"O Fim Amargo de um Amor à Distância" Capítulo 3
Na véspera, nevava lá fora e a lareira ardia lá dentro. Havia fogos de artifício brilhantes na janela e os dois estavam inseparáveis dentro de casa.
A passagem número setecentos...
As memórias passavam diante de seus olhos dia após dia, e Clara percebeu de repente que nunca havia esquecido o menor detalhe.
Dez anos já estavam gravados na alma e nos pulmões, e justamente agora ela precisava arrancar cada centímetro dessa carne e sangue!
Os papéis que simbolizavam o tempo foram jogados ao fogo.
Pouco depois, as chamas se apagaram e o calor aconchegante se dissipou junto.
Olhando para as cinzas no chão, era possível ver vagamente as duas cidades nas passagens restantes.
São Paulo e Londres.
A distância entre o céu e a terra.
O coração de Clara parecia ter sido arrancado pela metade, sua garganta parecia bloqueada por um algodão inchado; havia mil tipos de dor que ela queria gritar, mas não conseguia emitir som algum.
Ricardo.
Entre eu e você, tudo foi cortado de forma limpa, não devemos mais nada um ao outro.
"Como isso pôde acontecer?!"
Ao ouvir Clara contar tudo calmamente, sua melhor amiga bateu na mesa indignada e, em seguida, aproximou-se dela preocupada para consolá-la: "Clara, não fique mais triste."
Não há dor maior do que a morte do coração; Clara balançou a cabeça e disse em voz baixa que não ficaria mais.
Pelo contrário, a amiga chorava enquanto bebia: "De onde o Ricardo tirou a confiança de que você não iria embora?"
"Até eu conheço sua personalidade, você prefere quebrar do que se curvar."
"Esse canalha deveria sentir o gosto de te perder completamente! Ele não sabe sobre a nova universidade, sabe? Eu juro, quando ele não conseguir te encontrar, ele vai ficar com o coração dilacerado e profundamente arrependido!"
Assim que terminou de falar, ela desabou sobre o balcão do bar, deixando Clara atônita.
Será que Ricardo agiria assim?
No final, o namorado da amiga veio buscá-la, e Clara pagou a conta.
Ao se virar, esbarrou em um amigo de infância de Ricardo.
Os olhos dele brilharam, e ele segurou rudemente o braço de Clara: "Cunhada, venha rápido convencer o Ricardo, ele está bêbado!"
No meio da resistência, Clara foi arrastada para o camarote.
Todos estavam rindo: "A Pérola perdeu de novo! O castigo desta vez é beijar um homem aleatório, quem será o sortudo!"
Viu-se Pérola, com o olhar trêmulo, aproximando-se de Ricardo como se estivesse desamparada ou flertando, com a voz suave: "Diretor, me ajude, por favor?"
Ricardo estava com o colarinho levemente aberto, o canto dos olhos avermelhado pelo álcool, que tornava seus pensamentos lentos: "O quê?"
Quando percebeu o que estava acontecendo, ele quis balançar a cabeça para dizer aos amigos que não brincassem.
Mas o rosto da garota, corado de rosa, já estava ao alcance de suas mãos, e as mãos macias dela o provocavam na altura do abdômen.
Os olhos de Ricardo escureceram de repente, seu pomo de Adão se moveu e ele a beijou intensamente.
Ele estava de costas para a porta, portanto não viu o que estava desmoronando rapidamente nos olhos de Clara.
Pérola, por outro lado, após ficar sem fôlego, olhou para Clara com um sorriso vitorioso, fazendo um movimento labial provocador: "Velha."
Os olhos de Clara esfriaram, e ela ordenou severamente que o amigo a soltasse.
O amigo pedia desculpas e tentava falar bem de Ricardo, enrolando no tempo, e Pérola já se aproximara silenciosamente.
Ela disse com os olhos sorridentes: "O Diretor beijou com tanta força, até usou a língua... você não deve estar com inveja, deve, irmã?"
"Inveja de você ser tão jovem e tão desavergonhada a ponto de ser uma amante?" Clara sorriu friamente.
O rosto de Pérola mudou instantaneamente, e ela rebateu com raiva: "Amante é quem não é amada!"
"Você está quase nos trinta, que direito tem de se comparar comigo?"
Ela puxou a alça fina de sua blusa e, em seguida, olhou com desprezo para as roupas simples de Clara, rindo: "Não é de se admirar que o Diretor não te queira mais. Além de ser velha, você não tem um pingo de feminilidade."
"Ouvi dizer que você conseguiu ir estudar no exterior? Provavelmente ficou nua na frente do orientador e foi usada por todos aqueles gringos para conseguir essa vaga, não foi?"
Assim que terminou de falar, Clara levantou a mão e deu um tapa no rosto de Pérola.
"PA!"
O som do tapa foi nítido.
O rosto de Pérola foi virado para o lado e ela voltou a olhar lentamente, incrédula, gritando de forma descontrolada: "Como você ousa me bater?!"
"Por que não ousaria?" O olhar de Clara era gélido: "Feche essa sua boca fedorenta que é mais suja que um banheiro."
A discussão ficou cada vez mais alta, e Ricardo, exalando álcool, finalmente notou aquele espaço mal iluminado.
Ao ver Clara, ele primeiro ficou atônito, mas então seu olhar caiu sobre a bochecha inchada de Pérola, e a raiva ardeu furiosamente.
Diante de todos, ele avançou rapidamente para proteger Pérola atrás de si e, sem perguntar nada, questionou furioso: "Clara, você ficou louca?!"
"O que a Pérola te fez para você agir de forma tão irracional!"
O homem que outrora, com os olhos marejados, dissera que a amaria por toda a vida, agora dava todo o seu favoritismo e confiança a outra mulher.
Clara deu um sorriso: "Ela é uma amante desavergonhada, esse motivo não é o suficiente?"
Ela ergueu a cabeça e questionou de forma agressiva: "Ricardo, a Pérola te adora tanto, mas e você? Qual é a sua atitude? Você também a ama?"
"O que você está dizendo?" O olhar de Ricardo oscilou por um instante e sua imponência diminuiu: "Chega, não diga essas coisas aqui."
"Você pode se beijar desesperadamente com a Pérola aqui e eu não posso dizer a verdade?"
Clara soltou uma risada curta, mas só ela sabia o quão desolador era aquele riso.
Ao ouvir isso, Ricardo ficou paralisado.
Ele não imaginava que Clara tivesse visto!
A névoa da embriaguez finalmente se dissipou. Ele deu um passo à frente para segurar Clara, querendo explicar que fora um impulso momentâneo, mas o olhar de total dependência de Pérola o fez hesitar.
"... Vamos para casa e conversamos lá, pode ser?"
"Não há mais nada para conversar."
Clara afastou a mão do homem com força; o golpe foi tão intenso que sua própria palma ardeu de dor.
Ela caminhou apressadamente para fora, ouvindo os passos apressados do homem vindo atrás dela e o soluço baixo e magoado de Pérola: "Diretor..."
No fim, Clara saiu do bar sozinha, com o luar projetando sua silhueta solitária no chão.
...
Clara voltou para casa o mais rápido que pôde.
As malas já estavam prontas; ela iria se mudar agora mesmo.
Mas Ricardo também dirigiu em alta velocidade de volta.
Ele entrou em casa logo atrás de Clara, com a respiração ainda ofegante, e tirou um anel deslumbrante para colocar na mão dela.
"Meu amor, eu prometi que nos casaríamos assim que você voltasse."
"Muitas coisas aconteceram ultimamente... mas eu nunca mudei de ideia sobre isso. Vamos viver bem de agora em diante, sim?"
O diamante brilhava com uma luz cristalina, e o interior do anel trazia as iniciais dos nomes deles gravadas.
A expressão no rosto do homem era séria, fazendo Clara voltar por um instante ao momento em que prometeram uma vida inteira juntos.
No entanto, o frio no dedo anelar a trouxe de volta à realidade. Ela recuou dois passos e, sem piedade, tirou o anel e o arremessou com força.
"Ricardo, você ainda não respondeu à minha pergunta."
"O que a Pérola significa para você, afinal?"
O anel minuciosamente desenhado caiu no chão, chegando a apresentar algumas rachaduras.
Ricardo ficou atônito por um segundo e, então, a raiva explodiu sem aviso: "Clara, até quando você vai continuar com essa cena?!"
Seu maxilar se contraiu bruscamente e seu rosto escureceu de forma assustadora: "Por que você está sendo tão teimosa? Por que sempre insiste na Pérola?"
"Vou te dizer a verdade! A Pérola não é apenas uma estagiária no meu hospital; quando o estágio terminar, eu a tornarei uma funcionária efetiva!"
"Seu comportamento irracional não levará a nada." A voz de Ricardo era fria como gelo e implacável: "Clara, você precisa entender que, neste relacionamento, é você quem não consegue viver sem mim."
"Você tem certeza disso?"
Clara o interrompeu friamente.
Observando as sobrancelhas do homem se franzirem gradualmente, ela curvou os lábios: "Você foi, de fato, a pessoa mais importante para mim nestes dez anos, mas, ao mesmo tempo, eu tenho minha própria carreira e estudos. Eu não sou uma planta dependente que vive às suas custas!"
"Ricardo, por que eu não conseguiria viver sem você?"
A respiração de Ricardo pesou involuntariamente.
Como Clara poderia deixá-lo? Isso era impossível, ela estava apenas sendo orgulhosa!
Enquanto ele negava mentalmente, a tela do celular de Clara, deixado no aparador da entrada, acendeu.
Era um lembrete de voo!
Ricardo estreitou os olhos e esticou o braço para pegá-lo—
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