"O Fim Amargo de um Amor à Distância" Capítulo 8
Marina soltou uma gargalhada alta: "Você quer encontrá-la para continuar maltratando-a? Ricardo, não seja tão repugnante. Você tem ideia do esforço que a Clara fez para se formar antecipadamente?"
"Quando ela estudava aqui no país, dormia às nove e acordava às sete, e ainda assim era a melhor da turma. Mas, para terminar os estudos mais cedo, desde que foi para o exterior ela nunca dormiu antes das três da manhã, e acordava às seis; virar a noite se tornou rotina."
"Várias vezes ela desmaiou de madrugada, mas não teve coragem de te contar nem quis perder tempo no hospital; tomava qualquer remédio por conta própria e continuava estudando. Antes de voltar, ela chegou a ser internada para uma cirurgia!"
"Você diz que ela é frágil e reclama de tudo, mas você sabia que você era a fé e a motivação dela para continuar? E você sabe que, se não fosse por você, ela não precisaria passar por tanto sofrimento? Ela poderia ter uma vida brilhante no exterior, ela pode ser muito mais feliz longe de você!"
Essas palavras de Marina fizeram Ricardo se sentir como se estivesse no meio de lava ardente, queimando todo o seu corpo de dor.
Sua garganta estava seca como um deserto; depois de muito tempo, ele baixou a cabeça: "... Ela não me contou nada disso."
Ricardo, que só havia chorado quando era bebê, deixou as lágrimas caírem novamente de forma súbita. Como uma criança abandonada pelo mundo, ele repetia com a voz anasalada: "Ela não me contou."
Ele pensou: "Sou um canalha, um animal". Clara o amava tanto, como ele pôde não estar satisfeito, tentar trair e ainda reclamar que ela era imatura?
Lembrando-se de como Clara perguntava incessantemente se ele amava Pérola, e como suas sucessivas fugas a fizeram desistir completamente, Ricardo ergueu a mão e deu um tapa forte no próprio rosto.
"Do começo ao fim, a única que eu amei foi você... Clara, eu sei que errei, eu só amo você."
Agora, finalmente, ele podia dar a resposta. Mas era tarde demais; a pessoa que fizera a pergunta já não estava mais lá.
Vendo Marina se virar para ir embora, Ricardo a segurou com uma mão e, com a outra, sacou um punhal.
Marina ficou chocada, prestes a perguntar o que ele ia fazer, mas antes que pudesse falar, Ricardo respondeu com ações.
Ouviu-se o som arrepiante da lâmina perfurando a pele e a carne.
"Por favor, me diga onde a Clara está." Ricardo puxou o punhal; a lâmina antes brilhante agora estava manchada de sangue: "Eu falhei com ela, preciso pedir perdão pessoalmente..."
Marina balançou a cabeça: "Eu não vou dizer."
Assim que ela terminou de falar, Ricardo desferiu outro golpe no próprio abdômen.
O sangue jorrou no chão, misturando-se ao grito agudo de Marina: "Você enlouqueceu?!"
"Enlouqueci, sim." Ricardo parecia não sentir dor, rindo baixo como se estivesse possuído: "Sem a Clara, minha vida não faz sentido. Se eu não puder pedir perdão a ela pessoalmente, prefiro morrer para pagar pelo meu erro."
"Se você não quiser me dizer onde ela está, tudo bem... ao menos me dê o novo contato dela."
Ricardo ergueu o punhal novamente, com a determinação de quem se transformaria em retalhos se Marina recusasse.
Marina finalmente sentiu medo, recuou um passo tremendo: "Está bem, eu te dou o novo número dela."
"Mas vou avisando: sou irmã da Clara e a conheço melhor que ninguém, ela não te ama mais. Se ela te rejeitar de novo, você não pode incomodá-la."
Após obter a promessa de Ricardo repetidas vezes, Marina estendeu o celular inquieta.
Ricardo não ouvia mais nada, apenas fixou os olhos naquela sequência de números, e uma chama se acendeu em seu coração.
Ignorando completamente o sangue que escorria de seu corpo, ele entrou no carro e, com o coração acelerado, usou um número internacional para ligar.
"Tuuu — Tuuu —"
Finalmente, após o sinal frio de chamada, veio a voz sempre doce da mulher: "Hello?"
Ao ouvir a voz dela, Ricardo sentiu como se tivesse sido puxado do inferno para o paraíso; seu coração parou por um segundo e depois começou a bater freneticamente, como gelo derretendo.
"Clara..." Ricardo não pôde deixar de pronunciar o nome da amada e, temendo que ela desligasse, disse apressadamente: "Clara, sou eu, eu..."
Mas Clara não lhe deu chance; sua voz mudou de suave para rígida, como um estilete de gelo perfurando os pulmões do homem: "Vá para o inferno."
Em seguida, o telefone que carregava a esperança de Ricardo foi desligado sem piedade.
Ricardo ficou paralisado com os lábios entreabertos.
Ele tinha tantas, tantas coisas para dizer a ela; queria dizer que sentia muito, que a culpa era dele, que a amava profundamente e implorar por perdão, queria dizer que sabia que ela estivera esperando por aquele pedido de desculpas e por aquele amor.
Mas não, ele não conseguiu dizer uma palavra sequer.
Clara parecia não esperar por seu perdão, nem nunca ter pensado em continuar a caminhada com ele. Era como se tivessem se tornado completos estranhos.
Esse pensamento deixou Ricardo em pânico.
Ele ligou de volta imediatamente, mas Clara foi rápida e já o havia bloqueado, ativando o filtro para números desconhecidos.
Sua mão apertou o celular com força e ele gritou para o assistente: "Já rastrearam o endereço IP?!"
Antes mesmo de tentar ligar, ele já havia ordenado ao assistente que rastreasse o sinal.
O assistente comandava os técnicos no computador, suando frio: "Quase lá, quase lá. A verificação preliminar aponta para o exterior, é um pouco longe, preciso de tempo."
O maxilar de Ricardo se contraiu bruscamente e ele perguntou por instinto: "É no País M?"
Ele havia considerado se Clara teria ido para o exterior novamente, mas logo descartou a ideia.
Pois Clara dissera mais de uma vez que o único lugar onde ele estivesse seria o lar dela; o exterior era apenas um lugar de passagem temporária.
O assistente engoliu em seco: "Ainda não está claro, atravessa o oceano, é muito longe... preciso de um tempo para confirmar."
Ricardo ordenou que fossem rápidos, andando de um lado para o outro perto do sofá, inquieto.
Finalmente, meia hora depois, os técnicos deram a resposta, e Ricardo paralisou.
Não era no País M, mas sim no País H, um lugar onde Ricardo nunca pisara e do qual nunca ouvira Clara falar.
A emoção de ter encontrado Clara caiu do topo para o abismo; seu pomo de Adão subiu e desceu, e ele pronunciou poucas palavras roucas: "Preparem o jato particular imediatamente."
O assistente olhou para o céu lá fora, que prenunciava uma tempestade, querendo dizer que não era um bom momento para decolar, mas ao ver a expressão gélida de Ricardo, assentiu silenciosamente.
Ele caminhou à frente de Ricardo para abrir a porta e, no instante em que a fresta se abriu, pareceu ver um vulto passar rapidamente.
O assistente esfregou os olhos, sentindo vagamente que parecia com Pérola, mas achou impossível.
Ele dera ordens severas aos cinco homens corpulentos para que Pérola nunca mais acordasse; seria impossível ela ter escapado.
"O que está esperando?" Ricardo disse friamente.
O assistente rapidamente afastou as dúvidas e dirigiu para levar Ricardo ao aeroporto particular.
Sob a pressão desesperada de Ricardo, o avião decolou.
No meio do caminho, entraram em uma densa nuvem negra; o avião sacudiu violentamente e um alarme soou na cabine.
O assistente perdeu a voz de medo e ligou imediatamente para sua família.
Ricardo apenas fechou os olhos.
Ele se lembrou de que, toda vez que viajava para encontrar Clara no exterior, ela sempre pedia que ele tivesse uma viagem segura; ele nunca achou aquilo entediante, pois as palavras eram carregadas de preocupação e saudade.
"Clara..." Ricardo ergueu a cabeça em meio à turbulência e disse baixo: "Se eu conseguir chegar em segurança diante de você, nós com certeza ficaremos juntos novamente."
"Desta vez, nunca mais nos separaremos."
Talvez por benevolência do destino.
Ricardo de fato encontrou Clara.
Ele estava de pé na plateia escura, enquanto Clara brilhava no centro do palco.
As luzes recaíam sobre ela, envolvendo-a em uma aura radiante.
Ela vestia um conjunto de blazer e saia curta, elegante e sofisticada; o cabelo preso a deixava com um aspecto limpo e decidido, e os fios soltos na testa a tornavam ainda mais graciosa.
Cada sorriso, cada gesto transbordava confiança; ela apresentava seu projeto de empreendedorismo em inglês, com um sotaque maduro e charmoso.
Clara estava muito diferente... Ricardo pensava assim, parado sob o palco, fascinado.
Não, deveria dizer que Clara parecia ter voltado a ser como era quando Ricardo a conheceu.
Ele lembrava vagamente que, quando a cortejava, ela era assim radiante, como um sol que iluminava seu coração e lhe trazia calor.
... Foi ele quem a tornou insegura, sensível e frágil, fazendo-a perguntar repetidamente o que ela significava para ele.
Enquanto Ricardo revivia o passado de forma quase masoquista, a palestra de Clara terminou, recebendo uma salva de palmas estrondosa.
Ela sempre fora um exemplo desde a infância.
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