"O Fim Amargo de um Amor à Distância" Capítulo 6
O celular quase foi arremessado ao chão por ele.
Mas, junto com a fúria, surgiu um medo e um pânico impossíveis de ignorar.
Clara nunca fora uma pessoa impulsiva; ela jamais apagaria o contato dele sem motivo.
A menos que...
Ela realmente tivesse decidido romper o relacionamento!
Ricardo não conseguia mais ficar parado. Ele entrou em seu carro de luxo, apressando o motorista constantemente.
No caminho, consumido pela ansiedade, ele chegou a expulsar o motorista do carro e assumir o volante, avançando dez sinais vermelhos.
Os pneus cantaram no asfalto com um som estridente. Ele nem sequer fechou a porta do carro, correndo para dentro de casa sem se importar com a aparência.
Ao abrir a porta, sentiu como se tivesse levado um choque; suas pernas fraquejaram e ele quase caiu.
Todos os vestígios de Clara haviam sumido; os lençóis da cama não tinham sinal de uso. A empregada lhe disse que Clara pegara as malas e partira ontem mesmo.
“Então por que você não me contou?!”
Ricardo gritou, desferindo um soco na parede, desesperado como um animal enjaulado.
A empregada não aguentou a pressão e caiu de joelhos: “Foi ordem da Senhorita Pérola, senhor... ela nos proibiu de contar ao senhor...”
Pérola?
Em meio à fúria, Ricardo recuperou um fio de razão.
Por que a empregada de sua própria casa obedeceria a Pérola?
Mas ele não conseguia pensar em mais nada agora. Imediatamente ligou para o assistente, exigindo que descobrisse o paradeiro de Clara.
Ele acreditava que Clara não poderia deixá-lo; ela deveria estar escondida em algum lugar, esperando que ele fosse pedir desculpas.
Mas assim que a ligação foi completada, a voz do assistente, ainda mais ansiosa que a dele, soou: “Senhor Ricardo, seu e-mail de trabalho recebeu um vídeo enviado pela Senhorita Clara...”
Por estar de licença, Ricardo não abrira o e-mail profissional.
Ao ouvir aquilo, os olhos de Ricardo brilharam.
Sentindo-se salvo no último instante, ele não percebeu a cautela e o pavor na voz do assistente e perguntou: “O que ela enviou? São informações do endereço? Ou será que esse sumiço é uma surpresa que ela preparou para mim?”
O assistente disse com dificuldade: “É algo relacionado à Senhorita Pérola... É melhor o senhor ver por conta própria.”
Ao ouvir o nome de Pérola novamente, o coração de Ricardo afundou instantaneamente, como se caísse do paraíso diretamente no inferno.
Sentindo o coração suspenso por um fio, ele abriu o e-mail de trabalho com as pontas dos dedos pálidas.
Havia um vídeo e algumas imagens.
Ricardo clicou primeiro no vídeo; durante o carregamento, sua respiração quase parou.
O vídeo começou a rodar, claramente uma gravação de segurança.
A princípio era uma cena mal iluminada, mas Ricardo percebeu que lhe era familiar.
Era o bar onde ele estivera. Foi ali que ele tivera aquela grande discussão com Clara.
Logo, Ricardo viu a si mesmo encostado no sofá, embriagado, enquanto Pérola, tendo perdido no jogo do desafio, aproximava-se dele como uma sedutora.
Naquele momento, bêbado, Ricardo não sentira muita culpa, pensando ser apenas um beijo passageiro que jamais seria considerado traição.
Mas, pela perspectiva de um terceiro, ele percebeu subitamente que ele e Pérola estavam se beijando intensamente, de forma inseparável, cheios de paixão e desejo, e não com a inocência ou o acaso de um toque rápido que ele imaginara!
O coração de Ricardo despencou; ele sentiu o corpo frio e trêmulo, como se tivesse caído em um poço de gelo.
Ele olhou para Clara na porta; a mulher mantinha os olhos fixos na direção dele, sem perder o controle emocional, parecendo-se mais com... um poço de águas paradas após o desespero.
Terminado o beijo, Pérola caminhou em direção a Clara.
Antes, ele pensara que Clara havia provocado Pérola primeiro, querendo humilhá-la deliberadamente na frente de todos.
Contudo, como a câmera de segurança estava logo acima da porta, a captação de áudio era excelente, e ele ouviu claramente os insultos e a provocação explícita de Pérola contra Clara.
“O Diretor usou a língua com tanta força... velha... nua na frente do orientador...”
Frase após frase, palavras insuportáveis que, como adagas, apunhalavam continuamente o coração de Ricardo, fazendo-o curvar-se de dor, ofegante.
Aquela cena fez a empregada tremer de medo.
Ela achou que fora ela quem deixara Ricardo naquele estado e quis imediatamente se distanciar de Pérola, revelando toda a conduta sórdida da garota: “Senhor Ricardo, foi a Senhorita Pérola quem me ordenou não contar nada! Não tenho nada a ver com isso!”
“Nestes três anos, a Pérola vivia se gabando na nossa frente de que era a patroa, exigindo que relatássemos cada passo do senhor para ela.”
“Especialmente depois que a Senhorita Clara voltou, a Pérola piorou ainda mais, nos forçando várias vezes a dificultar as coisas para ela... Aquela vez em que o senhor trancou a Senhorita Clara no porão, foi ela quem nos mandou dar tapas na Senhorita Clara e ainda lhe dar aquele remédio especial para alergia.”
“Era uma dose letal, mas a Senhorita Clara teve muita sorte e apenas desmaiou. Depois disso, a Pérola ainda nos puniu e descontou do nosso salário.”
Ao ouvir isso, as mãos de Ricardo já estavam cerradas em punhos pela fúria, seu rosto sombrio como nuvens de tempestade, exercendo uma pressão sufocante.
Em sua mente, surgia continuamente o rosto pálido de Clara no hospital e o quão tolo ele fora ao ser enganado e defendido Pérola.
Ricardo sentia-se como se estivesse sendo executado; o desprezo e a ironia nos olhos de Clara tornavam-se lâminas que cortavam cada centímetro de sua pele.
Ele finalmente não aguentou mais e, com as duas mãos, derrubou tudo o que estava sobre a mesa, dizendo entre dentes: “A Clara é o meu amor! Vocês estão cegos, porra?”
A empregada baixou a cabeça, amargurada: “Mas, Senhor Ricardo, toda vez que o senhor chegava em casa, brigava com a Senhorita Clara, e quando estava com a Pérola, o senhor estava sempre sorridente, com um carinho inexplicável...”
Com um contraste de atitude tão óbvio de Ricardo, quem poderia imaginar que Clara era o verdadeiro amor dele? Não parecia em nada!
Ricardo emudeceu instantaneamente.
Sim, o erro fora dele. Se ele não tivesse favorecido Pérola tantas vezes, como os empregados teriam tamanha audácia?
... Foi ele quem feriu a Clara!
No momento em que esse pensamento surgiu, Ricardo não conseguia parar de tremer, mordendo os dentes até sentir o gosto de sangue na boca.
Ele estava prestes a sair quando ouviu a voz de Pérola do lado de fora.
Aquela voz que antes soava doce e suave, agora parecia hipócrita e repugnante aos seus ouvidos.
Pérola disse: “Diretor, de repente me lembrei de algo que preciso lhe contar, o senhor poderia abrir a porta? É rápido, eu só queria lhe agradecer...”
Talvez para ressaltar sua suposta vulnerabilidade, ela não entrou diretamente.
Ao mesmo tempo, a empregada murmurou fracamente: “Senhor Ricardo... a Pérola veio para drogar o senhor.”
Encarando o olhar cruel e mortal de Ricardo, que parecia o próprio juiz do inferno, a empregada, temendo ser o alvo da fúria, fechou os olhos e revelou o plano que Pérola havia arquitetado:
“Ela soube que a Senhorita Clara partiu com as malas e me mandou avisá-la quando o senhor voltasse. Ela finge que veio agradecer, mas na verdade trouxe vinho batizado com afrodisíaco...”
Ricardo sorriu ao ouvir.
Apenas o som assustador de suas articulações estalando podia ser ouvido.
Ele se enganara completamente.
Pérola era apenas uma simples estagiária e tivera a audácia de enganá-lo e ainda planejar forçá-lo através de uma noite de sexo?!
A empregada perguntou, tremendo: “Eu a mando embora agora?”
Ricardo disse que não: “Deixe-a entrar.”
Enquanto a empregada ia abrir a porta trêmula, Ricardo virou-se para o assistente e disse: “Traga-me alguns estrangeiros.”
Assim que terminou de falar, Pérola entrou.
Ela usara uma maquiagem leve, imperceptível para homens, com lábios brilhantes e um toque de glitter rosado sob os olhos, parecendo vulnerável e radiante ao mesmo tempo.
“Diretor...” Pérola não percebeu a atmosfera pesada.
Ao pensar em seu plano prestes a ter sucesso, seu coração acelerava de excitação, mas seu rosto ainda mantinha uma expressão de choro: “Diretor, depois de ser rejeitada pelo senhor ontem à noite, refleti muito.”
“Como eu poderia interferir em um relacionamento de tantos anos entre o senhor e a Irmã Clara? Foi uma ilusão minha, eu não deveria incomodá-lo, desejo sinceramente que vocês sejam felizes para sempre.”
“Por isso...” Ela ergueu o vinho tinto que trazia: “Meu último desejo é brindar com o senhor.”
“Se não fosse pelo seu reconhecimento, eu não teria a honra de ser sua estagiária... Diretor, obrigada.”
Aquelas palavras foram ditas com emoção; se Ricardo já não conhecesse sua verdadeira face, teria sido enganado.
O homem estava frio como gelo, ergueu o queixo e disse com uma voz assustadoramente profunda: “Então traga para cá.”
Pérola ficou radiante de alegria, pegou a taça sobre a mesa, encheu-a e caminhou entusiasmada para perto de Ricardo.
“Diretor, esta taça é em sua homenagem, obrigada por ser meu mentor na carreira e nos sentimentos, eu nunca vou esquecê-lo...”
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