"Sete Dias Para Esquecer Você" Capítulo 4
Um brilho de crueldade cruzou o olhar dele. Ele gritou para fora: "Seguranças!"
Dois homens de terno preto entraram imediatamente e aguardaram ordens: "Sim, senhor."
"Levem a patroa para o jardim e façam-na ficar de joelhos. Que ela reflita sobre o que fez. Ela só sairá de lá quando cair em si e pedir perdão!"
Os seguranças avançaram para segurar os braços de Clarice.
Ela lutou com todas as suas forças, mas seu corpo frágil era impotente diante da força dos homens. Com os olhos vermelhos, ela gritou: "Me soltem! Henrique, eu já disse que não fui eu! Com que direito você faz isso comigo?!"
Algumas empregadas tentaram intervir, mas foram contidas pelo grito de Henrique: "O que estão esperando? Chamem a ambulância!"
Ele olhou para a mulher em seus braços e seu tom de voz tornou-se subitamente doce e protetor: "Não tenha medo, Beatriz, eu estou aqui. O médico chegará logo, vai ficar tudo bem. A cirurgia será um sucesso, eu não deixarei ninguém te machucar."
Dito isso, ele saiu apressado carregando Beatriz. Ao passar por Clarice, não lhe dirigiu sequer um olhar.
Clarice foi arrastada pelos seguranças até o jardim. O sol do meio-dia estava escaldante, aquecendo o chão.
Sempre que tentava se levantar, os seguranças a pressionavam de volta ao chão com força. Seus joelhos bateram no cimento duro, causando uma dor lancinante.
"O patrão deu ordens. Por favor, comporte-se e não dificulte nosso trabalho."
A voz do segurança era desprovida de qualquer emoção.
Clarice sentiu as forças se esvaírem. A dor nos pulmões e no coração misturava-se com a dor aguda nos joelhos. O suor escorria por seu rosto, molhando seus cabelos, e sua visão começou a escurecer.
Imagens de sua vida começaram a passar como um filme em sua mente enquanto sua consciência se dissipava. O gosto familiar de sangue subiu à sua garganta; ela não aguentou mais, sentiu o mundo girar e desmaiou.
Capítulo 6
Quando Clarice acordou, a primeira coisa que viu foi o teto familiar de seu quarto, com o leve cheiro de remédios pairando no ar.
Ao lado da cama, seus pais a vigiavam com olhos marejados. Ao notar que ela havia despertado, a Sra. Silveira segurou sua mão imediatamente, com a voz trêmula: "Minha querida, você finalmente acordou! Aquele canalha do Henrique... nós não vamos perdoá-lo por isso!"
O Sr. Silveira estava com o rosto sombrio. "Já mandei investigarem o passado dessa Beatriz. Vou exigir uma explicação de Henrique! Se não fosse pelo apoio da nossa família, ele seria alguém hoje? Agora que se sente poderoso, acha que pode tratar minha filha como lixo!"
Clarice ia tentar falar, mas a porta do quarto se abriu e Henrique entrou lentamente.
Seus olhos ainda estavam vermelhos, evidenciando que ele também não havia dormido.
"Senhor e senhora," ele começou. "A Clarice tem atacado a Beatriz repetidamente. Mandou agredi-la no hospital há alguns dias e hoje tentou empurrá-la. Vocês podem protegê-la, mas não podem tolerar que ela fira os outros. Se vocês não a controlam, eu terei que fazer isso por vocês."
"Mentira!" A Sra. Silveira rebateu imediatamente. "Nós conhecemos o caráter da nossa filha. É evidente que essa mulher está manipulando você!"
"Manipulação ou não, as imagens e as testemunhas estão lá."
Henrique pegou o celular e mostrou um vídeo borrado de vigilância.
Nas imagens, via-se apenas Beatriz caindo após Clarice ter se virado, mas não era possível distinguir se houve um empurrão de fato.
"Agora a Beatriz está no hospital e nem sabemos se a cirurgia poderá ser feita com segurança." Ele guardou o aparelho e seu olhar esfriou. "No passado, eu dependia dos Silveira e respeitava vocês. Mas se insistirem em passar pano para os erros dela, não me culpem por esquecer os laços de gratidão."
Aquelas palavras foram como um balde de água fria nos pais de Clarice.
Eles sabiam que, hoje, Henrique controlava a maior parte dos recursos de construção e tecnologia do Rio. Ele não era mais aquele jovem que dependia da influência deles; ele tinha, de fato, poder para confrontar a família Silveira.
O Sr. Silveira tremia de raiva, apontando para ele: "Você... seu ingrato!"
"Eu estou apenas protegendo quem merece proteção."
Henrique olhou para a pálida Clarice, com um brilho complexo no olhar.
"Até que a cirurgia da Beatriz seja um sucesso, a Clarice ficará nesta mansão para refletir. Ela está proibida de sair."
"Senhor e senhora, pedi que os levassem de volta para a casa de vocês. Descansem e não se envolvam mais nisso."
A Sra. Silveira, indignada, exclamou: "Você protege aquela mulher, mas nós daremos um jeito de fazê-la pagar!"
O olhar de Henrique tornou-se subitamente gélido, palavra por palavra: "Se vocês encostarem nela, eu farei com que o fluxo de caixa do Grupo Silveira seja cortado completamente."
Após os pais de Clarice serem "escoltados" de volta, a mansão deles foi cercada por várias camadas de segurança, sob o pretexto de proteção, mas na verdade era uma prisão domiciliar.
Eles não podiam dar um passo para fora e até as tentativas de ligar para Clarice eram interceptadas.
Enquanto isso, Clarice estava trancada na mansão de Henrique, com seguranças na porta do quarto. Suas refeições eram deixadas na porta pelas empregadas, e ela estava proibida de qualquer contato com o mundo exterior.
"Henrique, solte meus pais!" Clarice batia na porta, com a voz tão rouca que mal se ouvia. "Faça o que quiser comigo, mas não os envolva nisso!"
No escritório, Henrique falava ao telefone com frieza: "Cancelem a parceria no projeto da Zona Oeste do Grupo Silveira. E quanto ao financiamento internacional que eles estão negociando, peçam para suspenderem a auditoria. Não precisa ser drástico, apenas deem um aviso a eles."
Ao desligar, ele caminhou até a porta do quarto principal e disse através da madeira: "Clarice, assim que você parar de causar problemas para a Beatriz, eu os soltarei e ajudarei o Grupo Silveira a superar a crise."
Clarice escorregou pela porta até o chão, sentindo como se seu coração estivesse sendo retalhado. "Henrique, você realmente vai chegar a esse ponto? Nossos dez anos de relacionamento não valem nada para você?"
"Foi você quem se tornou irracional primeiro."
A voz do lado de fora carregava cansaço, mas permanecia firme. "Reflita bem. Quando cair em si, me avise."
O tempo passou a ser uma tortura para Clarice.
No segundo dia, uma empregada conseguiu passar um bilhete por baixo da porta: "O Sr. Silveira passou mal de tanta raiva e foi levado para a UTI ontem à noite."
Clarice entrou em colapso total, batendo freneticamente na porta, com lágrimas de desespero escorrendo.
"Henrique, eu te imploro, deixe meus pais em paz! Eu prometo que nunca mais incomodarei a Beatriz, eu faço o que você quiser, só me deixe ver meu pai!"
A voz fria de Henrique veio do corredor: "Agora você sabe implorar? Por que não pensou nisso antes? Quando a cirurgia da Beatriz for um sucesso, eu deixarei você vê-los."
O desespero a inundou como uma maré, mas ela não queria aceitar a derrota.
Hoje era o dia da cirurgia de Beatriz. Após a recuperação, Beatriz trairia Henrique para o protagonista original, levando-o à ruína e à morte.
E hoje, também, era o dia em que Clarice deveria morrer.
Ela não podia permitir que seu fim prejudicasse seus pais inocentes.
Clarice quebrou o vidro da janela com um vaso e desceu pelas grades de proteção.
Porém, assim que conseguiu sair pelo portão da mansão, foi cercada pelos seguranças que já a esperavam.
"Senhora, o patrão ordenou que não saísse da mansão."
Clarice lutou desesperadamente, chegando a arranhar os braços de um segurança, mas foi contida com força.
Henrique chegou logo em seguida. Ao vê-la com o cabelo bagunçado e coberta de poeira, seu olhar transbordava decepção e desprezo: "Clarice, você ainda não se arrependeu!"
Ele fez um sinal e os dois seguranças a arrastaram para o porão da mansão.
O local era escuro e úmido, com apenas uma lâmpada amarelada pendurada no teto. O ar cheirava a mofo.
"Já que você não sabe admitir seu erro, ficará aqui até que a cirurgia da Beatriz termine."
Henrique deixou as palavras no ar e saiu, batendo a pesada porta do porão.
Pouco depois, um homem vestido de preto entrou segurando um chicote fino e longo.
"O patrão disse que, se a senhora não quer obedecer, devemos ensiná-la até que aprenda a pedir perdão."
O chicote desceu, e uma dor ardente espalhou-se instantaneamente. Clarice tremia de dor, mas cerrava os dentes, recusando-se a implorar.
Ela olhava para o teto enquanto as lágrimas caíam em silêncio.
Ela se arrependia. Arrependia-se de ter entrado nessa história, de ter amado Henrique e de ter sacrificado tudo por alguém que não valia a pena.
Após um tempo que pareceu eterno, o homem finalmente parou e saiu, deixando-a sozinha.
Ela ficou caída no chão. A escuridão e o silêncio a envolveram.
Ela não sabia quanto tempo havia passado. Suas feridas latejavam, as pontadas em seu peito tornavam-se frequentes e sua consciência oscilava.
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