"Lágrimas de Gelo no Rio de Janeiro" Capítulo 4
Suas costas bateram contra o canto frio de uma mesa, e uma dor aguda a fez perder o fôlego.
A voz melosa de Yasmin ecoou em seus ouvidos:
"Vovó, sua netinha veio te ver!"
Dito isso, sem qualquer cuidado com o cateter de soro inserido na mão da idosa, Yasmin a apertou com força.
A vovó tremia de dor, e o sangue começou a retornar pelo tubo da infusão.
A mãe adotiva aproximou-se rapidamente, bloqueando a visão de Henrique, enquanto cobria o rosto e gritava: "Mãe, foi culpa desta nora que não cuidou bem da senhora e a fez passar por esse sofrimento!"
"Agora que o meu marido ainda está na prisão, se algo acontecer com a senhora, como vou dar explicações a ele?"
"Fiquem longe da minha avó!"
Jade, suportando a dor nas costas, avançou e empurrou Yasmin e a mãe adotiva para longe, com os olhos transbordando fúria.
"Irmã, como pode me tratar assim?"
Yasmin caiu sentada no chão, segurando o peito enquanto chorava: "Eu tive um surto, não estava consciente quando machuquei a vovó por acidente... eu juro que não foi por querer..."
A mãe adotiva também começou a enxugar as lágrimas:
"Menina, eu também sofro com o que aconteceu com ela."
"Você vai me impedir até de ver a minha própria sogra? Como você pode ser tão cruel?"
Diante daquela farsa ensaiada, Jade tremia de raiva. Ela levantou a mão para dar um tapa no rosto de Yasmin.
Mas antes que pudesse atingi-la, seu pulso foi agarrado por uma mão poderosa.
Henrique apertou o pulso de Jade com tanta força que parecia que ia esmagar seus ossos. Ele a jogou bruscamente para o lado, colocando-se como um escudo diante de Yasmin.
Ele franziu a testa, com o tom carregado de acusação:
"Jade, como você se atreve a bater nela?"
"Yasmin machucou a vovó durante um surto e está mais arrependida do que qualquer um. Ela acorda chorando várias vezes à noite. Você não pode ter um pouco de empatia em vez de ficar remoendo isso?"
"E quanto à Dona Maria, ela te criou por vinte anos. Mesmo que tenha encontrado seus pais biológicos, você não deveria tratá-la assim. Quem está naquela cama não é só sua avó, é a sogra dela também!"
Ele falava com tanta retidão que parecia que Jade era a verdadeira vilã.
Por um instante, Jade se lembrou de cinco anos atrás, quando ele a protegia da mesma forma.
Naquela época, Henrique soube que o pai adotivo dela a espionava no banho e foi tirar satisfação. No meio da briga, ele levou três facadas, manchando sua camisa branca de sangue.
Mesmo assim, ele resistiu até o último suspiro para protegê-la, com um olhar determinado:
"Enquanto eu estiver vivo, ninguém toca nela!"
Mas agora, por causa de uma Yasmin que fingia loucura, ele a jogava no chão.
O coração de Jade foi esfriando, batida por batida.
Ela apontou para a mão ensanguentada da avó e rugiu:
"Henrique, você não vê o que elas fizeram com a mão dela?"
Henrique olhou para onde ela apontava e suas pupilas se contraíram.
A mão magra da vovó estava inchada. A agulha da infusão tinha sido arrancada, e o sangue fresco jorrava da ferida, escorrendo pelos dedos e manchando o lençol branco com flores escarlates.
Henrique fez menção de dar um passo à frente para examinar o ferimento e consolar Jade, que parecia fora de controle.
Mas antes que ele pudesse se aproximar, Yasmin começou a gritar de pavor, agarrando a própria cabeça:
"Por que ninguém acredita em mim?!"
"Henrique, não escute as mentiras dela! Como eu e minha mãe poderíamos machucar a vovó?"
"Eu só estava segurando a mão dela para conversar, mas minha irmã veio correndo e me empurrou. Eu perdi o equilíbrio e acabei puxando o tubo do soro sem querer... foi assim que a machuquei, eu juro que foi um acidente!"
Vendo-a naquele estado frenético, Henrique a acolheu apressadamente em seus braços, sussurrando:
"Calma, calma. Não se exalte, eu acredito em você."
Jade chamou a enfermeira para fazer o curativo na avó.
Ela apontou para a porta, com a voz fria como gelo:
"Saiam todos daqui."
Capítulo 6
Yasmin continuava encolhida nos braços do homem, com os ombros tremendo como uma criatura indefesa.
A mãe adotiva se levantou e tentou segurar o braço de Jade:
"Menina, não fique brava, foi tudo um mal-entendido. Vamos conversar com calma..."
"Não me toque, você me dá nojo!"
Jade a afastou com violência. O toque daquela mulher a enojava profundamente.
Sentindo a mulher em seus braços estremecer de susto, Henrique avançou e apertou o pulso de Jade com força:
"Jade, eu te mimei demais!"
"Yasmin disse que sente falta da mãe, e como você não quer cuidar dela, eu pedi para a Dona Maria ajudar. Não é a solução perfeita para todos?"
Ele fez uma pausa e acrescentou:
"Quando a vovó receber alta, vamos trazê-la para cá. Viveremos todos juntos como uma família, não seria bom?"
"Seja boazinha, Jade. Pare com esse drama."
Antes que Jade pudesse retrucar, a mãe adotiva fingiu enxugar lágrimas:
"A culpa é minha por ser incompetente. Não cuidei bem dela no passado e a fiz sofrer. É justo que ela me guarde rancor e me odeie agora."
Dito isso, ela se virou para Henrique com total submissão:
"Meu genro querido, não brigue com ela por nossa causa, isso estraga o relacionamento de vocês. Vou levar a Yasmin embora agora mesmo para não incomodá-la mais."
Aquela imagem de mulher compreensível foi o estopim para a fúria de Jade.
Essa mulher a espancava com espanador de pó até deixá-la coberta de marcas; a obrigava a ficar de pé no quintal no inverno usando roupas finas...
Como aquelas dores inesquecíveis podiam ser resumidas a "não ter cuidado bem"?
Ela perdeu o controle e avançou para empurrar as duas para fora do quarto:
"Sumam! Não quero ver vocês nunca mais na minha vida!"
"Chega!"
Henrique a empurrou com força.
O impacto contra o azulejo frio fez Jade sentir uma dor aguda no cóccix, e sua visão escureceu.
Ele olhou para ela de cima, com desprezo: "Até quando você vai sustentar essa mentira?"
"Eu mandei investigar. Naquela época, o casal que te criou te tratava muito bem. Foi você quem, por rebeldia, fugiu de casa e inventou a mentira de que seu pai adotivo te assediava, o que me custou três facadas. Que mentira você quer inventar agora para ganhar simpatia?"
As palavras de Jade morreram em sua garganta.
Yasmin chorava copiosamente:
"Irmã, nossa mãe te criou por todos esses anos, como você pode ser assim com ela?"
Ela segurou o braço de Henrique e suavizou a voz:
"Henrique, não temos uma fazenda de gado? Por que não mandamos a minha irmã para passar uns dias lá? Ela pode ver como as vacas protegem seus bezerros, talvez assim entenda o que é o amor materno."
Henrique silenciou por alguns segundos. O olhar que ele lançou a Jade era de total decepção:
"Jade, você me decepcionou profundamente."
"Faremos como a Yasmin disse. Você ficará sete dias na fazenda para refletir. Eu volto para te buscar depois desse tempo."
Assim que ele terminou de falar, dois homens de terno preto se aproximaram.
"Não! Henrique, você não pode fazer isso comigo!" Jade gritou, mas sua boca foi grosseiramente tapada.
Ela lutou desesperadamente, mas foi imobilizada no chão.
A mãe adotiva fingiu tentar impedir, mas suas mãos apenas encostavam levemente nela, com um brilho de triunfo nos olhos que não conseguia esconder.
O carro sacolejou por todo o caminho até parar em uma fazenda particular na montanha.
Henrique a construiu especialmente para ela, para que pudesse ter leite fresco sempre que quisesse.
Mas agora o lugar estava abandonado.
O chão estava coberto de esterco seco e forragem podre; um cheiro fétido de podridão pairava no ar.
A mãe adotiva segurou a mão do capataz, fingindo preocupação: "Essa menina tem a saúde frágil, não a deixe se machucar."
No entanto, Jade viu quando ela deslizou um envelope grosso para dentro da manga do homem.
Os sete dias seguintes foram o pesadelo de Jade.
Antes do amanhecer, ela era acordada com baldes de água gelada. Era obrigada a limpar os currais de joelhos, com o mau cheiro impregnando suas narinas a ponto de causar náuseas.
Na hora da ordenha, o encarregado agarrava seu cabelo e a forçava a beber o leite morno misturado com pelos de animal, fazendo-a tossir violentamente.
À noite, era trancada em um canto do curral para espantar os mosquitos das vacas.
...
Ela tentou resistir, mas o resultado era ter a cabeça mergulhada na urina dos animais até quase sufocar.
Em poucos dias, ela exalava um odor insuportável.
Em cada noite de insônia, Jade era consumida pelo arrependimento.
Se nunca tivesse se apaixonado por Henrique, tudo seria diferente.
...
Finalmente, o sétimo dia chegou.
Um frio cortante percorreu seu corpo quando um balde de água gelada foi jogado sobre sua cabeça.
Ela abriu os olhos com esforço e viu o rosto impecável, porém carregado de maldade, de Yasmin.
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