"O Preço da Minha Devoção" Capítulo 8
Parecia a mesma de antes, mas ao mesmo tempo, parecia uma pessoa completamente diferente.
Xavier engoliu em seco e falou com a voz carregada: — Nancy, por que você a empurrou? Não sabia que ela está grávida?
Nancy sustentou o olhar dele por alguns segundos.
— Eu não a empurrei.
Xavier franziu a testa, e seu tom de voz tornou-se mais ríspido: — Nancy, eu vi. Só havia vocês duas aqui. Se você não a empurrou, ela cairia sozinha?
Nancy olhou para ele e apontou para o topo da entrada do prédio administrativo.
— Aquela câmera está virada exatamente para cá. Vá ver você mesmo.
Xavier seguiu a direção do dedo dela.
Uma câmera de segurança esférica estava posicionada em direção ao pátio, com a luz vermelha piscando, registrando nitidamente toda a cena anterior.
O rosto de Wanessa ficou pálido instantaneamente.
— Vou verificar as imagens. — Xavier disse, ajudando Wanessa a se levantar para levá-la à sala de monitoramento.
Wanessa agarrou a manga dele, com a voz falhando: — Xavier... não precisa ver... minha irmã não fez de propósito... eu não quero causar problemas...
Xavier baixou o olhar para a mão dela.
Os dedos de Wanessa apertavam o tecido de seu uniforme com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos e trêmulos.
Ele entendeu tudo.
Lentamente, ele removeu a mão dela de sua manga, e sua voz tornou-se fria.
— Wanessa, você está mentindo.
Wanessa perdeu o chão, seus lábios tremiam tentando dizer algo, e as lágrimas caíram com mais intensidade.
Xavier não olhou mais para ela.
Ele virou-se para Nancy.
Ela estava a dois passos de distância, com a postura firme e o olhar sereno.
— Nancy. — Xavier disse. — Sinto muito.
Nancy olhou para ele, não disse uma palavra, virou-se e foi embora.
13
Ao chegar em casa, Wanessa bateu a porta e começou a chorar no sofá.
— Você ainda pensa nela, não é? Três anos se passaram e você ainda não a esqueceu!
Xavier tirou o quepe militar, pendurou-o no suporte perto da porta e não disse nada.
Wanessa chorou ainda mais alto: — Estou casada com você há três anos, lavo suas roupas, cozinho, cuido da casa e agora carrego um filho seu no ventre. E você? Basta vê-la para ficar paralisado!
— Eu não fiz isso. — Disse Xavier.
— Não fez? — Wanessa levantou-se, as lágrimas escorrendo. — Então por que não me defendeu? Você viu que ela me empurrou, por que foi falar de câmera? Você não pode ficar do meu lado uma única vez?
Xavier virou-se para encará-la, com a voz baixa e firme: — Wanessa, aquilo foi falso. Você caiu de propósito, eu percebi.
Wanessa empalideceu, seus lábios tremeram.
— É claro que você percebeu. Sua mente está cheia dela, então é óbvio que acha que estou atuando! Mas o que a Nancy tem de tão bom? Se ela fosse boa pessoa, não teria te abandonado naquele dia, deixando você passando vergonha sozinho no restaurante!
— Chega. — Xavier fechou o rosto.
— Não chega! — A voz de Wanessa tornou-se aguda. — Você sabe o que dizem de você na Base? Dizem que você foi descartado pela irmã mais velha e que eu fiquei com o homem que ela não quis—
Antes de terminar a frase, Wanessa subitamente levou a mão ao ventre, com o rosto perdendo a cor.
A expressão de Xavier mudou na hora, e ele correu para ampará-la: — Wani? Wanessa!
Sangue começou a escorrer pelas pernas dela, manchando o chão.
Xavier a pegou nos braços, saiu correndo de casa e foi direto para o hospital militar.
A luz da sala de emergência ficou acesa por duas horas.
Quando se apagou, o médico saiu, retirou a máscara e suspirou.
— A mãe está fora de perigo, mas não conseguimos salvar o bebê.
Xavier ficou parado no corredor, com o rosto acinzentado.
Na manhã seguinte, a Dona Luciana chegou apressada da cidade natal.
Ela entrou no quarto e, ao ver Wanessa deitada na cama com o rosto pálido, começou a chorar de pena.
— Minha filha, você sofreu tanto. Mamãe fez canja de galinha, beba enquanto está quente.
Wanessa encostou-se na cabeceira, com os olhos vermelhos, e disse com a voz rouca: — Mãe, a culpa é da Nancy! Foi ela quem prejudicou meu filho!
— Aquela infeliz! — Dona Luciana rangeu os dentes. — Tem o mesmo caráter da mãe dela, só sabe seduzir homens. Se não fosse pela mãe dela ter seduzido o seu pai, ele nunca teria se casado com ela primeiro. Mas teve o que mereceu! Vida curta... com um pequeno plano meu, ela caiu no rio e morreu afogada.
— Mãe, o que eu faço agora? A Nancy voltou, o Xavier com certeza vai querer reatar com ela!
— Xavier também é um ingrato! — Dona Luciana bufou, cada vez mais irritada. — Se não fosse por você ter assumido o lugar da irmã, ele teria perdido toda a honra! Agora ele come a comida que você faz, veste a roupa que você lava e fica pensando naquela garota que fugiu.
Ela segurou a mão de Wanessa e baixou ainda mais a voz.
— Minha filha, não se preocupe. Eu não vou dar sossego a ela. Basta espalharmos o boato de que ela era má quando criança e que causou a morte da própria mãe por diversão. Os superiores nunca mais darão cargos de confiança para ela. Depois, você engravida de novo e veremos como ela vai competir com você.
Wanessa assentiu, e um sorriso finalmente surgiu no canto de sua boca.
— Só a senhora para ter ideias tão boas!
A porta do quarto estava entreaberta.
Xavier estava parado no corredor, segurando uma garrafa térmica com o mingau que havia preparado de manhã cedo.
Ele viera com a intenção de se desculpar.
Achava que tinha sido duro demais no dia anterior; afinal, Wanessa acabara de perder o bebê, ele deveria cuidar dela.
Mas ali, parado na porta, ele ouviu claramente cada palavra da mãe e da filha.
Sua mão apertou a alça da garrafa térmica até os nós dos dedos ficarem brancos.
Então, a mãe biológica de Nancy havia sido assassinada pela Dona Luciana.
E agora, elas planejavam destruir Nancy novamente.
Ele percebeu que, em ambas as vidas, trouxera mulheres perversas para dentro de sua casa.
Ele abriu a porta e entrou.
Ao vê-lo, a expressão cruel de Dona Luciana desapareceu instantaneamente, sendo substituída por uma máscara de preocupação: — Xavier, você chegou? Minha Wanessa é tão sofrida, cuide bem dela e não deixe que ela passe por mais tristezas.
Xavier não olhou para ela. Colocou a garrafa térmica sobre o criado-mudo e fixou o olhar em Wanessa.
— Wanessa, preciso falar com você.
Wanessa limpou as lágrimas e forçou um sorriso: — Xavier, que bom que veio. Não te culpo pelo que aconteceu ontem. Eu sei que você também está sofrendo pela perda do bebê—
— Quero o divórcio. — Xavier a interrompeu.
14
O quarto mergulhou em silêncio absoluto.
O sorriso de Wanessa congelou, e seus lábios tremeram: — O que você disse?
— Eu disse que quero o divórcio. — A voz de Xavier era monótona. — Vou retirar o pedido de sua transferência para o serviço ativo também.
Dona Luciana levantou-se num salto e começou a gritar: — Xavier! Você não tem coração? Minha filha acabou de perder um filho e você fala em divórcio? Você é humano por acaso?!
Xavier virou-se para ela com um olhar gélido.
— Eu ouvi tudo o que vocês disseram agora há pouco.
O rosto da Dona Luciana perdeu a cor.
— O que... que conversa? — A voz de Wanessa falhou. — Xavier, minha mãe só estava nervosa por causa do meu sofrimento, disse coisas sem pensar, não leve a sério...
Xavier não lhe deu atenção e caminhou para a saída.
Ao chegar à porta, ele parou por um momento, sem olhar para trás.
— Wanessa, eu vou pedir uma investigação sobre o que sua mãe fez no passado. Quem faz o mal não terá um final feliz.
A porta se fechou com força, e do interior do quarto veio o grito lancinante de Wanessa.
Xavier caminhava pelo corredor com passos rápidos.
Sua mente estava tomada pelo rosto de Nancy.
Lembrou-se de quando tinha quinze anos e ela o salvou no rio, encharcada, dizendo com um sorriso: "Xavier, você me deve uma vida".
Lembrou-se dela esperando para se casar, com a mochila de lona no portão, jogando a chave fora.
Lembrou-se dela diante do prédio do Comando, dizendo "eu não a empurrei" com uma calma tal que parecia olhar para um estranho.
Lembrou-se da vida passada, quando a equipe de filmagem o levou com seus filhos e netos até aquela casinha caindo aos pedaços, e ela cuspiu sangue antes de cair morta diante dele.
Ela o esperou por cinquenta e três anos. Esperou até o fim de suas forças.
Ele nem sequer teve tempo de pedir perdão.
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