu. Eu... senti muito a sua falta."
Enquanto falava, ela estendeu a mão para tocar a de Alice.
Alice retirou a mão bruscamente, esquivando-se do toque.
A mão de Bianca ficou paralisada no ar, e ela olhou para Bernardo e Diego com os olhos marejados, como se tivesse sofrido uma injustiça terrível.
"Alice! Que atitude é essa?!" Bernardo imediatamente a repreendeu com o rosto fechado. "Bianca está sendo gentil com você, para quem você está fazendo essa cara?!"
Diego também franziu o cenho, com um tom de decepção: "Alice, Bianca não tem más intenções."
Alice baixou os olhos para o chão polido como um espelho, onde via seu reflexo pálido e acabado ao lado das imagens radiantes daqueles três.
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