"O Fim Amargo de um Amor à Distância" Capítulo 4
"... Diretor, você está aí?"
A voz fina de Pérola, como a de um gatinho, soou de repente.
Clara olhou para o lado, chocada.
Viu Pérola entrar naturalmente após digitar a senha da porta.
Seu comportamento era tão familiar que, claramente, ela já estivera ali muitas vezes.
Que absurdo. Clara quase riu de tanto ódio.
Aquela era a casa exclusiva dela e de Ricardo!
"Por que veio de repente?"
Ricardo hesitou, sua atenção sendo desviada para Pérola.
Pérola fungou, fez uma reverência profunda e disse soluçando: "Vim pedir perdão. Irmã Clara, me desculpe!"
"O que aconteceu agora pouco foi apenas um desafio do jogo, todos tinham bebido demais. Pensei que era apenas um beijo e que não haveria problema, não imaginei que você se importaria tanto..."
Ela segurava um par de bonecos de barro adoráveis e apertou os lábios: "Este é um presente que fiz com minhas próprias mãos, um par perfeito. Desejo que você e o Diretor Ricardo sejam felizes para sempre!"
Aquelas palavras tocaram o coração de Ricardo.
Pérola era obediente e compreensiva; comparada a Clara, o descontentamento no olhar de Ricardo tornou-se mais profundo.
Pérola correu até Clara, dizendo "Irmã Clara, por favor, me perdoe", enquanto insistia para que Clara aceitasse o presente.
Clara sentiu náuseas com aquele comportamento fingido e tentou se desvencilhar dela para se afastar.
Inesperadamente, Pérola caiu pesadamente para trás, como se tivesse sido empurrada com muita força.
"Ah..."
O grito veio acompanhado pelo som dos bonecos de barro se estraçalhando.
A cintura de Pérola bateu na quina da vitrine de vidro, e as lágrimas caíram como cordões de pérolas: "Dói tanto..."
Como se tivesse sofrido uma injustiça terrível, ela chorou alto: "Irmã Clara, eu nem me importei pelo tapa que você me deu, eu até te pedi desculpas, por que você ainda me agrediu..."
Ricardo cerrou os punhos, pegou Pérola rapidamente nos braços para confortá-la e, em seguida, olhou para Clara com total decepção, dizendo entre dentes: "Clara, você passou dos limites!"
"O que a Pérola te fez? Você a está usando como saco de pancadas para sua frustração!"
As lágrimas da garota em seus braços pareciam atingir o coração de Ricardo. Ele respirou fundo e ordenou com autoridade: "Peça desculpas à Pérola!"
"Impossível."
Clara ergueu o pescoço com altivez, seus olhos frios refletindo a intimidade entre o homem e a garota, e disse friamente: "Para começar, eu não me rebaixaria a esse tipo de mesquinharia. Você e a Pérola têm algo mal resolvido e eu, como sua noiva, não recebi sequer uma explicação."
"E agora você quer que eu peça desculpas a ela? É ridículo."
"Não fuja mais do assunto, Ricardo." Clara perguntou: "Você ama ou não a Pérola?"
A voz clara e potente da mulher ecoou nos ouvidos de Ricardo.
A impulsividade foi aplacada por um balde de água fria; a insegurança cresceu em seu peito, como se, caso continuasse fugindo, ele perderia Clara para sempre.
Ele jamais permitiria que isso acontecesse, mas, olhando para Pérola em seus braços, hesitou por um longo tempo antes de mover os lábios: "Eu..."
"Ah!" Pérola apontou para trás, soluçando com surpresa: "Irmã Clara, as passagens aqui... por que você as queimou?!"
Antes que ela terminasse, a respiração de Ricardo parou. Ele virou a cabeça de forma rígida.
Antes ele estava focado apenas em Clara e não percebera, mas agora via que o esforço de três anos havia sido destruído!
Toda a hesitação e culpa desapareceram ao ver aquela cena, sendo substituídas por uma fúria avassaladora.
Ele lembrou-se de cada dia e noite em que esperou pela volta de Clara; cada uma daquelas passagens simbolizava a saudade que sentia e a esperança que o sustentava.
Mas agora, por causa da arrogância de Clara, tornaram-se cinzas sem valor, lixo descartável!
"Foi você quem fez isso?" O tom de Ricardo não tinha oscilação, mas em sua mente, o nervo da razão já havia se rompido, transbordando agressividade.
"Sim." Clara sempre assumia seus atos.
"Por quê?" Ricardo questionou com rapidez.
"Por quê?" Clara repetiu calmamente.
Ao ver Ricardo com aquela expressão de coração partido, ela de repente sorriu: "Ricardo, você é muito hipócrita. Quem você está tentando enganar com essa encenação?"
"Você se engana ao não admitir que mudou, mas acha que eu sou cega?"
"Já que você não ama mais, para que guardar essas coisas e incomodar os outros?"
O calor subiu aos seus olhos. Clara mordeu o interior da bochecha e disse palavra por palavra: "Eu sinto nojo!"
"— Chega!" O peito de Ricardo subia e descia rapidamente. Ele pegou uma cadeira próxima e a arremessou contra a vitrine de vidro.
Em meio ao estrondo dos vidros se estilhaçando, as veias em sua têmpora saltaram: "Clara, você está muito mimada!"
"O porão está cheio de ratos e insetos. Quero que você sinta bem o que é o verdadeiro nojo!"
Com um gesto de Ricardo, vários empregados começaram a arrastar Clara para o porão.
"Ricardo, com que direito você faz isso comigo? Me solte!"
Clara lutava incrédula, mas a resposta foi apenas as costas indiferentes de Ricardo.
Os empregados eram fortes; um deles deu um tapa no rosto de Clara e murmurou com maldade: "Pare de gritar! Nestes três anos que você esteve fora, a Senhorita Pérola foi a nossa verdadeira patroa!"
Um deles tirou um comprimido rosa e, sem dizer nada, forçou o maxilar de Clara e o empurrou goela abaixo.
"Cof!" Clara já estava com os ouvidos zumbindo pelo tapa; agora, com o objeto estranho na garganta, ela tossia desesperadamente para tentar cuspir: "O que você me deu?!"
"Claro que foi algo bom que a Senhorita Pérola deu!" O empregado puxou o cabelo de Clara com força e lhe deu um chute: "Engula isso!"
A porta do porão se fechou com estrondo. Nem o luar entrava ali; era uma escuridão opressiva, com sons de ratos e insetos correndo.
Clara, porém, não tinha energia para sentir medo.
Ela respirava com dificuldade, seu corpo estava coberto de calombos vermelhos e inchados; a coceira insuportável a fazia rolar de dor, e uma sensação de sufocamento a atingiu subitamente.
"Ricardo..."
Ela pegou o celular com dificuldade, o suor frio encharcando suas costas.
Mas do outro lado da linha havia apenas o som frio da chamada. Quando finalmente foi atendido, Ricardo disse friamente: "Peça desculpas à Pérola. Caso contrário, não vou te tirar daí."
"A Pérola me deu um remédio..." Clara desabou no chão, os lábios tremendo enquanto falava.
Mas Ricardo não acreditou nela; seu tom era plano: "Pare de caluniar a Pérola."
Antes de a ligação cair, Clara ouviu a voz doce de Pérola: "Diretor, já tirei a roupa, venha me ajudar a passar o remédio."
"Tuuu—"
A mão de Clara relaxou.
Antes de perder a consciência, surgiu a imagem de Ricardo segurando-a ansiosamente e confortando-a com voz doce.
Fora quando ela acidentalmente cortou o dedo com uma faca de frutas; Ricardo ficara mais desesperado do que ela, e seus dedos tremiam ao passar o remédio.
No fim, o homem disse com a voz rouca "Desculpa, meu amor" e prometeu: "Eu nunca mais vou deixar você sentir dor".
Quando suas pupilas se dilataram e seus olhos se fecharam, uma lágrima escorreu silenciosamente.
O cheiro de antisséptico chegou ao seu nariz.
A enfermeira resmungava: "Finalmente você acordou! Como pôde ingerir um remédio para alergia por engano? A dose foi enorme e demoraram a te encontrar; você chegou aqui em estado de choque!"
"Mais um pouco e você teria morrido!"
Clara estava exausta mentalmente; ela deu um sorriso amargo e agradeceu.
Seu olhar passou pela enfermeira e pousou em Ricardo, que acabara de entrar, e imediatamente sua expressão ficou séria.
Ricardo parou, silenciou por alguns segundos e disse em tom de acusação: "Você deveria ter me contado diretamente pelo telefone."
"Foi a Pérola quem fez isso." Clara olhou diretamente nos olhos de Ricardo.
"Eu sei." Para a surpresa de Clara, Ricardo assentiu e logo explicou: "Ela não fez por mal."
"Ela viu que você estava alterada e quis que você se acalmasse. Foi por boa vontade, ela apenas pegou o remédio errado."
"Mas eu já a puni."
Clara não desviou o olhar, sua voz estava rouca: "Como a puniu?"
Ricardo franziu a testa: "Descontei metade do valor de um dia de estágio dela."
Clara já esperava que Ricardo fosse parcial, mas não imaginava que o favoritismo dele por Pérola chegasse a um nível tão ridículo!
"Isso é o suficiente?" Clara sorriu com deboche; sua pele exposta estava cheia de bolhas amareladas e purulentas devido à alergia: "Ricardo, eu apenas me esquivei de um lado e você exigiu que eu pedisse desculpas a ela."
"Enquanto isso, os empregados me espancaram a mando da Pérola e eu fui forçada a tomar um remédio que quase me matou no porão! E tudo isso é resolvido com um desconto medíocre de meio dia de salário?"
"Ricardo, eu te pergunto, isso é punição ou é conivência?!"
"Porque o erro começou com você." Os olhos de Ricardo mostravam apenas um julgamento frio: "A Pérola é inocente e você não para de persegui-la."
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