"Renascendo da Traição" Capítulo 7
Um bipe agudo cortou o silêncio do estúdio, e as telas de monitoramento foram cortadas subitamente.
As pupilas de Lucas se contraíram; ele agarrou o pulso dela novamente: — Alícia, o que fiz no passado foi errado... eu me arrependo!
— Faço qualquer coisa que você quiser, só peço que me perdoe...
Alícia, incapaz de retirar a mão, resolveu encará-lo com um olhar gélido:
— Se eu tivesse feito tudo isso com você, você me perdoaria?
Lucas paralisou: — Eu...
— Além disso — ela o interrompeu —, a Alícia do passado morreu há muito tempo. Um arrependimento tardio vale menos que o capim.
O rosto de Lucas empalideceu instantaneamente, e seus dedos afrouxaram o aperto:
— Não... você não morreu, você está viva...
Alícia aproveitou para retirar a mão e olhou para o relógio na parede: — Sinto muito, meu turno acabou.
Ela não olhou mais para ele; apagou as luzes e girou a cadeira em direção à porta.
— Alícia! — Lucas recobrou os sentidos e correu atrás dela.
A luz pálida do corredor projetava a silhueta dela se afastando como uma sombra longa e decidida. Por um momento, a cena se sobrepôs à de oito anos atrás, quando ela saiu pela porta da mansão dos Valentim com sua mala.
Ele ia avançar, mas a supervisora, Dona Clara, apareceu na esquina com documentos e parou ao ver os dois:
— Alícia, aquele "arrependimento" que o Sr. Valentim mencionou na transmissão foi...? Por que cortou de repente?
Alícia falou primeiro, com uma expressão imperturbável:
— O Sr. Valentim ainda estava imerso na história, as emoções ficaram um pouco afloradas. Fiquei com medo de afetar a qualidade da transmissão, então encerrei antes.
Dona Clara sorriu compreensiva e não fez mais perguntas, entregando os documentos:
— Os números de hoje bateram recordes de novo! O diretor quer te ver pessoalmente; por favor, participe da reunião, e compensaremos seu descanso nos próximos dias.
— Tudo bem. — Alícia pegou os papéis.
As duas conversaram brevemente sobre os próximos passos, e Dona Clara seguiu para a sala de reuniões. Lucas imediatamente bloqueou o caminho de Alícia, com a voz trêmula:
— Alícia, podemos conversar direito, por favor?
— Eu realmente quero te compensar pelo que houve! No dia em que recebi a notícia de que você tinha partido... eu quase enlouqueci...
Seus olhos estavam vermelhos: — Só então entendi que é você quem eu amo! Nestes oito anos, nunca parei de te procurar...
— Lucas Valentim — Alícia o interrompeu sem expressão —, seu melhor arrependimento seria manter distância de mim. Não quero ser arrastada para nenhum turbilhão novamente.
Ela fez uma pausa, seu olhar caiu sobre a aliança no dedo dele, e esboçou um sorriso mínimo e seco.
— Hoje a Jade Menezes ligou para a rádio. É melhor você resolver seus assuntos domésticos primeiro.
Ela levantou os olhos e pronunciou cada sílaba:
— Afinal, vocês são almas gêmeas.
Ao ouvir isso, o último resquício de cor sumiu do rosto de Lucas. Ele ficou estático, os lábios movendo-se em vão, sem som. Aquele anel tornou-se subitamente quente e pesado, como uma corrente marcada na pele e nos ossos.
— Não me perturbe mais. — Alícia deixou as palavras no ar e girou a cadeira, afastando-se.
Lucas quis segui-la, mas seus pés pareciam pregados ao chão. O anel, agora sob o peso do olhar dela, pesava toneladas.
Nesse momento, o celular em seu bolso, no modo vibrar, zumbiu novamente. Ele o tirou com irritação; o nome "Jade Menezes" brilhava na tela. Ele encarou o nome por alguns segundos e, de repente, arremessou o aparelho contra o chão com força!
O celular atingiu o piso de mármore, estilhaçando-se. Lucas encostou-se na parede, sem forças, e fechou os olhos. O contato frio da parede através da camisa o fez lembrar que, há muitos anos, Alícia também se encostava assim nas paredes dos corredores do hospital, esperando que ele saísse da quimioterapia.
Naquela época, ela segurava a mão dele e dizia com os olhos brilhantes: "Lucas, eu não tenho medo do sofrimento, contanto que você viva."
Hoje ele está vivo, mas ela preferia que ele estivesse morto.
Depois de um tempo, Lucas abriu os olhos devagar e caminhou com passos pesados para fora.
A mansão no alto da colina estava toda iluminada, mas exalava uma aura de morte gélida. No saguão, os empregados estavam reunidos a um canto, olhando para o segundo andar com pavor, todos em silêncio absoluto. Lucas parou por um instante, sabendo que Jade Menezes estava tendo outro de seus ataques.
Capítulo 10
Ao se aproximar do quarto, ouviu insultos estridentes e sons de objetos se quebrando vindo de dentro.
Porcelana estilhaçando, vidro explodindo, misturados aos gritos histéricos de uma mulher.
Ele massageou as têmporas, reprimindo a fúria que subia, e empurrou a porta.
O interior era um caos.
Cacos de porcelana cobriam o chão, pinturas a óleo haviam sido arrancadas das paredes e os lençóis de seda caros estavam reduzidos a trapos.
Ela erguia um ornamento de cristal para arremessar, mas congelou ao vê-lo entrar.
Estava sem maquiagem, com o rosto pálido e os cabelos desgrenhados.
A mulher que outrora fora elegante como um cisne agora parecia uma flor completamente murcha.
— Você ainda sabe o caminho de casa? — ela soltou um riso gélido. — Pensei que este lugar já não significasse nada para você!
Ele sentiu a respiração travar, mas esforçou-se para manter a voz estável: — Passei a noite de ontem fazendo hora extra. Meu assistente pode confirmar, não comece com suas paranoias.
— Hora extra?
Ela soltou uma gargalhada aguda e, subitamente, puxou um maço de fotos debaixo do travesseiro, atirando-as contra o rosto dele. — Ou foi um encontro íntimo com sua antiga amante? Por que não ficou por lá mais um pouco aproveitando o carinho dela!
As fotos se espalharam pelo chão.
Ele olhou para baixo.
A troca de olhares na entrada do metrô, o momento em que ele empurrava a cadeira de rodas sobre a elevação da pista e até fotos antigas e amareladas de anos atrás.
Suas pupilas se contraíram e uma fúria súbita explodiu: — Você contratou alguém para me seguir?!
Os olhos dela estavam injetados de sangue: — Você me forçou a isso! Quem mandou você trair primeiro!
— Eu nunca tive nada com aquela secretária! Ela foi demitida há tempos, o que mais você quer—
— Se eu não tivesse chegado a tempo naquele dia, vocês já estariam na cama! — ela interrompeu com a voz rouca. — Com tanta gente na empresa, por que logo ela? Porque ela se parece com aquela mulher!
Ela ofegava, mas as lágrimas não caíam: — Nestes oito anos, você nunca a esqueceu... Agora que a verdadeira voltou, você quer se livrar de mim, não é?
Cada palavra era como uma agulha envenenada perfurando sua cicatriz mais feia.
Seis meses atrás, ele de fato sentira um vislumbre de hesitação por aquela nova secretária.
A garota acabara de se formar; quando sorria, seus olhos se curvavam de um jeito que, por um instante, lembrava muito a Alícia da juventude.
Por um impulso inexplicável, ele a transferiu para perto de si. Olhava para ela um pouco mais durante as horas extras e tocava sua mão "sem querer" ao entregar documentos.
Mas depois ele recobrou a lucidez.
Por mais parecida que fosse, não era ela.
Justo quando a esposa percebeu e causou um escândalo, ele aproveitou para demitir a moça.
Ele girou exausto a aliança no anular e, finalmente, sustentou o olhar da mulher à sua frente:
— Sim. Desde o dia em que ela partiu, eu entendi... Quem eu sempre amei foi ela.
— Vamos nos divorciar. Você pode ficar com setenta por cento dos bens.
— Você está sonhando acordado!!
Ela gritou e avançou sobre ele, agarrando-o pelo colarinho com um olhar de pura loucura:
— Não se esqueça de quantos interesses nos prendem! Os projetos de cooperação entre nossas famílias, as participações cruzadas de ações, as transações obscuras...
— Eu conheço cada detalhe sujo que você fez! Você nunca vai conseguir se livrar de mim nesta vida!
Um sorriso distorcido surgiu em seus olhos escarlates, como um balde de água gelada despejado sobre ele.
Ele congelou, sentindo um calafrio subir da planta dos pés.
Nestes anos, não é que ele não tivesse pensado em divórcio, mas aquele casamento já não estava sob seu controle.
Interesses, chantagens e feridas mútuas os transformaram em dois insetos moribundos presos na mesma teia; nenhum dos dois poderia sair vivo sozinho.
— Meu querido... — a voz dela subitamente suavizou, e uma mão fria acariciou o rosto dele. — Ela ficou deficiente daquele jeito, o que ainda resta nela que valha a sua lembrança?
— Você disse... que a pessoa que você mais amava era eu.
As pontas dos dedos dela eram como a língua de uma cobra, viscosas e frias.
Ele despertou subitamente, empurrou-a com força e saiu tropeçando do quarto!
Somente quando a brisa noturna inundou seus pulmões é que aquela sensação de sufocamento diminuiu um pouco.
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