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"A Vingança da Pastora" Capítulo 2

正文开头

Em seus sonhos, Estela voltou para a imensidão do Pantanal.

Dimitri aparecia atrás de seu rebanho, segurando uma câmera e gritando com sinceridade: "Moça, você é linda!"

Ela fugira daquela abordagem abrupta, mas o homem sempre dava um jeito de encontrá-la, sem esconder sua paixão súbita. Ele lhe dava flores, recitava poesias e fazia desenhos dela.

Quando foram pegos por uma tempestade de areia e ficaram presos em uma caverna por três dias, sem comida ou água, Dimitri deu a ela o pouco que restava, apenas para garantir que ela sobrevivesse.

Quase sem forças, ele sussurrou: "Eu te amo. Não me arrependo de ter te conhecido, só lamento não termos ficado juntos."

Foi a entrega dela e a piedade do destino que os mantiveram vivos. Com medo e esperança, ela aceitou deixar o Pantanal com ele.

No início, Dimitri dava todo o amor do mundo a ela. Comprou terras para que ela pudesse criar ovelhas, permitia que usasse suas roupas tradicionais em casa e respeitava seus gostos alimentares.

Ele a pediu em casamento noventa e nove vezes. Declarou seu amor outras novecentas e noventa e nove. Usou toda a sua sinceridade para derrubar as defesas dela.

A imagem mudou bruscamente. Uma escuridão infinita a envolveu, e a voz de Valentina ecoava em seus ouvidos:

— Você acha que uma dama agiria como uma idiota como você? Batam nela!

Estela sentiu que não conseguia respirar, como se estivesse afogando. Acordou gritando, sentindo o rosto gelado.

Um balde de água havia sido jogado nela. Valentina estava ao lado da cama, imperturbável.

— Senhor Dimitri, a senhora adora fingir que está mal. Bastou um pouco de água para ela acordar num pulo.

A água gelada penetrou nas feridas abertas, causando uma dor lancinante.

— Dimitri... ela fez de propósito...

O olhar cansado do homem tornou-se sombrio. Sua mão, que estava perto do rosto dela, parou.

— Você ainda não reconhece seu erro. Eu e ela ficamos cuidando de você a noite toda, e você ainda a calunia dessa forma.

A maneira como ele a protegia trouxe lembranças de anos atrás.

"A família dela não é como a nossa, vocês não conhecem o valor da Estela. É por isso que a caluniam tanto."

A forma como ele protegia Valentina agora era idêntica à forma como ele a protegera diante da família dele no passado. Mas tudo havia mudado.

— O aniversário da minha mãe está chegando. Reflita sobre como ser uma esposa digna. Só então permitirei que assinemos os papéis do casamento civil.

Dimitri saiu sem olhar para trás, sem sequer providenciar que ela trocasse as roupas encharcadas.

Por causa daquele registro civil, ela estava presa naquela gaiola há cinco anos.

Lágrimas amargas escorreram pelo canto de seus olhos. O vento úmido que entrava pela janela não cheirava como sua terra natal. O rebanho, o céu azul profundo e a liberdade do Pantanal eram as únicas coisas que ela realmente desejava.

正文1

O aniversário de Dona Helena seria sua única chance de fuga. E também a melhor oportunidade para arrancar as máscaras hipócritas de todos eles!

Capítulo 3

Ao amanhecer, Estela ainda dormia quando foi arrancada da cama brutalmente por Dimitri. O movimento brusco abriu as feridas que mal começavam a cicatrizar, fazendo o sangue fluir novamente.

— É isso que você escreveu mil vezes? Calúnias e palavras obscenas contra Valentina! Ela ficou tão abalada que chegou a passar mal!

Nos papéis manchados de sangue diante dela, não havia uma única regra da casa. Eram apenas insultos contra Valentina. Mas Estela sabia que não tinha escrito aquilo.

— Não fui eu quem escreveu isso! Eles me vigiaram a noite toda enquanto eu copiava!

Sua defesa apenas alimentou a fúria de Dimitri. Ele apertou o pulso dela com tanta força que parecia querer esmagar os ossos.

— Valentina preza pela própria reputação. Você está sugerindo que ela mesma escreveria essas baixezas para se incriminar? Ouça o que você está dizendo! Quem acreditaria em uma mentira dessas?

Ela olhou para aquele rosto que amara por cinco anos e o sentiu completamente estranho.

Antigamente, ele elogiava sua bondade e tratava cada palavra dela como sagrada. Agora, ele só se preocupava com outra pessoa e não acreditava em nada do que ela dizia.

Ela abriu a boca, mas não disse nada.

Dimitri soltou o braço dela e deu uma ordem inquestionável:

— Valentina está doente. Você vai até o quarto dela pedir desculpas agora!

Ela encarou o olhar dele, sem recuar:

— Eu não vou! Todo o "ensino" dela só serviu para me machucar. Eu não fiz nada de errado!

No passado, ela suportava as crueldades de Valentina por causa de Dimitri. Agora que acordou para a realidade, não seria mais o saco de pancadas de ninguém!

— Se um filho erra, a culpa é do pai. Já que você é tão desobediente, seu pai não deve estar descansando em paz no além. Talvez devêssemos exumar os restos dele para que ele possa "respirar" um pouco?

Antes do casamento, Estela sofria de insônia e chorava de saudades de casa. Dimitri fora pessoalmente ao Pantanal para trazer as cinzas do pai dela para São Paulo.

Ele construiu um jazigo especial para ela.

"Assim, Estela poderá ter a companhia da família todos os dias e nunca se sentirá sozinha."

Ela nunca imaginou que Dimitri chegaria ao ponto de usar o próprio pai falecido para chantageá-la em favor de Valentina!

Com os olhos ardendo, mas sem conseguir derramar uma lágrima, ela foi levada ao quarto de Valentina.

A preceptora sempre pregava que, como senhora da casa, Estela deveria abandonar a infantilidade, a ganância e viver de forma simples. No entanto, o que via no quarto de Valentina era uma decoração luxuosa, bichos de pelúcia de edição limitada e um armário repleto de joias.

Tudo aquilo era permitido por Dimitri.

正文2

Valentina parecia exausta. Ao ver Estela entrar, imediatamente assumiu uma expressão frágil e tossiu forçadamente.

— Senhor Dimitri, ensinar uma aluna assim vai acabar com a minha saúde. Realmente, não posso mais continuar aqui.

Ao ouvir que ela queria ir embora, Dimitri entrou em pânico. Empurrou Estela para frente:

— Ajoelhe-se e peça desculpas à sua professora! Não me faça repetir.

Estela mordeu os lábios com força, baixou a cabeça lentamente e tocou os joelhos no chão.

— Me desculpe — murmurou.

O quarto estava cheio de empregados, cujos olhares de escárnio pesavam sobre ela.

— Antigamente, os culpados carregavam fardos para demonstrar arrependimento. Um pedido de desculpas forçado assim não significa nada. Senhor Dimitri, se você for protegê-la tanto, eu não poderei mais ensiná-la.

Dito isso, ela calçou os sapatos e fez menção de sair. No entanto, fingiu uma fraqueza nas pernas e, antes que caísse, Dimitri a amparou em seus braços.

Ele a segurava como se fosse seu tesouro mais precioso.

— Então... faremos do seu jeito.

Valentina se recompôs e começou a falar com uma falsa modéstia:

— Minha intenção sempre foi o bem da senhora, nunca quis machucá-la. Mas, como o exemplo deve vir de cima, que ela fique ajoelhada no jardim por três horas. Isso servirá de alerta para toda a casa e não prejudicará a saúde dela.

Dimitri relaxou e concordou rapidamente:

— Tudo bem. Como sempre, você pensou em tudo.

Mas, ao chegar ao jardim, Estela percebeu que as pedras do caminho haviam sido afiadas uma a uma.

As pedras pontiagudas perfuraram seus sapatos finos instantaneamente. Quando tentou se levantar pela dor, foi forçada a descer novamente, sentindo o atrito rasgar sua carne.

Antes que pudesse gritar, enfiaram um pano imundo em sua boca. O cheiro de carne de peixe podre invadiu seus pulmões, desencadeando uma reação alérgica que cobriu seu corpo de manchas vermelhas.

Sempre que tentava se coçar, era atingida por uma régua de madeira pelos criados que a vigiavam.

Em menos de quinze minutos, os olhos de Estela estavam vermelhos de agonia, e seu rosto coberto de suor e lágrimas.

— Olhe só, gritando e sem postura! Que falta de educação! A professora Valentina te deu a forma mais leve de se desculpar e você ainda faz essa cena!

— Ela só é um rostinho novo que encantou o patrão. Fizeram uma cerimônia, mas no fundo ela é só um pássaro na gaiola. E ainda acha que vai ser a dona da casa!

Antigamente, Dimitri a protegia, dizia para ela seguir seu coração e não temer o julgamento alheio. Agora, ela estava coberta de feridas, ouvindo insultos que perfuravam sua alma como facas.

O sol estava forte. Com o corpo e a mente exaustos, ela perdia as forças até para manter a cabeça erguida.

Um vulto passou rapidamente, assemelhando-se a Dimitri. Mas ela logo pensou: ele não se importa mais, por que viria?

Sua visão escureceu, mas no segundo seguinte, ouviu a voz dele se aproximando.

— Estela!

 

Capítulo 4

Estela acordou após dias de um sono profundo e febril. Ao encarar o teto familiar, a lembrança das torturas sofridas fez seu coração gelar por completo. A sensação de correr livre pelo Pantanal não passara de um sonho.

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