"O Preço da Minha Devoção" Capítulo 7
Ela jogou a chave na estrada, não levou nada.
Não quis sua compensação, não quis seu casamento.
Ele apagou o cigarro na palma da mão, franzindo o cenho de dor.
Ele tinha medo.
Medo de que Nancy e o parceiro transformassem o fingimento em realidade.
Medo de que ela se apaixonasse com o tempo e nunca mais voltasse.
11
O caminhão militar sacolejou pelas estradas de montanha o dia inteiro e só parou ao anoitecer.
Nancy saltou do veículo, deparando-se com uma paisagem desolada.
Algumas fileiras de casas térreas cinzentas estavam aninhadas no vale, cercadas por montanhas áridas. Quando o vento soprava, a poeira subia por toda parte.
— Nancy? — Um homem alto vestindo uniforme de treinamento aproximou-se, segurando uma pasta. — Eu sou o Arthur. A partir de hoje, somos uma dupla.
Nancy olhou para ele.
Sobrancelhas grossas, nariz reto, olhos negros e brilhantes, e uma expressão neutra, difícil de decifrar.
— Olá — disse Nancy.
Arthur apenas assentiu e virou-se: — O dormitório é por ali. O jantar no refeitório é às seis e meia.
Ele caminhava rápido, com passos largos e firmes; Nancy precisava quase correr para acompanhá-lo.
Na manhã seguinte, o apito de reunião soou.
Havia seis pessoas no pátio, divididas em três duplas.
O comandante parou à frente, passando o olhar por todos.
— A missão no Norte precisa de apenas uma dupla. Daqui a três dias haverá uma avaliação; quem for melhor, assume a vaga.
O coração de Nancy disparou.
Apenas três dias.
Pela manhã, foi o teste físico.
Corrida com carga, barra fixa, obstáculos de quatrocentos metros — as três provas em sequência.
Nancy resistiu até o fim, caindo na linha de chegada ofegante.
Arthur estava ao lado dela, com a respiração apenas um pouco mais pesada que o normal.
— Tudo bem? — perguntou ele.
Nancy apoiou-se nos braços para levantar e bateu a poeira da roupa: — Sobreviverei.
À tarde, houve o sorteio para o combate corpo a corpo.
Nancy sorteou um soldado de outra dupla, um homem de mais de um metro e oitenta, corpulento.
Quem assistia achava que o resultado era óbvio.
Arthur, na beira do campo, não demonstrava emoção, apenas disse: — Não use força bruta, procure os pontos fracos.
Nancy assentiu e entrou no campo.
O oponente não a levou a sério e atacou com tudo.
Ela esquivou-se e desferiu um chute na dobra do joelho dele.
O homem cambaleou, virou-se para socar, mas ela abaixou-se e atingiu o flanco dele com o cotovelo.
Após alguns golpes, o homem ficou impaciente, seus movimentos ficaram maiores e as brechas surgiram.
Por fim, Nancy aplicou um golpe sobre o ombro, derrubando-o no chão. O local ficou em silêncio por dois segundos antes de alguém soltar um assobio.
O canto da boca de Arthur moveu-se levemente.
À noite, no refeitório, Nancy sentou-se à frente de Arthur.
Ele olhou para ela e empurrou o ovo de sua própria tigela para a dela.
— Coma, você gastou muita energia hoje.
Nancy hesitou por um segundo, mas aceitou sem cerimônia.
— Aqueles golpes de hoje foram bons — disse Arthur. — Quem te ensinou?
— Aprendi sozinha — respondeu ela enquanto mastigava. — Eu brigava muito quando morava na Base.
Arthur olhou para ela e os cantos de sua boca formaram uma curva quase imperceptível.
Após o jantar, os dois caminhavam de volta sob uma lua grande que iluminava todo o pátio.
— Por que você veio para cá? — perguntou ele subitamente.
Nancy pensou por um momento: — Queria provar que não sou apenas um acessório de outra pessoa.
Arthur não perguntou mais nada.
— E você? — perguntou Nancy.
— Necessidade da missão — respondeu ele.
Nancy sorriu: — Você não consegue ser um pouco mais inspirador?
Arthur olhou para as sombras das montanhas distantes e, após dois segundos, disse: — Aqui posso mostrar meu valor. Isso basta.
Nancy olhou para o perfil dele iluminado pelo luar e sentiu um leve aperto no coração.
No terceiro dia, a última avaliação foi um confronto entre as duplas.
As três duplas foram sorteadas para se enfrentarem; as duas vencedoras fariam a final.
Os oponentes de Nancy e Arthur na primeira rodada eram a dupla mais cotada.
O homem atacava com ferocidade e a mulher tinha uma coordenação perfeita, mas Nancy e Arthur pareciam trabalhar juntos há anos:
Quando ela corria para a esquerda, ele já sabia que ela queria atrair o oponente da direita;
Quando ele fazia um sinal, ela já sabia por onde cercar.
Três minutos, e acabou.
A final foi ainda mais rápida.
Arthur fez a contenção frontal enquanto Nancy contornava para capturar a bandeira; tudo em menos de dois minutos.
Quando o apito final soou, Nancy estava no centro do campo, com a bandeira tremulando ao vento.
O comandante olhou para o cronômetro e assentiu: — Missão no Norte: Nancy e Arthur. Ficam vocês dois.
Nancy paralisou por um segundo e virou-se para Arthur.
O pôr do sol batia no rosto dele, tornando seus olhos de um tom castanho claro, muito bonitos.
Ele estendeu a mão, e um sorriso começou a surgir em seu rosto.
Nancy sorriu e apertou a mão dele.
No momento em que suas palmas se tocaram, os dois riram espontaneamente.
— Bom trabalho, parceira — disse Arthur.
— Bom trabalho.
Eles soltaram as mãos e caminharam de volta lado a lado.
O sol poente alongava suas sombras, fazendo-as se sobreporem.
Nancy subitamente sentiu que a ideia de ir para o Norte já não parecia mais tão assustadora.
12
Três anos depois.
A missão no Norte foi concluída com sucesso. Devido ao seu desempenho excepcional, Nancy recebeu uma condecoração de primeira classe e foi transferida para o Comando Regional Militar, onde assumiu o cargo de oficial de estratégia.
No dia em que se apresentou, logo ao cruzar o portão da base, ela viu Wanessa caminhando na direção oposta, vinda da vila dos familiares.
Wanessa usava roupas civis, um vestido floral, cabelo ondulado e sapatos de couro fino. Sua barriga apresentava uma leve saliência, e ela mantinha uma das mãos apoiada sobre o ventre.
Como esposa de oficial, ela morava nos prédios residenciais atrás do quartel e havia saído para uma caminhada.
As duas se cruzaram no pátio de treinamento.
Wanessa paralisou por um instante, mas logo abriu um sorriso.
— Irmã? O que você faz aqui? — Ela deu alguns passos à frente, avaliando Nancy de cima a baixo. Ao notar as insígnias em seu ombro, o sorriso vacilou. — Você... foi transferida de volta?
— Sim. — Nancy respondeu secamente. — A missão no Norte terminou. Agora sou oficial de estratégia no Comando.
Wanessa encarou as insígnias por alguns segundos, forçando um sorriso amargo.
Ela repousou a mão sobre a barriga saliente e recuperou o sorriso, agora com um tom deliberado.
— Irmã, tenho uma ótima notícia. Estou grávida de três meses. Xavier já enviou o pedido para minha transferência definitiva para o quadro de oficiais ativos, deve ser aprovado em breve.
Ao terminar de falar, ela fixou o olhar em Nancy, esperando ver alguma reação de choque ou tristeza.
Mas Nancy apenas assentiu calmamente.
— Parabéns.
Foi apenas uma palavra, dita em tom neutro. Em seguida, ela seguiu em direção ao prédio administrativo.
O sorriso de Wanessa congelou.
Ela cerrou os punhos, cravando as unhas na palma da mão.
Três anos. Ela estava casada com Xavier há três anos e vivia no quartel há mais de dois.
Xavier a tratava bem, nunca deixou faltar nada, mas ela sabia melhor do que ninguém quem ele guardava no coração.
Na noite de núpcias, ele chamou o nome de Nancy vinte e três vezes.
No escritório, um baú trancado estava cheio de pertences de Nancy.
Ela pensou que, estando grávida e encontrando Nancy no quartel, finalmente poderia saborear uma vitória.
Mas Nancy nem sequer se abalou.
Wanessa rangeu os dentes e apressou o passo para alcançá-la, bloqueando o caminho de Nancy com um sorriso falso.
— Irmã, não tenha pressa. Xavier está em uma reunião ali no prédio, deve terminar logo. Não quer esperá-lo?
Nancy olhou para ela, mas permaneceu em silêncio.
Wanessa, irritada, lançou um olhar para a porta do prédio administrativo e, subitamente, deu um passo para trás.
— Ai! — Ela gritou, jogando o corpo para trás e caindo sentada no chão.
Segurando o ventre, com os olhos vermelhos e a voz trêmula, exclamou: — Irmã... por que você me empurrou?
Nancy permaneceu imóvel, observando-a sem qualquer expressão.
Nesse momento, a porta do prédio abriu.
Vários oficiais saíram, e à frente de todos estava Xavier.
Ele vestia o uniforme oficial, com uma nova estrela brilhando em sua insígnia.
Ao ouvir o grito de Wanessa, ele correu e agachou-se para ampará-la.
— Wani, o que aconteceu?
Wanessa encostou-se no peito dele, as lágrimas rolando sem parar, e disse com voz de vítima: — Xavier... minha irmã... não foi por mal... não brigue com ela...
Xavier levantou a cabeça bruscamente e olhou para Nancy.
Após três anos, ela estava mais bronzeada e magra. Parada sob o sol, mantinha a coluna perfeitamente ereta.
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