"Sete Dias Para Esquecer Você" Capítulo 2
Clarice olhou para ele, pousou a colher e usou um lenço para limpar os lábios delicadamente.
"Como está a Beatriz?"
Henrique congelou, surpreso. "Clarice, eu posso explicar. O estado dela era crítico ontem à noite, eu não tive escolha..."
"Está tudo bem, eu entendo."
Clarice o interrompeu. "É uma vida em jogo. Qualquer pessoa faria o mesmo."
Quanto mais calma ela parecia, mais a culpa e a inquietação de Henrique cresciam. Ele sentia um aperto sufocante no peito.
Aquela Clarice era mais assustadora do que a que gritava e chorava.
Ele abriu a boca para inventar mais desculpas, mas Clarice continuou:
"Dedique-se ao cuidar dela. A doença dela é como a minha: ela não pode passar frio nem sofrer qualquer tipo de estresse."
A voz dela permanecia estável enquanto dava as instruções. "Os remédios importados que o médico prescreveu para mim estão no armário à esquerda no escritório. Pode levar para ela. Se acabar, peça ao assistente para comprar mais, não precisa me consultar. E a mansão na montanha tem o clima ideal para a recuperação e fica perto do hospital. Deixe que ela continue lá, não precisa se mudar."
Ela disse tudo isso sem sequer franzir a testa, como se falasse de algo que não lhe dizia respeito.
Henrique tentou falar, mas sentiu a garganta seca.
Não faz muito tempo, Clarice teria tido um ataque de fúria por muito menos, quebrando tudo em casa e jurando que Beatriz nunca teria paz.
Mas agora, ela parecia não se importar.
Um sentimento estranho surgiu nele, mas ele pensou que, como ela sempre fora intensa com seus sentimentos, talvez tivesse apenas decidido ser generosa por não lhe faltar nada.
A culpa diminuiu e ele sentiu um alívio, tentando se justificar:
"Eu sinto pena dela. Ela está sozinha aqui, sem ninguém por perto, enfrentando uma doença tão grave. Eu só queria ajudar um pouco."
Dito isso, ele olhou para Clarice e prometeu novamente: "Clarice, espere só mais um pouco. Já mobilizei todos os meus contatos e hospitais. Vamos encontrar um novo doador para você. Eu prometo que você vai ficar bem."
Clarice olhou para a convicção nos olhos dele e sorriu internamente.
Ela não respondeu à promessa dele. Apenas perguntou calmamente: "Quando será a cirurgia da Beatriz?"
Henrique hesitou por um segundo antes de responder: "Os médicos agendaram para daqui a cinco dias. Todos os exames foram concluídos e ela está estável."
Havia um tom de alívio em sua voz.
Cinco dias.
Clarice apenas assentiu levemente, sem dizer mais nada.
Exatamente o dia em que ela partiria deste mundo.
Capítulo 3
Desde aquela conversa pela manhã, Henrique parou de se esconder e passou a ficar abertamente no hospital acompanhando Beatriz.
Os boatos corriam soltos, e todos fofocavam se Clarice finalmente perderia a paciência.
Mas Clarice agia como se não soubesse de nada, mantendo sua rotina habitual.
Lia livros, cuidava das flores e, às vezes, sentava-se no jardim para tomar sol. Estava em uma paz absoluta, sem qualquer sinal de que causaria um problema.
Nos momentos de ócio, ela se lembrava de tudo o que viveu com Henrique desde que chegou a este mundo.
Desde o primeiro encontro até o dia em que ele conheceu Beatriz.
No fim, as engrenagens do destino nunca foram algo que ela pudesse parar, por mais que se esforçasse.
Ela começou a pensar que talvez fosse melhor assim.
Na história original, Clarice morria de forma trágica e humilhada por tentar separar os dois.
Mesmo depois que Beatriz traiu Henrique, ela ainda foi alvo do ódio dele e morreu sem dignidade.
Morrer por causa da doença agora parecia uma sorte. Pelo menos ela não sofreria aquelas humilhações e manteria um pouco de sua dignidade. Já que não podia mudar a história, afastar-se era melhor do que ser atingida pelas consequências dela.
Com esses pensamentos, ela foi ao hospital sozinha.
"Doutor, gostaria de saber se, no meu estado, meus órgãos ainda podem ser doados."
O médico olhou para o prontuário dela com pesar. "Senhorita Clarice, seus órgãos, exceto coração e pulmão, estão saudáveis. É possível, mas..."
"Mas o quê?"
"O senhor Henrique esteve aqui há poucos dias perguntando sobre novos doadores para a senhora. Ele está fazendo de tudo. Talvez tenhamos boas notícias em breve. Por que tomar essa decisão agora?"
Clarice sorriu e balançou a cabeça. "Não é necessário. Mesmo que encontrem um novo coração, eu não farei mais a cirurgia."
Vendo sua determinação, o médico apenas suspirou profundamente e entregou os documentos de doação.
Clarice pegou a caneta e assinou seu nome com firmeza, sem hesitação.
Após assinar, o médico disse: "Este documento precisa ficar com um familiar direto. Devo avisar o senhor Henrique?"
A mão de Clarice parou por um instante e sua garganta apertou. "Avisem meus pais."
Seus pais moravam no exterior desde que ela se casou. Ela nunca contou que estava doente. No início, ela acreditava que o transplante resolveria tudo e não queria preocupá-los. Mas agora, sentia um leve arrependimento. Se soubesse que terminaria assim, teria pedido que voltassem antes, para vê-los uma última vez.
Após terminar os trâmites, ela saiu do consultório e, ao virar o corredor, deu de cara com Henrique e Beatriz.
Beatriz estava apoiada no peito de Henrique, pálida e frágil.
Henrique a segurava com extremo cuidado, com os olhos cheios de preocupação.
Ao ver Clarice, ele demonstrou surpresa, soltou Beatriz e caminhou rapidamente até ela. "Clarice, o que faz aqui? Está se sentindo mal?"
Clarice apenas lançou um olhar frio. "Estou bem."
Beatriz aproximou-se, baixando a cabeça com uma voz fraca: "Senhorita Clarice, obrigada por ceder o transplante para mim, e pelos remédios e pela mansão... Eu não sei como agradecer."
Aquela encenação causou irritação em Clarice.
Ela nunca foi uma pessoa doce ou paciente, e agora que seu coração estava desiludido, não faria esforço para fingir.
Ela ergueu o olhar, fria: "Se eu decidi dar ou não, não é da sua conta me agradecer."
O rosto de Beatriz ficou ainda mais pálido. Com os olhos marejados, ela recuou um passo e olhou para Henrique, como se tivesse sido profundamente ofendida.
Henrique imediatamente mudou de expressão, olhando para Clarice com irritação.
"Clarice, por que ser tão agressiva? Ela está apenas agradecendo. Onde está sua educação? Você não pode ser um pouco mais compreensiva?"
Clarice sentiu vontade de rir. Ela achava que já não se importava, mas ver Henrique protegendo outra pessoa ainda doía.
"Henrique, você me conhece agora? Desde quando eu, Clarice, sou uma pessoa compreensiva?"
Suas palavras deixaram Henrique sem resposta. O clima entre eles gelou.
Nesse momento, Beatriz levou a mão ao peito, tossiu e ficou pálida como papel. "Henrique... meu peito dói muito..."
Henrique não pensou em mais nada.
Ele a pegou nos braços, desesperado, sem lançar sequer um último olhar para Clarice antes de correr em direção à emergência.
Ele não percebeu que Clarice também sentia uma dor aguda no peito pelas palavras dele. Ela agarrou sua roupa com força, com o rosto igualmente pálido.
Clarice voltou para casa. Ao tentar descansar no sofá, a porta foi aberta com violência.
Henrique entrou com os olhos vermelhos de raiva, foi até ela e agarrou seu pulso com tanta força que parecia que ia quebrar seus ossos. "Clarice, como você pode ser tão perversa!"
Clarice gemeu de dor. "Ficou louco?"
"Você mandou pessoas ao hospital para agredir a Beatriz? Ela está prestes a operar, está fraca! Você sabe que ela não aguenta nada disso e ainda faz uma coisa dessas! E eu pensando que você tinha mudado... Você continua sendo a mesma pessoa egoísta que não quer que ela se salve!"
Henrique estava com as veias do pescoço saltadas de tanta fúria.
"Eu não fiz nada."
Clarice falava entre dentes, lutando para respirar pela dor no peito.
Mas Henrique não acreditou. "A pessoa que a atacou confessou que foi enviada por você! Clarice, eu te aviso: fique no seu lugar. Controle seu temperamento de menina mimada e não ouse tocar na Beatriz ou atrapalhar a cirurgia dela. Caso contrário, eu mesmo vou te ensinar a se comportar!"
Dito isso, ele soltou o pulso dela com força, fazendo-a cair para trás, e saiu batendo a porta.
Clarice encolheu-se no chão, sentindo o mundo escurecer. O gosto de sangue subiu à boca e ela tossiu.
A empregada, ao ver a cena, correu desesperada para chamar a ambulância.
Enquanto era colocada na maca, Clarice perdia a consciência com um único pensamento: "Henrique, no fim, eu me entreguei ao homem errado."
Capítulo 4
O cheiro de desinfetante invadiu seu nariz. Quando Clarice abriu os olhos, sua visão ainda estava turva; demorou um longo tempo até conseguir distinguir Henrique sentado ao lado da cama hospitalar.
Os olhos dele ainda estavam injetados e as olheiras permaneciam profundas. Ao vê-la acordar, um misto de pânico e culpa cruzou seu olhar. Ele falou primeiro: "Clarice, me desculpe. Eu agi por impulso ontem, não deveria ter sido agressivo com você."
Clarice apenas lançou um olhar indiferente para ele e desviou os olhos para o teto. Seus dedos acariciavam suavemente o pulso inchado e avermelhado onde ele a havia segurado com força. Ela não respondeu, nem sequer moveu uma sobrancelha.
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