"A Vingança da Pastora" Capítulo 7
— O caminho de pedras onde a patroa foi punida estava cheio de pedras afiadas de propósito; até uma maçã seria perfurada ali, imagine uma pessoa. O senhor pode ir lá ver com seus próprios olhos. Minha mãe ficou com medo da Valentina e me proibiu de falar, mas eu vi a perna da patroa sangrando por dois dias sem nenhum cuidado, eu não aguentei mais ver aquilo!
A perna dela estava tão mal assim? Não fora apenas um golpe de madeira?
Ao lembrar que Estela ainda tentara afastá-lo antes de desmaiar, o coração de Dimitri quase parou. Ele não conseguia imaginar a dor que ela sentira.
— Cada detalhe, cada ato... Valentina, você usou o meu nome para destruir a Estela.
Diante de todas as evidências, Valentina não tinha mais como mentir. Ela tentou um último recurso, agindo como se estivesse quebrada.
— Senhor Dimitri, eu achei que o senhor a odiasse, por isso agi de acordo com o que pensei ser sua vontade...
Como se tivesse ouvido a piada mais engraçada do mundo, Dimitri soltou uma gargalhada. Ao saber de todo o sofrimento de Estela, ele finalmente entendeu a vingança dela no banquete e, estranhamente, sentiu-se feliz.
Era apenas um mal-entendido. Por mais que ela estivesse brava ou causasse problemas, era o que ele merecia. Ele conseguiria reconquistá-la. Agora, ele só queria ver o sorriso dela novamente.
— Eu a amo mais que a minha vida, como poderia odiá-la? Valentina, quando a Estela sair do quarto, você vai pedir perdão por cada uma dessas coisas.
Valentina continuou implorando:
— Não! Senhor Dimitri, ouça...
— Senhor! — gritou um segurança entrando na sala. — A patroa desapareceu!
Dimitri olhou para o sangue em sua palma, sentindo o coração disparar em pânico.
— Como assim a Estela desapareceu?
Capítulo 13
Estela não levou nada consigo, como se tivesse saído apenas por um momento. O vestido ensanguentado fora deixado jogado no chão, manchado e com dois furos evidentes que atraíram a atenção de Dimitri.
Ele se lembrou de ter pego, sem pensar, um pedaço de madeira deixado no vão da escada para o serviço dos empregados. Como poderia haver pregos? A menos que... fora outra obra de Valentina; ela trocara a madeira.
Com razão a expressão de Estela era de tanta agonia; ele ainda zombara dela, dizendo que era uma farsa, enquanto a perna ferida sangrara por dois dias inteiros...
Seu coração se apertou. Ao olhar ao redor, sentiu-se apunhalado. Aquela roupa com mil cortes, as mil cópias das regras da casa, a calça perfurada pelas pedras afiadas... Estela deixara tudo organizado ao lado da foto de casamento deles. Ela fizera aquilo de propósito, sem dizer uma palavra; era sua vingança silenciosa!
Sentindo mil agulhas no peito, Dimitri ajoelhou-se diante da foto. Seus dedos tremiam ao tocar aqueles objetos, como se pudesse sentir fisicamente a dor que ela sentira. Como pudera cometer tantos erros?
A promessa de protegê-la a todo custo tornara-se a piada mais amarga. Ele temia o quão implacável Estela poderia ser quando decidia romper...
— Ela não me disse nada... o coração dela morreu, ela nem quis se dar ao trabalho de se explicar para mim...
Após outra busca pela casa, o mordomo relatou apressadamente:
— Senhor Dimitri, as câmeras mostram que a patroa saiu disfarçada de empregada antes do banquete. Todos estavam ocupados com a Senhorita Valentina e ninguém notou.
— Como ela pôde fugir? Vocês são cegos?!
— Senhor, as imagens mostram claramente que o senhor chegou a falar com ela...
Em um flash, a imagem daquela empregada de cabeça baixa e andar manco surgiu na mente de Dimitri. Era ela? Impossível! Dimitri forçou um sorriso, tentando se convencer de que ainda tinha o controle.
— Impossível. As cinzas do pai dela estão aqui, Estela jamais partiria sem elas!
Na época, ele transferira o túmulo por puro egoísmo. Estela era livre por natureza; ele temia não conseguir controlá-la, então usou o que ela mais amava para prendê-la. Só assim aquela bela borboleta ficaria para sempre sob sua redoma de vidro.
A jovem empregada hesitou, mas acabou falando:
— Senhor Dimitri... o senhor não sabe que as cinzas do pai da patroa foram devoradas por cães?
— Comida de cachorro? Eu mandei substituírem as cinzas antes...
Ele arregalou os olhos e correu para o jazigo do sogro, cavando com as próprias mãos o pote que ele mesmo enterrara. Vazio. Nada. Ele destruíra com as próprias mãos o seu último trunfo!
Ele esmurrou o piso de pedra até os nós dos dedos sangrarem, mas nem piscou.
— Senhor Dimitri, eu não sabia... foram os subordinados, não foi minha intenção... — Valentina, que antes achava que poderia reverter a situação, agora tremia diante da aura perigosa que emanava do homem.
No segundo seguinte, Dimitri a agarrou pelos cabelos e bateu sua cabeça contra a lápide. Uma, duas vezes... ela gritava e lutava até ser jogada de lado, ensanguentada.
— Dói... Senhor Dimitri, me ajude...
— Dói? Quando você usou meu nome para torturar a Estela, pensou se doeria nela?
Ao pensar na mulher que chorava até para tomar uma injeção, Dimitri sentiu o coração ser esmagado. Ele pegou o mesmo pedaço de madeira que usara contra Estela e descarregou em Valentina. Com um único golpe, ela caiu uivando de dor.
— Minha perna... eu fiz isso por amor, eu só tive um pouco de egoísmo...
— Bem feito! — gritou a filha da empregada. — Ela usava o nome do senhor para tudo, roubava o salário da minha mãe para comprar luxos e ainda se gabava de que os brincos de esmeralda eram o anel de noivado dela!
Dimitri teve vontade de esbofetear a si mesmo. Como pudera acreditar que Valentina era uma pessoa desapegada e que os luxos em seu quarto eram apenas "objetos de treinamento"? Mentirosa!
— Este golpe é pelas suas mentiras. Este, pela sua arrogância. Este, por ferir a Estela. E este... por matar o meu filho!
Com o último golpe, Valentina desmaiou. A chuva fria batia no rosto de Dimitri, e ele já não sabia o que era chuva e o que era lágrima. Uma voz em seu interior repetia sem parar: Estela não vai voltar...
Capítulo 14
— Senhor Dimitri, a matriarca o removeu do conselho de administração.
— Senhor, há muitas notícias negativas sobre as reuniões com seus amigos. A opinião pública está inflamada, é melhor não sair de casa por enquanto.
— Senhor, descobrimos a verdade sobre Valentina. Ela não é de família tradicional; a verdadeira herdeira está no exterior. Ela é uma golpista com antecedentes criminais. Ela continua no porão, mas ninguém cuidou dos ferimentos dela ainda.
— Senhor...
— Onde está a Estela?
Dimitri se virou e derrubou uma garrafa de bebida vazia. Fazia meio mês desde o banquete; ele ainda usava o mesmo terno, exalando um ar de decadência absoluta.
— Sinto muito, senhor. Ainda não temos notícias.
Nesse período, ele não tivera sinal de Estela. Sofria de insônia severa, anestesiando os nervos com álcool. Mas quanto mais bebia, mais lúcido ficava, e as lembranças doces do passado o torturavam como lâminas.
— Não me tragam relatórios se não for sobre ela. Sumam!
Ele atirou uma garrafa contra a porta, e os estilhaços perfuraram a foto de casamento. Ele tentou tirar os cacos com as mãos, sujando a imagem de sangue. Por mais que limpasse, a mancha permanecia. Assim como entre eles: mal-entendidos e mágoas profundas.
— Estela, onde você está?
Em seu delírio, pareceu ouvir o riso dela. "Eu te amo, Estela. Não importa o que aconteça, nunca soltarei sua mão." A mulher fazia uma careta engraçada e brincava: "Se você me maltratar, eu vou me esconder onde você nunca me ache. Eu sou uma borboleta que sabe voar."
As palavras do passado tornaram-se uma profecia. A porta se abriu e ele viu a silhueta dela, mas ao tentar alcançá-la, não encontrou nada.
— Dimitri, você se transformou nesse espectro por causa de uma mulher? Já não basta a vergonha que trouxe para a família?
Dona Helena tapava o nariz, com desprezo, recusando-se a entrar no quarto imundo.
— Vim avisar que, se não se recompor, não será apenas o conselho que perderá...
— Eu só quero a Estela, mãe. Não quero mais nada.
Dona Helena olhou para ele com estranheza, e a última centelha de esperança em seus olhos se apagou.
— Pois arque com as consequências.
Com uma frase, ela jogou anos de esforço dele no lixo.
— Senhor Dimitri, por que isso? Peça desculpas à matriarca e tudo se resolve — disse o velho mordomo.
Dimitri encostou-se no sofá, olhando para o teto.
— Agora eu entendo, tio Carlos. Mesmo que a Estela se tornasse a mulher perfeita que minha mãe queria, ela nunca a aceitaria. Eu errei desde o início. Usei a Estela como ferramenta para agradar minha mãe. Tentei ter o amor e o status ao mesmo tempo... fui ganancioso.
Seus olhos arderam.
— O resultado é que minha mãe não me ama e a Estela fugiu de mim.
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