"O Fim Amargo de um Amor à Distância" Capítulo 9
Pulou séries na faculdade e, após se formar, conseguiu uma vaga de mestrado em uma das melhores universidades do mundo.
Ricardo percebeu subitamente que, longe dele, ela ainda podia viver muito bem.
Clara tinha talento e recursos para isso; quem não conseguia se desprender desse relacionamento era ele.
Nesse momento, o apresentador sorriu e disse: "A excelência do projeto da Srta. Clara é evidente para todos. O que falta no momento é o capital inicial. Aproveitem esta oportunidade para investir."
Ao ouvir isso, Ricardo tomou o microfone de um voluntário próximo e disse em voz alta: "Eu ofereço cinco milhões!"
Cinco milhões.
O auditório entrou em polvorosa; todos se viraram para ver de onde vinha a voz, e Clara fez o mesmo.
Os dois se olharam nos olhos.
A empolgação que acompanhara Ricardo durante toda a viagem subitamente murchou.
Pois ele já não via mais o antigo amor nos olhos da mulher; em vez disso, havia um frio comparável a glaciares milenares.
Ela ainda o ressentia, o odiava.
Isso fez com que as esperanças dele hoje parecessem mergulhadas em amargura.
Ele expressou todas as suas emoções em voz alta para Clara: "Clara, eu me arrependi."
"Eu errei demais, não soube te valorizar, e sinto muito."
"Eu não te traí, Clara. Aquela pergunta que você me fez repetidamente, agora posso te dar a resposta com clareza: eu só amo você, só você está no meu coração, e minha vida pertence apenas a você."
"Quanto à Pérola, eu fui cego, já cortei todos os laços com ela. Eu juro, algo assim nunca mais vai acontecer."
Ricardo reconheceu que nunca fora tão humilde em sua vida.
Ele também sempre foi um filho predileto do destino, construindo sua carreira com uma técnica médica superior e fundando seu próprio hospital particular. Nunca havia enfrentado um revés em sua vida.
Apenas no caminho dos sentimentos é que sofreu uma queda tão grande. Ele sonhava acordado em poder voltar ao passado para amar Clara ainda mais.
“Clara, eu te amo, eu te amo muito, de verdade. Por favor, me perdoe, volte comigo, sim?”
Ao ver Ricardo novamente, Clara estava estranhamente calma.
Ela já havia se preparado para o fato de que ele a encontraria; a escolha desta instituição foi justamente por estar muito longe da esfera de influência dele.
Aqui, o status de ambos era de igualdade.
“Voltar para onde?” Clara abriu os lábios de forma fria: “Eu e você não temos mais um lar há muito tempo.”
“No momento em que você manteve aquela ambiguidade com Pérola pelas minhas costas, quando ela tinha a senha para entrar e sair como queria, quando todos os empregados obedeciam a ela, nós nos tornamos impossíveis.”
Clara baixou levemente o olhar; uma vez decidido o rompimento, ela não permitiria que restasse qualquer vínculo.
Por isso, ignorando o brilho latente de lágrimas nos olhos de Ricardo, ela se virou e pediu aos seguranças que o retirassem.
“Ricardo, não quero repetir a mesma coisa uma segunda vez.”
“Nós terminamos.”
“Por favor, fique longe de mim, você me causa nojo.”
Ricardo esqueceu como foi expulso pelos seguranças.
Parecia não haver humilhação ou raiva, apenas uma total incredulidade.
Clara nunca havia lhe dito palavras de despedida tão definitivas. Diante dele, ela sempre fora suave e compreensiva.
Foi ele quem a perdeu.
Mas ele não estava disposto a desistir assim. Clara era a pessoa com quem ele queria passar o resto da vida. Ele faria qualquer coisa por ela, desde que ela o perdoasse.
Assim, Ricardo esperou por muito, muito tempo, até o pôr do sol, quando Clara finalmente saiu do salão de conferências.
Ela estava cercada por alguns colegas sorridentes, que a elogiavam em inglês dizendo que ela era incrível e que o capital arrecadado superava as expectativas deles.
Clara apenas balançava a cabeça com humildade: “O mérito é de todos.”
À distância, Ricardo, parado sob a sombra de uma árvore, esboçou um sorriso.
Esta era a Clara que ele amava.
Quando os colegas se dispersaram, Ricardo inicialmente quis dar um passo à frente e segurá-la.
Mas hesitou por um momento; ele queria segui-la até onde ela estava morando. Precisava saber onde ela morava para poder reconquistá-la melhor.
Assim, ele a seguiu discretamente até o pé do prédio alugado.
Ao vê-la pegar as chaves, ele não resistiu e correu para abraçá-la forte por trás, inspirando profundamente a fragrância suave que ela exalava, sentindo seus nervos tensos finalmente relaxarem, murmurando: “... Esposa, senti tanto a sua falta.”
Esse tratamento há muito tempo não ouvido fez o estômago de Clara revirar, e ela empurrou Ricardo com força: “Ricardo, você ficou surdo? Eu já disse, nós terminamos!”
“Não terminou!” Ricardo respirou de forma trêmula.
Ele percebeu como Clara sabia exatamente o que o fazia sofrer mais, rompendo o relacionamento repetidas vezes, como agulhas finas penetrando cada parte de seu corpo.
“Esposa, estamos juntos há quase dez anos...” Ricardo disse com a voz embargada: “Será que por um pequeno erro meu, você vai me condenar à morte?”
“Eu não consigo viver sem você, já me acostumei a ter você por perto. Nesses poucos dias de separação, você não sabe o quanto eu sofri...”
“Sem te ver, não consigo dormir noites inteiras, sinto sua falta desesperadamente. Bebi até quase morrer, só para me embriagar e conseguir te ver em meus sonhos, e mesmo sendo falso, eu aceitava com prazer...”
“Olhe para estas feridas, são o preço que paguei para te encontrar.” O inverno no exterior era rigoroso, com uma neve leve caindo, mas Ricardo não se importou e rasgou as próprias roupas.
Revelando as gazes por baixo, onde o sangue voltava a escorrer devido ao esforço da viagem.
“Clara, foram três facadas, dói muito, mas não chega nem a um milésimo da dor de ter te perdido...”
“Você esqueceu o quanto eu te amo? Quando você estava no exterior, eu trabalhava feito louco para conseguir te ver, comprava joias sem nem piscar para enviar para você através do oceano...”
“E daí?” Clara interrompeu Ricardo.
Ela certamente não havia esquecido, mas eram justamente essas lembranças que ela julgava preciosas que, no momento em que Ricardo a traiu, transformaram-se em pregos afiados que a cravaram até fazê-la sangrar rios.
Já que Ricardo tinha o descaramento de falar sobre o passado, ela não se importava em ajustar as contas uma por uma.
Ela não devia nada a ele.
Clara esboçou um sorriso de deboche: “Ricardo, acho que foi você quem esqueceu. Naquele camarote você disse que era cansativo viajar para o exterior, que dar presentes dava muito trabalho e que o seu amor por mim estava desaparecendo...”
“Qual é a graça disso? Ser uma pessoa na frente e outra atrás... Ricardo, você é terrivelmente hipócrita.”
Ricardo sentiu como se tivesse sido atingido por um raio; seu sangue congelou instantaneamente e até as pontas dos dedos ficaram rígidas: “... Você ouviu?!”
Então, quer dizer que, do lado de fora do camarote, quando ele abraçou Pérola, Clara testemunhou tudo com os próprios olhos.
Com razão... ele passara o tempo todo reclamando que a primeira coisa que Clara fez ao voltar foi questionar o relacionamento dele com Pérola. Afinal, a origem de todo o erro vinha dele!
Os dedos de Ricardo ficaram brancos de tanto apertar, e sua voz soou extremamente rouca: “Aquela noite foi um acidente.”
Foi Pérola quem recebeu a notícia de que passara no estágio e, de tanta empolgação, o abraçou!
Ricardo quis explicar, quis dizer que foi forçado.
Mas Clara não queria mais ouvir, ela deu um passo para trás: “Ricardo, não amar é simplesmente não amar. Se você me conhece, sabe que eu sou uma pessoa de palavra.”
“Seu comportamento de me seguir é desprezível. Pare por aqui, não me faça te odiar.”
Dito isso, Clara se virou e entrou no condomínio, deixando Ricardo parado com os punhos cerrados.
Depois de muito tempo, ele disse lentamente, palavra por palavra: “Mas eu não consigo fazer isso.”
Quanto mais ele sabia da verdade cruel, mais arrependimento e culpa sentia.
Ele não conseguia imaginar quantas injustiças Clara sofrera sem que ele soubesse.
Por causa disso, ele não podia desistir dela; ele precisava compensá-la em dobro.
Nos dias seguintes, Ricardo seguiu Clara em silêncio.
Às seis da manhã, quando ela ia para a universidade, ele a seguia até a sala e lhe entregava uma porção de mingau de milho que ele mesmo havia preparado.
Os dedos acostumados ao bisturi nunca haviam trabalhado na cozinha, e com a falta de sono de muitos dias, sua atenção falhou; certa manhã, ele acidentalmente entornou o mingau fervente, que caiu todo sobre ele, causando bolhas vermelhas na pele exposta.
Clara apenas lhe lançou um olhar indiferente, jogou o café da manhã no chão e o tratou como um estranho, focando na aula.
Ao meio-dia, enquanto Clara e sua equipe avançavam no projeto de empreendedorismo, Ricardo pedia ao assistente que usasse toda a rede de contatos para encontrar recursos úteis para ela, entregando-os pessoalmente na sala de reuniões.
Mas assim que Clara o via, batia a porta imediatamente.
À noite, Ricardo tentava de tudo para lhe enviar presentes.
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