"Lágrimas de Gelo no Rio de Janeiro" Capítulo 7
Ele não ousava terminar o pensamento, mas as pontas de seus dedos tremiam incontrolavelmente:
— Assistente Zhang, encontraram ela?
O assistente baixou a cabeça, com a voz pesada:
— Diretor, procuramos em todos os hospitais da cidade. Todos dizem que não deram entrada em ninguém com o nome de Jade.
— Incompetentes!
Furioso, Henrique chutou o que restava do carro.
Câmeras destruídas, hospitais sem registro... estava claro que alguém estava deliberadamente impedindo que ele encontrasse Jade.
Essa sensação de perda de controle o deixava à beira da loucura.
Ele entrou no carro, pisou fundo no acelerador e o veículo disparou como uma flecha.
Ele não acreditava que uma pessoa pudesse simplesmente evaporar da face da terra!
Durante a noite inteira, Henrique percorreu todos os hospitais, sem ignorar sequer as pequenas clínicas de bairro.
Mas não havia sinal de Jade em lugar nenhum.
O arrependimento o inundava como uma maré.
Ele parou o carro à beira do rio e socou a própria cabeça com força.
Se não tivesse se deixado envolver por Yasmin, se tivesse atendido o telefone antes... será que Jade não teria desaparecido?
O destino de Jade era incerto.
Só naquele momento ele compreendeu verdadeiramente o quanto aquela mulher era importante para ele.
Sem ela, ele perdia até o motivo para continuar vivendo.
Se pudesse voltar no tempo, jamais a negligenciaria ou a magoaria por causa de qualquer outra pessoa ou motivo.
Capítulo 11
Henrique encostou-se no volante e fechou os olhos, exausto.
Depois de algum tempo, o celular tocou. O nome do Assistente Zhang na tela o fez despertar instantaneamente:
— Você a encontrou?
A voz do assistente trazia um tom de empolgação:
— Diretor, conforme suas ordens, investiguei as pessoas com quem Yasmin e a Dona Maria tiveram contato recentemente. Tenho descobertas importantes!
O assistente obteve as filmagens da clínica e descobriu que foi a própria Yasmin quem empurrou a vovó da escada.
E mais: após a primeira queda, ela carregou a idosa de volta para o andar de cima e a empurrou novamente, só parando quando a cuidadora se aproximou ao ouvir o barulho.
As visitas diárias da Dona Maria à fazenda não eram por preocupação com a filha, mas sim para subornar o encarregado para que fizesse Jade sofrer ainda mais.
Ele também conversou com os antigos vizinhos da família adotiva e, após alguns subornos, ouviu uma versão totalmente diferente da anterior.
Jade sofrera horrores nos vinte anos que passou com eles, e o pai adotivo chegava a gabar-se de que, quando ela crescesse, ele seria o primeiro a "aproveitá-la".
Ao ouvir isso, os dedos de Henrique apertaram o volante com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos.
Yasmin escondera tantas coisas dele!
O assistente fez uma pausa:
— Diretor... a Senhorita Yasmin nunca teve transtorno nenhum. E aquele sequestro... também foi falso.
— Encontrei um dos bandidos envolvidos na época. Sob pressão, ele confessou tudo. Yasmin prometeu três milhões para que eles fingissem o sequestro e o abuso, mas eles nunca tocaram nela.
O assistente continuava falando, e cada palavra era como uma marreta golpeando o coração de Henrique.
Ele sentiu o mundo girar.
Fora enganado por aquela mulher como um tolo durante todo esse tempo.
Fúria e arrependimento se misturavam. Ele deu um soco violento no volante, e o som estridente da buzina assustou as aves à beira do rio.
Após desligar, Henrique dirigiu em alta velocidade de volta para a mansão.
Assim que abriu a porta principal, ouviu uma discussão vinda de um dos cômodos.
A voz de Yasmin estava carregada de rancor:
— Se não fosse pela sua ideia estúpida, o Henrique não teria me descartado!
A Dona Maria tentava acalmá-la:
— Filha, a culpa não é toda minha!
— O combinado era você conseguir levá-lo para a cama, assim ele não teria como escapar. Mesmo se desse errado, ele sentiria culpa e cuidaria ainda mais de você, jamais te expulsaria.
— Quem diria que o seu pai seria tão rude e, para garantir sua felicidade, realmente faria aquilo com aquela vira-lata...
— O que vocês fizeram com a Jade?!
Henrique entrou de repente, agarrando a Dona Maria pelo colarinho, com os olhos injetados de sangue.
Seu coração batia descontroladamente, quase saltando do peito.
Ele não ousava imaginar se Jade realmente tivesse caído nas mãos daquele animal...
Aterrorizada pela aparência feroz dele, a Dona Maria sentiu as pernas fraquejarem:
— Nós não sabemos onde ela está.
— O meu marido disse que viu um homem carregando ela embora. Ele ficou com medo de perseguir e se escondeu. Agora nem nós conseguimos falar com ele.
Henrique soltou a mulher com violência e agarrou o pescoço de Yasmin:
— Vai falar ou não?
— Se não abrir a boca, eu te mato agora mesmo!
Vendo Yasmin lutar por ar, a Dona Maria começou a chorar desesperada:
— Não mate minha filha!
— Tudo o que eu sei, eu já contei! Nós não conhecemos o homem que levou a Jade. Por favor, solte a Yasmin!
Ao ver o súplica daquela mulher, Henrique não sentiu a menor compaixão.
Mas ele sabia que Yasmin ainda poderia ser útil, então afrouxou o aperto lentamente.
A Dona Maria correu para acalmar a filha, que caiu no chão tossindo violentamente enquanto massageava o pescoço.
Ao recuperar o fôlego, Yasmin subitamente levantou o olhar:
— Henrique, eu tenho um transtorno mental, você não pode me tratar assim!
Na época do "sequestro", ela fizera várias chamadas de socorro para ele, que foram todas ignoradas.
Por isso, ao ver o estado dela depois, ele se sentira tão culpado.
Durante todos esses anos, ela se manteve ao lado dele baseada nessa culpa.
Ela estava convencida de que, desta vez, ele também não conseguiria resistir.
Mas desta vez, seus planos fracassaram.
Henrique olhou para ela e sorriu com frieza:
— Pare de atuar, Yasmin. Eu já descobri tudo.
— O sequestro, o abuso, o transtorno, os surtos que machucaram a vovó... tudo mentira. Você nunca esteve doente!
Ele se aproximou passo a passo, e a maldade em seu olhar fez Yasmin enrijecer o corpo:
— Se eu pudesse, eu mesmo acabaria com você agora para vingar a Jade.
Yasmin ficou paralisada.
Ela nunca vira um Henrique tão cruel; sua fachada de calma desmoronou instantaneamente.
Quando ele se virou para sair, ela gritou entre lágrimas:
— Henrique! Eu me sacrifiquei tanto por você, por que você nunca olha para mim?
Henrique parou.
Capítulo 12
Desde a infância, Yasmin era como sua sombra, seguindo-o em tudo o que fazia.
Ele lembrava-se claramente de quando, no ensino médio, cabulou aula para ir a uma lan house.
Quando o professor descobriu, foi Yasmin quem pulou o muro para atrair a atenção, permitindo que ele fugisse; ele não foi pego, mas ela quebrou a perna na queda.
Quando ele foi pego colando em uma prova, ela assumiu a culpa no lugar dele.
Ficou trancada em um sótão abafado pelos pais por uma noite inteira e, ao sair no dia seguinte com os olhos inchados, ainda tentava consolá-lo.
Mesmo quando ele começou a namorar, ela apenas dizia com os olhos marejados:
— Não tem problema, eu espero vocês terminarem.
...
Yasmin era de boa família, bonita e nunca lhe faltaram pretendentes, mas seus olhos só viam a ele.
Naquela época, ele apenas se sentia incomodado e não tinha interesse nas investidas daquela "irmã".
Até que a verdade sobre a troca dos bebês veio à tona.
Todos pensaram que ela faria escândalo para lutar pela herança, mas ela renunciou calmamente a tudo, dizendo apenas:
— Eu só quero justiça.
Aquela calma e coragem fizeram com que ele a visse com outros olhos pela primeira vez, e sentisse certa culpa.
Achou que fora frio demais com ela no passado e que, agora que ela estava em dificuldade, deveria cuidar dela.
Mas a culpa tem um limite.
Ainda mais quando o que Yasmin fizera agora atingia seus princípios fundamentais.
Henrique virou-se, com a voz gélida:
— Eu jamais amaria uma mulher perversa como você.
Ao ouvir isso, Yasmin pareceu perder todas as forças.
Ela desabou no chão e começou a rir enquanto as lágrimas escorriam:
— Eu sou perversa?
— Henrique, se não fosse por você, eu, a grande herdeira da família, teria tudo o que quisesse. Como eu teria me tornado isso?
Henrique não queria mais perder tempo com ela.
Sua mente estava focada apenas em encontrar o homem misterioso que levara Jade.
Mas ao tentar sair, Yasmin atirou-se sobre ele, agarrando suas pernas:
— Não vá! Diga logo, em que eu sou pior que aquela vira-lata da Jade? Por que seus olhos só veem ela?
Durante todos esses anos, estar com Henrique tornara-se a obsessão de Yasmin.
Ela sempre lembraria do primeiro ano no jardim de infância quando, por ser fofa, os meninos a cercaram para apertar suas bochechas.
Ela chorava de dor.
Foi Henrique quem se colocou diante dela, afastando todos.
Um dos meninos perguntou por que ele se metia, o que ela era dele?
Henrique respondeu com voz infantil, mas firme:
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