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"Renascendo da Traição" Capítulo 2

正文开头

Apenas aqueles olhos permaneciam tão profundos quanto em sua memória.

Neste momento, ele a olhava fixamente, de forma quase voraz.

E o que mais doía era a aliança de platina em seu dedo anelar.

Sob a luz opaca do dia, ela brilhava com um reflexo gélido.

O tempo parecia se dilatar em meio ao som da chuva.

Depois de muito tempo, o homem finalmente falou com a voz rouca:

— Há quanto tempo... Alícia.

Alícia olhava para ele calmamente.

A água escorria pelas pontas do cabelo dele em sua testa, deslizando pelo nariz alto.

Ela de repente se lembrou de uma noite chuvosa há muitos anos; ele estava diante dela exatamente assim, encharcado, segurando com força o primeiro dinheiro que ganhou trabalhando, com os olhos brilhando intensamente:

— Alícia, quando eu tiver dinheiro no futuro, nunca mais deixarei você pegar uma gota de chuva.

Naquela época, ambos acreditavam que o amor poderia vencer qualquer coisa no mundo.

Alícia curvou levemente os lábios, educada mas distante:

— Há quanto tempo, Lucas Valentim. Mas agora meu nome é Alícia Vidigal.

— Alícia Vidigal... — Lucas repetiu o nome, com a voz embargada. — Alícia... Vidigal...

— Vidigal, de um novo começo — Alícia respondeu com naturalidade. — Oito anos atrás, fui resgatada do mar e uma pessoa bondosa me acolheu.

— Ele disse que esperava que eu pudesse me despedir do passado e ver a luz de uma nova manhã.

O corpo de Lucas oscilou quase imperceptivelmente.

Ele a encarava, seu olhar percorrendo desde o seu rosto até a cadeira de rodas, parando finalmente em suas mãos marcadas por cicatrizes sobre o apoio de braço.

— Você está viva... — Sua voz tremia violentamente. — Por que não voltou para me procurar?

Alícia não respondeu.

Ela apenas o observava em silêncio, observando o homem que um dia ocupou toda a sua juventude e que, depois, a empurrou pessoalmente para o inferno.

A chuva diminuía e o céu clareava um pouco. Ao longe, ouvia-se o estrondo do metrô chegando à estação.

— Eu preciso ir.

Alícia girou as rodas da cadeira.

Observando suas costas distantes, o pomo de adão de Lucas moveu-se bruscamente. Ele correu e parou na frente dela.

— Assim é difícil para você. Eu te levo.

— Não é necessário, obrigada.

Alícia manobrou a cadeira, desviando-se dele.

— Alícia! — Lucas elevou a voz. — Oito anos! Oito anos inteiros! Você não tem nada a me dizer?

As luzes da estação de metrô brilhavam pálidas sobre eles.

Alícia parou no limite entre a luz e a sombra e virou o rosto lentamente.

— Não.

Apenas uma palavra, leve, mas que agiu como uma lâmina cega, perfurando com precisão o coração de Lucas.

Lucas quis dizer algo mais, seus lábios se moveram, mas nenhum som saiu.

Ele só pôde observar, impotente, enquanto um funcionário a ajudava a empurrar a cadeira, desaparecendo pouco a pouco nas sombras da estação.

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Justo quando a silhueta dela estava prestes a sumir, Lucas gritou com todas as suas forças:

— Alícia!

Alícia olhou para trás por instinto.

À distância de uns dez metros, ela viu os lábios de Lucas se movendo.

O ambiente estava barulhento e ela não conseguia ouvir o que ele dizia; apenas via seus olhos vermelhos e seus ombros trêmulos.

Alícia sorriu educadamente para ele, apontou para sua orelha direita e disse silenciosamente, apenas movendo os lábios:

— Sinto muito, eu não consigo ouvir.

Então ela se virou e desapareceu nas profundezas da entrada do metrô.

Lucas estancou no lugar, o guarda-chuva em sua mão caiu no chão com um baque seco.

Ele queria dizer a ela: Alícia, eu procurei por você durante oito anos.

Durante oito anos, ele acordou inúmeras vezes no meio da noite, com sonhos repletos da imagem dela coberta de sangue.

Ele enviou pessoas para fazer buscas em toda aquela área do mar, mas só encontraram um tênis de lona desbotado pela água salgada.

Ele pensou que ela realmente havia desaparecido sem deixar rastros, que passaria o resto da vida vivendo no remorso.

Mas ela estava viva.

Ela estava viva, mas não era mais a sua Alícia.

Ela sequer... estava disposta a ouvir mais uma única frase dele.

Capítulo 3

Vinte e uma e trinta, Alícia Vidigal chegou pontualmente à rádio.

O corredor estava estranhamente silencioso, exceto pelo leve ruído das rodas de sua cadeira. No entanto, ao dobrar a esquina, ela avistou aquela silhueta familiar.

Lucas Valentim vestia agora um terno cinza-chumbo de corte impecável, que acentuava a postura altiva de seus ombros. Ele estava inclinado, ouvindo Dona Clara falar, mas ao perceber o som das rodas, virou-se bruscamente.

Por trás dos óculos escuros, o olhar dele caiu diretamente sobre ela.

— Alícia, que bom que chegou! — Dona Clara aproximou-se entusiasmada. — Este é o nosso convidado especial de hoje, o Sr. Valentim. Sr. Valentim, esta é a nossa locutora estrela, Alícia Vidigal.

Lucas retirou os óculos devagar, o pomo de adão saltando em sua garganta:

— Srta. Vidigal, é um prazer.

Alícia apertou os braços da cadeira de rodas, exibindo um sorriso profissional:

— Sr. Valentim, já ouvi muito sobre o senhor. Não imaginei que o ouvinte anônimo de ontem fosse o herdeiro do Grupo Valentim.

Seu tom era estável, sem qualquer vestígio de emoção. Dona Clara, sem notar a corrente oculta entre os dois, continuava a apresentação:

— O Sr. Valentim não apenas aceitou compartilhar a história completa, como sugeriu um diálogo ao vivo com você!

— Alícia, este é o convidado de maior prestígio que já tivemos desde a estreia do programa!

— Dona Clara — Alícia interrompeu de repente —, na verdade, eu também posso contar essa história na íntegra.

— Como você saberia? — Dona Clara paralisou.

Alícia olhou para Lucas, pronunciando cada palavra com clareza:

— Porque a garota da história era uma antiga amiga minha.

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O ar congelou instantaneamente. As pupilas de Lucas se contraíram e seus lábios se fecharam com força. Dona Clara olhou para Alícia, depois para Lucas, e finalmente percebeu que algo estava errado.

Ela deu uma risada sem graça: — Bem... então é melhor ainda! Um conhecido contando terá muito mais emoção! Vou preparar tudo, deixo vocês conversarem!

Ela saiu apressada, deixando os dois em um confronto silencioso.

— Como você... tem passado? — Lucas quebrou o silêncio.

— Muito bem — Alícia respondeu secamente, girando a cadeira em direção ao estúdio. — Tenho trabalho, uma filha e uma vida tranquila.

— Uma filha... — Lucas repetiu as palavras, seguindo-a apressado. — Quantos... quantos anos ela tem?

— Sete anos. — Alícia não olhou para trás. — Sr. Valentim, se não houver mais nada, preciso me preparar. O programa começa às dez e não posso deixar os ouvintes esperando.

— Alícia! — Lucas a chamou.

Ela parou, mas continuou de costas.

— Eu... — a voz dele falhou por um instante. — Você ouviu o que eu disse ontem à noite no programa?

Alícia silenciou por alguns segundos antes de se virar devagar:

— A qual parte o senhor se refere? Quando perguntou se eu te odiava, ou quando perguntou por que não voltei para te procurar?

Lucas abriu a boca, mas sua garganta parecia bloqueada, incapaz de emitir qualquer som.

— Sobre te odiar, eu já respondi ontem. Quanto a não ter voltado... — Ela sorriu levemente. — Por que alguém que já morreu uma vez voltaria para o lado de quem... a matou?

Sem esperar pela reação de Lucas, cujo rosto empalideceu instantaneamente, ela empurrou a cadeira e entrou no estúdio.

Lucas ficou estático, encarando aquela silhueta. Por um momento, sentiu-se transportado oito anos de volta no tempo; Alícia também o deixara daquela forma, de costas. Naquela época, ela arrastava uma mala e olhou para ele uma última vez, com os olhos repletos de luzes estilhaçadas.

Ela dissera: "Lucas Valentim, a coisa que mais me arrependo nesta vida foi ter amado você."

Naquele momento, ele não deu importância, achando que era apenas um acesso de raiva. Foi apenas muito tempo depois, ao encontrar aquele tênis de lona desbotado pela água do mar, que ele entendeu que algumas partidas são para sempre.

Vinte e uma e cinquenta e cinco, a transmissão estava prestes a começar. Apesar de Alícia ter deixado claro que não precisava de um diálogo, sob a pressão de Dona Clara e do diretor da rádio, Lucas entrou no estúdio acompanhado pela equipe técnica.

Ele olhou para os equipamentos, perdido em pensamentos:

— Antigamente... você dizia que queria ser locutora. Não imaginei que realmente realizaria isso.

Alícia apenas murmurou um "hum" e continuou os preparativos. O olhar de Lucas, contudo, não conseguia se desviar dela. O modo como ela colocava os fones, os dedos ajustando o microfone, até a curvatura dos cílios quando baixava os olhos; tudo nela se sobrepunha à Alícia de sua memória, embora tudo fosse diferente.

Perto de começar, ele disse de repente: — Talvez seja melhor eu contar a história, tenho medo que você...

Alícia sorriu levemente, interrompendo-o: — Cicatrizes antigas não doem mais. Não há problema em revelá-las.

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