"Renascendo da Traição" Capítulo 11
Ao recobrar os sentidos, com os olhos injetados de fúria e suportando a dor lancinante no tornozelo, ela se levantou e avançou como uma louca:
— Você se atreveu a me bater! Nunca sofri tal humilhação em toda a minha vida!
— Eu vou chamá-la de maldita, sim! Alguém como ela deveria ter sido violentada por vários! Ela deveria estar morta!
— E eu te digo mais: você nunca vai se livrar de mim! Mesmo que eu vire um fantasma, vou te perseguir até o fim!
Na verdade, ele se arrependeu no momento em que deu o tapa.
Não por ter batido nela, mas por ter perdido o controle novamente. Ele sempre detestou a violência e pessoas que não dominam as próprias emoções.
Mas, ao ouvir aquelas palavras cruéis, sua razão foi novamente engolida pela fúria!
Com o rosto sombrio, ele levantou a mão e desferiu outro tapa impiedoso!
— Escute bem: não pense que eu não posso viver sem você! Você também teve participação naquilo tudo no passado! Se for para cair, cairemos juntos!
Desta vez, o canto da boca dela sangrou e seu penteado impecável tornou-se um caos, com mechas de cabelo grudadas no rosto.
Ela avançou ainda mais frenética, usando as unhas afiadas para arranhar o ferimento dele, gritando histericamente:
— Seu canalha! Então vamos morrer juntos! Eu já não aguento mais viver mesmo!
Os dois perderam toda a compostura da alta sociedade e atracaram-se como animais.
O ferimento dele abriu-se ainda mais, jorrando sangue; ela teve várias mechas de cabelo arrancadas e o rosto coberto de arranhões.
Foi necessário que ela chamasse os seguranças para finalmente separá-los.
Enquanto era segurado por dois guardas, o sangue ainda escorria de sua testa e seu rosto ficava cada vez mais pálido.
Ele virou a cabeça para olhá-la, moveu os lábios como se quisesse dizer algo...
— Alícia, me perdoa...
Antes que as palavras saíssem, sua visão escureceu e ele desmaiou.
Ela, por sua vez, foi arrastada para fora do edifício pelos seguranças.
Ao sair, lançou um olhar de puro ódio e gritou:
— Eu não vou te deixar em paz!
Sua voz era afiada como uma faca, e seus insultos podiam ser ouvidos mesmo de longe.
A ambulância chegou rapidamente.
Enquanto os paramédicos o colocavam na maca, ela pretendia voltar ao trabalho, mas a supervisora Clara aproximou-se e tocou seu ombro:
— Com tudo o que aconteceu hoje, imagino que seu estado emocional esteja abalado.
— Tire o resto do dia de folga. Resolva o que for preciso; eu cuido das coisas por aqui.
Ela sabia que, embora fosse a vítima, o ocorrido trouxera transtornos para a rádio.
Sem dizer muito, agradeceu educadamente e seguiu a ambulância até o hospital.
Capítulo 17
Os ferimentos dele não eram graves; apenas cortes superficiais e um colapso nervoso pelo estresse.
Ela sentou-se na cadeira ao lado da cama, observando-o em silêncio.
Há muito tempo, ela também vigiara o leito dele daquela forma.
Após a quimioterapia para a leucemia, ele ficava tão fraco que não conseguia segurar um copo de água.
Ela passava noites em claro ao lado dele, segurando sua mão e dizendo: "Você precisa melhorar logo".
Enquanto pensava, os dedos dele moveram-se subitamente.
Em seguida, ele abriu os olhos lentamente.
Ao vê-la, seus olhos se encheram de lágrimas.
— Alícia... me perdoa.
— Eu não te protegi no passado, mas de agora em diante, não deixarei que ninguém te machuque.
Ela balançou a cabeça: — Você já não tem mais nenhum "futuro" para se responsabilizar por mim.
— Eu sei que você não vai me perdoar tão cedo.
Ele lutou para se sentar. — Mas eu imploro que me dê uma chance de me redimir.
— Nestes oito anos, eu sofri muito. Às vezes, eu só queria morrer!
Sua voz embargou:
— Você não acredita em mim? Eu juro que não estou mentindo! Se não acredita, veja estas cicatrizes!
Com as mãos trêmulas, ele levantou a manga da roupa hospitalar, revelando cicatrizes pavorosas em seus braços.
Marcas entrelaçadas, algumas antigas, outras recentes.
Na verdade, ela já as tinha visto antes de ele acordar.
O médico, ao sair, havia alertado: "O paciente tem marcas extensas de automutilação; o estado psicológico dele pode ser instável, fiquem atentos".
Tudo indicava que o sofrimento dele nestes anos não era apenas retórica.
Mas, e daí?
Um espelho quebrado não se restaura, e as feridas no corpo dela não podem ser apagadas.
Após um momento de silêncio, ela retirou a mão que ele segurava, com o semblante indiferente:
— O que você está sofrendo é apenas a consequência do mal que você mesmo plantou.
— Se sente tanta culpa, pare de perturbar minha vida pacífica.
— Volte para sua família feliz e cuide da sua esposa e do seu filho.
— Feliz...
Ele paralisou por um instante e soltou uma risada frenética. Arrancou o tubo do soro e mostrou o dedo anular vazio.
— Veja, não tem mais anel. Eu o joguei fora ontem.
— Como alguém pode ser feliz ao lado de quem não ama!
Ele ficou cada vez mais agitado e abriu o colarinho da roupa, revelando uma cicatriz no peito:
— Isso aqui foi ela quem fez com a ponta de um cigarro enquanto eu dormia bêbado, só porque ela achou que eu chamei seu nome em um sonho...
— Nosso casamento está podre há muito tempo!
Ele ofegava, com o rosto banhado em lágrimas: — Eu vivo imaginando como teria sido se eu nunca tivesse voltado para a família Valentim...
— O tempo não volta atrás.
Ela o interrompeu com calma. — E mesmo que voltasse, você faria a mesma escolha.
— Você é egoísta em sua essência.
— Você se arrepende agora não porque me ama, mas porque sua vida atual é ruim.
Ela olhou fixamente nos olhos dele e disse palavra por palavra: — Alguém frio como você nunca merecerá perdão.
— Porque, se eu te perdoar uma vez, você me magoará de novo.
Dito isso, ela girou a cadeira e saiu do quarto.
O choro abafado, como o de um animal ferido, ecoou pelo corredor, mas seu coração permanecia em paz.
Entretanto, nos dias seguintes, a paz não durou.
Ela não sabia como, mas a outra mulher conseguiu seu número. Passou a receber centenas de ligações e mensagens de assédio diariamente.
Eram insultos, ameaças, lamentos, e ela chegou a ir fazer escândalo na porta da rádio novamente.
Ela chamou a polícia, mas o efeito foi mínimo.
Até que, naquela noite, recebeu uma mensagem:
"Eu sei que sua filha é seu tesouro. Se quiser vê-la de novo, venha para este endereço!"
"Deve vir sozinha!"
O endereço era uma fábrica abandonada nos arredores da cidade.
O coração dela disparou!
Ela ligou imediatamente para a professora da escola e soube que a menina havia sido levada há uma hora por alguém que se identificou como "a mãe".
Ela acionou a polícia e, após hesitar, também avisou a ele.
Escondeu uma pequena faca e foi sozinha até a fábrica.
Naquele galpão escuro e com cheiro de produtos químicos, ela encontrou a mulher e alguns seguranças, e ouviu o choro abafado da filha.
— Filha! — ela gritou, movendo a cadeira em direção ao som.
— Não tenha pressa, Alícia.
A mulher surgiu com quatro seguranças.
— Você é corajosa de vir sozinha.
Ela balançou um objeto na mão.
Era a tiara da menina, o presente de aniversário que Alícia comprara no dia anterior.
Esforçando-se para manter a calma, Alícia questionou:
— Você veio de uma boa família, teve a melhor educação, deve saber que sequestro é crime!
— E ainda mais sequestro de menor!
A outra riu: — E daí? Minha família pode tudo nesta cidade!
— Mesmo que eu matasse sua filha hoje, nada aconteceria!
Ela mudou o tom: — Mas eu não serei tão radical.
— Se você prometer deixar a cidade, cortar todo contato com ele e nunca mais voltar, eu a liberto.
— Sim! Eu aceito!
Ela não hesitou.
Na verdade, ela já não queria ficar ali.
Dois dias antes, recebera a ordem de transferência; partiria em poucos dias para uma pequena cidade no sul.
— Aceitou assim tão fácil?
A mulher pareceu surpresa. — No passado você o amava perdidamente. Não acredito que, agora que ele quer voltar arrependido, seu coração não balance! Você deve estar alimentando as esperanças dele para se vingar de mim!
— Se eu quisesse isso, por que esperaria oito anos? — respondeu ela, sem expressão.
— Se fosse por vingança, não seria apenas contra você; eu odeio muito mais o Lucas Valentim!
A mulher paralisou por um instante, e seu sorriso tornou-se mais sombrio:
— Posso te devolver a menina, mas meu humor está péssimo por sua causa. Preciso te dar uma lição!
Ela ordenou que os seguranças trouxessem um galão de gasolina e disse:
— Agora mesmo, saia dessa cadeira. Ajoelhe-se no chão, dê cem tapas na própria cara e diga que você é uma maldita! Caso contrário...
Ela fez um sinal com a mão, e ao longe ouviu-se o choro mais agudo da criança!
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