"A Substituta do CEO: A Vingança de Clara" Capítulo 2
Os dedos dela tamborilaram no banco de couro antes que ela finalmente falasse:
“Eu não posso decidir isso sozinha.”
“Então vá falar com meu pai.” Clara guardou o celular. “A família Silva não deve gostar de esperar muito.”
Ela sabia que eles aceitariam.
Comparado ao lucro imenso que o projeto traria, entregar metade do patrimônio era um preço que eles seriam forçados a pagar.
O carro preto partiu silenciosamente.
A rua ficou vazia novamente.
Clara parou diante de uma vitrine, olhando para seu reflexo deplorável, sentindo uma tontura momentânea.
Depois de ser expulsa de casa, foi Ricardo quem a levou para sua mansão.
Por três anos, ela foi como um pássaro de asas cortadas, vivendo naquela gaiola luxuosa, achando que tinha encontrado um lar.
Que ridículo.
Respirando fundo, ela caminhou em direção à mansão de Ricardo.
Ela ainda tinha coisas lá e precisava fazer uma limpeza definitiva.
Ao abrir a porta, o aroma de chá branco do hall a atingiu.
Era o perfume que ela mais amava, um cheiro que antes trazia paz, mas que agora a fazia sentir náuseas.
Ricardo acabara de desligar o telefone. Ao ouvi-la chegar, ele se virou com um sorriso cínico.
“Achei que você tivesse mais orgulho”, ele caminhou até a sala, com arrogância. “Pelo visto, não consegue ir embora.”
Ele pegou um cartão preto sobre a mesa de centro e o deslizou em direção a ela.
“Cem milhões. Pegue o dinheiro e esquecemos tudo o que aconteceu.”
“Esquecemos?”
Clara riu, sentindo os olhos arderem.
“Por sua causa, fui chutada da minha família e virei piada na cidade. Por sua causa, fui uma sombra substituta por três anos, sendo humilhada por todos.”
“Meus pais me renegam, minha reputação está no lixo e você joga um cartão para mim? Eu deveria me ajoelhar e agradecer?”
Ela o encarou com olhos injetados. “Ricardo, eu avisei: vou cobrar cada centavo dessa conta.”
Ricardo parecia irritado com a teimosia dela.
Ele se inclinou bruscamente, sua sombra a sufocando, com uma ameaça clara na voz:
“Clara, se eu fosse você, pegaria o dinheiro e sumiria agora.”
“Se tentar me enfrentar, vai acabar sem nada.”
“Quer cobrar dívidas?” Ele riu, os olhos percorrendo o rosto pálido dela. “Primeiro, olhe para si mesma e veja se tem peso suficiente para isso.”
O sangue subiu à cabeça de Clara.
Ela mordeu a parte interna da bochecha até sentir o gosto de ferro, contendo o impulso de esbofeteá-lo novamente.
Ela recuou um passo, com a voz afiada como uma lâmina:
“Ricardo, cada humilhação de hoje ficará guardada.”
“Um dia, eu vou cobrar tudo isso, mil vezes, dez mil vezes mais forte.”
O ódio genuíno nos olhos dela foi como uma agulha em brasa perfurando o peito de Ricardo.
Ele já a vira mimada, vira seus olhos brilharem de amor em seus braços, vira até seu choro frágil.
Mas nunca a vira olhar para ele daquela forma.
Como se olhasse para um lixo imundo e repugnante.
Ele tentou dizer algo, mas Clara já havia se virado, partindo com determinação e desaparecendo nas sombras do hall.
Capítulo 3
Ao voltar para o quarto, Clara desabou no chão, sem forças.
Desde a descoberta da verdade no bar até a negociação dos termos do casamento com Dona Helena, haviam se passado apenas algumas horas, mas aquilo esgotara toda a sua energia.
Sobre a penteadeira, não muito longe, estava a foto dela com Ricardo.
Na imagem, Ricardo a abraçava pela cintura com uma mão, sorrindo abertamente.
Nos últimos três anos, ela sentira por Ricardo um cuidado e uma atenção que nunca experimentara antes.
No momento em que soube da verdade, ela chegou a pensar, de forma vil, que se ele tivesse hesitado por um segundo, se tivesse tido a menor intenção de levar a sério a vida ao lado dela, ela estaria disposta a ignorar todas as mágoas e fingir que nada aconteceu.
Mas ele não teve.
Do início ao fim, tudo o que ele fez foi por Beatriz.
Naquele instante, um ódio avassalador ardeu em seu coração.
Ela odiava aqueles que a colocaram no mundo mas não se importaram com ela, odiava Beatriz por ter usurpado seu lugar e roubado tudo o que era seu, e odiava ainda mais Ricardo, que a fez de boba por três anos, pisoteando sua sinceridade.
Clara sempre fora do tipo que não deixava ofensas passarem impunes.
Já que a jogaram na lama, mesmo que tivesse que rastejar, ela faria com que pagassem o preço devido!
Ela pegou o celular e discou um número.
A chamada foi atendida rapidamente, e uma voz gentil e familiar soou:
“Clara? Tão tarde... por que me ligou de repente?”
Era Júlia, a única amiga que não se afastou dela após o escândalo de ser a "falsa herdeira".
“Júlia...”
Ao abrir a boca, a voz de Clara embargou incontrolavelmente.
Do outro lado, Júlia entrou em pânico:
“Clarinha? O que foi? Alguém te machucou? Fala devagar!”
Com o consolo de Júlia, Clara recuperou aos poucos a calma e expôs, palavra por palavra, toda a armação de Ricardo e Beatriz.
Ela falava com os dentes cerrados, o ódio quase transbordando em cada frase:
“Eles estão prestes a noivar. Depois de me destruírem assim, por que eles deveriam ter um final feliz e tranquilo?”
“Júlia, me ajude. Beatriz não é nem de longe tão ingênua quanto aparenta, e o Ricardo certamente tem as mãos sujas.”
“As provas que tenho ainda não são suficientes. Eu quero que eles percam a reputação e paguem o preço mais doloroso possível!”
Após desligar e organizar os detalhes da investigação, uma mensagem de Dona Helena surgiu na tela:
[Seu pai concordou. Amanhã, às dez da manhã, venha à mansão dos Antunes para assinar o contrato.]
Clara respondeu apenas com um “Certo”, arrumou suas coisas na mansão de Ricardo durante a noite e mudou-se para um hotel próximo.
Na manhã seguinte, ela apareceu pontualmente na mansão Antunes.
O Senhor Antunes e Dona Helena estavam sentados em extremidades opostas do sofá, com expressões distintas.
Em sua memória, desde que se entendia por gente, raramente via esse casal no mesmo ambiente; apenas em datas festivas, para manter as aparências diante de parentes, é que se forçavam a estar juntos.
Agora, para fazê-la casar com a família Silva na Zona Sul, os dois conseguiam sentar ali de forma tão "harmoniosa". Era o ápice da ironia.
Sobre a mesa, dois contratos redigidos. Grande parte do patrimônio, ações e imóveis sob os nomes de seus pais foram convertidos em dinheiro, com a promessa de serem transferidos integralmente para ela assim que se casasse com o herdeiro dos Silva.
Clara pegou os contratos, leu cada linha cuidadosamente e, após confirmar que não havia armadilhas, pegou a caneta e assinou seu nome com firmeza.
Dona Helena levantou-se, olhando-a de cima para baixo:
“A família Silva tem pressa. Daqui a três dias, compre sua passagem e voe para o Rio. Não vamos te levar ao aeroporto!”
Dito isso, ela deu uma desculpa e saiu de cena primeiro.
O Senhor Antunes, vendo a situação, também não quis prolongar a conversa e saiu logo em seguida, como se cada segundo ali fosse um suplício.
A imensa mansão Antunes ficou subitamente vazia, sobrando apenas Clara.
Ela respirou fundo, pegou os contratos e se preparou para sair, mas deu de cara com Beatriz, que chegava da rua.
Ambas pararam, surpresas.
Beatriz a avaliou de cima a baixo e, ao notar o envelope em suas mãos, uma faísca de dúvida passou por seus olhos, logo substituída por um sorriso cínico:
“Ora, ora... soube da verdade ontem e já correu para cá hoje querendo reconhecimento?”
“Infelizmente, pelo que vejo, papai e mamãe não parecem ter te recebido com muito carinho, não é?”
Clara apertou o envelope com força, encarando-a com frieza:
“E daí? Nada disso muda o fato de que você é uma filha ilegítima.”
Ao ver o rosto de Beatriz murchar instantaneamente, o humor de Clara melhorou. Ela deu um passo para contorná-la e sair.
Para sua surpresa, Beatriz avançou e arrancou o envelope de suas mãos.
“O que você está levando? Roubou algo da família...”
As palavras de Beatriz travaram ao ler o conteúdo do contrato. No segundo seguinte, ela levantou a cabeça, incrédula, quase gritando:
“Que feitiço você usou para fazer o papai te dar metade de tudo?”
“Não é da sua conta!”
Clara estendeu a mão com o rosto rígido para recuperar os papéis, mas Beatriz a agarrou pelos cabelos.
Em seguida, um tapa estalou no rosto de Clara.
“Vadia! Isso tudo é meu, com que direito você leva isso? Devolve!”
A voz estridente de Beatriz ecoou pela sala.
O impacto fez os ouvidos de Clara zumbirem e metade de seu rosto ficou dormente.
Uma fúria subiu de seu peito. Ela agarrou o pulso de Beatriz, girou e a arremessou com força contra o chão.
Ato contínuo, ela se inclinou, apertou o pescoço de Beatriz e, com os olhos transbordando raiva, disse:
“Beatriz, você achou mesmo que, por eu ter sido enganada por três anos, eu tinha virado um alvo fácil?”
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