"Renascendo da Traição" Capítulo 10
Alícia observava o sofrimento dele sem prazer ou compaixão; havia apenas um vazio sereno em seu íntimo.
— Espero que essa dor te faça entender que não existem remédios para o arrependimento neste mundo. Pedir perdão não traz ninguém de volta.
Ela pousou a xícara: — Não me procure mais. A Alícia de antes não te perdoaria, e a Alícia de agora, muito menos. Em vez de gastar tempo me perseguindo, vá cuidar da Jade Menezes. Afinal — ela pausou, olhando para o dedo anular dele, onde não havia anel —, o seu casamento foi uma escolha sua.
Os dedos de Lucas se contraíram. Ele saíra de casa sem a aliança de propósito hoje, mas não esperava que ela notasse.
— Eu e ela...
Ele quis explicar, mas percebeu que não havia explicação possível. Diria que o casamento era um pacto de interesses, uma tortura mútua, um inferno? Mas não fora ele mesmo quem causara tudo aquilo?
— Adeus, Sr. Valentim.
Alícia empurrou a cadeira de rodas para fora da cafeteria. Desta vez, Lucas não a seguiu. Ele ficou sentado, observando-a desaparecer na esquina, e subitamente cobriu o rosto, chorando como uma criança.
Alícia pensou que, após aquela conversa, a vida voltaria ao normal. Ela entregou o pedido de transferência para uma filial e começou a organizar suas coisas. Entretanto, três dias depois, Jade Menezes apareceu na rádio.
Oito anos haviam se passado, e ela mudara muito. Embora usasse óculos escuros, maquiagem impecável e um conjunto Chanel com uma bolsa Hermès, os cantos caídos de sua boca revelavam nervos exaustos.
Quando seus olhos se cruzaram, o olhar de Jade tornou-se instantaneamente afiado. Ela caminhou em direção a Alícia com seus saltos altos, avaliando-a como se fosse uma mercadoria — das pernas na cadeira de rodas às cicatrizes nos pulsos, até o rosto limpo. Então, esboçou um sorriso irônico:
— Mesmo nesse estado deplorável de deficiente, você ainda pensa em destruir meu casamento? Acha que está à altura?
Ela tocou a própria barriga, erguendo o queixo com triunfo:
— Eu te aviso! É absolutamente impossível que ele se divorcie de mim. Eu estou grávida, e temos laços de interesse inquebráveis. Tire o cavalinho da chuva!
Antes que Alícia pudesse responder, Clara, a supervisora, interveio. Ela se colocou à frente de Alícia com tom severo:
— Senhorita, a rádio não é lugar para qualquer um entrar e falar bobagens! Nós sabemos quem a Alícia é; ela jamais seria a "outra" para destruir a família de ninguém!
Outros colegas concordaram. Após anos de convivência, sabiam que Alícia era gentil e resiliente, e haviam testemunhado o amor que ela tinha pelo marido. Embora Eduardo tivesse falecido, a foto dele permanecia na mesa dela, e ela sempre pedia folga para visitar o túmulo no aniversário de morte. Alguém assim jamais seria uma amante!
Jade soltou uma risada fria e tirou um maço de fotos da bolsa, atirando-as violentamente ao chão.
Capítulo 15
As fotos se espalharam, e algumas deslizaram para perto da cadeira de rodas de Alícia. Ela olhou para baixo: era a cena de Lucas empurrando sua cadeira de rodas na manhã anterior e imagens do encontro na cafeteria.
— Estas fotos são de um detetive particular! — gritou Jade, com os olhos arregalados. — Não se deixem enganar por essa aparência frágil e por essa deficiência; ela sabe muito bem como seduzir homens! No passado destruiu o relacionamento alheio, e agora quer destruir um casamento. É uma vagabunda!
Na verdade, as fotos mostravam apenas uma conversa normal. Mas, nas palavras de Jade, tudo parecia ambíguo. Os colegas mudaram de expressão, olhando confusos para Alícia. Alícia olhou para as fotos e esboçou um sorriso de escárnio:
— Jade Menezes, seus métodos estão bem piores do que há oito anos.
— Jade Menezes? — uma colega murmurou. — Não é o nome da personagem da história da rádio?
— Que coincidência... e a Alícia parece ter mudado de nome...
Surgiram murmúrios imediatos. Alícia sabia que não dava mais para esconder. Ela respirou fundo e moveu a cadeira um passo à frente:
— Sim, eu sou a Alícia daquela história.
Todos congelaram, inclusive Jade, que não esperava uma confissão tão direta. Alícia olhou para ela com desprezo:
— Lucas Valentim para mim hoje não passa de lixo descartado. Duvido que qualquer pessoa normal voltaria para revirar o lixo. Você, como esposa dele, deveria vigiá-lo melhor para que ele pare de me assediar!
O silêncio que se seguiu foi mortal, logo quebrado por um alvoroço.
— Meu Deus... ela é a protagonista... então as cicatrizes, a cadeira de rodas... tudo foi verdade. Que horror...
Todos os presentes, exceto Jade, olharam para Alícia com piedade e para Jade com hostilidade.
— Se ela foi a amante original, como tem coragem de vir aqui?
— Que maldade! Primeiro rouba o namorado, agora vem caluniar!
— Não eram almas gêmeas? Como não consegue nem segurar o próprio homem? Que patético!
Os funcionários da rádio eram bons com as palavras, e cada frase atingia o ponto sensível de Jade. Ela tremia de fúria, cravando as unhas na própria carne. A dor nas palmas das mãos não se comparava à vergonha. Publicamente, ela e Lucas eram o casal perfeito, mas só ela sabia que vivia sob a sombra de Alícia há anos, quase enlouquecendo.
Desde que a notícia da suposta morte de Alícia chegara a Lucas, ele mudara. No início, ele agia como um louco, chorando sobre os poucos pertences dela. O tratamento dele para com Jade tornou-se gélido, demonstrando até repulsa. Com o tempo, ele tornou-se um morto-vivo. Ela tentou de tudo para limpar Alícia do coração dele — jogou fora as roupas dela, reformou a casa, até tentou imitar o jeito de Alícia e fazer bolo de osmanto. Tudo em vão. Alícia morrera, e Lucas parecia ter morrido com ela. Nem a música que ele tanto amava trazia paz.
Mesmo assim, Jade não desistiu, esperando que o tempo curasse tudo. Até que ele arranjou uma substituta — a tal Secretária Wang, que se parecia com Alícia. Aquilo foi a humilhação suprema: ela não podia competir com uma morta, e nem com uma cópia. E agora, a própria Alícia estava de volta.
Jade não era burra; sabia que sua identidade poderia ser exposta na rádio. Mas não importava, seu objetivo era abrir as feridas de Alícia para que ela perdesse o controle. Mas Alícia estava calma demais. E, ao contrário do que imaginara, os colegas não a marginalizaram, mas sim se voltaram contra Jade.
Jade rosnou, com os olhos injetados: — Calem a boca! Tudo o que ela diz é mentira! Lucas nunca a amou!
Quanto mais ela tentava se justificar, mais afiados eram os olhares sobre ela. Alícia sorriu:
— Jade, nem todo mundo é como o Lucas Valentim do passado, que pisoteia a sinceridade alheia. Eu trato meus colegas com verdade, e eles acreditam em mim. Quanto mais você fala, mais expõe sua insegurança e como seu relacionamento "perfeito" está em ruínas. Você vive na minha sombra.
— Cale a boca!
Aquilo destruiu o resto da sanidade de Jade. Ela agarrou uma cadeira próxima e atirou-a violentamente contra Alícia.
Capítulo 16
As pupilas dela se contraíram. No momento em que ia girar a cadeira de rodas para esquivar, um vulto surgiu subitamente do meio da multidão e colocou-se diretamente à sua frente!
BUM!
A cadeira atingiu com força a testa dele!
O sangue escorreu instantaneamente, descendo pela têmpora, pelo supercílio e pela bochecha, gotejando na camisa branca e abrindo manchas vermelhas como flores de ameixeira.
A órbita do seu olho direito também ficou arroxeada e inchada a uma velocidade visível a olho nu.
Ela recuperou um pouco da lucidez quase no instante em que o viu!
Com os olhos arregalados e uma expressão tensa, perguntou: — Você... por que você veio!
Ao ver o sangue fluindo sem parar da testa dele, ela entrou em pânico e disse com o rosto cheio de aflição:
— Por que você pulou na frente para protegê-la? Dói muito? Vou ligar para a emergência agora mesmo!
Ele afastou com força a mão que ela estendia e repreendeu-a com voz gélida:
— Já não basta você ter seus surtos em casa! Por que tinha que vir até aqui? Você quer mesmo que eu te interne em um hospital psiquiátrico?!
Ela cambaleou para trás alguns passos e, com o desequilíbrio dos saltos altos, acabou torcendo o pé.
Soltou um gemido de dor e a preocupação em seu rosto desapareceu instantaneamente. Ela arremessou a bolsa Hermès que segurava e rugiu:
— Eu me tornei assim porque você me forçou!
— Faz oito anos! Você nunca esqueceu aquela maldita, jogou toda a sua negatividade sobre mim e me enlouqueceu aos poucos! Eu...
— Cale a boca! Não permito que fale assim dela!
Ele desferiu um tapa no rosto dela!
O som nítido do tapa ecoou pelo saguão vazio.
Cinco marcas vermelhas de dedos apareceram instantaneamente na bochecha clara dela, ardendo como fogo.
Ela parecia não acreditar que ele chegaria às vias de fato diante de tantas testemunhas e ficou paralisada por um longo tempo.
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