"Renascendo da Traição" Capítulo 8
Ele apoiou-se em uma coluna de pedra, ofegante, como um náufrago que acaba de chegar à margem.
— Senhor, o senhor está bem? — o mordomo correu em sua direção, preocupado.
Com o rosto pálido, ele acenou negativamente: — ...Deixe-me sozinho.
Após a retirada do mordomo, ele olhou para trás, para aquela vila toda iluminada.
A mídia outrora a chamara de "ninho de amor", mas agora era apenas uma gaiola luxuosa; cada segundo ali era asfixiante.
Em inúmeras madrugadas, ele sempre se lembrava dela, lembrando-se do homem que fora profundamente amado por ela, mas que a destruíra com as próprias mãos.
Se tivesse resistido à tentação na época, se não tivesse sido enganado pela ilusão de uma "alma gêmea", se tivesse escolhido ela em vez da fama e fortuna...
Seus olhos arderam subitamente.
Naquele momento, sentiu um desejo frenético de ouvir a voz dela. Com as mãos trêmulas, pegou o celular reserva, encontrou o número que acabara de salvar e discou.
A primeira tentativa, ninguém atendeu.
A segunda, foi rejeitada.
A terceira, deu sinal de ocupado.
A quarta... "O número discado não pode completar a ligação no momento."
Ele encarou a tela por um longo tempo e, de repente, entendeu.
Com os dedos tremendo, apertou o botão de discar novamente. Desta vez, ouviu a voz mecânica e fria:
— Desculpe, o número discado encontra-se desligado.
Ela o havia bloqueado.
Com os olhos vermelhos, ele esboçou um sorriso amargo.
Então, ser rejeitado, ignorado e abandonado... tinha esse sabor.
Finalmente, ele estava provando do próprio veneno.
Capítulo 11
Do outro lado, após colocar o número de Lucas na lista de bloqueados, ela não pensou mais no que ocorrera pela manhã.
Ao chegar em casa, a pequena já estava dormindo.
A luz suave e amarelada do abajur iluminava a bochecha macia da criança, como se ela segurasse um pequeno pedaço de luar.
Ela inclinou-se e beijou suavemente a testa da filha.
No dia seguinte, acordou bem cedo.
Na cozinha, organizou os ingredientes preparados: farinha de arroz glutinoso, farinha de arroz comum, açúcar refinado, mel de osmanto e um saquinho de flores frescas que comprara especialmente no mercado no dia anterior.
A antiga lesão no pulso tornava seus movimentos lentos, mas ela trabalhava com esmero.
Uma hora depois, um aroma doce e suave exalou do vaporizador.
O bolo de osmanto estava pronto, translúcido e polido como jade.
— Mamãe é incrível!
A pequena acordara sem que ela percebesse e observava da porta da cozinha com os olhos brilhando.
Ela sorriu e acariciou o topo da cabeça da filha: — Vá trocar de roupa, hoje vamos visitar o papai.
A menina assentiu vigorosamente e correu de volta para o quarto com passos leves como os de um passarinho.
Às dez da manhã, mãe e filha chegaram ao cemitério no subúrbio.
Por ser dia útil, havia pouca gente; o silêncio era quebrado apenas pelo sussurro do vento entre os pinheiros e ciprestes.
Pararam diante de uma lápide de mármore preto. A superfície era simples, gravada apenas com:
Eduardo Rios
1985–2021
Um homem gentil
Na foto, o homem tinha um sorriso brando e um olhar sereno, como se nunca tivesse sido maculado pelo tempo.
Ela estendeu a mão, tocando levemente a superfície fria da lápide:
— Eduardo, eu e a pequena viemos te ver. Trouxemos bolo de osmanto, o seu favorito.
A pequena retirou cuidadosamente os bolinhos ainda mornos da bolsa térmica e os organizou diante do túmulo:
— Papai, a mamãe fez hoje de manhã! Está muito cheiroso.
Em seguida, começou a tagarelar sobre as pequenas coisas recentes.
Os novos amigos, a nota máxima em português, como aprendeu a dobrar tsurus de papel...
Ela ouvia em silêncio, com o olhar suavizando, enquanto as memórias a levavam de volta àquela noite úmida à beira-mar, oito anos atrás.
Naquela época, ela teve certeza de que morreria.
A água do mar era fria e salgada, entrando nos pulmões como lâminas.
As feridas nos pulsos e tornozelos latejavam terrivelmente sob a ação do sal.
Os risos cruéis daqueles homens ainda ecoavam: "Joguem longe, não deixem o corpo boiar."
Ela foi lançada ao mar como um saco de lixo.
Enquanto a consciência se esvaía, lembrou-se subitamente de Lucas.
Lembrou-se da primeira vez que ele a ensinou a tocar; lembrou-se dele segurando sua mão no hospital dizendo "minha vida foi você quem deu"; lembrou-se do olhar dele no noivado, abraçado à outra, frio como se visse uma estranha...
Que bom.
De qualquer forma, já não havia mais ninguém neste mundo que a quisesse.
Justo quando desistiu de lutar e permitiu que o corpo afundasse, algo prendeu-se à sua roupa.
Então, um par de mãos fortes e quentes a puxou abruptamente da água.
Ela tossiu água do mar, abrindo os olhos com dificuldade.
Sob o luar, deparou-se com um rosto desconhecido.
Um homem de cerca de trinta anos, de feições serenas e gentis, que a olhava com ansiedade.
— Você... ainda está viva?
Ela tentou mover os lábios, mas não saiu som.
Apenas olhou para ele, enquanto as lágrimas se misturavam à água salgada em seu rosto.
O homem suspirou suavemente e a pegou nos braços: — Não tenha medo, vou te levar para casa.
Aquela foi a primeira vez que viu Eduardo Rios.
Seu nome soava como o vento nos campos, mas ele era gentil como as flores da primavera.
Mesmo sendo estranhos, ele ofereceu uma bondade sem reservas.
Naqueles primeiros dias, ela ainda era perseguida pelas sombras do passado.
Pesadelos todas as noites.
O sangue do pai matando a mãe, o olhar gélido de Lucas, o rosto cruel dos agressores...
Sentia-se como uma boneca de pano rasgada e descartada, suja e quebrada.
Embora sobreviver àquele massacre fosse um milagre, ela não queria aquela vida.
Tentou cortar os pulsos, ingeriu remédios, arrastou-se com as pernas inertes até a janela do segundo andar.
Todas as vezes, Eduardo a trazia de volta.
Ele nunca se irritava ou dava sermões; apenas dava tapinhas leves em suas costas como se acalmasse uma criança, falava sobre as belezas que ainda restavam no mundo, cantarolava canções folclóricas serenas e dizia frases carregadas de filosofia.
— Se achar que o passado foi escuro demais, imagine-se como uma borboleta.
— Esforce-se para romper esse casulo e poderá ver a luz.
Naquela época, ela pensava que Eduardo devia ter sido favorecido pelo destino para carregar tamanha luz suave no coração.
Até que, um dia, ela finalmente expressou a dúvida que guardava:
— Eduardo, por que... você aceitou me ajudar sem pedir nada em troca?
Naquela noite, sentados na varanda olhando as estrelas, ele silenciou por muito tempo e então sorriu levemente:
— Na verdade, na noite em que te encontrei, eu tinha ido ao mar para acabar com tudo.
Ela ficou atônita.
— Naquele momento, brinquei com o oceano: "Se eu vir uma sereia esta noite, continuarei vivendo bem".
— E no segundo seguinte, você foi trazida pelas ondas.
Ele falava com naturalidade, mas ela percebeu o peso nas palavras.
Naquela noite, soube que o passado de Eduardo Rios era, na verdade, mais sombrio do que ela imaginava.
Capítulo 12
Ele fora órfão desde pequeno e crescera em um abrigo. Na infância, por ter feições muito delicadas, sofrera abusos de um diretor pervertido por três anos. Mais tarde, foi adotado por um casal que não podia ter filhos, mas a vida não melhorou — os pais adotivos o agrediam física e verbalmente, dizendo que ele "parecia uma menina e trazia má sorte".
Mas ele era determinado e, com muito esforço, entrou na melhor universidade. A partir dali, sua vida decolou. Aos vinte e cinco anos concluiu o doutorado; aos vinte e oito tornou-se o mais jovem cientista genial, detentor de várias patentes e com um futuro brilhante.
Pensou que dali em diante tudo correria bem, mas aos trinta anos foi diagnosticado com Alzheimer precoce e hereditário. Pior ainda, devido à doença, ele cometeu um erro em um experimento químico que resultou na morte por envenenamento de um colega de laboratório.
Embora tenha escapado da prisão devido à sua condição de saúde, sua vida mergulhou em trevas. O gênio de outrora tornou-se um pária social; velhos amigos cortaram relações, os pais adotivos o renegaram e até a namorada de longa data partiu sem se despedir. Os boatos maldosos e a vingança implacável da família do falecido quase o levaram ao limite!
Assim, ele fugiu daquela cidade em busca de um novo começo. Mas, ao fazer exames em outro lugar, descobriu um câncer ósseo em estágio avançado.
Desesperado, ele quis usar a morte para encerrar tudo, mas não esperava encontrar Alícia.
— Veja — ele disse sorrindo, com os olhos brilhando sob o luar —, nós dois somos pessoas descartadas pelo destino. Mas talvez possamos recolher um ao outro.
O destino é curioso: duas pessoas lutando na escuridão tornaram-se a salvação mútua. Fizeram reabilitação juntos, tratamentos juntos e aprenderam a viver novamente. Ele a acompanhava nos exercícios de fisioterapia para as mãos, ela o acompanhava nas sessões de quimioterapia; ele a ensinava a ler e estudar, ela cozinhava e preparava os remédios dele.
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